segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

As conversas de Jeffrey Epstein e Noam Chomsky sobre Lula: 'Prisioneiro político mais importante do mundo'

Em setembro de 2018, o linguista e filósofo americano Noam Chomsky teria comunicado a Jeffrey Epstein por email que estava no Brasil com sua mulher, envolvidos com atividades do movimento Lula Livre, que pedia a libertação do presidente brasileiro.

Chomsky mantinha longas conversas com o financista americano e chegou a ser convidado por ele para ficar em suas casas.

A comunicação está entre os documentos divulgados na última sexta-feira (30/1) pelo Departamento de Justiça dos EUA, relacionados ao caso Epstein, criminoso sexual condenado nos Estados Unidos e morto em 2019.

"No Brasil, muito envolvido em atividades do 'Lula Livre' (Valeria e eu o visitamos na prisão ontem) e outros compromissos", diz o email atribuído a ele, que está entre os arquivos. Valeria é a esposa de Chomsky.

Chomsky havia visitado Lula na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, onde o então ex-presidente cumpria pena — Lula ficou 580 dias preso e foi impedido de disputar as eleições presidenciais em 2018. Em 2021, teve suas condenações na operação Lava Jato anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O petista havia sido considerado culpado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas o STF anulou essas condenações por entender que Lula não teve seus direitos respeitados ao longo dos processos conduzidos pelo então juiz Sergio Moro.

Não é a primeira vez que a relação entre Lula e Chomsky e entre Chomsky e Esptein aparece nos arquivos.

Em novembro, quando outros documentos foram divulgados, um dos arquivos mostrava uma mensagem atribuída a Epstein que citava uma suposta ligação telefônica dele com Chomsky junto de Lula, ainda na prisão.

"Chomsky me ligou com Lula. Da prisão. Que mundo."

À época, Valéria Chomsky negou à imprensa que o marido tenha intermediado uma ligação entre o empresário e Lula.

Ela afirmou à CNN Brasil que a alegação era "infundada e mentirosa", que eles tiveram de deixar os aparelhos celulares na recepção e que foram revistados pela Polícia Federal antes de iniciar a visita.

O Palácio do Planalto também negou, em uma nota enviada à CNN Brasil, que a ligação tenha acontecido.

Em outro email, que também veio à tona agora, de dezembro de 2018, Chomsky descreveu Lula a Epstein como "o prisioneiro político mais importante do mundo".

"Acho que, de alguma forma, somos animais sociais. Valeria e eu vimos um caso muito triste disso recentemente. Conseguimos visitar Lula, o prisioneiro político mais importante do mundo, preso logo antes da eleição que ele provavelmente venceria, na última etapa do golpe da direita que vem ocorrendo há vários anos."

Chonsky disse a Epstein, segundo esses arquivos, que as acusações contra Lula eram ridículas.

"Ele está em confinamento solitário, sem acesso a qualquer material impresso, com direitos de visita muito limitados, uma TV sintonizada em um canal do governo e sem o direito de fazer qualquer declaração pública. A sentença é de 12 anos, mas com o atual governo neofascista no poder, ele pode sucumbir a alguma 'doença misteriosa'. É chocante a falta de atenção do mundo a isso".

A troca de emails parece ser uma longa conversa sobre os efeitos do isolamento e da necessidade humana de interação social.

Na mesma conversa, Chomsky aconselha Epstein a não publicar um artigo de opinião no jornal americano The Washington Post, em que ele tentaria defender o acordo polêmico que fez em 2008 com os promotores que o investigavam.

"Acho que a reação será do tipo 'onde há fumaça, há fogo'", aconselhou ele.

Epstein conseguiu, à época, evitar acusações federais de tráfico sexual, aceitando 13 meses de prisão. Em 2019 o caso voltou à tona, ele voltou a ser preso e foi encontrado morto em sua cela em agosto.

<><>> O alerta de Epstein a Steve Bannon sobre relação entre Chomsky e Lula

Em outro arquivo divulgado pelo governo americano, há uma conversa entre Steve Bannon, ex-conselheiro do presidente americano, Donald Trump, e estrategista político, e Epstein, que também menciona Lula e Chomsky.

"Estou em Tucson (cidade no Arizona). Chomsky pode se encontrar amanhã à tarde?".

Epstein diz que vai avaliar, mas avisa a Bannon.

