Fabiana
Moraes: De férias com o golpe
Janeiro:
mês de férias, de renovação, de torcer por um tempo melhor.
Janeiro:
mês de tentativa de golpes, de invasão de país, de sequestro de ditador, de
massacres.
É foda
constatar, mas nos últimos tempos parece que roubaram de vez o nosso desejoso
“Feliz Ano Novo”. Aquele troço-sentimento-coisa que a gente, por mais clichê
que seja, deseja de verdade e vem carregado de fé, de “força na peruca!”, de
vontade real de amor e paz.
Mas,
nos últimos anos, nem bem tiramos a roupa branca dividida em 3x no cartão de
crédito e lá vem bomba: invasão do Capitólio nos EUA (2021); destruição da
Praça dos Três Poderes no Brasil (2023); invasão e sequestro de Nicolás Maduro
(e sua mulher, Cilia Flores, 2026); massacre de milhares de pessoas no Irã
(também 2026).
Acompanhei
todos estes eventos dentro do time de quem tem a sorte de estar de férias nesse
começo de ano, quando há um sol para cada brasileira/o. É uma experiência meio
doida e um bocado estranha: lá está você aproveitando um belíssimo dia à beira
mar, embalada pelo citado troço-sentimento-coisa típico do Réveillon, quando no
seu celular, na rádio e na televisão, começam a pipocar imagens de depredação,
gritaria e mortes.
Costumo
estar no litoral norte de Alagoas neste período de férias/começo de ano. Nesta
temporada 2025/2026, com os EUA invadindo a Venezuela para sequestrar Maduro e
Flores, percebi que já posso pedir música no Fantástico: foi a terceira vez que
estava banhada de mar quando precisei
pausar a fantasia fugaz da tranquilidade para acompanhar tiro, porrada e bomba.
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6 de Janeiro de 2021
Era ele
de novo, Donald Trump, a prova cabal de que dinheiro (muito dinheiro) não dá
educação nem racionalidade a ninguém. Foi justamente o presidente dos EUA quem
inaugurou, na manhã do dia 6 de janeiro de 2021, esse período recente e
tenebroso do reality que poderíamos
chamar de De Férias com o Golpe. Há cinco anos, vivíamos o fim do seu
primeiro mandato quando ele realizou um comício chamado “Save America” no
parque The Ellipse, próximo à Casa Branca. Ali, o fanfarrão que perdera as
eleições para Joe Biden incentivou os apoiadores a marcharem até o Capitólio.
Como
vocês sabem, não deu outra: a sede do
Congresso em Washington foi invadida por centenas de apoiadores-baderneiros,
que furaram o bloqueio policial,
destruíram propriedade histórica, vandalizaram gabinetes e ameaçaram de
morte congressistas que precisaram ser evacuados às pressas. Cinco pessoas
morreram.
Naquele
ano, com os pés sujos de areia do mar e cheirando a protetor solar, comecei a
ver em looping as cenas nas redes sociais. Minha primeira e inesquecível
constatação: como levante de maioria
branca é diferente de levante de maioria preta, né gente? Centenas de pessoas
entraram no edifício enquanto eram apenas observadas pela segurança. Poucos
meses antes, ali nos mesmos EUA, centenas de integrantes do Black Lives Matter
foram recebidos com bombas de gás lacrimogêneo, enquanto protestavam nas ruas.
Tem um texto sobre o privilégio de ser branco e depredador nesse evento aqui.
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8 de Janeiro de 2023
Pois
bem: dois anos depois daquele início de ano que, sem dúvidas, marca para além
de simbolicamente o declínio do império americano (lê aqui), lá estava esta
jornalista e professora voltando feliz de uma caminhada, pela manhã, na praia.
Era 8 de janeiro e o mar estava maravilhoso. Quando cheguei em casa, o marido
de olhos arregalados me perguntou: “você está acompanhando?”
Não, em
nome de manter um pouco do meu juízo são, principalmente depois de tanta lapada
na pandemia e de toneladas de trabalho e mensagens no zap, a minha prioridade
não era checar o noticiário. Mas aí a onda de camisas amarelas e vidros
quebrados se levantou de Brasília para alcançar todo o mapa brasileiro,
incluindo os balneários ainda decorados com frases como “Feliz 2023”.
Caducaram
cedíssimo, cedíssimo.
Os
estranhos autodenominados patriotas – que adoram copiar as modinhas dos EUA –
estouraram vidraças, destruíram obras de arte, bateram em pessoas, sentaram na
cadeira da presidência do Supremo. Queriam um golpe de Estado. Queriam rasgar a
Constituição e instaurar uma ditadura militar. Tinha até plano de assassinato
de presidente, vice-presidente, ministro do Supremo correndo em salas
refrigeradas de Brasília. Cafonas, truculentos e criminosos até o talo. Não
conseguiram atingir o objetivo, mas a ferida segue aberta: tem peixe graúdo
ainda sonhando com anistia.
