terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Apoio latino a Trump encolhe diante de frustração com economia e imigração, diz mídia

Latinos que ajudaram a eleger Donald Trump em 2024 começam a demonstrar frustração um ano após seu retorno à Casa Branca, diante de preços ainda altos, desgaste econômico e operações migratórias rigorosas, fatores que já reduzem significativamente o apoio ao presidente entre esse eleitorado.

Segundo a BBC News, o apoio latino, decisivo para a vitória de Donald Trump em 2024, começa a mostrar sinais de desgaste um ano após o início do novo mandato. Muitos desses eleitores acabaram migrando do Partido Democrata motivados principalmente pela insatisfação com a economia e pelos altos preços durante o governo anterior.

Trump alcançou em 2024 o maior percentual de votos latinos já registrado por um republicano, com 46%. Porém, pesquisas recentes mostram queda desse apoio para 38%, indicando frustração crescente entre comunidades latinas, que formam o maior bloco de eleitores não brancos dos EUA.

Grande parte desse apoio inicial veio da percepção de que a economia sob Joe Biden estava deteriorada. Segundo o Pew Research Center, 93% dos latinos que votaram em Trump tinham a economia como principal preocupação, muito acima de temas como criminalidade ou imigração.

Agora, porém, muitos desses eleitores avaliam negativamente o desempenho econômico do governo Trump. A pesquisa da CBS indica que 61% desaprovam sua gestão econômica e 69% rejeitam sua atuação contra a inflação, que segue elevada em itens essenciais, apesar de desacelerar.

Segundo a apuração, relatos de eleitores latinos mostram frustração com preços altos e dificuldades financeiras persistentes. Alguns reconhecem esforços do governo, como atração de empresas e investimentos, mas afirmam que as promessas de queda de preços não se concretizaram.

Mesmo apoiadores fiéis expressam ambivalência, especialmente diante dos impactos das tarifas e de declarações de Trump sobre comércio, que afetam setores como a pecuária. A economia continua sendo o principal ponto de tensão entre o presidente e parte de sua base latina.

política migratória também divide esse eleitorado. Operações do ICE e deportações em massa geram forte desaprovação: 70% dos latinos rejeitam a forma como Trump conduz a imigração. Alguns defendem as ações como proteção ao mercado de trabalho, enquanto outros relatam medo, perdas agrícolas e sensação de perseguição.

Analistas como Mike Madrid afirmam que reconquistar esse grupo será um desafio para Trump antes das eleições de meio de mandato. Muitos latinos têm vínculos partidários fracos e se afastam de partidos quando se sentem ignorados. Até apoiadores admitem preocupação com a queda de apoio e esperam ajustes na estratégia do governo, conclui a publicação.

¨      Reputação dos EUA está em queda diante de declarações de Trump, aponta mídia

Os aliados dos Estados Unidos estão cada vez mais desapontados com a estratégia de política externa agressiva de Washington e tentam encontrar alternativas, o que afeta fortemente a imagem norte-americana, escreve o jornal The Wall Street Journal.

Os autores do artigo argumentam que o conhecido slogan "América em primeiro lugar" corre o risco de se transformar em "América sozinha". Muitos aliados ocidentais começaram a questionar a confiabilidade dos EUA por causa da abordagem centrada exclusivamente nos interesses de Washington.

No ano passado, Trump suspendeu grande parte da ajuda externa dos EUA, retirou-se de várias instituições multilaterais, ridicularizou o presidente francês, Emmanuel Macron, criticou o Canadá por sua "falta de gratidão" e chegou a caracterizar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) como um "poço sem fundo".

Ele também ameaçou usar força militar para tomar a Groenlândia e impôs barreiras comerciais a países que vendem produtos para os EUA.

Tudo isso não apenas desagrada aos líderes dos países aliados, mas também resultou na queda da confiança em Washington em muitas nações, sobretudo no Ocidente.

Os autores do artigo citam pesquisas que mostram que o número de britânicos que avaliam negativamente os EUA dobrou nos últimos dois anos, atingindo 64%. Na Alemanha, 71% consideram os EUA um "adversário". Em toda a Europa, apenas 16% da população vê Washington como um aliado, segundo dados do Conselho Europeu de Relações Exteriores.

Ao mesmo tempo, os países europeus não estão sozinhos. A publicação ressalta que as ações do governo norte-americano tiveram impacto negativo sobre a imagem também no Hemisfério Ocidental.

De acordo com várias pesquisas, quase dois terços dos canadenses e mexicanos têm uma visão negativa dos Estados Unidos e consideram seu vizinho uma ameaça maior do que a China. A mesma opinião é compartilhada no Brasil, maior país da América Latina.

Embora a imagem dos Estados Unidos sempre tenha tido altos e baixos, como durante a intervenção no Vietnã e a ocupação do Iraque, o declínio atual da "marca norte-americana" pode resultar na perda da confiança global de forma duradoura.

Isso porque a administração de Donald Trump passou a evitar mecanismos de cooperação até com seus aliados mais próximos.

