Disputa
sobre lítio divide governo e comunidades em Portugal
No
norte de Portugal , a descoberta
da maior reserva de lítio da Europa, na
região de Trás-os-Montes, tem despertado o interesse da indústria
automobilística europeia, que patina para fazer frente à concorrência chinesa.
Segundo estimativas, há lítio suficiente para produzir 500 mil ou até um milhão
de baterias de carros elétricos por ano.
O
achado também preocupou moradores, que reclamam dos riscos , até
então distantes da realidade europeia , de não se
beneficiarem da atividade e terem seus meios de vida ameaçados: rios e solo
poluídos e escassez de água – já que a extração do mineral exige enormes
quantidades de água, com o desvio de rios e nascentes prejudicadas.
A
transição energética e a emergência climática têm impulsionado a corrida pelo lítio e outros
minerais críticos, considerados o "novo petróleo". A demanda por
esses recursos vem crescendo porque eles são essenciais à fabricação de
baterias de veículos elétricos, uma alternativa para os motores à combustão.
Atualmente,
os maiores produtores do minério são Austrália, Chile, China e Argentina.
O Brasil desponta nesse cenário com grandes
reservas, como no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais – onde o Ministério do
Trabalho e Emprego determinou a interdição de três das cinco pilhas de rejeito
da Sigma Lithium, a maior mineradora de lítio do país, por descumprimento de regras
ambientais.
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"Não vamos permitir que destruam nossas terras"
Em Trás‑os‑Montes,
a população se opõe à construção de uma mina gigantesca a céu aberto, planejada
para extrair rochas ricas em lítio em uma área de quase 600 hectares.
"O
projeto não conta com o apoio do município, da população, das organizações
locais nem da comunidade", afirma Nelson Gomes, integrante de uma
iniciativa criada há sete anos para combater o empreendimento. "Não há
qualquer apoio da sociedade para essa mina, como é exigido para projetos desse
porte."
Enquanto
isso, a pequena vila de Covas do Barroso, onde a mina seria instalada, vive um
clima constante de tensão. Os moradores chegaram a impedir que trabalhadores da
Savannah Resources –empresa britânica de capital aberto — entrassem em suas
propriedades para realizar perfurações de teste. O acesso só foi viabilizado
por meio de um decreto governamental.
Atualmente,
todas as atividades estão novamente paralisadas, já que o decreto perdeu
validade. Como a maioria dos moradores rejeita as ofertas de compra
apresentadas pela Savannah Resources, passou‑se a falar em possíveis
desapropriações. "Não vamos permitir que destruam nossas terras", diz
o agricultor Nelson Gomes. "Continuaremos lutando contra a mina de lítio.
Não vamos desistir."
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Acusações de corrupção e falta de transparência
A Comissão Europeia , porém,
estabeleceu metas para ampliar a extração de matérias‑primas críticas dentro do
bloco e classificou a mina portuguesa como um "projeto estratégico".
Antes
disso, o próprio governo português já havia declarado o empreendimento como
"de interesse nacional", o que simplifica os processos de
licenciamento e praticamente elimina a necessidade de consulta aos moradores e
municípios afetados.
Mas o
governo responsável por essa decisão acabou caindo em 2023, em meio a acusações
de corrupção — envolvendo, entre outros pontos, o licenciamento da mina de
lítio. Além disso, autoridades violaram a Convenção de Aarhus da ONU, que
garante direitos ambientais fundamentais, como acesso à informação e
participação pública.
Há dois
anos, o Ministério Público concluiu que os estudos de impacto ambiental
obrigatórios foram elaborados de forma ilegal, já que as autoridades ocultaram
informações relevantes das partes interessadas.
Com
isso, a previsão inicial de início das operações em 2025 acabou sendo
descartada. A empresa precisou revisar repetidamente seus planos e fortalecer
as medidas de proteção ambiental. Ainda assim, persistem dúvidas sobre a
viabilidade ecológica do projeto: "Temos estudos de especialistas
internacionalmente reconhecidos indicando que, em caso de acidente, resíduos e
águas contaminadas poderiam poluir cursos d'água em larga escala", afirma
Nelson Gomes.