Era
janeiro, de novo. O mês em que a mal ajambrada democracia liberal ocidental
quase caiu duas vezes, em dois continentes, com apenas dois anos de diferença.
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3 de janeiro de 2026
Chega
2026 e Trump inacreditavelmente é novamente o presidente dos EUA. Antes de
acordar no último dia 3 de janeiro, eu estava feliz de voltar ao mar. Mas
lamentava também como a praia de
Japaratinga está sendo devorada pela mesma lógica que já deixou outros
balneários brasileiros aos bagaços: extrativismo puro, acumulação sem limites,
natureza como recurso, território como negócio. Os moradores locais trabalham
nos resorts que ocuparam suas terras, servindo drinques para turistas que
fotografam o “intocado”. O desmatamento é assustador, mas segue invisível para
quem vem apenas passar o fim de semana. Quase nenhum (a) empresário (a) local
investe em descarte correto do lixo. É como na lógica trumpista: drill, baby,
drill.
Pois
bem: dia 3 de janeiro, 2026, eu me preparava para colher as dezenas de cajus
que nascem ao redor da casa alugada quando uma notificação chegou: Nicolás
Maduro, o homem que também teimou em não reconhecer a derrota nas urnas (mas,
ao contrário de Trump, conseguiu se manter no poder) foi detido e levado para
Nova York. O pessoal que usa punhos de renda chama de captura, mas foi
sequestro mesmo. O ditador venezuelano, acusado de crimes contra a humanidade,
foi retirado à força de Caracas. Trinta e dois seguranças cubanos mortos, fato
que foi pouco ou nada levantado pela imprensa brasileira.
Janeiro
de novo. O mês da esperança, da renovação, do “agora vai”.
Janeiro,
o mês das rupturas, das tentativas de reescrever a história pela força.
Fui até
os poucos cajueiros que restam na região proferindo uma série de “puta que
pariu” aleatórios e vindo profundamente da alma. Lá estava eu pausando
novamente a fantasia fugaz de tranquilidade e tentando entender o quanto aquele
óbvio atentado ao direito internacional iria repercutir aqui no Brasil, que faz
fronteira com a Venezuela.
Puro
suco de classe média (e jornalista) sofre: eu adoraria só pensar nos cajus, mas
os EUA mataram dezenas de cubanos e inauguravam a era Trump 2.0. Eu adoraria só
pensar na tabela das marés, mas, além da manobra do presidente dos EUA e suas
ameaças imperialistas, tinha mais: no Irã, os protestos contra o regime
teocrático e o Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, iam escalando e as palavras
“milhares” e “mortes” começaram a surgir com frequência nas telas.
Nos
dias 8 e 9 de janeiro, cidades como Fardis (a 40 quilômetros de Teerã) viram
suas ruas banhadas de sangue. São mais de 5 mil mortos, segundo registros
oficiais das autoridades locais. Mas se falam também em mais de 16 mil mortos.
Na Palestina destruída, foram 67 mil mortos em mais de dois anos de ataques de
Israel. Trump – infelizmente, o bronzeado mais presente nos últimos verões –
prepara-se para fazer da área mais um balneário à disposição dos EUA e seus
aliados.
(…)
E cá
estamos eu e vocês, de férias com os golpes e uma geopolítica que se lixa para
nosso “feliz ano novo”; cá estamos nós com um sol em cada bolso, um calor
desgraçado e a certeza de que o descanso é tanto um privilégio quanto uma
quimera – assim como o reconhecimento da humanidade de gente como cubanos e
palestinos.
Janeiro
se torna pura contradição: é o mês dos desejos de paz, dos abraços apertados na
virada, das promessas de um ano melhor. Mas é também o mês em que a violência
política se fez espetacularizar nos últimos anos, como se o recomeço do
calendário fosse uma espécie de convite
para que se tente romper com o jogo estabelecido (no caso do Irã, em um regime
horrendo para as mulheres, torço que caia).
O mês
já já termina e a gente volta da praia bronzeada, cheia de maresia e com a
sensação de que teve uma pausa. Mas o mundo não parou (assim como nosso zap). O
mundo nunca pára, e a gente sabe disso. Mas tentamos, pelo menos alguns dias,
elaborar a alegria fugaz que, até então, era permitida nessas viradas de ano,
de calendário, de desejos, de “agora vai”.
Janeiro,
o mês que começa com fogos coloridos no céu.
Janeiro,
o mês que se acostumou ao som das bombas.
