Doenças
que revelam desigualdades
“Era a
Secretaria da Saúde. Veio passar um filme para os favelados ver como é que o
caramujo transmite a doença anêmica. Para não usar as águas do rio. Que as
larvas desenvolve-se nas águas”. O trecho foi retirado do livro “Quarto de
Despejo”, de Carolina Maria de Jesus. Em seu diário, no dia 9 de junho de 1958,
a autora relata que a lagoa de onde retirava água para lavar roupas era um foco
da esquistossomose — infecção que ocorre quando uma pessoa entra em contato com
larvas de um parasita liberadas por caramujos infectados, frequente em locais
sem saneamento básico.
O
cotidiano vivido por Carolina na antiga favela do Canindé, em São Paulo,
persiste na vida de muitos brasileiros. Suas palavras conectam o cotidiano
registrado na década de 1950 às permanências que ainda marcam a saúde pública
no país. Segundo o boletim “Doenças Tropicais Negligenciadas no Brasil
(2020–2023)”, do Ministério da Saúde (MS), ao longo de 14 anos de análise,
entre 2010 e 2023, foram registrados quase 529 mil casos de esquistossomose no
país.
O
Brasil lidera, nas Américas, a prevalência de um conjunto de doenças
favorecidas por um vácuo histórico de políticas sociais de diferentes ordens.
Assim como a esquistossomose, essas enfermidades estão mais presentes em
contextos de vida precarizados, sendo frequentes em territórios atravessados
pela ausência de saneamento básico, como o acesso à água potável, coleta
irregular de lixo, além da falta de moradias dignas.
Segundo
a Organização Mundial da Saúde (OMS), o país concentra cerca de 90% dos casos
de hanseníase nas Américas. A tuberculose também segue como um problema
relevante: o Brasil é o único país do continente incluído simultaneamente em
duas listas da OMS — a de alta carga da doença e a de tuberculose com
coinfecção por HIV. Soma-se a esse quadro a leishmaniose: ao lado de outros
dois países da América Latina e de oito países no mundo, o Brasil responde por
90% dos casos de leishmaniose cutânea notificados globalmente. Embora muitas
vezes associadas ao passado, essas doenças mantêm alta incidência no país, em
um contexto marcado por desigualdades persistentes.
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Janeiro roxo
O mês
de janeiro é marcado por duas datas importantes para a saúde pública: o Dia
Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas, celebrado em 30 de janeiro, e o
Dia Mundial Contra a Hanseníase, lembrado no último domingo do mês. Ambas as
datas são instituídas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o
enfrentamento à hanseníase é reforçado por meio da campanha Janeiro Roxo.
Apesar
das ações de conscientização e prevenção, o Brasil está entre os três países do
mundo com maior incidência de hanseníase. Segundo a OMS, em 2024, foram
registrados mais de 22 mil novos casos. Embora esse número represente uma queda
de 2,8% em relação a 2023, o país permanece atrás apenas da Índia, que
contabilizou mais de 100 mil novos registros no período.
Assim
como outras enfermidades abordadas nesta reportagem, a hanseníase integra o
grupo de doenças relacionadas às condições de vida em situação de
vulnerabilidade. Trata-se de uma doença infecciosa crônica, causada pela
bactéria Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, os nervos
periféricos, os olhos e as vias respiratórias. Ela é mais frequente em
contextos de moradias precárias, marcados pela superlotação, pela ventilação
inadequada e por dificuldades de acesso à higiene básica.
André
Siqueira, pesquisador do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas
(INI/Fiocruz), avalia que “ainda temos populações que vivem em condições
sanitárias que favorecem a transmissão da hanseníase, mas, principalmente,
falta uma identificação rápida para começar o tratamento”, afirma. Segundo ele,
“muitas vezes, é uma questão de treinamento dos serviços de saúde para
reconhecer os sinais precoces”.
