terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Disputa sobre lítio divide governo e comunidades em Portugal

No norte de Portugal , a descoberta da maior reserva de lítio da Europa, na região de Trás-os-Montes, tem despertado o interesse da indústria automobilística europeia, que patina para fazer frente à concorrência chinesa. Segundo estimativas, há lítio suficiente para produzir 500 mil ou até um milhão de baterias de carros elétricos por ano.

O achado também preocupou moradores, que reclamam dos riscos , até então distantes da realidade europeia , de não se beneficiarem da atividade e terem seus meios de vida ameaçados: rios e solo poluídos e escassez de água – já que a extração do mineral exige enormes quantidades de água, com o desvio de rios e nascentes prejudicadas.

A transição energética e a emergência climática têm impulsionado a corrida pelo lítio e outros minerais críticos, considerados o "novo petróleo". A demanda por esses recursos vem crescendo porque eles são essenciais à fabricação de baterias de veículos elétricos, uma alternativa para os motores à combustão.

Atualmente, os maiores produtores do minério são Austrália, Chile, China e Argentina. O Brasil desponta nesse cenário com grandes reservas, como no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais – onde o Ministério do Trabalho e Emprego determinou a interdição de três das cinco pilhas de rejeito da Sigma Lithium, a maior mineradora de lítio do país, por descumprimento de regras ambientais.

<><> "Não vamos permitir que destruam nossas terras"

Em Trás‑os‑Montes, a população se opõe à construção de uma mina gigantesca a céu aberto, planejada para extrair rochas ricas em lítio em uma área de quase 600 hectares.

"O projeto não conta com o apoio do município, da população, das organizações locais nem da comunidade", afirma Nelson Gomes, integrante de uma iniciativa criada há sete anos para combater o empreendimento. "Não há qualquer apoio da sociedade para essa mina, como é exigido para projetos desse porte."

Enquanto isso, a pequena vila de Covas do Barroso, onde a mina seria instalada, vive um clima constante de tensão. Os moradores chegaram a impedir que trabalhadores da Savannah Resources –empresa britânica de capital aberto — entrassem em suas propriedades para realizar perfurações de teste. O acesso só foi viabilizado por meio de um decreto governamental.

Atualmente, todas as atividades estão novamente paralisadas, já que o decreto perdeu validade. Como a maioria dos moradores rejeita as ofertas de compra apresentadas pela Savannah Resources, passou‑se a falar em possíveis desapropriações. "Não vamos permitir que destruam nossas terras", diz o agricultor Nelson Gomes. "Continuaremos lutando contra a mina de lítio. Não vamos desistir."

<><> Acusações de corrupção e falta de transparência

Comissão Europeia , porém, estabeleceu metas para ampliar a extração de matérias‑primas críticas dentro do bloco e classificou a mina portuguesa como um "projeto estratégico".

Antes disso, o próprio governo português já havia declarado o empreendimento como "de interesse nacional", o que simplifica os processos de licenciamento e praticamente elimina a necessidade de consulta aos moradores e municípios afetados.

Mas o governo responsável por essa decisão acabou caindo em 2023, em meio a acusações de corrupção — envolvendo, entre outros pontos, o licenciamento da mina de lítio. Além disso, autoridades violaram a Convenção de Aarhus da ONU, que garante direitos ambientais fundamentais, como acesso à informação e participação pública.

Há dois anos, o Ministério Público concluiu que os estudos de impacto ambiental obrigatórios foram elaborados de forma ilegal, já que as autoridades ocultaram informações relevantes das partes interessadas.

Com isso, a previsão inicial de início das operações em 2025 acabou sendo descartada. A empresa precisou revisar repetidamente seus planos e fortalecer as medidas de proteção ambiental. Ainda assim, persistem dúvidas sobre a viabilidade ecológica do projeto: "Temos estudos de especialistas internacionalmente reconhecidos indicando que, em caso de acidente, resíduos e águas contaminadas poderiam poluir cursos d'água em larga escala", afirma Nelson Gomes.

