Jean-Jacques
Kourliandsky: A América Latina e Donald Trump - resistir ou colaborar?
Desde
sua posse, há pouco mais de um ano, Donald Trump não tem poupado a América
Latina. Explorando uma relação de forças favorável aos Estados Unidos em todos
os terrenos, ele exige, pressiona, intimida, sanciona e, desde 3 de janeiro de
2026, sequestra e bombardeia. Os fatos estão documentados. Ainda assim, convém
relembrá-los para que se possa avaliar corretamente a sua real dimensão.
Se os
fatos tiveram repercussão, as reações dos governantes submetidos a esse
tratamento de choque são menos conhecidas. Como esses governantes atuaram para
amortecer os golpes de autoridade e as demonstrações de força vindas do norte?
Sem dúvida, não há aí nada de realmente novo. As ingerências e intervenções de
toda ordem por parte de Washington não faltaram ao longo de duzentos anos.
Contudo, desde 20 de janeiro de 2025, seu ritmo se acelerou de tal maneira que
todos os dirigentes do continente passaram a ser atingidos simultaneamente.
Como na fábula de La Fontaine, alguns resistem de forma frontal. Outros, porém,
se curvam o quanto podem, na esperança de uma hipotética mudança de humor do
presidente estadunidense. Alguns vão ainda mais longe e defendem, em nome do
realismo, a submissão voluntária, o que pode chegar inclusive à colaboração
simples e direta. Resistir, baixar a cabeça ou colaborar foram as três opções
seguidas, com maior ou menor êxito, por uns e outros, para enfrentar o Caliban
da Casa Branca.
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Trump: o choque das palavras, o choque das ações hostis
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O choque das palavras
Desde
os primeiros dias, como lobo campestre errante, o chefe dos Estados Unidos
marcou os quatro cantos da América Latina. O site em espanhol da Casa Branca
foi fechado, o conselheiro gastronômico espanhol da presidência foi demitido, o
Golfo do México foi rebatizado como “Golfo da América”, realizando, de
passagem, uma aquisição estadunidense do próprio nome “América”. Para que a
mensagem fosse bem compreendida, uma espécie de exposição pública de
indesejáveis, acompanhada de legendas feitas sob medida – praticamente
todos latino-americanos – foi instalada nas calçadas que circundam a Casa
Branca.
Um
comunicado do Departamento de Estado recordou a importância de comemorar o
aniversário do Tratado de Paris, que pôs fim à presença espanhola em Cuba e
Porto Rico, ao término de uma guerra vencida pelos Estados Unidos . As
regras do jogo foram sendo precisadas ao longo dos meses, por meio de
declarações e mensagens eletrônicas. A tábua da Lei que rege as novas relações
entre os Estados Unidos e o restante das Américas foi apresentada em novembro
de 2025, no documento de orientação da política internacional que todo
presidente é obrigado a apresentar, intitulado “Estratégia de Segurança
Nacional”. O Hemisfério Ocidental – denominação dada pelos Estados
Unidos à região – é tratado sem rodeios nesse documento oficial como um domínio
reservado, no qual os Estados Unidos exercem uma espécie de protetorado. “A
América”, lê-se no texto, “deve restaurar sua preeminência no Hemisfério
Ocidental […]. Devemos impedir que concorrentes não
hemisféricos adquiram posições de força […] em nosso
Hemisfério”.
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O choque dos atos hostis
Às
palavras seguiram-se atos de ingerência de toda ordem. Vários missi
dominici foram enviados ao presidente panamenho para constrangê-lo a
suspender os contratos que formalizavam a presença da empresa chinesa de Hong
Kong Hutchison Whampoa em ambas as extremidades do Canal. Voos fretados
devolveram a diversos países da América Latina residentes apresentados,
conforme as circunstâncias, como indesejáveis, delinquentes, criminosos ou
portadores de transtornos mentais. Em seguida, veio o tempo das sanções comerciais,
que passaram a atingir o conjunto da região. O desfecho – ainda provisório –
desse percurso foi marcado por intervenções diretas na vida institucional de
diversos países.
