quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Os indícios da atuação de Jeffrey Epstein no Brasil

Os milhões de novos documentos sobre o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, divulgados na última sexta-feira, 30/01, dão indícios sobre uma possível atuação e interesses que o empresário tinha no Brasil.

Os documentos citam depoimento que afirma que ele teria uma conexão no Brasil com uma "agente", que conseguia garotas menores de idade quando ele estava no país a trabalho.

Mencionam também que ao menos quatro garotas brasileiras, inclusive adolescentes, teriam sido levadas para ele em uma festa, em uma de suas casas, nos Estados Unidos — a BBC News Brasil mostrou, em dezembro, que uma das vítimas de Epstein disse que ao menos 50 brasileiras estiveram em sua mansão.

Há ainda conversas em emails sobre uma ideia de criar um concurso de beleza para atrair garotas jovens no Brasil e o interesse em adquirir uma revista de moda para atrair modelos.

Ao todo, a BBC News Brasil identificou cerca de 4 mil menções ao país em documentos até o momento, incluindo trocas de emails e mensagens de Epstein com amigos e auxiliares, identificadores em fotos e notícias sobre o país.

A reportagem mostrou nos últimos dias, por exemplo, elogios ao ex-presidente Bolsonaro e menções a Lula.

Ser mencionado ou ter sua imagem incluída nos arquivos divulgados pelo governo americano não implica, necessariamente, um delito.

<><> A 'agente mãe' no Brasil

Um depoimento feito à Justiça da Flórida em junho de 2010, que está entre os documentos divulgados pelo governo americano, afirma que Jeffrey Epstein fazia viagens ao Brasil para falar com clientes e que, quando estava no país, possuía contato com uma mulher que lhe fornecia garotas para prostituição, inclusive menores de idade.

O nome da pessoa que traz as informações é tarjado, mas ela diz, ao longo do depoimento, que trabalhou para Jean-Luc Brunel, ex-agente de modelos francês e conhecido parceiro de Epstein.

Brunel foi acusado de ter traficado mulheres e foi encontrado morto na prisão em Paris, na França, em 2022. Estava detido desde o início de uma investigação formal, após ser acusado de assédio sexual e estupro contra jovens com idades entre 15 e 18 anos na França. Ele negava as acusações.

A ex-funcionária da agência de modelos alegou no depoimento que a companhia não dava lucro, que era sustentada com apoio de Epstein e que acreditava que o financista só tinha interesse em se envolver com a empresa por causa das meninas, inclusive menores.

No depoimento ela cita que quatro garotas do Brasil foram levadas por Brunel à casa de Epstein para uma festa e que ao menos duas delas eram menores de idade, entre 13 e 15 anos.

Segundo esse depoimento, era Epstein quem pagava pelos vistos para que as meninas pudessem entrar nos EUA.

As garotas teriam sido apresentadas a Brunel por uma "amiga muito boa" dele no Brasil, chamada de "agente mãe" (mother agent, no original). O nome dela não é citado.

O documento com o relato também cita que Brunel tinha contato com uma mulher que conseguia prostitutas para ele e Epstein no Brasil "quando precisasse".

A testemunha diz ainda que seria difícil conseguir informações no Brasil e sugere que poderia haver pagamentos por silêncio.

"Cinco mil dólares no Brasil é muito dinheiro. Dá pra comprar uma casa."

E continua, em outro trecho: "Jeffrey Epstein tem todo o dinheiro que tem, ele podia calar todo mundo".

As visitas de Jean-Luc Brunel ao Brasil são conhecidas. Diversas reportagens publicadas nos últimos meses, inclusive pela BBC News Brasil, mostram que ele esteve no país em busca de modelos.

<><> Discussão em e-mails sobre criar um concurso de modelos 'caipiras' no Brasil para atrair garotas jovens

Em outra troca de e-mail, em 2016, Epstein discute com outra pessoa a ideia de comprar uma agência de modelos no Brasil.

"Não tenho certeza se isso seria viável sem alguém lá para gerenciar que você possa confiar 100%, mas estou passando, caso você esteja interessado", diz o interlocutor.

Em outra mensagem, ele afirma: "Não tenho certeza se você quer ser dono de 100% de qualquer agência, a não ser que você encontre algum outro incentivo para manter as principais pessoas que estão lá gerenciando o negócio. Estou presumindo que você está mais interessado no acesso às...[emoji de uma garota loira]"

O remetente cita ainda a possibilidade de se fazer uma competição para modelos no Brasil.

"Isso envolveria pagar ao organizador e, então, ele encontraria patrocinadores e eles vasculhariam o país em busca de modelos em potencial. Você estaria interessado nisso? Dessa forma, você conseguiria garotas mais jovens e menos cansadas da indústria da moda. Rostos novos, basicamente. Então, essa é outra opção."