Para
Siqueira, discutir a eliminação da hanseníase “exige uma abordagem mais ampla”,
o que significa pensar em políticas públicas de diferentes áreas, para além do
acesso ao diagnóstico precoce. Isso inclui a melhoria das condições sanitárias
que favorecem a transmissão da doença, com acesso a moradias dignas, água
potável e tratamento de esgoto.
Priscila
Neves, pesquisadora do grupo de pesquisa em Políticas Públicas e Direitos
Humanos em Saúde e Saneamento (PPDH), da Fiocruz Minas (Instituto René Rachou)
chama atenção para outro fator associado à persistência da doença: as barreiras
de acesso às políticas de prevenção e o estigma social. Segundo a pesquisadora,
o medo e a discriminação historicamente associados à hanseníase — anteriormente
conhecida como lepra — ainda dificultam o diagnóstico precoce. “As pessoas
acabam ficando com medo quando veem uma mancha no corpo e podem deixar de
procurar o serviço de saúde por receio de serem taxadas. Há uma discriminação
em torno da doença que dificultou, e ainda dificulta, a busca por um
diagnóstico rápido.”
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Doenças Tropicais Negligenciadas e/ou Socialmente Determinadas
“Esses
termos têm uma grande intersecção, mas também certa diferenciação”, adverte
Siqueira ao comentar o uso das categorias da saúde de Doenças Tropicais
Negligenciadas (DTNs) e Doenças Socialmente Determinadas (DSDs). O primeiro
conceito foi mais utilizado ao longo das décadas e está associado a doenças
infecciosas transmissíveis em regiões tropicais. No entanto, “nos últimos anos,
ele foi ampliado a partir do entendimento de que não se trata apenas de doenças
que ocorrem por causa da região. Elas se manifestam porque encontram condições
favoráveis para a transmissão e, sobretudo, por uma dimensão de negligência”,
avalia o pesquisador.
Enquanto
as DTNs constituem uma categoria internacional definida pela OMS, o conceito de
DSDs é mais utilizado no campo da Saúde Coletiva, ao deslocar o foco para as
condições sociais que produzem e agravam essas enfermidades.
Tanto
as doenças tropicais negligenciadas quanto as socialmente determinadas estão
associadas à condição socioeconômica, às formas de moradia e ao acesso aos
serviços de saúde. No entanto, como explica André Siqueira, “as doenças
tropicais tendem a focar mais nas transmissíveis, que são mais comuns em
determinados contextos ambientais e que, historicamente, estão associadas a
essas condições”.
Para
contextualizar, o pesquisador exemplifica: “A tuberculose não é considerada uma
doença tropical, mas é uma doença socialmente determinada”, já que sua
transmissão e persistência estão diretamente relacionadas a condições de vida
precarizadas, como moradias superlotadas com pouca ventilação e barreiras no
acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Segundo o “Boletim Epidemiológico –
Tuberculose”, publicado em 2025 pelo Ministério da Saúde com dados referentes a
2024, o país registrou mais de 84 mil casos da doença, o que corresponde a uma
taxa de 39,7 casos por 100 mil habitantes, além de cerca de seis mil mortes no
período. Entre os mais afetados estão os homens (68,2%) e as pessoas pretas e
pardas (65,8%). Ainda de acordo com o documento, o Brasil e o Peru são os
únicos países da América Latina que figuram nas listas da OMS como de alta
carga da doença.
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A necropolítica e a permanência dessas doenças
Segundo
o Censo de 2022, 49 milhões de brasileiros ainda vivem em residências sem
descarte adequado de esgoto, o que representa 24% da população. Além disso, 18
milhões (9%) não contam com coleta de lixo, 6 milhões (3%) não têm
abastecimento adequado de água e 1,2 milhão (0,6%) vivem em domicílios sem
banheiro.