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População à margem
O que
mais revolta os moradores, no entanto, é a postura do governo e da empresa
responsável. "Até agora, ninguém entrou em contato comigo para discutir as
vantagens e desvantagens do projeto", reclama o prefeito Guilherme Pires,
da cidade de Boticas. "As preocupações da população não são levadas a
sério."
Segundo
ele, o governo impôs o projeto à região, ignorando produtores tradicionais e
áreas de plantação que seriam devastadas pela mina. "A ONU classificou
essa região como patrimônio agrícola mundial justamente por suas
características únicas", destaca Pires.
Em vez
de apoiar produtos locais — como carne bovina certificada, embutidos ou mel
orgânico —, o governo estaria favorecendo exclusivamente a empresa exploradora.
"Soube pela imprensa que o governo vai dar 110 milhões de euros [R$ 688,8
milhões pela cotação atual] a eles. Simples assim, como subsídio", critica
o prefeito.
A
organização ambientalista Zero também condena o projeto. "Todo o processo
da mina tem sido obscuro e questionável desde o início", resume Nuno
Forner. A região, já historicamente negligenciada, corre o risco de perder suas
particularidades. E a população continua em peso contrária ao projeto, reforça
Pires. "Mesmo que alguns agora tentem passar uma impressão
diferente."
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Parte dos moradores apoia a mina
Os
poucos que são favoráveis, mencionados por Pires, incluem a própria Savannah
Resources, que tenta conquistar a população com folhetos sofisticados e eventos
promocionais.
A
empresa também atua em parceria com uma nova iniciativa, chamada "Futuro
para Barroso". Segundo seu presidente, José Moura, o objetivo é obter o
máximo possível de benefícios para a região.
"A
mina representa progresso e vantagens econômicas", afirma Moura. Para ele,
o prefeito deveria colaborar com a empresa, em vez de criticá‑la.
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Greenwashing no setor de mineração
"Estamos
vendo uma tentativa de apresentar a mineração como verde, sustentável e
ecológica", alerta Nik Völker, da ONG MiningWatch Portugal. "Querem
criar a impressão de que minas podem operar sem causar danos ambientais — ou
com danos mínimos. Especialmente quando se trata de projetos considerados
estratégicos, como o de Barroso."
Em
comunicado, a Savannah Resources afirma considerar essencial a cooperação da
população local. Mesmo assim, recusou‑se a conceder entrevista, apesar das
reiteradas solicitações.
A
Comissão Europeia também declarou que a participação e a aceitação da população
são fatores importantes para projetos estratégicos de mineração.
Mas,
segundo o prefeito Guilherme Pires, nenhum desses critérios está sendo
atendido. Ainda assim, o empreendimento deve avançar. Após sucessivos
adiamentos, o início da exploração agora está previsto para 2028.
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Falta de mão de obra expõe entraves à imigração na
Alemanha
Em uma
sala de aula em Chennai, na Índia, cerca de 20 enfermeiras estão aprendendo
alemão em ritmo acelerado. Elas têm seis meses para se tornarem fluentes o
suficiente para trabalhar na Alemanha .
Ramalakshi,
uma das enfermeiras, conta que sua família enfrentou dificuldades financeiras,
mas mesmo assim conseguiu pagar o equivalente a vários milhares de euros para
sua faculdade de enfermagem. Desde que concluiu seus estudos, ela sentiu a
necessidade de retribuir. "Meu objetivo é trabalhar no exterior",
diz. "Quero dar estabilidade financeira à minha família e construir minha
própria casa."
O
governo do estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, financia o curso de idiomas
para combater o desemprego local e dar às famílias desfavorecidas uma chance de
alcançar oportunidades globais. Agências privadas, então, conectam enfermeiras
indianas com potenciais empregadores.
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Trabalhadores necessários
A
Alemanha está desesperada por trabalhadores qualificados, já que a chamada
geração baby boomer está se aposentando e deixando o
mercado de trabalho nos próximos anos, enquanto o número de nascimentos é muito baixo. Os
hospitais carecem de enfermeiros, as escolas precisam de professores e o setor
de TI clama por desenvolvedores.