"Trump não pedia desculpas por buscar de forma tão estreita os interesses dos EUA. Ele tendia a ver os aliados como dependentes gananciosos, e não como multiplicadores de força. As conversas sobre a promoção de valores ocidentais, como democracia e mercado livre, desapareceram", constata o material.

As mudanças mais duradouras e significativas são observadas na Europa, onde a parceria transatlântica, que garantiu a paz após duas guerras mundiais catastróficas, corre o risco de se desintegrar.

Apesar de a Europa, sendo dependente dos Estados Unidos, ter feito enormes concessões, aumentado seu orçamento militar e tolerado tarifas comerciais mais altas, Trump continua a criticá-la, referindo-se à OTAN não como aliança histórica liderada pelos EUA, mas como um "clube para europeus".

As ameaças de Trump contra a Dinamarca, membro da OTAN, de invadir a Groenlândia foram um ponto de inflexão: a confiança de que os EUA protegeriam um parceiro europeu evaporou, afirmaram os autores.

Na última quarta-feira (28), a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que a Europa já não é o "centro de gravidade" de Washington, uma vez que os Estados Unidos estão mudando suas prioridades de forma fundamental e permanente.

O presidente dos EUA, Donald Trump, em seu discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, criticou a Europa, dizendo que ela estava indo na direção errada, e chamou os EUA de motor econômico do planeta.

¨      EUA buscam quebrar Cuba para impedir que seja base de resistência contra o imperialismo, diz analista

Declarando as políticas do governo de Cuba uma "ameaça", Washington mostra que hoje ela mesma é uma ameaça à ordem geopolítica do pós-Segunda Guerra, opinou o professor Ernesto Teuma, da Universidade de Havana, em entrevista à Sputnik.

"Quebrar Cuba é quebrar a possibilidade de que, em um cenário de projeção hegemônica dos EUA, Cuba seja, como foi em outros momentos, a linha de base da resistência", afirmou.

Teuma também destacou que o governo de Miguel Díaz-Canel "sempre se encontrou na disposição de negociar", desde que tais negociações "partam da premissa da soberania e do respeito ao direito de Cuba decidir sobre sua própria forma de governança".

Da mesma forma, o analista lembrou ainda que existe um "bloco antipatriótico" que impulsiona políticas ainda mais agressivas da administração de Washington contra Cuba, como a declaração da ilha caribenha como "ameaça" para a segurança nacional dos EUA.

Na semana passada, o jornal The Wall Street Journal informou que o governo Trump estabeleceu como meta implementar uma mudança de regime em Cuba até o final do ano. A administração Trump estaria agora buscando, dentro do governo cubano, alguém que possa ajudar a realizar essa operação, acrescentaram os autores do artigo no jornal.

Devido à possível intervenção dos EUA nos assuntos internos de Cuba, as autoridades do país decidiram reforçar o treinamento militar para proteger o país de uma eventual intervenção.

<><> EUA estão negociando com Cuba para chegar a um acordo após intensificar sanções, diz Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou neste domingo (1º), que o país realiza negociações com Cuba. No fim de janeiro, a Casa Branca publicou um documento afirmando que "as políticas, práticas e ações do governo cubano constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos".

"Estamos conversando com pessoas de Cuba, com as mais altas autoridades cubanas, então veremos o que acontece", disse Trump, ao sugerir que os dois países poderiam chegar a um acordo.

Para pressionar o país, o presidente norte-americano anunciou medidas para impedir a chegada de petróleo venezuelano na ilha, o que poderia deixar quase 70% do território sem fornecimento de energia.

Em resposta, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, anunciou que Havana havia declarado "estado de emergência internacional" devido a este novo ataque.

Já a Rússia declarou que são inaceitáveis medidas unilaterais contra países soberanos que violem a Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) e demais normas do direito internacional, reiterou a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.

Conforme a representnate, a Rússia e Cuba mantêm laços históricos especiais, e sua cooperação, mutuamente vantajosa, não tem como alvo prejudicar terceiros.

Quanto à decisão norte-americana que rotula a Rússia e outros parceiros de Cuba como países "hostis" e "malignos", Zakharova advertiu que tal atitude não contribui para o diálogo entre Moscou e Washington nem para os esforços de Washington em promover a pacificação de conflitos no mundo.

¨      Dólar americano está com os dias contados, afirma ex-analista da CIA

O que estamos testemunhando agora é o "colapso" do sistema financeiro internacional, o sistema de Bretton Woods, que os EUA criaram após a Segunda Guerra Mundial, afirma Larry Johnson, ex-analista da CIA.

"O mercado está quebrado", especula o analista, apontando para como os países do BRICS, como Rússia, China, Índia e Brasil, estão "se desfazendo de títulos do Tesouro norte-americano e comprando ouro e prata".

Johnson lembra que o bloco está trabalhando em uma moeda que "será atrelada ao ouro que cada país possui".