"A esposa dele é brasileira, então vá com calma ao falar de Bolsonaro. Eles [o casal Chomsky] são amigos do Lula. Mas ele é uma figura icônica e não se deve perder a chance de conversar sobre história e política. Vou colocar vocês em contato por email, para que possam se coordenar diretamente."

"Ele vai querer saber se você está do lado dos pequenos: corte de impostos, ataques à saúde pública e as ameaças bolsonaristas aos trabalhadores organizados", teria dito Epstein a Bannon, antes do encontro.

Na sequência da conversa, Bannon confirma que o encontrou e que ele era um "grande cavalheiro". Enviou, em seguida, uma imagem dos dois rindo. "Brilhante, mas fraco em alguns fatos básicos", diz Bannon.

<><>  Qual era a relação de Noam Chomsky com Jeffrey Epstein?

A relação próxima entre Epstein e Chomsky tornou-se mais evidente por meio dessas mensagens divulgadas nos últimos meses.

Epstein teria usado suas habilidades financeiras para ajudar o linguista. Eles trocaram várias mensagens ao longo dos anos e Epstein o convidou para ficar em suas casas.

Segundo Barry Levine, autor de um livro sobre a rede de Epstein, Chomsky era um dos famosos clientes financeiros de Epstein, muitos dos quais Epstein ajudou a economizar bilhões de dólares.

Ele afirmou à BBC, em novembro de 2025, que Epstein conseguiu fazer isso porque "entendia o código tributário e as finanças, em certa medida, melhor do que talvez as pessoas mais bem pagas de Wall Street".

Em uma carta de apoio sem data incluída no acervo de e-mails, Chomsky elogiava Epstein, dizendo que os dois tinham mantido "muitas discussões longas e frequentemente profundas".

O linguista de 97 anos disse anteriormente ao Wall Street Journal que Epstein o ajudou a transferir dinheiro entre contas sem "um centavo de Epstein".

"Eu o conhecia e nos encontrávamos ocasionalmente", disse ele.

"O que se sabia sobre Jeffrey Epstein era que ele havia sido condenado por um crime e cumprido sua pena. De acordo com as leis e normas dos EUA, isso resulta em uma ficha limpa."

•        E-mails mostram que Elon Musk tinha laços mais extensos com Epstein do que se sabia anteriormente

Elon Musk manteve uma comunicação mais extensa – e mais amigável – com o financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein do que se sabia publicamente, de acordo com documentos divulgados na sexta-feira pelo Departamento de Justiça. Os e-mails presentes nos arquivos parecem mostrar os dois trocando mensagens cordiais em duas ocasiões distintas para planejar uma visita de Musk à ilha de Epstein .

Os documentos incluem e-mails trocados entre Musk e Epstein em 2012 e 2013 para definir quando Musk deveria visitar Little St. James. Nenhuma das trocas de e-mails parece ter resultado na visita de Musk à ilha, devido a problemas logísticos.

"Estarei na região das Ilhas Virgens Britânicas/St. Barth durante as férias. Existe uma boa época para visitar?", declarou Musk em 13 de dezembro de 2013.

“Qualquer dia entre o dia 1 e o dia 8. Se quiser, pode decidir na hora. Sempre há espaço para você”, responde Epstein.

Musk então envia vários e-mails relatando sua agenda, e os dois combinam o dia 2 de janeiro como data da visita. A troca de e-mails termina com Epstein dizendo a Musk que ele precisaria permanecer em Nova York e lamentando que não pudessem se encontrar.

“Más notícias – infelizmente, minha agenda me manterá em Nova York. Eu estava realmente ansioso para finalmente passar um tempo juntos, com o único objetivo de nos divertirmos. Então, estou muito decepcionado. Espero que possamos marcar outra data em breve”, escreveu Epstein.

Em novembro de 2012, Epstein enviou um e-mail a Musk perguntando "quantas pessoas estarão no helicóptero para ir à ilha".

“Provavelmente só eu e a Talulah. Qual será o dia/noite da festa mais animada na sua ilha?”, respondeu Musk, numa aparente referência à sua ex-esposa, Talulah Riley.

Musk enviou um e-mail em 25 de dezembro em resposta a outra mensagem de Epstein, na qual o incentivava a fazer uma visita e oferecia o uso de seu helicóptero.