Economistas
do Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB) em Nuremberg, Alemanha, estimam que o
país precisa atrair 300 mil trabalhadores qualificados anualmente apenas para
manter o status quo. "Sem eles, os alemães teriam que trabalhar mais
horas, se aposentar mais tarde. Ou simplesmente ser mais pobres", afirma o
pesquisador do IAB, Michael Oberfichter.
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"Trabalhadores convidados" e o milagre econômico alemão
Após
a Segunda Guerra Mundial , a Alemanha
experimentou um boom econômico que ainda é descrito como um
"milagre econômico". Nas décadas de 1950, 60 e início de 70, a
economia cresceu tanto que ajovem democracia recorreu a trabalhadores
estrangeiros para atender à demanda.
A
Alemanha Ocidental firmou acordos oficiais de recrutamento com países como
Itália, Grécia, Turquia e outros, para garantir um fluxo constante de
trabalhadores. Até 1973, quando essa política foi gradualmente extinta, 14
milhões de pessoas chegaram para trabalhar no país europeu.
Os
recém-chegados eram chamados de gastarbeiter na Alemanha, ou
trabalhadores convidados, já que o governo presumia que eles partiriam após
alguns anos e retornariam para seus países de origem. Mas muitos permaneceram e
construíram suas vidas no país.
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Obstáculos burocráticos
Hoje,
apesar da renovada necessidade de trabalhadores qualificados na Alemanha, os
imigrantes enfrentam muitos obstáculos para trabalhar no país.
Zahra,
que é do Irã, inicialmente não teve permissão para trabalhar após concluir sua
graduação na Alemanha. "Levei quase um ano para conseguir uma entrevista
para mudar meu visto de estudante para um visto de trabalho", se recorda.
Ela,
que não quis que seu nome completo fosse publicado, fala alemão fluentemente,
leciona em universidades e trabalha com pesquisa. Mesmo assim, após mais de
seis anos no país, não obteve uma autorização de trabalho permanente e precisa
se apresentar às autoridades sempre que muda de emprego. "Às vezes penso:
'Será que quero morar aqui?'", disse ela, questionando se não deveria ter
se mudado para o Canadá, como alguns de seus amigos, que já obtiveram a
cidadania canadense. "Ainda tenho que passar por isso depois de seis anos
e meio."
Björn
Maibaum, advogado de Colônia, na Alemanha, especializado em direito de
imigração, afirma que a experiência de Zahra não é incomum para estrangeiros.
"Infelizmente, é a mesma situação em toda a Alemanha", constata. O
escritório de advocacia de Maibaum lida com cerca de 2 mil casos desse tipo por
ano, buscando agilizar os processos de imigração. Entre seus clientes estão
"médicos, enfermeiros, engenheiros, caminhoneiros", explicou. Para
ele, o principal problema é a falta de pessoal nas autoridades de imigração, o
que faz com que os solicitantes esperem por "meses ou até mesmo um
ano". "Isso é simplesmente frustrante. E não é essa a mensagem que
devemos passar para o mundo. Estamos em uma competição [por
trabalhadores]", concluiu.
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Trabalhadores qualificados e refugiados
De
acordo com os dados mais recentes do Escritório Alemão para Migração e
Refugiados, cerca de 160 mil estrangeiros com autorização de residência são
considerados trabalhadores qualificados. No entanto, o escritório também é
responsável por processar os pedidos de asilo dos milhões de refugiados que
chegaram à Alemanha nos últimos anos devido a conflitos e guerras, como as
da Síria e da Ucrânia . Mas, devido à
falta de digitalização, a burocracia é lenta na Alemanha.
O
aumento acentuado no número de refugiados e a incapacidade do governo de
integrá-los ao mercado de trabalho levaram a um crescente descontentamento com
a política de imigração entre a população e impulsionaram o apoio ao partido de
ultradireita anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD ).
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Sentimento anti-estrangeiro preocupa
Kayalvly
Rajavil está fazendo suas rondas e verificando os pacientes na Clínica BDH em
Vallendar, uma pequena cidade no estado da Renânia-Palatinado, no oeste da
Alemanha. O hospital é especializado em reabilitação neurobiológica, ajudando
pacientes a se recuperarem de um AVC ou de um acidente.