<><> População à margem

O que mais revolta os moradores, no entanto, é a postura do governo e da empresa responsável. "Até agora, ninguém entrou em contato comigo para discutir as vantagens e desvantagens do projeto", reclama o prefeito Guilherme Pires, da cidade de Boticas. "As preocupações da população não são levadas a sério."

Segundo ele, o governo impôs o projeto à região, ignorando produtores tradicionais e áreas de plantação que seriam devastadas pela mina. "A ONU classificou essa região como patrimônio agrícola mundial justamente por suas características únicas", destaca Pires.

Em vez de apoiar produtos locais — como carne bovina certificada, embutidos ou mel orgânico —, o governo estaria favorecendo exclusivamente a empresa exploradora. "Soube pela imprensa que o governo vai dar 110 milhões de euros [R$ 688,8 milhões pela cotação atual] a eles. Simples assim, como subsídio", critica o prefeito.

A organização ambientalista Zero também condena o projeto. "Todo o processo da mina tem sido obscuro e questionável desde o início", resume Nuno Forner. A região, já historicamente negligenciada, corre o risco de perder suas particularidades. E a população continua em peso contrária ao projeto, reforça Pires. "Mesmo que alguns agora tentem passar uma impressão diferente."

<><> Parte dos moradores apoia a mina

Os poucos que são favoráveis, mencionados por Pires, incluem a própria Savannah Resources, que tenta conquistar a população com folhetos sofisticados e eventos promocionais.

A empresa também atua em parceria com uma nova iniciativa, chamada "Futuro para Barroso". Segundo seu presidente, José Moura, o objetivo é obter o máximo possível de benefícios para a região.

"A mina representa progresso e vantagens econômicas", afirma Moura. Para ele, o prefeito deveria colaborar com a empresa, em vez de criticá‑la.

<><> Greenwashing no setor de mineração

"Estamos vendo uma tentativa de apresentar a mineração como verde, sustentável e ecológica", alerta Nik Völker, da ONG MiningWatch Portugal. "Querem criar a impressão de que minas podem operar sem causar danos ambientais — ou com danos mínimos. Especialmente quando se trata de projetos considerados estratégicos, como o de Barroso."

Em comunicado, a Savannah Resources afirma considerar essencial a cooperação da população local. Mesmo assim, recusou‑se a conceder entrevista, apesar das reiteradas solicitações.

A Comissão Europeia também declarou que a participação e a aceitação da população são fatores importantes para projetos estratégicos de mineração.

Mas, segundo o prefeito Guilherme Pires, nenhum desses critérios está sendo atendido. Ainda assim, o empreendimento deve avançar. Após sucessivos adiamentos, o início da exploração agora está previsto para 2028.

¨      Falta de mão de obra expõe entraves à imigração na Alemanha

Em uma sala de aula em Chennai, na Índia, cerca de 20 enfermeiras estão aprendendo alemão em ritmo acelerado. Elas têm seis meses para se tornarem fluentes o suficiente para trabalhar na Alemanha .

Ramalakshi, uma das enfermeiras, conta que sua família enfrentou dificuldades financeiras, mas mesmo assim conseguiu pagar o equivalente a vários milhares de euros para sua faculdade de enfermagem. Desde que concluiu seus estudos, ela sentiu a necessidade de retribuir. "Meu objetivo é trabalhar no exterior", diz. "Quero dar estabilidade financeira à minha família e construir minha própria casa."

O governo do estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, financia o curso de idiomas para combater o desemprego local e dar às famílias desfavorecidas uma chance de alcançar oportunidades globais. Agências privadas, então, conectam enfermeiras indianas com potenciais empregadores.

<><> Trabalhadores necessários

A Alemanha está desesperada por trabalhadores qualificados, já que a chamada geração baby boomer está se aposentando e deixando o mercado de trabalho nos próximos anos, enquanto o número de nascimentos é muito baixo. Os hospitais carecem de enfermeiros, as escolas precisam de professores e o setor de TI clama por desenvolvedores.