“O
esgoto lançado de forma inadequada em rios onde mulheres usam a água para lavar
roupa, crianças nadam e homens pescam faz com que essas pessoas entrem em
contato com diferentes patógenos”, explica Priscila Neves. Esse contexto, em
que quase um quarto da população não tem acesso a saneamento básico adequado,
ajuda a explicar a ocorrência de pouco mais de meio milhão de casos de
esquistossomose no país.
A
especialista também elenca os impactos da falta de água potável, de coleta de
lixo e de banheiro nos domicílios. “Quando não se tem acesso à água potável, a
pessoa acaba ingerindo uma água que pode estar contaminada por coliformes
fecais, o que pode levar a contrair doenças que causam vômito e diarreia,
resultando em internações”, afirma Neves.
Ela
ainda chama atenção para o acúmulo de resíduos sólidos em áreas urbanas
periféricas, “o que favorece a proliferação de diversos insetos vetores. Um
exemplo é a leishmaniose”, que, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde
(Opas), está entre as dez principais doenças tropicais negligenciadas, com mais
de 12 milhões de pessoas infectadas no mundo. O Brasil, ao lado da Etiópia,
Quênia e Sudão, concentra cerca de 60% dos casos de leishmaniose visceral no
mundo e está entre os 11 países que notificam 90% dos casos de leishmaniose
cutânea.
Por
fim, a pesquisadora ressalta a relevância de algo que pode parecer simples: ter
um banheiro em casa. “Quando não há um banheiro adequado e ocorre a defecação
ao ar livre, próxima, por exemplo, a áreas de plantio, podendo haver a
contaminação dessas áreas, das verduras e, consequentemente, dos alimentos que
serão consumidos.”
Os
relatos de Carolina Maria de Jesus, mulher pobre e negra, sobre um cotidiano
marcado pela pobreza extrema e pela vulnerabilidade social, dão vida e rosto
aos dados revelados até hoje pelo Censo e às constatações dos pesquisadores. Em
uma passagem de seu diário, escrita entre os dias 9 e 11 de junho de 1958, ela
registra: “Até a agua… que em vez de nos auxiliar, nos contamina. Nem o ar que
respiramos, não é puro, porque jogam lixo aqui na favela. Mandaram os favelados
fazer mictorios. […] o que eu não gosto e tenho pavor é de ir buscar agua”.
Carolina
não tinha acesso à água potável e ao saneamento básico, não contava com
banheiro em casa — realidade compartilhada por muitos moradores da região — e
vivia em um ambiente onde o lixo era descartado de forma inadequada. “Podemos
falar até de uma necropolítica, uma política que visa o adoecimento e a morte
de grupos específicos da população. E esses grupos têm cor e têm classe: são
negros e pobres”, avalia Neves, ao comentar sobre quem é mais atingido por
essas doenças.
A
escritora também relata em seu diário que a Secretaria de Saúde até aparecia no
território, mas principalmente para conscientizar a população sobre o risco da
doença associada àquele ambiente, por meio da exibição de um filme. Sobre esse
tipo de abordagem, Priscila Neves pondera: “até podemos continuar fazendo ações
de educação sanitária, distribuindo medicamento, mas enquanto não conseguirmos
atingir a causa do problema, que é a falta de acesso a água, saneamento,
moradia adequada, vai ser muito difícil conseguir realmente eliminar essas
doenças”.
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Faltam medicamentos
Segundo
o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde sobre as Doenças Tropicais
Negligenciadas, lançado em 2024, quase 29 milhões de brasileiros correm, todos
os anos, o risco de contrair alguma dessas enfermidades, o que representa 14%
da população. De acordo com o documento, até 2015 estimava-se que essas doenças
pudessem afetar cerca de 15 milhões de pessoas, número que quase dobrou entre
2016 e 2020.
