Os
principais pontos dos milhões de arquivos recém-divulgados do caso Epstein
Milhões
de novos arquivos relacionados ao bilionário Jeffrey Epstein — criminoso
sexual condenado e morto em 2019 — foram divulgados pelo Departamento de
Justiça dos Estados Unidos, o maior número de
documentos compartilhados pelo governo desde que uma lei determinou sua divulgação no ano
passado.
Três
milhões da páginas, 180 mil imagens e 2.000 vídeos foram publicados nesta
sexta-feira (30/1).
A
divulgação acontece seis semanas depois do departamento perder o prazo legal
assinado pelo presidente Donald Trump, que exigia que
todos os documentos relacionados a Epstein fossem tornados públicos.
"A
divulgação de hoje marca o fim de um processo amplo de identificação e revisão
de documentos para garantir transparência ao povo americano e cumprimento das
normas", disse o vice-procurador-geral Todd Blanche.
Os
arquivos incluem detalhes sobre o tempo de Jeffrey Epstein na prisão —
incluindo um relatório psicológico — e sua morte enquanto estava
encarcerado,
juntamente com registros de investigação sobre Ghislaine
Maxwell, associada de Epstein que foi condenada por ajudá-lo no
tráfico de meninas menores de idade.
Eles
também incluem e-mails entre Epstein e figuras públicas influentes.
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Epstein convidou 'o duque' para se encontrar com uma mulher russa
Os
documentos também revelam a estreita ligação do bilionário com a elite
britânica.
Eles
incluem e-mails entre Epstein e uma pessoa chamada "O Duque" — que
acredita-se ser Andrew Mountbatten-Windsor, anteriormente
conhecido como Duque de York —discutindo um jantar no Palácio de Buckingham,
onde há "muita privacidade".
Outra
mensagem de Epstein inclui uma oferta para apresentar "O Duque" a uma
mulher russa de 26 anos.
Os
e-mails são assinados com a letra "A", acompanhada de uma assinatura
que parece ser "Sua Alteza Real Duque de York KG".
"O
Duque" responde que estaria em Genebra "até a manhã do dia 22, mas
ficaria encantado em vê-la" antes de perguntar: "Ela trará uma
mensagem sua? Por favor, dê a ela meus dados de contato para que ela entre em
contato."
Ele
pergunta a Epstein se há "alguma outra informação que você possa saber
sobre ela que seja útil?"
Epstein
responde que "ela tem 26 anos, é russa, inteligente, bonita, confiável e
sim, ela tem seu e-mail."
As
mensagens foram trocadas em agosto de 2010, dois anos depois de Epstein se
declarar culpado de aliciar uma menor de idade.
A BBC
não conseguiu verificar os e-mails de forma independente. Os e-mails não
indicam qualquer irregularidade.
A BBC
contatou Andrew Mountbatten-Windsor para obter uma resposta.
Mountbatten-Windsor
tem enfrentado anos de escrutínio por sua antiga amizade com Epstein.
Ele tem
negado repetidamente qualquer irregularidade e afirmou que não "viu,
testemunhou ou suspeitou de qualquer comportamento do tipo que posteriormente
levou" à prisão e condenação de Epstein.
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Epstein enviou dinheiro para brasileiro casado com lorde britânico
Outros
e-mails mostram que Epstein enviou £10.000 (R$ 72 mil) para o brasileiro
Reinaldo Avila da Silva, marido do lorde Peter Mandelson, em 2009.
Em um
e-mail para Epstein, da Silva detalha os custos de um curso de osteopatia,
fornece seus dados bancários e agradece ao financista por "qualquer ajuda
que você possa me dar".
Epstein
responde algumas horas depois dizendo que transferiria o valor do empréstimo e
da Silva — que se casou com lorde Mandelson em 2023 — responde com um
agradecimento no dia seguinte.
Em
outro conjunto de e-mails, lorde Mandelson pede para se hospedar em uma das
propriedades de Epstein.
Os
e-mails são de 16 de junho de 2009, quando Epstein cumpria pena de prisão por
solicitar prostituição de uma pessoa menor de 18 anos. Durante grande parte de
sua sentença, Epstein tinha permissão para trabalhar em seu escritório durante
o dia e retornava à prisão todas as noites.
