A
falta que faz um “Xandão” nos EUA
Nada
disso estaria acontecendo se os Estados Unidos tivessem hoje um sistema
judicial minimamente independente, capaz de conter os abusos e arbítrios de
Donald Trump.
O mundo
inteiro acompanha, perplexo, a violência desencadeada pelo governo Donald Trump
contra os cidadãos de Minneapolis.
Uma
cidade historicamente tranquila, conhecida no país e no mundo por seus baixos
índices de violência, pela cordialidade de seus moradores e pelo respeito com
que trata seus imigrantes.
Talvez
exatamente por isso Donald Trump tenha pouquíssimos votos ali.
Nas
eleições presidenciais de novembro de 2024, Trump obteve apenas 27% dos votos
em Minneapolis, contra quase 70% para o Partido Democrata. Minnesota, aliás, é
o estado com a mais longa sequência de vitórias democratas no país: não vota em
um republicano para presidente desde Richard Nixon, em 1972.
É nessa
cidade que a administração Trump lançou a “Operation Metro Surge”, descrita
pelo Departamento de Segurança Interna como a maior operação de fiscalização
migratória já realizada nos Estados Unidos. Mais de 3 mil agentes federais
foram enviados à região, uma força cinco vezes maior que todo o efetivo do
Departamento de Polícia de Minneapolis.
Em
menos de três semanas, dois cidadãos americanos foram mortos por agentes
federais. No dia 7 de janeiro de 2026, Renée Good, de 37 anos, poetisa, esposa
e mãe, foi baleada na cabeça enquanto estava dentro de seu carro, observando
uma operação da ICE em seu bairro.
O
agente responsável foi identificado como Jonathan Ross. O Departamento de
Justiça recusou-se a abrir uma investigação de direitos civis, provocando a
renúncia de mais de uma dúzia de procuradores federais em protesto.
No dia
24 de janeiro, foi a vez de Alex Pretti, também de 37 anos, enfermeiro de UTI
do Departamento de Assuntos de Veteranos. Pretti estava filmando uma operação
da ICE com seu celular e tentando ajudar pedestres a atravessar a rua com
segurança quando foi abordado.
Vídeos
mostram que ele tentou proteger uma mulher que havia sido empurrada ao chão por
um agente. Foi espancado por pelo menos seis agentes federais encapuzados e, em
seguida, baleado múltiplas vezes enquanto estava no chão. O governo federal
bloqueou investigadores estaduais de acessar a cena do crime.
A
resposta da população de Minneapolis tem sido extraordinária. No dia 23 de
janeiro, dezenas de milhares de pessoas marcharam pelas ruas sob temperaturas
de 29 graus negativos, o dia mais frio do ano em Minnesota, exigindo a saída da
ICE. Mais de mil sindicatos endossaram uma greve geral estadual. Setecentos
estabelecimentos comerciais fecharam as portas em solidariedade. Clérigos foram
presos cantando hinos e rezando de joelhos no aeroporto da cidade. Professores
relatam que seus alunos vivem apavorados, mandando mensagens durante as aulas:
“A ICE está do lado de fora da minha casa neste momento.”
Se algo
semelhante ocorresse no Brasil, o Supremo Tribunal Federal já teria agido. Um
ministro da Corte teria expedido decisão monocrática imediata, seguida de
confirmação pelo colegiado, suspendendo a atuação dos agentes da ICE em todo o
estado de Minnesota, proibindo qualquer ação federal dessa natureza.
Em
seguida, os assassinatos de Renée Good e Alex Pretti seriam obrigatoriamente
investigados pelo FBI, com participação da polícia estadual de Minnesota, sob
supervisão judicial e com total transparência para a população sobre o
processo. O julgamento dos responsáveis seria público, aberto, acompanhado pela
sociedade.
É nesse
momento, quando a extrema-direita tenta pintar o Brasil como uma “ditadura
judicial”, que fica evidente o que eles realmente desejam. Eles querem uma
ditadura de um grupo raivoso, intolerante, com tendências fascistas, como os
Estados Unidos estão se tornando. Uma maioria que não respeita a Constituição,
que não aceita limites institucionais e que, sobretudo, deixa de enxergar como
humano o cidadão que pensa diferente, que vota em outro partido, que nasceu em
outro país, que fala outro idioma.