Apesar
disso, o financiamento global para pesquisa e desenvolvimento de fármacos
voltados a essas doenças não acompanha o aumento do risco. De acordo com o
relatório G-FINDER, lançado em 2025 — projeto internacional do Impact Global
Health que monitora os desafios globais da saúde —, em 2023 os recursos
destinados a essa área permaneceram praticamente estáveis, com leve queda em
relação a 2022.
O
documento destaca ainda que, entre 2021 e 2022, os investimentos já estavam
estagnados, atingindo os níveis mais baixos desde 2009. Segundo o relatório, “a
ausência de recuperação após a forte queda de 2022, impulsionada pela inflação,
deixou o financiamento global quase 650 milhões de dólares abaixo do pico
registrado em 2018 e cerca de 150 milhões de dólares abaixo da média da década
anterior”.
André
Siqueira, que atua na Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas
(DNDi), organização internacional sem fins lucrativos criada em 2003 com o
objetivo de pesquisar e desenvolver tratamentos para essas enfermidades, avalia
que o baixo financiamento também está relacionado às condições de negligência
em que vivem as populações mais afetadas. “Isso se deve a uma falta de
priorização, inicialmente, por parte da indústria, que não percebe uma vantagem
em termos de benefícios econômicos para investir no desenvolvimento de
fármacos, nem vê um mercado que valha a pena ser explorado”, afirma.
Um
relatório da DNDi de 2018, constata que “sem inovação, os tratamentos são
antigos, ineficazes, tóxicos ou simplesmente inexistentes, por vezes agravando
o sofrimento dos pacientes”.
A
diretora do Departamento de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde,
Marília Santini de Oliveira, ainda relaciona os baixos financiamentos da
indústria na produção desses medicamentos à produção de testes de detecção que
não funcionam bem e a medicamentos com severos efeitos colaterais.
Santini,
que também é médica infectologista, ressalta: “Tudo o que é associado às
doenças negligenciadas também acaba sendo negligenciado. Um exemplo são os
testes para diagnósticos, que tendem a ser menos sensíveis e específicos”.
Uma
realidade que pouco mudou nos últimos 70 anos, é mostarda no relato de Carolina
Maria de Jesus: em 25 de julho, ela registrou em seu diário a continuidade da
sua batalha com a única água disponível para uso: “Vi uma viatura do Governo do
Estado. Serviço de Saúde que vinha recolher as fezes. O jornal disse que há 160
casos positivos [de esquistossomose] aqui na favela. Será que eles vão dar
remédios? A maioria dos favelados não há de poder comprar. Eu não fiz o exame.
Fui catar papel”.
Nesse
contexto, André Siqueira reforça a necessidade de mobilização social para
impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento de medicamentos. “Precisamos fazer
pressão para que existam investimentos e estratégias que engajem tanto as
instituições de pesquisa quanto o desenvolvimento produtivo, que são as
indústrias”, afirma. O pesquisador acrescenta que também é “importante ter uma
ação governamental forte para fomentar essas iniciativas”.
O
especialista destaca o Departamento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde e
de Inovação para o SUS (DECEIIS). “Em termos de investimento financeiro e de
definição de estratégias e prioridades, isso tem mudado um pouco com essa
política, que busca identificar as prioridades nacionais e fomentar parcerias
entre o setor produtivo, a indústria e a academia, alinhadas às prioridades do
SUS. Esse processo tem contado com recursos para viabilizar esse
desenvolvimento”, avalia Siqueira.
O
pesquisador pondera, no entanto, que os resultados não são imediatos. “Existe o
risco de esse investimento não se traduzir em uma solução no curto prazo. Por
isso, o volume de recursos necessários é grande”, afirma. Ainda assim, Siqueira
reforça que os benefícios tendem a ser significativos.
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Por um Brasil Saudável até 2030?
Uma
fagulha de esperança em meio à realidade das Doenças Determinadas Socialmente é
o Programa Brasil Saudável, que tem como um de seus objetivos eliminar essas
infecções como problemas de saúde pública até 2030. A iniciativa está alinhada
à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), plano global adotado por
193 países em 2015, que estabelece 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS) e 169 metas voltadas às dimensões sociais, econômicas e ambientais.