• Uma oração urgente para que Deus, Nossa
Senhora, Oxalá e todos os caboclos da mata tenham misericórdia do Brasil
1. Que
os autointitulados “homens do bem”, aqueles que atropelam e assassinam tendo a
certeza da impunidade, sejam exemplarmente punidos: que as mortes de pessoas
como o gari Laudemir de Souza , assassinado em agosto por um brucutu chamado
Rene da Silva Nogueira, sejam lembradas não somente como tragédias, mas como
pontos de partida para uma mudança social mais profunda, na qual deixemos de
acreditar naqueles que se dizem “do bem” como disfarce, hipocrisia ou
estratégia. Que não vejamos mais garis, entregadores, professoras etc, sendo mortos sob a gramática da violência
descontrolada de quem se propaga como bom e inocente.
2. Que
a imprensa comercial, Jesus seja louvado, cesse de esconder a incompetência de
nomes escolhidos por clubes restritos de investidores para liderar nosso país,
como Tarcísio de Freitas, do Republicanos, governador de São Paulo. Na
cobertura da Folha de S.Paulo, por exemplo, o auditor Artur Gomes da Silva
Neto, acusado em agosto de liderar esquema bilionário de propina dentro da
Secretaria da Fazenda, não apareceu nas manchetes sendo relacionado ao
governador, a quem respondia. Por outro lado, continuamos a ver no mesmo jornal
manchetes como “Lula dividiu palco com suspeitas de tráfico” (mas o troféu do
ano vai para o Metrópoles: Justiça bloqueia Porsche do patrão de ex-nora de
Lula. O Come Ananás tirou uma onda aqui).
3.
Aproveitar essa oração dirigida ainda a todos os caboclos para lembrar que a
segurança pública em estados governados pela direita, como SP e RJ, também está
aos frangalhos. Há alguns dias, a jornalista Natuza Nery disse, no podcast O
Assunto, uma ótima frase a respeito: “se a questão fosse a direita governando,
o Rio de Janeiro seria uma Suíça”. Pois é. A dificuldade de a esquerda lidar
com a segurança pública – e ela tem mesmo, vide a Bahia – não deve ser
confundida com o fato de a direita ter um bom desempenho na mesma área. A maior
chacina que tivemos em nossa história não livrou – e nenhuma chacina livrará –
as cidades de facções criminosas que se escondem também na Faria Lima.
4.
Oremos, Nossa Senhora, para que a xenofobia internalizada dentro do próprio
Brasil e que se espalha muito animada nas redes sociais seja exposta sem filtro
e sem punhos de renda, exatamente pelo nome que tem. Ela conta com o apoio
desavergonhado de governadores (como Jorginho Melo, do PL de SC), prefeitos
(como o de Florianópolis, Topázio Neto, do PSD) e vereadores (como Mateus
Batista, da mesma cidade, do União Brasil). Qualquer pessoa que a comete deve
responder judicialmente pelos atos discriminatórios, mas especialmente aqueles
que usam a máquina pública para espalhar discriminação. Gente com palco, poder,
estrutura e voto.
5.
Oxalá, meu pai, me acuda aí com essa: 2026 é ano de eleição presidencial, então
te rogo que nossos jornais e jornalistas façam a lição de casa e, na cobertura
política, lembrem que foi em grande parte o voto vindo dos “grotões” que livrou
o Brasil de uma cambada criminosa, com plano de assassinato no bolso e
interessada em golpear o país. Nunca é demais repetir aos colegas que confundem
ter dinheiro com civilidade: o Brasil profundo está no Vivendas da Barra.
6.
Aliás, peço licença: falando em voto e Nordeste, eu não poderia deixar de
mandar aquele alô gostoso para Silvinei Vasques, ex-chefe da Polícia Rodoviária
Federal à frente das ações que impediram nordestinos de irem votar para
presidente em 2022. O caro Silvinei (assim como o fraco de sinapse Filipe
Garcia Martins Pereira, ex-assessor internacional da Presidência e outros
golpistas) desfruta de um novo status social: condenado. As pombagiras brindam
a graça alcançada.
7.
Nossa Senhora, escutai a nossa prece: que o intelectualíssimo Francisco Bosco
consiga ter mais acesso à internet e, assim, se informar melhor sobre o que se
passa no país. O que ele entendeu como uma “epidemia” de feminicídios (porque
casos terríveis foram mais midiatizados recentemente) é a “normalidade”
nacional há tempos. Desde março, os números mostram que, já em 2024, o aumento
da violência contra mulheres explodiu. Este ano, casos violentíssimos
aconteceram recorrentemente: em agosto, três mulheres foram assassinadas à
beira-mar, na Bahia. Em setembro, Alicia Valentina, de apenas 11 anos, foi
espancada dentro da escola porque disse não a um menino. Morreu dias depois. Em
outubro, uma mulher foi estuprada dentro de um posto da polícia rodoviária em
Pernambuco – não era o primeiro caso. Este mês, a cabeça de uma mulher de 88
anos foi encontrada dentro de uma sacola plástica, em Lajedo, no mesmo estado.