O concurso envolveria milhares de garotas e um investimento de US$ 500 mil.

"Eles basicamente vasculham o país e muitas garotas aparecem. Foi assim que eles descobriram a maioria das principais modelos brasileiras que fizeram sucesso em Nova York."

Segundo esta mensagem enviada a Epstein, "isso implicaria ter acesso a todas as garotas, com as quais você poderia decidir o que fazer."

O interlocutor afirma então: "Você poderia basicamente levar essas garotas para qualquer lugar nos EUA (há uma agência brasileira que cuida dos vistos para os EUA), ou para Paris ou o Caribe."

Ao voltar a falar sobre a opção de adquirir uma dessas agências, ele pondera:

"Seria um bom investimento se você quisesse construir uma marca já estabelecida e, é claro, muitas oportunidades de conhecer modelos. Mas acho que não é o mesmo acesso direto que o concurso, onde as garotas são na maioria caipiras e não modelos experientes."

<><> O interesse em comprar uma revista de moda no Brasil para atrair mulheres

Outra conversa que se estendeu por uma série de e-mails, em agosto de 2016, tratava do interesse de um parceiro de Epstein em comprar uma revista de moda com ele no Brasil.

"Uma revista de moda brasileira está à venda. Se conseguirmos comprá-la por um preço baixo, você gostaria de comprá-la conosco? Todos os castings podem ser feitos em Nova York, então você poderia facilmente ter de 20 a 30 garotas tentando a capa todos os meses. É só uma ideia..."

A ideia, segundo as conversas, seria usar a publicação para atrair modelos.

Epstein demonstra interesse inicial e o homem vai buscar mais informações. A conversa mostra que ele teria pensado em fazer uma oferta de US$ 200 mil por 25% das ações da revista.

A negociação teria esfriado em dezembro, quando surge a dúvida sobre se o negócio daria prejuízo. "Fique longe", sugeriu Epstein, segundo as mensagens.

O homem então lamenta.

"Grrrrr... pense em todas as garotas que eu teria... ok, vou deixar passar... talvez só compre o Brasil por algumas centenas de milhares; isso garantirá um fluxo constante de mulheres." (o termo exato usado é mais explícito).

Em outra conversa, em 2017, esse mesmo homem diz a Epstein que conseguiu um acordo melhor: ao invés de comprar a revista, ele teria supostamente pago um editor da revista ("I have the local Brazilian publisher in my pocket").

"Então, sempre que quero que eles fotografem uma garota, eu simplesmente dou a ele alguns milhares. É muito mais barato assim... não ia dar lucro mesmo", disse, segundo as mensagens que aparecem nos arquivos divulgados pelo governo americano.

¨      'Você se considera o demônio em pessoa?': a entrevista inédita com Epstein, que faz parte dos milhões de arquivos divulgados

Imagens recentemente divulgadas nos EUA mostram o bilionário Jeffrey Epstein — criminoso sexual condenado e morto em 2019 — sorrindo em uma entrevista e respondendo: "Tenho um bom espelho", quando questionado se ele se considerava "o demônio em pessoa".

O vídeo completo, com quase duas horas de duração, mostra Epstein respondendo a perguntas de um entrevistador.

Não foi revelado quem fez as perguntas, nem quando ou por que a gravação foi feita.

O Departamento de Justiça dos EUA divulgou na semana passada milhões de novos arquivos relacionados a Epstein — a maior liberação de documentos feita pelo governo desde que uma lei do ano passado passou a obrigar o acesso público ao material.

Três milhões de páginas, 180 mil imagens e 2 mil vídeos foram disponibilizados ao público no final de janeiro.

"Por que você diria isso?", pergunta Epstein ao entrevistador desconhecido, que responde: "Porque você tem todos os atributos. Você é incrivelmente inteligente".

"O diabo é inteligente?", rebate Epstein.

"O diabo é brilhante", diz seu interlocutor.

Em um trecho, Epstein também é questionado sobre sua riqueza e perguntado se seu dinheiro é "sujo".

"Não, não é", responde ele. Quando perguntado por que não é, o financista condenado responde: "Porque eu ganhei esse dinheiro".

<><> 'A ética é uma questão complexa'

"Mas você ganhou isso aconselhando as piores pessoas do mundo, certo? Pessoas que fazem coisas terríveis só para ganhar mais dinheiro", rebateu o entrevistador.

"Ética é sempre uma questão complexa", respondeu Epstein, antes de afirmar que doou dinheiro para "ajudar a erradicar a poliomielite no Paquistão e na Índia".

Mais tarde, o entrevistador perguntou se ele era um "predador sexual de Classe Três".

"Nível 1… Sou o mais baixo", respondeu Epstein.

"Mas um criminoso?", perguntou o entrevistador.