“Você tem alguma festa planejada? Tenho trabalhado até o limite da sanidade este ano e, portanto, assim que meus filhos voltarem para casa depois do Natal, quero muito curtir a vida noturna em St. Barts ou em outro lugar e relaxar. Agradeço muito o convite, mas uma experiência tranquila em uma ilha é o oposto do que estou procurando”, escreveu Musk.

“Entendido, nos veremos em St. Barth. A proporção na minha ilha pode deixar Talilah desconfortável”, respondeu Epstein.

“A proporção não é um problema para Talilah”, disse Musk.

Em 2 de janeiro de 2013, Musk enviou um e-mail a Epstein sugerindo que a visita não aconteceria, dizendo: "A logística não vai funcionar desta vez".

Musk tem sido extremamente crítico daqueles ligados a Epstein, mas os e-mails recentemente divulgados parecem contradizer sua própria negação de longa data de qualquer vínculo pessoal. O CEO da Tesla disse à Vanity Fair em 2019 que Epstein era "obviamente um crápula" e afirmou que Epstein "tentou repetidamente me convencer a visitar sua ilha. Eu recusei". Os e-mails entre os dois magnatas surgem anos depois de Epstein ter sido condenado em 2008 por aliciar uma menor para prostituição na Flórida. As autoridades prenderam Epstein em 2019 sob acusações federais de tráfico sexual.

Um e-mail separado nos documentos mostra Lesley Groff, assistente de longa data de Epstein, aparentemente fazendo planos para que Epstein almoçasse na SpaceX em 2013, afirmando: “Elon Musk agradece o convite para o Rancho, mas tem compromissos… O almoço na segunda-feira, 25 de fevereiro, às 13h, na SpaceX está confirmado”. Não está claro se o almoço aconteceu ou se Musk compareceu. Outra série de trocas de e-mails de março de 2013 mostra Epstein e Musk trocando mensagens depois que Epstein o parabenizou um dia após o lançamento de um foguete da SpaceX.

Um representante de Musk e de sua empresa de inteligência artificial, a xAI, não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.

Os e-mails recentemente divulgados entre Musk e Epstein, que foi encontrado morto em sua cela em 2019 e há anos é alvo de especulações sobre suas ligações com algumas das pessoas mais poderosas do mundo, fazem parte de um lote de 3 milhões de documentos que o Departamento de Justiça tornou públicos na sexta-feira.

Musk já enfrentou pressão para abordar qualquer possível ligação com Epstein no passado, inclusive após a divulgação anterior de documentos do Departamento de Justiça relacionados à investigação, que mencionavam seu nome . No ano passado, os democratas da Câmara divulgaram uma cópia da agenda diária de Epstein, que mostrava uma anotação de 2014 com a seguinte frase: “Lembrete: Elon Musk na ilha em 6 de dezembro (isso ainda vai acontecer?)”. Nenhuma outra informação foi incluída, e Musk negou ter feito planos para a visita em uma postagem no X.

“Isso é falso”, escreveu ele em resposta a uma publicação que mencionava as alegações.

Musk também negou conhecer Ghislaine Maxwell, cúmplice de longa data de Epstein, alegando que uma foto muito divulgada dos dois juntos em um evento foi porque ela "atrapalhou" uma foto dele em uma festa da Vanity Fair. Musk afirmou que certa vez visitou o apartamento de Epstein em Manhattan "por cerca de 30 minutos" com sua ex-esposa, Talulah Riley, como parte da pesquisa para um livro que ela estava escrevendo, mas não especificou uma data exata.

Embora tenha negado qualquer ligação pessoal com Epstein, Musk já usou o nome do criminoso sexual para atacar outras pessoas. Ele afirmou, durante seu desentendimento público com Donald Trump no ano passado, que o nome do presidente constava nos arquivos de Epstein. Posteriormente, Musk pareceu apagar suas postagens no X acusando Trump de ligações com Epstein. Musk também insultou o magnata da tecnologia Bill Gates em maio, devido à relação do fundador da Microsoft com Epstein, reagindo após Gates criticá -lo pelos cortes na ajuda humanitária.

"Quem Bill Gates pensa que é para fazer comentários sobre o bem-estar das crianças, visto que ele frequentava os mesmos lugares que Jeffrey Epstein ?", disse Musk.

 

 

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