Fevereiro
Laranja: entenda por que doar medula óssea salva vidas
O
Fevereiro Laranja é dedicado à conscientização sobre a leucemia e à doação de
medula óssea. Informar a população é essencial para reconhecer sinais precoces
da doença, buscar atendimento médico rapidamente e ampliar o número de
doadores, um passo decisivo para salvar vidas.
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O que é a leucemia?
A
leucemia é um câncer que afeta o sangue e a medula óssea, local onde são
produzidas as células sanguíneas. Ela ocorre quando células doentes passam a se
multiplicar de forma descontrolada, substituindo as células normais e
prejudicando funções vitais do organismo.
As
leucemias são classificadas conforme a rapidez de evolução (agudas ou crônicas)
e o tipo de célula afetada (linfoide ou mieloide).
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Principais tipos de leucemia, exames e tratamento
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Leucemias agudas (evolução rápida):
Leucemia
Linfoblástica Aguda (LLA). É mais comum em crianças, mas também ocorre em
adultos.
• Exames confirmatórios: hemograma
alterado, exame da medula óssea (mielograma), imunofenotipagem e testes
genéticos.
• Prognóstico: atualmente, muitos
pacientes podem ser curados, especialmente com diagnóstico precoce.
• Tratamento: quimioterapia intensiva,
terapias-alvo em alguns subtipos e, em situações específicas de alto risco ou
recaída, transplante de medula óssea.
Leucemia
Mieloide Aguda (LMA). É mais frequente em adultos e costuma evoluir de forma
agressiva.
• Exames confirmatórios: hemograma,
mielograma, imunofenotipagem e testes genéticos, que ajudam a definir o risco
da doença.
• Prognóstico: variável, dependendo das
alterações genéticas e da resposta ao tratamento inicial.
• Tratamento: quimioterapia, terapias-alvo
quando indicadas e, em muitos casos de maior risco, transplante de medula óssea
após a remissão da doença.
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Leucemias crônicas (evolução lenta)
Leucemia
Linfocítica Crônica (LLC). Geralmente afeta pessoas mais idosas e pode
permanecer estável por muitos anos.
• Exames confirmatórios: hemograma,
imunofenotipagem do sangue e exames genéticos em situações específicas.
• Prognóstico: na maioria dos casos, muito
favorável, com controle prolongado da doença.
• Tratamento: muitas vezes, não é
necessário tratar imediatamente. Quando indicado, utilizam-se medicamentos
modernos, como terapias-alvo e imunoterapia.
• Transplante de medula óssea: hoje é uma
exceção absoluta, reservado apenas a casos raríssimos e muito selecionados.
Leucemia
Mieloide Crônica (LMC). Caracteriza-se por uma alteração genética específica.
• Exames confirmatórios: hemograma e
testes moleculares que identificam a alteração genética característica da
doença.
• Prognóstico: excelente na grande maioria
dos pacientes.
• Tratamento: medicamentos orais altamente
eficazes, que controlam a doença por muitos anos.
• Transplante de medula óssea: atualmente
é extremamente raro, indicado apenas em situações excepcionais de falha às
terapias disponíveis.
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Quando o transplante de medula óssea é necessário?
O
transplante de medula óssea é indicado principalmente em algumas leucemias
agudas, especialmente quando:
• A doença é de alto risco
• Não há boa resposta à quimioterapia
• Ocorrem recaídas
Antes
do transplante, o paciente geralmente passa por quimioterapia, terapias-alvo ou
imunoterapia para controlar a doença e reduzir a quantidade de células doentes.
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Doação de medula óssea: um gesto que salva vidas
A
medula óssea não é a medula da coluna. Ela é responsável pela produção das
células do sangue. A doação, na maioria das vezes, é feita pela coleta de
células no sangue, de forma segura e semelhante à doação de sangue comum.
O maior
desafio é a compatibilidade genética, que é rara. Por isso, cada novo doador
cadastrado aumenta as chances de um paciente encontrar um doador compatível.
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Fevereiro Laranja: informação e solidariedade
O
Fevereiro Laranja reforça a importância da informação correta, combate mitos
sobre a doação e incentiva atitudes solidárias. O diagnóstico precoce e o
acesso ao tratamento adequado transformaram a leucemia em uma doença cada vez
mais tratável e, em muitos casos, curável.
Informar-se,
compartilhar conhecimento e considerar o cadastro como doador são atitudes
simples que podem salvar vidas.
• Transplante de medula com doador meio
compatível é tão seguro quanto padrão
Um
estudo brasileiro revelou que transplantes de medula óssea de doadores
familiares parcialmente compatíveis (haploidênticos) são tão seguros e eficazes
quanto os de doadores não parentes totalmente compatíveis. A descoberta,
apresentada durante a 67ª Reunião da ASH (Sociedade Americana de Hematologia),
que aconteceu entre os dias 6 e 9 de dezembro em Orlando, na Flórida.
A
descoberta expande o universo de potenciais doadores para pacientes com
leucemia aguda que necessitam de um transplante para o tratamento e não possuem
um irmão compatível. O estudo, liderado pelo Einstein Hospital Israelita e pela
SBTMO (Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea), envolveu 21
centros e mais de 500 pacientes.
"Nós
sabemos que o transplante com irmãos é o ideal. A nossa dúvida era fazer a
comparação entre o transplante com doadores não aparentados, que são os
doadores de registro, com o transplante haploidêntico, feito com a doação de
uma pessoa meio compatível", explica Nelson Hamerschlak, coordenador do
Departamento de Hematologia do Einstein, à CNN Brasil.
"Com
isso, ninguém deixa de ter doador, porque o paciente tem um pai ou uma mãe, ou
até mesmo um primo, que é metade idêntico a ele. Então, virtualmente, você
passa a não ter o risco de deixar de fazer transplante para alguém por falta de
doador", completa.
O
estudo foi feito coletando dados de cerca de 500 pacientes de 21 centros
brasileiros que passaram por transplante entre 2018 e 2021 e dados após o
procedimento, em um acompanhamento entre 2021 e 2024. O trabalho comparou dois
tipos de doadores:
• MUD: sigla em inglês de "matched
unrelated donor", que é o doador não parente, mas totalmente compatível
com o paciente;
• Haplo: de "haploidentical
donor", que é o doador parcialmente compatível, podendo ser pai, mãe,
filho e irmão.
Segundo
o estudo, pacientes com doador haplo e MUD tendem a ter sobrevivência global
semelhante na maioria das análises comparativas.
"Esse
resultado é importante porque mostra que, se o paciente precisar transplantar
com alguém parcialmente compatível, isso é factível e seguro", afirma
Mariana Kerbauy, hematologista do Einstein Hospital Israelita. "No Brasil,
temos a questão étnica. Muitas vezes, no banco, há muita miscigenação, o que
acaba nos atrapalhando a encontrar alguém 100% compatível. Então, o fato de
podermos fazer um transplante com alguém da família parcialmente compatível é
muito importante", completa.
Fonte:
CNN Brasil

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