Economistas do Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB) em Nuremberg, Alemanha, estimam que o país precisa atrair 300 mil trabalhadores qualificados anualmente apenas para manter o status quo. "Sem eles, os alemães teriam que trabalhar mais horas, se aposentar mais tarde. Ou simplesmente ser mais pobres", afirma o pesquisador do IAB, Michael Oberfichter.

<><> "Trabalhadores convidados" e o milagre econômico alemão

Após a Segunda Guerra Mundial , a Alemanha experimentou um boom econômico que ainda é descrito como um "milagre econômico". Nas décadas de 1950, 60 e início de 70, a economia cresceu tanto que ajovem democracia recorreu a trabalhadores estrangeiros para atender à demanda.

A Alemanha Ocidental firmou acordos oficiais de recrutamento com países como Itália, Grécia, Turquia e outros, para garantir um fluxo constante de trabalhadores. Até 1973, quando essa política foi gradualmente extinta, 14 milhões de pessoas chegaram para trabalhar no país europeu.

Os recém-chegados eram chamados de gastarbeiter na Alemanha, ou trabalhadores convidados, já que o governo presumia que eles partiriam após alguns anos e retornariam para seus países de origem. Mas muitos permaneceram e construíram suas vidas no país.

<><> Obstáculos burocráticos

Hoje, apesar da renovada necessidade de trabalhadores qualificados na Alemanha, os imigrantes enfrentam muitos obstáculos para trabalhar no país.

Zahra, que é do Irã, inicialmente não teve permissão para trabalhar após concluir sua graduação na Alemanha. "Levei quase um ano para conseguir uma entrevista para mudar meu visto de estudante para um visto de trabalho", se recorda.

Ela, que não quis que seu nome completo fosse publicado, fala alemão fluentemente, leciona em universidades e trabalha com pesquisa. Mesmo assim, após mais de seis anos no país, não obteve uma autorização de trabalho permanente e precisa se apresentar às autoridades sempre que muda de emprego. "Às vezes penso: 'Será que quero morar aqui?'", disse ela, questionando se não deveria ter se mudado para o Canadá, como alguns de seus amigos, que já obtiveram a cidadania canadense. "Ainda tenho que passar por isso depois de seis anos e meio."

Björn Maibaum, advogado de Colônia, na Alemanha, especializado em direito de imigração, afirma que a experiência de Zahra não é incomum para estrangeiros. "Infelizmente, é a mesma situação em toda a Alemanha", constata. O escritório de advocacia de Maibaum lida com cerca de 2 mil casos desse tipo por ano, buscando agilizar os processos de imigração. Entre seus clientes estão "médicos, enfermeiros, engenheiros, caminhoneiros", explicou. Para ele, o principal problema é a falta de pessoal nas autoridades de imigração, o que faz com que os solicitantes esperem por "meses ou até mesmo um ano". "Isso é simplesmente frustrante. E não é essa a mensagem que devemos passar para o mundo. Estamos em uma competição [por trabalhadores]", concluiu.

<><> Trabalhadores qualificados e refugiados

De acordo com os dados mais recentes do Escritório Alemão para Migração e Refugiados, cerca de 160 mil estrangeiros com autorização de residência são considerados trabalhadores qualificados. No entanto, o escritório também é responsável por processar os pedidos de asilo dos milhões de refugiados que chegaram à Alemanha nos últimos anos devido a conflitos e guerras, como as da Síria e da Ucrânia . Mas, devido à falta de digitalização, a burocracia é lenta na Alemanha.

O aumento acentuado no número de refugiados e a incapacidade do governo de integrá-los ao mercado de trabalho levaram a um crescente descontentamento com a política de imigração entre a população e impulsionaram o apoio ao partido de ultradireita anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD ).

<><> Sentimento anti-estrangeiro preocupa

Kayalvly Rajavil está fazendo suas rondas e verificando os pacientes na Clínica BDH em Vallendar, uma pequena cidade no estado da Renânia-Palatinado, no oeste da Alemanha. O hospital é especializado em reabilitação neurobiológica, ajudando pacientes a se recuperarem de um AVC ou de um acidente.