Os
aliados políticos de Donald Trump beneficiaram-se, assim, de intervenções sob
medida. Em julho de 2025, o juiz encarregado de conduzir o processo aberto
contra o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, indiciado por atentado à
ordem democrática, foi alvo de sanções unilaterais, assim como o ministro da
Justiça do Brasil. No mês de outubro, Donald Trump sinalizou que
ajudaria a Argentina a honrar sua dívida externa, caso, nas eleições
legislativas, os eleitores votassem a favor dos candidatos apresentados pelo
partido do presidente Javier Milei. Em novembro, ordenou a libertação do
ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de
prisão por tráfico de entorpecentes por um tribunal dos Estados Unidos. Juan
Orlando Hernández é membro do Partido Nacional, legenda do candidato à
presidência Nasry Asfura, apoiado de forma aberta e enfática por Donald
Trump.
Ao
longo de todo o período, as sanções econômicas e financeiras já impostas pelos
antecessores de Donald Trump contra Cuba, Nicarágua e Venezuela foram
confirmadas e agravadas. Os chefes de Estado da Colômbia, do México e da
Venezuela foram duramente criticados e ameaçados com sanções de caráter
militar, caso não colocassem fim à sua suposta colaboração com traficantes de
entorpecentes. A Colômbia perdeu, em 15 de setembro de 2025, a certificação de
país cooperante com os Estados Unidos no combate às drogas. No mesmo dia, foi
incluída, juntamente com outros 22 países, dos quais 13 latino-americanos, na
lista definida pela presidência estadunidense como países de “trânsito ou
produção de drogas ilícitas”. Em 16 de novembro de 2025, o Departamento de
Estado classificou o “cartel venezuelano dos Sóis, dirigido por Nicolás
Maduro” como organização terrorista.
O tom
se elevou no final de 2025. Para pressionar os presidentes da Colômbia e da
Venezuela, apresentados por Donald Trump como padrinhos do narcotráfico, a
cooperarem, uma importante armada de navios e aeronaves, acompanhada por um
submarino de propulsão nuclear, foi deslocada em setembro de 2025 para o Mar do
Caribe, oficialmente com o objetivo de cortar a rota marítima da droga que
supostamente partiria das costas da Venezuela e da Colômbia em direção aos
Estados Unidos. Diversas embarcações foram afundadas e seus tripulantes mortos,
à margem de qualquer legalidade internacional, sem que se apresentassem provas
das acusações invocadas para justificar tais atos.
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América Latina: resistir ou colaborar?
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Resistir?
Vários
chefes de Estado e de governo recusaram-se a se submeter às injunções de
Washington. Gustavo Petro, presidente da Colômbia, foi o primeiro a dizer
claramente não aos desideratos unilaterais da Casa Branca. Esse não foi
acompanhado por medidas espelhadas de retaliação, respondendo às ameaças de
aumento das tarifas alfandegárias sobre as exportações colombianas para os
Estados Unidos com taxas sobre as importações norte-americanas. Um pouco mais
tarde, o Brasil também disse não às sanções adotadas por Washington contra o
magistrado encarregado de conduzir o processo aberto contra o
ex-presidente Jair Bolsonaro. Claudia Sheinbaum, presidente do
México, em tom comedido, defendeu passo a passo a soberania de seu
país. Nicolás Maduro, com sua cabeça colocada a prêmio pelos Estados
Unidos (50 milhões de dólares), rejeitou as diretrizes de Washington e tentou
impor um diálogo de igual para igual.
