terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Grupo Fictor pede recuperação judicial após crise ligada ao caso Banco Master

O Grupo Fictor protocolou, neste domingo (1), um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para as empresas Fictor Holding e Fictor Invest.

Segundo a companhia, a medida busca “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”, que somam cerca de R$ 4 bilhões.

  • 🔎 Recuperação judicial é o processo em que uma empresa pede ajuda à Justiça para reorganizar suas dívidas, suspender cobranças por um período e tentar continuar funcionando, evitando a falência.

Em comunicado, o grupo afirmou que pretende quitar as dívidas “sem nenhum deságio” (desconto) e pediu à Justiça um prazo de 180 dias para suspender cobranças e bloqueios.

De acordo com a empresa, o objetivo é criar um ambiente de negociação estruturada e garantir a continuidade das atividades.

“Nesse período, a companhia garante o direito de negociar um plano de recuperação, prevendo novas condições e prazos de pagamento, sem interromper as operações”, informou.

<><> Tentativa de compra do Banco Master

A Fictor relaciona a crise de liquidez ao episódio envolvendo o Banco Master, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de novembro.

À época, um consórcio liderado por um dos sócios do grupo havia anunciado uma proposta para adquirir o banco, mas a operação foi suspensa após a decisão da autoridade monetária.

Segundo a empresa, o episódio afetou diretamente sua imagem no mercado. “Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, diz a nota.

O grupo também ressaltou que, desde o início de suas operações, “não haviam sido registrados atrasos de nenhuma natureza” e que, diante da crise, colocou em prática um plano de reestruturação que incluiu a redução da estrutura física e do número de funcionários.

“Esse movimento foi feito antes do pedido de recuperação judicial para proteger os direitos dos colaboradores e agilizar o recebimento das indenizações trabalhistas”, afirmou.

Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua nos setores de indústria alimentícia, energia, infraestrutura e soluções de pagamento. No pedido apresentado à Justiça, a empresa destacou que a recuperação judicial não inclui as subsidiárias, que devem manter suas rotinas e contratos.

“O objetivo é evitar que empresas economicamente viáveis sejam afetadas por restrições típicas do processo recuperacional”, informou.

Em novembro, após a decisão do BC sobre o Banco Master, o consórcio liderado pela Fictor havia declarado que a operação estava “integralmente condicionada à análise e à aprovação prévia dos órgãos reguladores” e que se colocava “à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos”.

<><> Ações de empresa do Grupo Fictor caíram 60% desde a tentativa de compra do Banco Master

No domingo (1º), o Grupo Fictor entrou com pedido de recuperação judicial para a Fictor Holding e a Fictor Invest — empresas que concentram as participações societárias e as operações financeiras do conglomerado que tem mais de 10 empresas.

A empresa enfrenta uma crise de reputação e limitação no acesso a crédito desde a tentativa frustrada de comprar o Banco Master, em novembro. Segundo a Fictor, “um grande volume de notícias negativas” sobre a operação atingiu “duramente a liquidez” das duas subsidiárias.

Mas as demais empresas do grupo também sentiram os reflexos. Com ações listadas na bolsa de valores, a Fictor Alimentos (FICT3) acumula queda superior a 63% desde o caso Master.

Ainda que o grupo alegue que as demais operações continuam normalmente, as ações da companhia de alimentos desabam 40% apenas nesta segunda-feira (2). Por volta das 13h, os papéis eram negociados a R$ 0,68.

¨      Grupo Fictor: o que faz a empresa

Fundada em 2007, a Fictor teve origem no setor de tecnologia, como fornecedora de soluções para logística e gestão empresarial. Em 2013, realizou sua primeira operação de investimento e, a partir daí, iniciou um processo de diversificação dos negócios.

O grupo expandiu suas operações por meio de participações e investimentos em empresas de diferentes setores. Hoje, o conglomerado brasileiro atua nos segmentos de alimentos, energia, infraestrutura, mercado imobiliário e financeiro.

A holding organizou seus negócios em três frentes principais: alimentos, serviços financeiros e infraestrutura.

A Fictor passou a atuar no comércio de commodities do agronegócio em 2018, ampliando sua presença na cadeia de alimentos. No setor de proteína animal, possui fábricas, granjas e frigoríficos em cinco estados: Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A capacidade instalada permite o abate de até 150 mil aves por dia, com possibilidade de alcançar 350 mil em plena operação. A empresa afirma ter mais de 18 unidades nesse segmento e atender cerca de 5 mil clientes. Entre as marcas do portfólio estão Dr. Foods, Fredini e Vensa.

Em 2022, o número de empresas sob sua gestão chegou a 10. No ano seguinte, entrou no setor de energia com a criação da Fictor Energia, que atua principalmente com fontes renováveis, como usinas solares e hidrelétricas em estados como Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo.

Em 2024, passou a oferecer soluções financeiras e meios de pagamento por meio da FictorPay e da Fictor Asset.

  • 🏦 A Fictor Asset é a gestora de investimentos do grupo, voltada a fundos estruturados e outros tipos de ativos, e administra cerca de R$ 966 milhões em 10 fundos.
  • 💳 A FictorPay atua no setor de meios de pagamento, oferecendo soluções de cobrança, crédito e tecnologia financeira para empresas.

Na área de infraestrutura, o grupo desenvolve projetos imobiliários, de logística e de geração de energia.

Também em 2024, a Fictor Alimentos S.A., braço do grupo no setor alimentício, foi listada na B3 sob o código FICT3. A Fictor Alimentos (FICT3) acumula queda superior a 63% desde o caso Master.

Ainda que o grupo alegue que as demais operações continuam normalmente, as ações da companhia de alimentos desabam 25,44% apenas nesta segunda-feira (2).