Se os homens e meninos estão sofrendo e em crise, as mulheres seguem sendo
destruídas – arrancam-lhes pernas e cabeças – por serem mulheres.
8.
Volto a pedir que o machismo e a misoginia sejam atacados de frente: nas
escolas, dentro de nossos lares e nas redes sociais. Que os red pills e os
perfis que se dizem “anti-feministas” sejam responsabilizados pela propagação
de discurso de ódio. Que todas as mulheres — cis ou trans — encontrem proteção,
respeito e espaço para prosperar sem medo.
9.
Santa Rita de Cássia, que nos ajuda nas causas impossíveis: te peço que a
inteligência artificial nos ajude a organizar nosso agora e nosso futuro, mas
que nunca nos faça esquecer da nossa capacidade de raciocinar e decidir por nós
mesmas. Que o uso da IA seja um apoio, e não uma substituição da nossa
autonomia, já tão esculhambada pelos modelos oferecidos pelas gigantes da
tecnologia, turbinadas com os nossos dados – e, para entender melhor esse
assunto central para a democracia, recomendo o livro A Era do Capitalismo de
Vigilância, de Shoshana Zuboff, e assistir a este debate sobre ele.
10. Que
o Brasil (FINALMENTE), com um imposto de renda mais justo, caminhe para uma
reforma tributária que taxe os super-ricos (e super salários) e redistribua a
riqueza. Que a justiça fiscal não seja encarada como uma conversa de boteco,
idealista ou de gente ingênua: este ano, o 0,1% mais rico do país aumentou
ainda mais a própria riqueza. Mas ainda tem muita gente babaca acreditando que
o real problema do país é o Bolsa Família.
11.
Nessa mesma energia, oremos para que todas as deusas deem muita saúde, energia
e amor a gente como Rick Azevedo (vereador do PSOL no Rio de Janeiro). Sem ele
e o trabalho de pessoas como a deputada Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, não
teríamos chegado até aqui na discussão sobre o fim da escala 6×1: a Comissão de
Constituição e Justiça do Senado aprovou este mês uma Proposta de Emenda à
Constituição, PEC, que assegura dois dias de descanso remunerado por semana,
preferencialmente aos sábados e domingos, e estabelece a redução gradual da
jornada máxima de trabalho para 36 horas semanais. Para se tornar realidade, o
texto ainda precisa passar pela aprovação no plenário do Senado, tramitar na
Câmara dos Deputados e ser sancionado ou vetado pelo presidente da República.
Senhor, lembrai de todas as pessoas recebendo um salário mínimo e exaustas nos
ônibus lotados e escutai as nossas preces.
12.
Rogamos, mãe Oxum, que o Mounjaro, o medicamento celebridade vendido como a
mais cara das canetas de emagrecimento, fique mais barato. Assim, personagens
da República brasileira, como o ilustre senador Davi Alcolumbre, do União
Brasil do Amapá (com salário bruto de R$ 46.366,19) não terão que passar pelo
constrangimento de negociar o remédio com um pessoal suspeito de ligação com o
PCC. Fica meio chato, né, senador?
13. Que
o padre Júlio Lancellotti, da paróquia de São Miguel Arcanjo, no bairro da
Mooca, em São Paulo, possa distribuir o pão. Que o pastor evangélico Gabriel
Miranda, do bairro do Coqueiral, no Recife, continue distribuindo suas
sementes. Que o Pai Ivo, do Terreiro de Xambá, em Olinda, deixe de ser
constrangido por movimentos de evangélicos radicais. Que Exu possa ser
celebrado por seus fiéis sem o risco de serem processados judicialmente.
14. Que
o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, receba, em dobro e em vida,
aquilo que proporcionou a milhares de imigrantes, boa parte deles sem qualquer
antecedente criminal e separados de suas famílias. Que seu terrível ataque a
pessoas assassinadas (o cineasta Rob Reiner e sua esposa, Michelle Singer)
abale com bastante força a sua popularidade mesmo dentro de seu partido.
Canalha.
15. Por
fim, rogo a todos os senhores e a todas as senhoras que o próximo ano nos traga
saúde, amor, resiliência, tesão e borogodó. Que a gente consiga uns trocados e
ajude a manter o lote de excelentes veículos de jornalismo que se propagam pelo
país: em ano eleitoral e com as big techs lucrando muito através da propagação
de notícias falsas, o bicho vai, de novo, pegar. Em vez de somente reclamar da
imprensa, que se cultive entre nós a possibilidade de fortalecer o jornalismo
local e nacional. Saravá: assim seja ✨✨✨✨
Feliz
2026, pessoal.
Fonte: The Intercept

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