Seu
sequestro, em 3 de janeiro de 2026, iniciativa estarrecedora tomada pelos
Estados Unidos em violação tanto ao direito internacional quanto ao direito
interno, obrigou o concerto latino-americano a se pronunciar. Brasil, Chile,
Colômbia, Cuba, Guatemala, Honduras, México e Uruguai condenaram publicamente
um ato considerado contrário à ordem internacional e praticado em violação à
Carta das Nações Unidas. Cinco governos, conjuntamente com o presidente
espanhol Pedro Sánchez, tornaram público, por meio de um comunicado, em 4
de janeiro de 2026, seu desacordo e reiteraram a necessidade de respeitar o
direito internacional e a resolução pacífica das controvérsias: Brasil, Chile,
Colômbia, México e Uruguai. A Guatemala, embora não tenha condenado nominalmente
os Estados Unidos, manifestou sua “profunda preocupação” e seu “compromisso
com o respeito aos princípios consagrados pela Carta das Nações Unidas”. O
Peru adotou uma posição semelhante.
Os que
resistiram conseguiram preservar sua soberania? Sem dúvida, mas à maneira de
Pirro. A Colômbia, acuada pelo anúncio de um aumento de 50% nas tarifas de
entrada de seus produtos nos Estados Unidos, acabou por aceitar o retorno de
seus conterrâneos expulsos dos EUA. A única concessão feita por Donald Trump
foi permitir que fossem transportados em aeronaves enviadas por Bogotá. Na
ausência de um aliado local – seu “amigo” Bolsonaro, condenado e encarcerado –,
Donald Trump arquivou suas sanções contra o Brasil. Formado nos negócios, ele
aguarda um retorno sobre o investimento. O Brasil foi “convidado” a participar
do Conselho de Paz criado por Donald Trump para substituir as Nações Unidas.
Quanto à Venezuela, foi bombardeada, e seu chefe de Estado sequestrado e
encarcerado em uma prisão estadunidense. Seu petróleo, afirmou Donald Trump em
21 de janeiro de 2026, diante do público selecionado de Davos, na Suíça, é
“nosso”. Sua exploração é supervisionada pelo secretário de Estado, Marco
Rubio. As petroleiras norte-americanas, e algumas outras, foram convidadas para
uma reunião de repartição do ouro negro venezuelano, organizada pela Casa
Branca. O regime, a esse preço – a aceitação de um protetorado –, recebeu
autorização para permanecer no poder.
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Colaborar?
Essa
foi a escolha feita por muitos, de modos diversos. De forma mais discreta, um
certo número de governantes lamentou o sequestro do presidente venezuelano,
para em seguida registrar sua condenação do “ditador”. O Peru, na América do
Sul, está entre esses casos. Outros, ainda mais cautelosos, sem condenar a
violação da soberania venezuelana, lembraram seu apego ao direito como meio de
resolver os contenciosos entre Estados, antes de reafirmar sua firme condenação
do ditador Maduro. Alguns poucos mostraram-se mais proativos e priorizaram seu
apoio a Washington, que teria posto fim a um regime de ditadura. Argentina,
Bolívia, Costa Rica, Equador, Paraguai e El Salvador apoiaram publicamente a
intervenção militar estadunidense em Caracas. José Antonio Kast,
presidente eleito do Chile, ainda não empossado, adotou a mesma posição.
O “Estado
Plurinacional da Bolívia”, por exemplo, declarou que “apoia da maneira mais
firme e imediata o povo venezuelano em marcha no caminho da recuperação da
democracia”. A nota da Costa Rica foi ainda mais direta. “Que Deus”, afirma o
comunicado, “abençoe o valente povo venezuelano e o ajude a recuperar a
democracia […] que o ditador Maduro lhe roubou”. A Argentina foi mais
longe, recusando o intercâmbio de pontos de vista proposto pelo Brasil. “Não
tenho nada a dizer a Lula sobre esse assunto”, declarou Javier Milei.
Embora o Brasil tenha desempenhado, nos últimos meses, um papel incontestável
para a conclusão do acordo de livre-comércio entre o Mercosul/Mercosur e a
União Europeia, Lula não compareceu, no sábado, 17 de janeiro de 2026, à
cerimônia oficial de assinatura do Tratado, realizada em Assunção, no Paraguai.