Em
dezembro de 2024, lorde Mandelson foi nomeado embaixador do Reino Unido nos
EUA, mas foi demitido menos de um ano depois, quando veio à tona que ele havia
enviado mensagens de apoio a Epstein após a condenação.
Mandelson
afirmou repetidas vezes que se arrepende de sua amizade com Epstein, que já é
de conhecimento público há muito tempo. Ele disse que nunca presenciou nenhuma
irregularidade enquanto estava com Epstein e que "acreditou em suas
mentiras".
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Trump é mencionado centena de vezes
O
presidente dos EUA, Donald Trump, é mencionado centenas de vezes nos arquivos
recém-divulgados.
Trump
tinha uma amizade com Epstein, mas afirma que a relação "azedou" há
muitos anos e nega qualquer conhecimento sobre os crimes sexuais cometidos pelo
bilionário.
Entre
os novos documentos está uma lista compilada pelo FBI no ano passado com
alegações feitas contra Trump por pessoas que ligaram para a linha de denúncias
do Centro Nacional de Operações de Ameaças.
Muitas
dessas alegações parecem ser baseadas em informações não verificadas recebidas
pela agência e foram feitas sem provas.
A lista
inclui inúmeras alegações de abuso sexual envolvendo Trump, Epstein e outras
figuras de destaque.
Trump
sempre negou qualquer irregularidade em relação a Epstein e não foi acusado de
nenhum crime pelas vítimas do bilionário.
Quando
questionados sobre as alegações mais recentes, tanto a Casa Branca quanto o
Departamento de Justiça apontaram para um trecho de um comunicado à imprensa
que acompanha a nova remessa de arquivos.
"Alguns
dos documentos contêm alegações falsas e sensacionalistas contra o presidente
Trump que foram enviadas ao FBI pouco antes da eleição de 2020", disse o
Departamento de Justiça dos EUA.
"Para
que fique claro, as alegações são infundadas e falsas, e se tivessem um mínimo
de credibilidade, certamente já teriam sido usadas como arma contra o
presidente Trump."
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Bill Gates diz que alegações de Epstein são 'absurdas e falsas'
Um
porta-voz do co-fundador da Microsoft, Bill Gates, respondeu às alegações
chocantes contidas nos arquivos mais recentes de Epstein — incluindo a de que
ele teria contraído uma doença sexualmente transmissível — chamando-as de
"absolutamente absurdas e completamente falsas".
Dois
emails de 18 de julho de 2013 parecem ter sido redigidos por Epstein, mas não
está claro se eles chegaram a ser enviados a Gates.
Ambos
foram enviados da conta de e-mail de Epstein e de volta para a mesma conta.
Nenhuma conta de e-mail associada a Gates aparece nos documentos e ambos os
e-mails não estão assinados.
Um dos
e-mails é escrito como uma carta de demissão da Fundação Bill e Melinda Gates e
reclama de ter que providenciar medicamentos para Gates "a fim de lidar
com as consequências do sexo com garotas russas".
O
outro, que começa com "caro Bill", reclama do fim de uma amizade com
Gates e faz mais alegações de que ele teria tentado encobrir uma infecção
sexualmente transmissível, inclusive de sua então esposa, Melinda.
Um
porta-voz de Gates disse à BBC: "Essas alegações — de um mentiroso
comprovadamente ressentido — são absolutamente absurdas e completamente
falsas."
E
adicionou: "A única coisa que esses documentos demonstram é a frustração
de Epstein por não ter um relacionamento contínuo com Gates e até onde ele iria
para armar uma cilada e difamá-lo."
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Todos os arquivos de Epstein já foram divulgados?
Não se
sabe ao certo se este é o fim da saga da divulgação dos documentos de Epstein.
O
vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que a divulgação de hoje "marca
o fim de um processo muito amplo de identificação e revisão de
documentos", sinalizando que, para o Departamento de Justiça, o trabalho
está concluído.
No
entanto, os democratas continuam argumentando que o departamento reteve
documentos em excesso — possivelmente cerca de dois milhões e meio — sem
justificativa adequada.