"Estamos testemunhando algo agora que, sabe, as pessoas vão olhar para trás [...]. Não sei bem como vão chamar o grande realinhamento monetário, mas o reinado do dólar acabou. É como aquela galinha. Você corta a cabeça da galinha. Ela ainda consegue andar por um tempo sem a cabeça, mas, no fim, vai cair morta. A moeda americana está em sérios apuros", concluiu.

A influência global do dólar vem sendo gradualmente reduzida à medida que mais países diversificam reservas e ampliam o uso de moedas locais em comércio bilateral. O movimento tem preocupado Washington e sinaliza uma lenta erosão da hegemonia financeira dos EUA.

<><> 'Vender os EUA' vira nova tendência em Wall Street, relata mídia

No início de 2026, os investidores globais começaram a perder o entusiasmo pelos ativos norte‑americanos, impulsionando a nova tese de mercado chamada "sell America" (vender os EUA, em português), informa o The New York Times.

A estratégia reflete o enfraquecimento do dólar, a estagnação das bolsas e o aumento dos custos da dívida pública dos EUA.

Entre as causas estão as políticas econômicas imprevisíveis de Washington, as ameaças à independência do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e os riscos de novas guerras comerciais com a Europa.

Analistas destacam que o movimento não representa uma fuga total do país, mas sim uma tentativa de diversificação e proteção de portfólios. Enquanto isso, a moeda norte‑americana caiu cerca de 10% em 12 meses.

A consequência visível é o fluxo crescente de capitais para o ouro e metais preciosos, cujos preços atingiram recordes históricos, e para ações europeias, que renderam o dobro das norte-americanas em termos de dólar.

<><> Maioria dos brasileiros deportados que retornaram ao Brasil em 2025 tem entre 18 e 29 anos

Pessoas com idade entre 18 e 29 anos lideram a lista de brasileiros deportados e recebidos pelo Brasil em situação de vulnerabilidade desde agosto do ano passado. Segundo dados do programa "Aqui é Brasil", do governo federal, foram 957 expatriados de um total de 3.113.

Ao todo, de acordo com os números da iniciativa do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, 802 foram homens e 155 mulheres. A outra faixa etária com maior número de retornados é entre 30 e 39 anos, sendo 924 ao todo — 790 homens e 134 mulheres. A maioria dos deportados, segundo o governo federal, vem dos Estados Unidos.

Em relação aos estados, quase metade dos deportados retornou a Minas Gerais — foram 1.568. Minas foi seguida por Rondônia, com 314, e São Paulo, com 287.

programa do governo federal, inaugurado em agosto de 2025, tem previsão de atuação por 12 meses, com o objetivo de oferecer uma resposta coordenada, abrangente e humanizada às necessidades dos brasileiros repatriados ou deportados em situação de vulnerabilidade. Conforme o governo, a iniciativa foi criada em um contexto em que o presidente dos EUA, Donald Trump, endureceu as políticas contra a população migrante.

¨      EUA tentam expulsar China da América Latina, seguindo política tradicional, afirma analista

Independentemente de quem esteja no poder nos Estados Unidos, Washington sempre tenta deslocar a China da América Latina, afirmou à Sputnik o diretor do Instituto da América Latina da Academia Russa de Ciências, Dmitry Rozental.

Segundo ele, a China continua sendo um ator de importância especial na América Latina e, embora as ações do presidente norte-americano Donald Trump tenham atrapalhado os negócios chineses com países latino-americanos, os EUA não conseguiram expulsar Pequim da região.

"Expulsar a China da América Latina é a diretriz de qualquer administração dos EUA, tanto republicana quanto democrata. Nesse sentido, há pleno consenso entre os dois partidos. O que muda são os métodos empregados, mas tanto republicanos quanto democratas defendem a expulsão de atores extrarregionais de seu entorno imediato", disse o especialista à agência.

Rozental acrescentou que a China é percebida pelos Estados Unidos como um concorrente sério, e que sua expulsão da América Latina constitui uma parte tradicional da política externa norte-americana. Segundo ele, para a cultura estratégica dos EUA, é fundamental afastar atores não regionais do Hemisfério Ocidental.

O analista destacou ainda que Cuba, Venezuela e Nicarágua são vistos negativamente pelo establishment norte-americano porque esses países poderiam servir como um "trampolim" para a presença política e econômica na região por outros atores, incluindo a Rússia e a China.

Rozental ressaltou que Trump teme a expansão da presença de outros Estados que competem com os Estados Unidos na América Latina e, por isso, busca enfraquecer Cuba, Venezuela e Nicarágua na região.

O especialista concluiu que a China chegou à América Latina de forma séria e duradoura, sobretudo porque os países da região estão interessados na cooperação com Pequim, em suas tecnologias e investimentos. O pragmatismo político prevalece entre os líderes latino-americanos, acrescentou.

Em 23 de janeiro, durante uma conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder chinês Xi Jinping afirmou que a China está sempre pronta para ser uma boa amiga e parceira dos países da América Latina e do Caribe e para ajudar na construção de uma comunidade sino-latino-americana com futuro compartilhado.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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