O juiz
que ouviu, em Nova York, o ex-presidente Nicolás Maduro retirou, por
falta de provas, qualquer menção ao chamado “Cartel dos Sóis” e,
consequentemente, a acusação que visava seu suposto chefe, Nicolás Maduro. No
dia seguinte ao seu “sucesso” militar – sem perdas humanas
norte-americanas e sem validação do fundamento jurídico invocado – Donald Trump
anunciou novas iniciativas hostis, tendo como alvos Colômbia, Cuba, Dinamarca
(Groenlândia) e Irã. Diante dessas novas declarações, o que farão os latino-americanos?
Resistir ou colaborar? Lula respondeu, em 18 de janeiro de 2026, no
jornal The New York Times, a Donald Trump que “este
hemisfério não pertence a um de seus componentes, mas a todos”. Mas os
direitos desses componentes, Lula os defenderá sozinho – ou quase sozinho?
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Os “acordos de paz” de Trump. Por Wagner Sousa
O
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem se jactado em muitos de seus
discursos como o sendo o “líder da paz” que “terminou oito guerras”, desde o
início deste segundo mandato, o que claramente não procede. Algumas das
“guerras” mencionadas não estavam em curso, como entre Sérvia e Kosovo ou entre
Egito e Etiópia, tratando- se de tensões entre vizinhos. Outros conflitos como
entre Paquistão e Índia, que cessaram, não têm o reconhecimento das duas partes
sobre um suposto papel decisivo dos EUA como intermediador. Mas na habitual
autocongratulação do republicano, estes “feitos” e outros supostos o
credenciariam a tornar-se merecedor do Prêmio Nobel da Paz.
Talvez
o fato do seu antecessor de primeiro mandato, Barack Obama, ter vencido a mesma
premiação tenha algo a ver com isso. Na comparação do tamanho do público em
suas primeiras posses, claramente favorável ao democrata, Trump insistiu em
tentar demonstrar o contrário. Não cabe aqui incursões pela Psicanálise, mas o
personagem, inusual em comparação com qualquer antecessor, e fundamentalmente
egocêntrico, parece não perceber que, de fato, o seu país, embora ainda o mais
poderoso, não tem mais a capacidade de “moldar” a ordem internacional como já
teve no passado.
É
importante destacar também que o “pacifista” Trump já autorizou, neste primeiro
ano de governo deste mandato, o bombardeio de 7 países, o que inclui Iêmen,
Irã, Iraque, Nigéria, Síria, Somália e Venezuela, o que revela que não há um
“intuito pacificador” do presidente norte-americano, e sim, conforme já
aconteceu em outras gestões, o manejo da guerra e da paz conforme os interesses
da potência hegemônica. E no que diz respeito às tentativas de mediação, está
se tornando clara a incapacidade desta potência em diferentes “tabuleiros” como
na Faixa de Gaza, no conflito entre Camboja e Tailândia e na guerra na África
Central envolvendo a República Democrática do Congo e rebeldes apoiados por
Ruanda.
No caso
da Faixa de Gaza, a “fase 2” do “plano de paz” incluiria a renúncia às armas
pelo Hamas, a reconstrução da região e a implantação da governança prevista.
Embora o mandatário norte-americano tenha reafirmado que esta segunda fase vai
começar em breve, isto não deve ocorrer, por várias razões. O Hamas nunca se
comprometeu a depor suas armas, conforme consta desta fase do plano, e Israel
não dá sinais de que fará a desocupação gradual prometida do território. 400
palestinos e 3 soldados israelenses morreram desde o cessar-fogo de outubro,
uma grande redução em relação à matança diária promovida até então pelas tropas
israelenses, mas, ainda assim, evidentemente, uma situação trágica somada a
todas as carências nesta catástrofe humanitária.