Se a
esquistossomose está relacionada à ausência de saneamento básico adequado, a
leishmaniose ao descarte irregular de lixo e a hanseníase ao contato prolongado
com pessoas infectadas em moradias superlotadas, não faz sentido que apenas
ações do setor da saúde busquem erradicar essas doenças, uma vez que suas
causas vão além de vírus, bactérias e parasitas. Elas envolvem garantiama algo
maior: democracia.
Por
isso, o programa é estruturado como uma política intersetorial. Ele é
constituído por 14 ministérios, entre eles os ministérios dos Direitos Humanos
e da Cidadania, da Educação e da Igualdade Racial, e é coordenado pelo
Ministério da Saúde por meio do Comitê Interministerial para a Eliminação da
Tuberculose e de Outras Doenças
Determinadas Socialmente (Ciedds). O comitê conta ainda com a participação de
representantes da sociedade civil e de movimentos sociais de atuação nacional.
A
representante do MS, Marília Santini, avalia que o “programa é importantíssimo,
porque não deixa apenas nas mãos da saúde a resolução desses problemas”. Para
ela, a articulação entre diferentes áreas é uma “ideia muito boa para todo
mundo”.
Santini
pondera, no entanto, que, mesmo que o programa consiga eliminar essas doenças
como problemas de saúde pública até 2030, elas não deixarão de existir
completamente. “Provavelmente, ainda vão ocorrer casos, mas o mais importante é
o controle da transmissão a partir desses episódios, com diagnóstico precoce”,
destaca.
Ela
ainda sublinha que o principal diferencial do programa é “o maior investimento
e o aumento da capacidade de construir esses planos em conjunto com os outros
ministérios”. Ao mesmo tempo, isso representa um grande desafio. “Exige um
esforço grande de todos, porque não estamos acostumados a trabalhar juntos. É
um esforço consciente para lembrar que tudo o que fazemos precisa se encaixar
no Brasil Saudável, dialogando com outras áreas, com a intersetorialidade”,
explica.
A
infectologista também destaca a importância de investimentos mais constantes e
inovadores, considerando o caráter intersetorial da política. “Por exemplo,
ampliar o acesso à água para todo o Brasil é um programa complexo, caro e que
não se resolve rapidamente, porque envolve obras. Mas isso também faz parte do
controle dessas doenças”, avalia.
Ao
mesmo tempo em que a política pretende ampliar levar samaneamento básico para
as populações mais empobrecidas, o estímulo à privatização desses serviços
surge como uma tendência que pode caminhar na contramão do que o programa
propõe. “Isso pode acabar gerando um déficit ainda maior de acesso à água para
populações em situação de vulnerabilidade”, avalia Priscila Neves. “Vemos
exemplos de municípios, como o Rio de Janeiro, em que a privatização resultou
na piora desses serviços”, completa a pesquisadora da Fiocruz.
“Não
deixar ninguém para trás” é o slogan principal da Agenda 2030. Mas, afinal,
quem são as pessoas deixadas para trás? Para Neves, são aquelas marcadas por
desigualdades de classe, raça e, muitas vezes, de gênero. Diante de um cenário
de privatizações do acesso à água, da persistência de altos índices de
hanseníase e de outras doenças determinadas socialmente, fica o questionamento:
é possível, em apenas quatro anos, transformar a realidade de tantos
brasileiros que vivem em condições de extrema vulnerabilidade, como a vivida
pela escritora Carolina Maria de Jesus? Nesse sentido, “olhar para essas
populações, identificá-las e concentrar esforços para garantir o acesso à água
e ao saneamento seria a política ideal”, conclui Priscila Neves.
Fonte:
Por Giulia Escuri – EPSJV/Fiocruz

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