Rajavil
é natural de Tamil Nadu e está na Alemanha há apenas alguns meses. Ela afirma
que o idioma alemão foi difícil para ela no início. "Mas meu chefe e meus
colegas ajudaram bastante, e nos respeitam", ressalta.
Rajavil
é uma das cerca de 40 enfermeiras da Índia e do Sri Lanka que a clínica
contratou nos últimos anos – a maioria, por meio de agências de recrutamento
que cobram da clínica entre 7 mil (R$ 43,5 mil) e 12 mil euros por cada
contratação bem-sucedida.
Jörg
Biebrach, chefe da equipe de enfermagem da clínica, afirma que o sentimento
anti-estrangeiro na Alemanha, especialmente os casos de racismo, é um problema
para os indianos que buscam trabalhar no país. "Recebemos cada vez mais
perguntas sobre os acontecimentos políticos no país", salienta,
acrescentando que é um desafio crescente fazer com que os novos funcionários
estrangeiros se sintam confortáveis e acolhidos na Alemanha.
A
saudade de casa, problemas familiares e a adaptação cultural são outros
desafios que impedem os funcionários estrangeiros de permanecerem no país após
o período habitual de dois anos de contrato, segundo Biebrach.
Para se
manter competitiva na corrida global por enfermeiros qualificados da Índia, a
Clínica BDH agora oferece um programa de estágio para jovens indianos
recém-formados no ensino médio em seu país de origem. Isso agilizaria o
processo de contratação – que normalmente dura até nove meses – e evitaria a
necessidade de reconhecimento de qualificações estrangeiras na Alemanha, um
procedimento complexo que se torna ainda mais complicado devido às diferentes
regras nos 16 estados regionais do país.
Bierbach
argumenta que as autoridades de imigração precisam ser mais ágeis e as leis,
mais uniformes para que a Alemanha se torne mais atraente para jovens talentos.
"Todos dizem que precisamos de trabalhadores qualificados. Mas ainda
estamos longe de uma cultura acolhedora onde tudo funcione sem problemas",
lamenta.
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A UE deveria se preocupar com a desvalorização do dólar?
O dólar americano continua a
registrar uma perda acentuada de valor em relação a outras moedas fortes, dando
sequência à tendência que, em 2025, levou à sua maior queda anual em quase uma
década.
A queda
do dólar tem implicações para o euro e outras moedas. O euro atingiu agora o
patamar de 1,20 dólar pela primeira vez desde 2021, enquanto a libra esterlina
e o iene japonês também alcançaram máximas recentes frente à moeda americana.
Vários
economistas e analistas atribuem a continuidade da queda do dólar à falta de
confiança dos investidores na moeda americana diante da imprevisibilidade das
políticas adotadas pelo presidente Donald Trump . Muitos também acreditam que a
desvalorização do dólar é algo desejado por Trump e uma parcela significativa
dos membros de sua equipe econômica, com vistas a impulsionar as exportações e
a indústria manufatureira dos EUA.
Trump
fez pouco para afastar essa percepção. Questionado recentemente se estava
preocupado com a desvalorização do dólar, ele respondeu: "Não, acho
ótimo".
Stephen
Miran, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos de Trump e atualmente
membro do Conselho de Governadores do Fed (o Banco Central dos EUA), publicou
em novembro de 2024 um guia para "reestruturar" o sistema global de
comércio. Nele, apresentou possíveis ferramentas para corrigir o déficit
comercial, mencionando especificamente tarifas e a desvalorização do dólar como
os principais instrumentos.
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A Europa deveria se preocupar?
Quaisquer
que sejam as consequências da queda do dólar para a economia americana, a
economia da zona do euro e o próprio euro também serão afetados. A moeda única
europeia teve valorização de 13% frente ao dólar em 2025 — seu melhor
desempenho desde 2017. A valorização do euro é importante porque ele desempenha
um "papel fundamental no desempenho da economia, na saúde do mercado de
trabalho e na situação financeira das famílias", afirma Jack
Allen-Reynolds, economista-chefe-adjunto para a zona do euro da consultoria
econômica Capital Economics.Mas se a valorização do euro barateia as
importações e reduz os preços ao consumidor, ela também torna as exportações do
bloco menos competitivas, prejudicando os fabricantes da região, explica
Allen-Reynolds.