O
deputado democrata Roh Khanna, que liderou a Lei de Transparência dos Arquivos
Epstein juntamente com o deputado republicano Thomas Massie, disse estar
cauteloso em relação à situação.
"O
Departamento de Justiça disse ter identificado mais de 6 milhões de páginas
potencialmente relevantes, mas está divulgando apenas cerca de 3,5 milhões após
revisão e redações", disse Roh Khanna.
"Isso
levanta dúvidas sobre o motivo pelo qual o restante está sendo retido. Vou
acompanhar de perto para ver se liberam o que venho pressionando."
O
Departamento de Justiça esteve sob forte escrutínio após não cumprir o prazo de
19 de dezembro para divulgar todos os arquivos, conforme exigida pela lei
aprovada pelo Congresso e sancionada em novembro.
Muitos
dos documentos divulgados nesta sexta-feira incluem extensos cortes.
A lei
determina que os cortes só podem ser feitos para proteger vítimas ou
informações atualmente sob investigação. Também exige um resumo dos cortes
realizados e a justificativa legal para eles.
Blanche
afirmou que os cortes visam proteger as vítimas e que o departamento contou com
centenas de funcionários analisando os documentos por mais de dois meses para
garantir uma divulgação rápida.
Mesmo
assim, permanece incerto se essa saga chegou ao fim.
Muitos
— incluindo integrantes da base de apoio de Trump — acreditam há muito tempo
que existe uma conspiração para proteger os ricos e poderosos ligados a
Epstein.
Blanche
reconheceu que a divulgação desses documentos não atenderia à demanda por mais
informações.
Ele
disse que os arquivos não contêm os nomes de homens específicos que abusaram de
mulheres e que, caso o departamento tivesse esses nomes, os homens seriam
processados.
"Não
acho que o público, ou vocês, vão descobrir nos arquivos de Epstein homens que
abusaram de mulheres, infelizmente."
¨
Democratas acusam o Departamento de Justiça de não
divulgar milhões de arquivos de Epstein, apesar da exigência legal
Sobreviventes,
legisladores e grupos de fiscalização acusaram o Departamento de Justiça de
Donald Trump de reter documentos que é legalmente obrigado a divulgar após a
revelação de milhões de arquivos da investigação sobre o financista e criminoso
sexual Jeffrey Epstein, que caiu em
desgraça .
O
Departamento de Justiça divulgou na sexta-feira 3 milhões de páginas de
documentos da investigação sobre o abuso sexual de jovens garotas pelo
financista milionário e suas interações com figuras ricas e poderosas,
incluindo Trump e o ex-presidente Bill Clinton. A divulgação foi uma tentativa
de cumprir a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein e, segundo o
vice-procurador-geral dos EUA, Todd Blanche, inclui mais de 2.000 vídeos e
180.000 imagens, todos sujeitos a "extensas redações".
Em uma
carta ao Congresso, a procuradora-geral, Pam Bondi, e Blanche indicaram que o
documento de sexta-feira "marca o fim" dos esforços do governo para
cumprir a lei, atraindo forte condenação dos democratas e dos autores do projeto de lei.
Robert
Garcia, o membro democrata de maior destaque na comissão de supervisão da
Câmara, que assumiu um papel de liderança na investigação da forma como o
governo lidou com a divulgação dos arquivos, acusou Bondi de violar a lei.
“Donald
Trump e seu Departamento de Justiça deixaram claro que pretendem reter cerca de
50% dos arquivos de Epstein, alegando terem cumprido integralmente a lei. Isso
é ultrajante e extremamente preocupante”, disse Garcia em um comunicado. “A
intimação do comitê de supervisão ordena que Pam Bondi libere todos os arquivos
para o comitê, protegendo as vítimas.”
Ele
acrescentou: “Estamos exigindo os nomes dos cúmplices de Epstein e dos homens e
pedófilos que abusaram de mulheres e meninas. Iniciaremos uma revisão completa
desta última produção limitada, mas sejamos claros: nosso trabalho e
investigação estão apenas começando.”