"Sim", concordou Epstein.

O vídeo é um dos milhões de arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Muitos deles contêm trechos censurados. A lei exige que as censuras sejam feitas apenas para proteger as vítimas ou informações sob investigação. Também exige um resumo do que foi censurado e sua base legal.

Epstein morreu em agosto de 2019 na prisão enquanto aguardava julgamento por acusações em um caso de tráfico sexual.

Em 2008, Epstein fez um acordo judicial com promotores na Flórida, depois que os pais de uma menina de 14 anos disseram à polícia que ele havia abusado sexualmente de sua filha em Palm Beach.

Fotos de meninas foram encontradas em diversas partes da casa de Epstein, e ele foi condenado por aliciar uma menor para prostituição, sendo registrado como agressor sexual. Ele escapou de uma longa pena de prisão graças a um acordo com na Justiça.

Os arquivos também detalham o período de Jeffrey Epstein na prisão — incluindo um laudo psicológico — e sua morte enquanto estava encarcerado, juntamente com registros da investigação sobre Ghislaine Maxwell, assistente de Epstein que foi condenada por ajudá-lo a traficar menores de idade.

Há também e-mails entre Epstein e figuras proeminentes da elite.

Muitos dos e-mails e documentos são de mais de uma década atrás, evidenciando os relacionamentos de Epstein com outras pessoas durante seus problemas com a Justiça.

¨      Nunca se esqueçam dos cúmplices poderosos que sabiam dos crimes de Epstein e mesmo assim o ajudaram. Por Marina Hyde

Como muitas mulheres, eu me importo vagamente com a recente implosão política de Peter Mandelson – mas acho que estamos todas muito mais obcecadas com o fato de que realmente existiu uma rede de homens incrivelmente famosos e poderosos tentando ajudar um ex-presidiário a minimizar e encobrir seus crimes sexuais contra menores. Concordam, meninas? Claro, estou chorando muito porque um assessor de Gordon Brown teve seu memorando de venda de ativos encaminhado em 2009… mas, ao mesmo tempo, estou muito mais preocupada com o próprio Bilderberg do Sexo. Do qual, mesmo agora, nossos olhos parecem ser convenientemente desviados. Podemos mudar o foco?

Estamos falando, naturalmente, dos arquivos de Jeffrey Epstein. Desde que o último lote foi divulgado , tenho compilado os e-mails de homens extremamente famosos que buscaram ativamente ajudar o traficante sexual de menores, já falecido, a trivializar seus crimes nos anos após sua libertação da prisão em 2009. Richard Branson, Noam Chomsky, Steve Bannon , Mandelson, Andrew (obviamente) – todos esses homens oferecem conselhos estratégicos, treinamento de mídia ou solidariedade amigável. Ou, no caso de Chomsky, tudo isso mais uma crítica superficial à noção de vitimização feminina. De acordo com um texto assinado com seu primeiro nome, enviado por Epstein a um advogado e um assessor de imprensa em fevereiro de 2019, meses depois de o Miami Herald ter publicado uma série de artigos explosivos expondo a dimensão dos abusos sexuais em série de menores cometidos por Epstein e a perversão da justiça que os acobertou, Chomsky zombou da “histeria que se desenvolveu em torno do abuso de mulheres”. Nossa. Esqueçam "A Fabricação do Consentimento" – leiam "Não Ligar para o Consentimento". Pensei que Chomsky se importasse com o poder e as elites exploradoras? Mesmo assim, bela foto dele dando risada com Steve Bannon.

Vamos passar para Richard Branson. Aqui está o Empresário Mais Amado da Grã-Bretanha™ em 2013, começando por dizer a Epstein : “Adoraria vê-lo. Contanto que traga seu harém!” (O Grupo Virgin esclareceu que “harém” se referia a três membros adultos da equipe de Epstein e afirmou que Branson não teria usado o termo nem entrado em contato se soubesse de todos os fatos. Mais detalhes sobre os fatos completos que ele deveria ter conhecido em breve.) Depois, ele ajuda Jeffrey a minimizar seus crimes sexuais , três anos depois de ter cumprido sua pena. "Acho que se Bill Gates estivesse disposto a dizer que você foi um conselheiro brilhante para ele, que você cometeu um deslize há muitos anos ao dormir com uma mulher de 17 anos e meio..." – sua sentença foi por aliciar garotas de até 14 anos para prostituição , Richard, mas continue – "...e não fez nada ilegal desde então, e sim, como solteiro, você parece ter uma queda por mulheres. Mas não há nada de errado nisso." Obrigado, Senhor Simpático!