Rajavil é natural de Tamil Nadu e está na Alemanha há apenas alguns meses. Ela afirma que o idioma alemão foi difícil para ela no início. "Mas meu chefe e meus colegas ajudaram bastante, e nos respeitam", ressalta.

Rajavil é uma das cerca de 40 enfermeiras da Índia e do Sri Lanka que a clínica contratou nos últimos anos – a maioria, por meio de agências de recrutamento que cobram da clínica entre 7 mil (R$ 43,5 mil) e 12 mil euros por cada contratação bem-sucedida.

Jörg Biebrach, chefe da equipe de enfermagem da clínica, afirma que o sentimento anti-estrangeiro na Alemanha, especialmente os casos de racismo, é um problema para os indianos que buscam trabalhar no país. "Recebemos cada vez mais perguntas sobre os acontecimentos políticos no país", salienta, acrescentando que é um desafio crescente fazer com que os novos funcionários estrangeiros se sintam confortáveis ​​e acolhidos na Alemanha.

A saudade de casa, problemas familiares e a adaptação cultural são outros desafios que impedem os funcionários estrangeiros de permanecerem no país após o período habitual de dois anos de contrato, segundo Biebrach.

Para se manter competitiva na corrida global por enfermeiros qualificados da Índia, a Clínica BDH agora oferece um programa de estágio para jovens indianos recém-formados no ensino médio em seu país de origem. Isso agilizaria o processo de contratação – que normalmente dura até nove meses – e evitaria a necessidade de reconhecimento de qualificações estrangeiras na Alemanha, um procedimento complexo que se torna ainda mais complicado devido às diferentes regras nos 16 estados regionais do país.

Bierbach argumenta que as autoridades de imigração precisam ser mais ágeis e as leis, mais uniformes para que a Alemanha se torne mais atraente para jovens talentos. "Todos dizem que precisamos de trabalhadores qualificados. Mas ainda estamos longe de uma cultura acolhedora onde tudo funcione sem problemas", lamenta.

¨      A UE deveria se preocupar com a desvalorização do dólar?

dólar americano continua a registrar uma perda acentuada de valor em relação a outras moedas fortes, dando sequência à tendência que, em 2025, levou à sua maior queda anual em quase uma década.

A queda do dólar tem implicações para o euro e outras moedas. O euro atingiu agora o patamar de 1,20 dólar pela primeira vez desde 2021, enquanto a libra esterlina e o iene japonês também alcançaram máximas recentes frente à moeda americana.

Vários economistas e analistas atribuem a continuidade da queda do dólar à falta de confiança dos investidores na moeda americana diante da imprevisibilidade das políticas adotadas pelo presidente Donald Trump . Muitos também acreditam que a desvalorização do dólar é algo desejado por Trump e uma parcela significativa dos membros de sua equipe econômica, com vistas a impulsionar as exportações e a indústria manufatureira dos EUA.

Trump fez pouco para afastar essa percepção. Questionado recentemente se estava preocupado com a desvalorização do dólar, ele respondeu: "Não, acho ótimo".

Stephen Miran, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos de Trump e atualmente membro do Conselho de Governadores do Fed (o Banco Central dos EUA), publicou em novembro de 2024 um guia para "reestruturar" o sistema global de comércio. Nele, apresentou possíveis ferramentas para corrigir o déficit comercial, mencionando especificamente tarifas e a desvalorização do dólar como os principais instrumentos.

<><> A Europa deveria se preocupar?

Quaisquer que sejam as consequências da queda do dólar para a economia americana, a economia da zona do euro e o próprio euro também serão afetados. A moeda única europeia teve valorização de 13% frente ao dólar em 2025 — seu melhor desempenho desde 2017. A valorização do euro é importante porque ele desempenha um "papel fundamental no desempenho da economia, na saúde do mercado de trabalho e na situação financeira das famílias", afirma Jack Allen-Reynolds, economista-chefe-adjunto para a zona do euro da consultoria econômica Capital Economics.Mas se a valorização do euro barateia as importações e reduz os preços ao consumidor, ela também torna as exportações do bloco menos competitivas, prejudicando os fabricantes da região, explica Allen-Reynolds.

