quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Fevereiro Laranja: entenda por que doar medula óssea salva vidas

O Fevereiro Laranja é dedicado à conscientização sobre a leucemia e à doação de medula óssea. Informar a população é essencial para reconhecer sinais precoces da doença, buscar atendimento médico rapidamente e ampliar o número de doadores, um passo decisivo para salvar vidas.

<><> O que é a leucemia?

A leucemia é um câncer que afeta o sangue e a medula óssea, local onde são produzidas as células sanguíneas. Ela ocorre quando células doentes passam a se multiplicar de forma descontrolada, substituindo as células normais e prejudicando funções vitais do organismo.

As leucemias são classificadas conforme a rapidez de evolução (agudas ou crônicas) e o tipo de célula afetada (linfoide ou mieloide).

>>>> Principais tipos de leucemia, exames e tratamento

<><> Leucemias agudas (evolução rápida):

Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA). É mais comum em crianças, mas também ocorre em adultos.

•        Exames confirmatórios: hemograma alterado, exame da medula óssea (mielograma), imunofenotipagem e testes genéticos.

•        Prognóstico: atualmente, muitos pacientes podem ser curados, especialmente com diagnóstico precoce.

•        Tratamento: quimioterapia intensiva, terapias-alvo em alguns subtipos e, em situações específicas de alto risco ou recaída, transplante de medula óssea.

Leucemia Mieloide Aguda (LMA). É mais frequente em adultos e costuma evoluir de forma agressiva.

•        Exames confirmatórios: hemograma, mielograma, imunofenotipagem e testes genéticos, que ajudam a definir o risco da doença.

•        Prognóstico: variável, dependendo das alterações genéticas e da resposta ao tratamento inicial.

•        Tratamento: quimioterapia, terapias-alvo quando indicadas e, em muitos casos de maior risco, transplante de medula óssea após a remissão da doença.

<><> Leucemias crônicas (evolução lenta)

Leucemia Linfocítica Crônica (LLC). Geralmente afeta pessoas mais idosas e pode permanecer estável por muitos anos.

•        Exames confirmatórios: hemograma, imunofenotipagem do sangue e exames genéticos em situações específicas.

•        Prognóstico: na maioria dos casos, muito favorável, com controle prolongado da doença.

•        Tratamento: muitas vezes, não é necessário tratar imediatamente. Quando indicado, utilizam-se medicamentos modernos, como terapias-alvo e imunoterapia.

•        Transplante de medula óssea: hoje é uma exceção absoluta, reservado apenas a casos raríssimos e muito selecionados.

Leucemia Mieloide Crônica (LMC). Caracteriza-se por uma alteração genética específica.

•        Exames confirmatórios: hemograma e testes moleculares que identificam a alteração genética característica da doença.

•        Prognóstico: excelente na grande maioria dos pacientes.

•        Tratamento: medicamentos orais altamente eficazes, que controlam a doença por muitos anos.

•        Transplante de medula óssea: atualmente é extremamente raro, indicado apenas em situações excepcionais de falha às terapias disponíveis.

<><> Quando o transplante de medula óssea é necessário?

O transplante de medula óssea é indicado principalmente em algumas leucemias agudas, especialmente quando:

•        A doença é de alto risco

•        Não há boa resposta à quimioterapia

•        Ocorrem recaídas

Antes do transplante, o paciente geralmente passa por quimioterapia, terapias-alvo ou imunoterapia para controlar a doença e reduzir a quantidade de células doentes.

<><> Doação de medula óssea: um gesto que salva vidas

A medula óssea não é a medula da coluna. Ela é responsável pela produção das células do sangue. A doação, na maioria das vezes, é feita pela coleta de células no sangue, de forma segura e semelhante à doação de sangue comum.

O maior desafio é a compatibilidade genética, que é rara. Por isso, cada novo doador cadastrado aumenta as chances de um paciente encontrar um doador compatível.

<><> Fevereiro Laranja: informação e solidariedade

O Fevereiro Laranja reforça a importância da informação correta, combate mitos sobre a doação e incentiva atitudes solidárias. O diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado transformaram a leucemia em uma doença cada vez mais tratável e, em muitos casos, curável.

Informar-se, compartilhar conhecimento e considerar o cadastro como doador são atitudes simples que podem salvar vidas.

•        Transplante de medula com doador meio compatível é tão seguro quanto padrão

Um estudo brasileiro revelou que transplantes de medula óssea de doadores familiares parcialmente compatíveis (haploidênticos) são tão seguros e eficazes quanto os de doadores não parentes totalmente compatíveis. A descoberta, apresentada durante a 67ª Reunião da ASH (Sociedade Americana de Hematologia), que aconteceu entre os dias 6 e 9 de dezembro em Orlando, na Flórida.

A descoberta expande o universo de potenciais doadores para pacientes com leucemia aguda que necessitam de um transplante para o tratamento e não possuem um irmão compatível. O estudo, liderado pelo Einstein Hospital Israelita e pela SBTMO (Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea), envolveu 21 centros e mais de 500 pacientes.

"Nós sabemos que o transplante com irmãos é o ideal. A nossa dúvida era fazer a comparação entre o transplante com doadores não aparentados, que são os doadores de registro, com o transplante haploidêntico, feito com a doação de uma pessoa meio compatível", explica Nelson Hamerschlak, coordenador do Departamento de Hematologia do Einstein, à CNN Brasil.

"Com isso, ninguém deixa de ter doador, porque o paciente tem um pai ou uma mãe, ou até mesmo um primo, que é metade idêntico a ele. Então, virtualmente, você passa a não ter o risco de deixar de fazer transplante para alguém por falta de doador", completa.

O estudo foi feito coletando dados de cerca de 500 pacientes de 21 centros brasileiros que passaram por transplante entre 2018 e 2021 e dados após o procedimento, em um acompanhamento entre 2021 e 2024. O trabalho comparou dois tipos de doadores:

•        MUD: sigla em inglês de "matched unrelated donor", que é o doador não parente, mas totalmente compatível com o paciente;

•        Haplo: de "haploidentical donor", que é o doador parcialmente compatível, podendo ser pai, mãe, filho e irmão.

Segundo o estudo, pacientes com doador haplo e MUD tendem a ter sobrevivência global semelhante na maioria das análises comparativas.

"Esse resultado é importante porque mostra que, se o paciente precisar transplantar com alguém parcialmente compatível, isso é factível e seguro", afirma Mariana Kerbauy, hematologista do Einstein Hospital Israelita. "No Brasil, temos a questão étnica. Muitas vezes, no banco, há muita miscigenação, o que acaba nos atrapalhando a encontrar alguém 100% compatível. Então, o fato de podermos fazer um transplante com alguém da família parcialmente compatível é muito importante", completa.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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