Israel
não permitiu o envio de suprimentos na quantidade necessária, o que é um dos
pontos do acordo. Países como a Indonésia ou o Azerbaijão, que se colocaram no
início como dispostos a enviar tropas para a prevista força multinacional de
paz já não parecem tão simpáticos à ideia. A administração de Gaza deve se dar
por um “Conselho da Paz” a ser presidido por Donald Trump tendo também como
designado “interventor anglo-saxão” o ex-Primeiro-Ministro britânico Tony
Blair. A evolução do plano de Trump, se levada adiante, como anunciada,
poderia, em tese, levar a um status futuro de autonomia à Gaza. Porém, a
coalizão de extrema-direita que governa Israel já deixou claro que não aceita
um Estado Palestino e, pelo contrário, vários membros do gabinete já externaram
que querem anexar Gaza e a Cisjordânia. Trump tem pressionado o
Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu para que seu plano siga adiante, sem
sucesso até o momento. E, demonstrando alinhamento com Israel, proferiu novas
ameaças ao Irã.
“Estamos
resolvendo uma guerra que já dura décadas”, afirmou Trump sobre o conflito
entre a República Democrática do Congo e rebeldes apoiados por Ruanda. Um
primeiro acordo, firmado em junho, não foi respeitado, e após uma reunião entre
o mandatário estadunidense, o presidente congolês Félix Tshisekedi e o de
Ruanda, Paul Kagame, em 05 de dezembro de 2025, os combates se acentuaram.
Trump visava pacificar a região para tornar viáveis projetos de exploração
mineral.
Outro
dos conflitos “resolvidos” pela intermediação da administração Trump é o entre
Tailândia e Camboja, que teve um frágil cessar-fogo acordado em julho e
assinado em outubro. No início do mês de dezembro os combates foram retomados.
A disputa se dá por áreas na fronteira dos países.
O que
esses exemplos evidenciam é que apesar da disposição da atual administração dos
EUA em realizar essas mediações e de o presidente as anunciar como êxitos,
esses acordos não têm se sustentado. As razões podem ser discutidas caso a
caso, mas parece evidente que o “ativismo” da gestão republicana em buscar
essas soluções, no tempo bastante curto de menos de um ano de governo, para
conflitos de anos ou décadas, não está considerando, na devida medida, a
complexidade política envolvida nesses conflitos. O que se evidencia cada vez
mais também é a crescente perda de capacidade dos Estados Unidos em exercer
esse papel, seja pela perda da autoridade moral a partir do morticínio
perpetrado por Israel na Faixa de Gaza, com não apenas tolerância, mas apoio
material norte-americano, já a partir da gestão democrata de Joe Biden, seja
pela mudança na correlação de forças na arena global, com destaque para a
ascensão da China, que tem atuado em mediações como a que fez (e surpreendeu o
mundo naquele momento) e foi concluída em 2023, para distensão entre Arábia
Saudita e Irã, dois inimigos históricos.
A estes
insucessos vendidos como sucessos da nova administração dos Estados Unidos se
soma a nova “Estratégia de Segurança Nacional”, que se propõe a retomar, de
forma bastante agressiva, a Doutrina Monroe, como está se vendo com a
transformação da Venezuela numa espécie de protetorado, com as ameaças de
anexação da Groenlândia, o desrespeito ao direito marítimo internacional com a
captura de petroleiros que operam com bandeiras de terceiros países e o anúncio
da saída dos EUA de mais de 60 organizações internacionais, tidas pelo governo
Trump como contrárias aos interesses nacionais dos Estados Unidos. A ordem do
pós-guerra, com suas leis e instituições internacionais construídas
fundamentalmente pelos norte-americanos, vai sendo desmontada pelos próprios,
por não mais atender às suas expectativas de expansão de poder. Menos regras e
mais força bruta, menos instituições e mais Império.
Fonte:
Observatório da Imprensa/Outras Palavras

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