Observação semelhante é feita por Ricardo Amaro, economista-chefe para a zona do euro da consultoria Oxford Economics. Segundo ele, esse golpe nas exportações até seria parcialmente compensado por preços mais baixos de produtos americanos nas prateleiras europeias, mas ainda assim teria um impacto negativo sobre o crescimento europeu. "Nosso modelo econômico global sugere que o PIB da zona do euro seria cerca de 0,2% menor até o fim do ano caso a taxa de câmbio euro-dólar permaneça nos níveis atuais, em vez do patamar de cerca de 1,16 dólar que serviu como ponto de referência após o acordo comercial entre a UE e os EUA no fim de julho", afirma ele.

<><> Um quadro misto para os exportadores

No entanto, Zsolt Darvas, especialista em macroeconomia do think tank belga Bruegel, destaca que, em períodos em que o euro esteve significativamente mais valorizado do que agora, as exportações europeias ainda assim tiveram bom desempenho. Ele observa que o patamar atual de 1,19 dólar ainda está abaixo dos níveis de 2021 e significativamente abaixo da faixa entre 1,30 e 1,50 dólar frequentemente registrada entre 2004 e 2014. "A recente leve queda do dólar dificilmente causará problemas econômicos significativos na Europa", afirma Darvas, acrescentando que a ampla cobertura da mídia sobre a desvalorização do dólar pode até "estimular os investidores a deslocar seu foco dos investimentos nos EUA para a União Europeia". Mas ele também se preocupa que a taxa de câmbio possa representar mais um golpe para a economia, com os exportadores já abalados pelas tarifas comerciais impostas por Trump no ano passado.

Empresas que compõem o índice STOXX Europe 600, que reúne grandes companhias europeias, obtêm cerca de 30% de suas receitas nos EUA, segundo o banco de investimentos Goldman Sachs. Embora o euro mais forte já esteja associado a estimativas de crescimento mais otimistas, certos setores europeus podem ser vulneráveis a um dólar mais fraco.

Ricardo Amaro afirma que os setores farmacêutico e automotivo estão especialmente em risco, embora acredite que a dependência dos EUA de produtos farmacêuticos europeus possa compensar eventuais prejuízos. Jack Allen-Reynolds, por sua vez, aponta para a fraqueza geral das exportações da zona do euro nos últimos anos, em especial devido à intensificação da concorrência chinesa em diversos setores. "Duvidamos que os movimentos observados até agora tenham um impacto muito grande sobre a demanda por exportações, mas certamente não ajudam", diz.

<><> Hora de o BCE intervir no mercado?

A valorização do euro frente ao dólar gerou especulações sobre a possibilidade de o Banco Central Europeu (BCE) intervir de alguma forma.

O presidente do Banco Central da Áustria, Martin Kocher, considera que os ganhos recentes do euro foram "modestos", mas afirma que o BCE teria de intervir se a taxa de câmbio começasse a reduzir as projeções de inflação.

A maioria dos analistas concorda que agora não é o momento para uma intervenção significativa na política monetária, mas alerta que novas altas no valor do euro podem forçar o BCE a agir caso as metas de inflação sejam afetadas.

Ricardo Amaro já vê os dirigentes do BCE tentando influenciar as expectativas do mercado ao afirmar que estão "monitorando a situação" e mostrando-se preocupados com os movimentos recentes."Isso traz as discussões sobre cortes de juros de volta à mesa e atua contra o impulso de valorização do euro", afirma ele.

Allen-Reynolds também não vê necessidade de agir com base nas mudanças na taxa de câmbio observadas até agora em janeiro. Mas pontua que novas alterações podem levar o BCE a cortar os juros ainda este ano.

Para Zsolt Darvas, o impacto inflacionário atual é praticamente nulo e nenhum setor é especialmente vulnerável."As taxas de câmbio oscilaram amplamente ao longo das últimas décadas, e as empresas se adaptaram para lidar com variações muito maiores do que as que estamos observando atualmente", argumenta.

 

Fonte: DW Brasil

 

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