Um dos
pontos mais infames dessa campanha trumpista contra os imigrantes é a obsessão
para que o sistema de saúde americano não ofereça tratamento nenhum a
imigrantes, legais ou ilegais, adultos, velhos ou crianças, porque isso seria
gastar dinheiro do contribuinte. O país mais rico do mundo adotar um pensamento
tão duramente mesquinho é o abandono de qualquer humanismo e empatia.
Depois
de toda a carnificina na Palestina, que aliás continua, o governo Trump
resolveu tratar partes dos próprios Estados Unidos, especialmente as áreas de
hegemonia democrata, como uma espécie de Gaza doméstica. Um território onde a
vida humana não vale nada e onde o Estado opressor pode tudo.
Diante
desse cenário, cabe também repensar certas críticas apressadas ao Judiciário
brasileiro. O nosso sistema judicial precisa, sim, ser posto à prova, oferecer
transparência, ser criticado quando se percebe algum abuso de poder. Mas os
acontecimentos recentes mostram como é essencial para uma democracia a
existência de um Judiciário forte.
O mesmo
vale para a Justiça Eleitoral brasileira, que atua sob supervisão do Judiciário
como um todo e da Suprema Corte. Donald Trump age, até hoje, como Jair
Bolsonaro agiu no Brasil, ou talvez fosse mais justo dizer que Bolsonaro imitou
Trump, ao acusar fraude nas eleições de 2020 sem apresentar qualquer prova,
difamando o próprio processo democrático dos Estados Unidos.
A mesma
lógica se aplica às tarifas. Trump usa o pretexto de emergência nacional para
ameaçar e chantagear todos os países do mundo com barreiras comerciais,
rompendo acordos estabelecidos com outras nações, além de prejudicar o próprio
povo americano. No Brasil, esse abuso de poder do Executivo não seria
permitido.
Um
Judiciário independente como o brasileiro também proibiria o presidente de
seguir adiante com outras aventuras ilegais e inconstitucionais. As ameaças
contra a Groenlândia, por exemplo, violam tratados internacionais assinados
pelos próprios Estados Unidos. O mesmo vale para o sequestro do presidente da
Venezuela, precedido pelo bombardeio do país e pelo assassinato de mais de 100
pessoas da equipe de segurança de Nicolás Maduro. Numa democracia saudável,
ações como essas seriam bloqueadas por magistrados independentes.
É por
isso que é fundamental o Brasil possuir um Judiciário que age verdadeiramente
como um Poder da República, capaz de oferecer freios e contrapesos aos abusos
do Executivo e do Legislativo.
O
Brasil ainda tem muito a amadurecer. Precisamos acelerar o nosso
desenvolvimento, reduzir as desigualdades, revolucionar a nossa mobilidade
urbana. Mas é importante reconhecer que, em alguns aspectos essenciais, as
instituições brasileiras estão à frente das democracias mais desenvolvidas do
mundo.
• Carlos Bolsonaro elege ex-aliado como
culpado pela situação do pai
omo de
hábito, o ex-vereador pelo Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), apelou para o
emocional e afirmou que o pai, Jair Bolsonaro (PL), está “abatido, apático e
soluçando”. A visita à Papudinha, realizada neste sábado (31), foi a primeira
após Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar
visitas de familiares aos fins de semana.
Carlos
usou as redes sociais e aproveitou para eleger o culpado pela situação do pai.
“Saí há
pouco da Papuda acompanhado de meu amigo, o advogado @JHNdeF. Encontrei o
Presidente Jair Bolsonaro abatido, apático e soluçando. Comemos algumas cascas
de pão de forma. Lavei seus talheres de plástico e ainda consegui arrancar uma
risada do meu pai. Objetivo alcançado”, iniciou.
“Não
relato isso como demonstração emotiva, mas como registro estritamente factual.
Parabéns, Coronel Mauro Cid. Você é um dos principais responsáveis pelo
esfacelamento de pessoas de bem e pela destruição de milhares de famílias que
não cometeram qualquer crime que justificasse tamanha crueldade. Bom final de
sábado a todos!”, concluiu.
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A condenação
Bolsonaro
foi condenado a 27 anos e 3 meses por comandar uma trama golpista que planejava
dar um golpe de Estado e interferir no resultado das eleições de 2022.
Ele
cumpre pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, em
Brasília, conhecido como “Papudinha”.
Além de
integrantes da família, o ex-presidente está autorizado a receber visitas de
médicos, advogados e outras pessoas liberadas pelo STF.
Fonte:
Por Miguel do Rosário em O Cafezinho/Fórum

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