Sabe, quase todas as vezes que escrevi sobre Richard Branson ao longo dos anos, ele ou algum de seus lacaios escreveu para o Guardian reclamando, e muitas vezes a carta foi publicada . Desta vez, estou implorando para que ele entre em contato. Vamos lá, Richard – escreva e nos diga por que você não se deu ao trabalho de pesquisar no Google por que seu amigo, com os melhores advogados do mundo, ainda recebeu uma sentença de 18 meses de prisão e, na época daquele e-mail, já havia feito acordos em vários processos civis amplamente divulgados movidos contra ele por vítimas? Vou reservar um espaço para você na página de cartas.

Há tantos figurões no círculo de Epstein que poderíamos estar a poucas horas de ver o completamente ausente Jeff Bezos lançando uma hashtag: #nemtodososbilionários. Hoje em dia, o que acontece com os muitos, muitos amigos poderosos de Epstein é que, se por acaso eles revelam seu envolvimento nos arquivos – e o quão assustadoramente silenciosos eles estão sendo – tendem a dizer que não faziam ideia dos crimes dele. E, no entanto, se um dos seus amigos ou um dos meus amigos fosse preso por um ano, mesmo que nos dissessem que foi um grande engano ou uma pequena dificuldade local, nós pesquisaríamos no Google do que se tratava, certo? Então imagine ser tão experiente quanto Richard Branson, Elon Musk, Peter Mandelson, Steve Bannon ou Bill Gates e achar que um bilionário com advogados de bilionários no maleável sistema judiciário americano acaba na cadeia na Flórida por causa de alguma armação. Me poupe. Todos esses homens sabem que o mundo não funciona assim – e não sabiam neste caso, já que Epstein recebeu um acordo judicial secreto incrivelmente controverso .

A única pessoa que consigo imaginar sendo tão estúpida a ponto de não usar um mecanismo de busca foi Andrew Mountbatten-Windsor. Mas, pensando bem, ele sabia o que tinha acontecido "de outras maneiras". Não há espaço hoje para expor ainda mais as mentiras descaradas de Andrew sobre ter cortado relações com Epstein , presentes nos documentos mais recentes divulgados. O fato é que todos eles sabiam pelo que Epstein foi preso. Eles ignoraram. Como evidenciado pela associação contínua deles com ele, isso não era nem de longe um grande problema para eles.

O que também é assustador é imaginar como esses caras conversavam se esse tipo de coisa eles estavam dispostos a registrar por e-mail. "Me mande um número para ligar", diz Epstein ao produtor de cinema e co-proprietário do New York Giants, Steve Tisch, em um trecho de uma conversa sobre "garotas de programa": "Não gosto de registros dessas conversas". Sabemos que Bill Gates era muito próximo de Epstein, mas não parece (até agora, nos arquivos divulgados) ter registrado essa camaradagem por e-mail. Talvez ele também tenha achado mais prudente conversar por telefone. Em outras notícias, Ghislaine Maxwell comparecerá perante o Congresso na próxima semana , onde talvez ela explique melhor sua recente alegação de que quatro cúmplices e 25 homens fizeram "acordos secretos" relacionados ao caso Epstein, mas não foram indiciados.

Mas muitos silêncios permanecem ensurdecedores. É como disse JD Vance, vice-presidente de postagens sem sentido, em 2021: “Lembram quando descobrimos que nossas pessoas mais ricas e poderosas estavam ligadas a um cara que comandava uma rede de tráfico sexual infantil? E aí esse cara morreu misteriosamente na prisão? E agora simplesmente não falamos mais sobre isso.” Ele estava em pé de guerra naquela época. “Se você é jornalista e não está fazendo perguntas sobre esse caso, deveria ter vergonha. Qual é o seu propósito?” Hum. Como jornalista que vem fazendo perguntas sobre esse caso há pelo menos 11 anos: quem não está falando sobre isso agora, JD? Embora obviamente não esteja envolvido, Vance está em posição de esclarecer muito mais do que já foi esclarecido. Então tire suas próprias conclusões sobre qual propósito ele está servindo.

No fim, todos eles traem as mulheres. Então, mais uma vez, a responsabilidade recai sobre as vítimas. Vinte sobreviventes de Epstein divulgaram recentemente uma declaração afirmando que informações sobre elas foram incluídas no último arquivo divulgado, “enquanto os homens que abusaram de nós permanecem escondidos e protegidos”. Esse é o lado sombrio da questão – e mesmo assim, estamos olhando para o lado errado. Ouço comentários frenéticos sobre o que isso significa para Keir Starmer, para Fergie, para o título de nobreza de Mandelson, e por aí vai. Mas e a pergunta mais importante e sombria de todas: o que significa para mulheres e meninas poderem ver claramente que vivemos em um mundo onde muitos dos homens mais ricos e poderosos do mundo simplesmente não se importam o suficiente com a exploração que sofrem? Ou pior.

 

Fonte: BBC News Brasil/The Guardian

 

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