Entre 2024 e 2025, o grupo abriu escritórios no exterior, com unidades em Miami, nos Estados Unidos, e em Lisboa, em Portugal, além da sede em São Paulo.

A empresa afirma empregar mais de 10 mil pessoas, direta e indiretamente.

<><> Expansão internacional e atuação no esporte

Além da expansão internacional, o Grupo Fictor passou a ganhar maior visibilidade por meio de patrocínios esportivos.

  • Em 2025, firmou contrato com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), considerado o maior patrocínio privado da história da entidade, com repasses de R$ 21 milhões até março de 2029.
  • Também se tornou patrocinador máster das categorias de base do Palmeiras e passou a estampar sua marca nas costas da camisa do time profissional.

O contrato com o clube paulista tem duração inicial de três anos, com valor fixo de R$ 25 milhões por temporada, que pode chegar a R$ 30 milhões com bônus.

Segundo representantes da empresa, a estratégia no esporte busca associar a marca a projetos de formação de atletas e ampliar a visibilidade nacional.

<><> Recuperação Judicial

O pedido de recuperação judicial foi protocolado neste domingo (1º) pelo Grupo Fictor no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para as empresas Fictor Holding e Fictor Invest.

Segundo a companhia, a medida busca “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”, que somam cerca de R$ 4 bilhões.

  • 🔎 Recuperação judicial é o processo em que uma empresa pede ajuda à Justiça para reorganizar suas dívidas, suspender cobranças por um período e tentar continuar funcionando, evitando a falência.

Em comunicado, o grupo afirmou que pretende quitar as dívidas “sem nenhum deságio” (desconto) e pediu à Justiça um prazo de 180 dias para suspender cobranças e bloqueios.

De acordo com a empresa, o objetivo é criar um ambiente de negociação estruturada e garantir a continuidade das atividades.

“Nesse período, a companhia garante o direito de negociar um plano de recuperação, prevendo novas condições e prazos de pagamento, sem interromper as operações”, informou.

¨      CEO do conglomerado ganhou projeção no episódio do Master

O pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor trouxe para o centro do noticiário o nome de Rafael Góis, sócio e CEO da holding. A empresa atua nos setores de alimentos, serviços financeiros e infraestrutura e atribui a crise à tentativa de compra do Banco Master, em novembro(entenda mais abaixo)

À frente da Fictor desde a sua criação, Góis construiu uma trajetória de mais de 25 anos no mundo dos negócios, passando por diferentes posições de liderança e por áreas como indústria, tecnologia, setor imobiliário e finanças.

<><> Formação acadêmica

Segundo seu perfil no LinkedIn, Góis é bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Candido Mendes, onde se formou em 2000, com foco em gestão estratégica, finanças e operações.

O executivo afirma ter ingressado no mercado financeiro aos 16 anos, mas as experiências profissionais descritas se concentram exclusivamente na Fictor.

Fundada em 2007, a Fictor teve origem no setor de tecnologia, como fornecedora de soluções para logística e gestão empresarial. Em 2013, realizou sua primeira operação de investimento e, a partir daí, iniciou um processo de diversificação dos negócios.

  • 🔎 O grupo expandiu suas operações por meio de participações e investimentos em empresas de diferentes setores. Hoje, o conglomerado brasileiro atua nos segmentos de alimentos, energia, infraestrutura, mercado imobiliário e financeiro. SAIBA MAIS AQUI.

Desde então, Góis ocupa o cargo de sócio e CEO do grupo, posição a partir da qual conduziu a expansão das operações, com sede em São Paulo e presença em diferentes regiões do país.

Entre 2024 e 2025, o grupo abriu escritórios no exterior, com unidades em Miami, nos Estados Unidos, e em Lisboa, em Portugal, além da sede em São Paulo.

<><> Envolvimento com o Banco Master

A Fictor ganhou projeção no noticiário nacional no fim do ano passado, ao se envolver em um episódio rumoroso que antecedeu a liquidação extrajudicial do Banco Master. Um consórcio liderado por um dos sócios anunciou uma proposta para adquirir a instituição financeira de Daniel Vorcaro.

Um dia após o anúncio, o Banco Central decretou a liquidação do banco, suspendendo a operação. Segundo comunicado divulgado pela Fictor, o episódio teve impacto direto sobre a imagem do grupo desde então.

A empresa afirma que, após a decisão do BC, surgiram “especulações” no mercado que teriam reduzido de forma significativa a capacidade das empresas do grupo de manter recursos em caixa e honrar compromissos no curto prazo.

"Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, diz a nota.

Em nota, o grupo destacou que a proposta de aquisição estava condicionada à análise e à aprovação prévia dos órgãos reguladores e que permaneceu à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Recuperação judicial

Após a tentativa frustrada de comprar o Banco Master e a crise de imagem que se seguiu, o Grupo Fictor entrou com pedido de recuperação judicial nesta segunda-feira (2) para reorganizar a operação da Fictor Holding e da Fictor Invest.

As empresas concentram as participações societárias e as operações financeiras do conglomerado, que reúne mais de 10 empresas. Segundo a Fictor, as demais subsidiárias não serão afetadas.

A medida busca equilibrar a operação e assegurar o pagamento de compromissos financeiros que somam cerca de R$ 4 bilhões. No pedido, o grupo afirma ter a intenção de quitar as dívidas sem deságio e solicitou à Justiça um prazo de 180 dias para a suspensão de cobranças e bloqueios.

O objetivo, segundo o grupo, é evitar que empresas economicamente viáveis sejam impactadas por restrições típicas do processo de recuperação judicial.

 

Fonte: g1

 

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