Em uma
declaração conjunta, um grupo de 20 sobreviventes de Epstein afirmou que o
documento mais uma vez protege figuras poderosas, ao mesmo tempo que expõe as
vítimas a novos danos.
“Esta
última divulgação dos arquivos de Jeffrey Epstein está sendo
vendida como transparência, mas o que ela realmente faz é expor as vítimas”,
disseram em comunicado. “Como sobreviventes, jamais deveríamos ser as nomeadas,
examinadas e retraumatizadas enquanto os cúmplices de Epstein continuam se
beneficiando do sigilo.”
Eles
continuaram: “Mais uma vez, os nomes e informações pessoais das sobreviventes
estão sendo expostos, enquanto os homens que abusaram de nós permanecem
escondidos e protegidos. Isso é ultrajante.”
A
divulgação ocorreu mais de um mês após o prazo de 19 de dezembro estabelecido
pelo Congresso, controlado pelos republicanos, para a entrega dos documentos. A
lei federal que determinou a divulgação foi promulgada após meses de crescente
pressão política que exigia que o Departamento de Justiça liberasse documentos
relacionados à investigação de Epstein.
Embora
a análise dos arquivos – o maior lote de documentos de Epstein divulgado até o
momento – ainda esteja em andamento, a divulgação pública expôs laços
financeiros e conexões sociais até então desconhecidas entre Epstein e figuras
proeminentes nos EUA e no Reino Unido, incluindo uma troca de e-mails entre Epstein e
Elon Musk em 2012.
Na
sexta-feira, os patrocinadores bipartidários da lei de transparência enviaram
uma carta formal a Todd Blanche, vice-procurador-geral, exigindo uma reunião
para revisar os arquivos sem redação, alegando que o Congresso não pode cumprir
seus deveres de supervisão – ou proteger as vítimas – sob a abordagem atual do
Departamento de Justiça.
“O
Congresso não pode avaliar adequadamente a atuação do departamento nos casos
Epstein e Maxwell sem ter acesso ao registro completo”, escreveram Ro Khanna,
um representante democrata da Califórnia, e Thomas Massie, um representante
republicano do Kentucky, a Blanche, que anteriormente era advogada pessoal de
Trump.
Em uma
declaração separada na sexta-feira, Khanna disse que a divulgação parcial
levanta questões fundamentais sobre o cumprimento das normas por parte do
Departamento de Justiça.
“O
Departamento de Justiça afirmou ter identificado mais de 6 milhões de páginas
potencialmente relevantes, mas está divulgando apenas cerca de 3,5 milhões após
revisão e redações”, disse ele. “Isso levanta questões sobre o motivo pelo qual
o restante está sendo retido.”
Khanna
afirmou que acompanharia de perto a divulgação de materiais específicos que
busca há muito tempo, incluindo as declarações das vítimas entrevistadas pelo
FBI, uma minuta de acusação e um memorando de processo da investigação da
Flórida de 2007, além de extensos e-mails e arquivos dos computadores de
Epstein.
“Não
divulgar esses arquivos apenas protege os indivíduos poderosos envolvidos e
prejudica a confiança do público em nossas instituições”, disse ele.
O
Departamento de Justiça argumentou que as proteções à privacidade, as
sensibilidades legais e o grande volume de material justificam sua abordagem.
Mas os críticos afirmam que a lei foi concebida para impedir a divulgação
seletiva – e a última divulgação intensificou as preocupações de que as vítimas
estejam pagando o preço pelo sigilo em torno dos poderosos associados de
Epstein.
Norm
Eisen, presidente executivo do Democracy Defenders Fund e advogado de ética
durante o governo Obama, criticou duramente o Departamento de Justiça pelo que
considerou uma "falha em divulgar integralmente todos os arquivos
relevantes relacionados à investigação de Epstein".
“Eles
estão tentando vender isso como total conformidade e o registro 'completo' de
Epstein”, disse Eisen. “Mas tudo sobre o lançamento deles indica a mesma velha
estratégia: muitas partes censuradas, divulgação seletiva e um arquivo público
que não reflete de forma confiável o que o governo realmente possui.”
Fonte: BBC News Mundo/The Guardian

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