Observação
semelhante é feita por Ricardo Amaro, economista-chefe para a zona do euro
da consultoria Oxford Economics. Segundo ele, esse golpe nas
exportações até seria parcialmente compensado por preços mais baixos de
produtos americanos nas prateleiras europeias, mas ainda assim teria um impacto
negativo sobre o crescimento europeu. "Nosso modelo econômico global
sugere que o PIB da zona do euro seria cerca de 0,2% menor até o fim do ano
caso a taxa de câmbio euro-dólar permaneça nos níveis atuais, em vez do patamar
de cerca de 1,16 dólar que serviu como ponto de referência após o acordo
comercial entre a UE e os EUA no fim de julho", afirma ele.
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Um quadro misto para os exportadores
No
entanto, Zsolt Darvas, especialista em macroeconomia do think tank belga
Bruegel, destaca que, em períodos em que o euro esteve significativamente mais
valorizado do que agora, as exportações europeias ainda assim tiveram bom
desempenho. Ele observa que o patamar atual de 1,19 dólar ainda está abaixo dos
níveis de 2021 e significativamente abaixo da faixa entre 1,30 e 1,50 dólar
frequentemente registrada entre 2004 e 2014. "A recente leve queda do
dólar dificilmente causará problemas econômicos significativos na Europa",
afirma Darvas, acrescentando que a ampla cobertura da mídia sobre a
desvalorização do dólar pode até "estimular os investidores a deslocar seu
foco dos investimentos nos EUA para a União Europeia". Mas ele também se
preocupa que a taxa de câmbio possa representar mais um golpe para a economia,
com os exportadores já abalados pelas tarifas comerciais impostas por Trump no
ano passado.
Empresas
que compõem o índice STOXX Europe 600, que reúne grandes companhias europeias,
obtêm cerca de 30% de suas receitas nos EUA, segundo o banco de investimentos
Goldman Sachs. Embora o euro mais forte já esteja associado a estimativas de
crescimento mais otimistas, certos setores europeus podem ser vulneráveis a um
dólar mais fraco.
Ricardo
Amaro afirma que os setores farmacêutico e automotivo estão especialmente em
risco, embora acredite que a dependência dos EUA de produtos farmacêuticos
europeus possa compensar eventuais prejuízos. Jack Allen-Reynolds, por sua vez,
aponta para a fraqueza geral das exportações da zona do euro nos últimos anos,
em especial devido à intensificação da concorrência chinesa em diversos
setores. "Duvidamos que os movimentos observados até agora tenham um
impacto muito grande sobre a demanda por exportações, mas certamente não
ajudam", diz.
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Hora de o BCE intervir no mercado?
A
valorização do euro frente ao dólar gerou especulações sobre a possibilidade de
o Banco Central Europeu (BCE) intervir de alguma forma.
O
presidente do Banco Central da Áustria, Martin Kocher, considera que os ganhos
recentes do euro foram "modestos", mas afirma que o BCE teria de
intervir se a taxa de câmbio começasse a reduzir as projeções de inflação.
A
maioria dos analistas concorda que agora não é o momento para uma intervenção
significativa na política monetária, mas alerta que novas altas no valor do
euro podem forçar o BCE a agir caso as metas de inflação sejam afetadas.
Ricardo
Amaro já vê os dirigentes do BCE tentando influenciar as expectativas do
mercado ao afirmar que estão "monitorando a situação" e mostrando-se
preocupados com os movimentos recentes."Isso traz as discussões sobre
cortes de juros de volta à mesa e atua contra o impulso de valorização do
euro", afirma ele.
Allen-Reynolds
também não vê necessidade de agir com base nas mudanças na taxa de câmbio
observadas até agora em janeiro. Mas pontua que novas alterações podem levar o
BCE a cortar os juros ainda este ano.
Para
Zsolt Darvas, o impacto inflacionário atual é praticamente nulo e nenhum setor
é especialmente vulnerável."As taxas de câmbio oscilaram amplamente ao
longo das últimas décadas, e as empresas se adaptaram para lidar com variações
muito maiores do que as que estamos observando atualmente", argumenta.
Fonte:
DW Brasil

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