quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Niu Honglin: Como um "futuro compartilhado" pode salvar o mundo da fragmentação?

Quando eu estava trabalhando neste novo podcast, uma pergunta continuava aparecendo nas minhas anotações: por que a ideia de um “futuro compartilhado” recebe um reconhecimento global crescente agora? Não dez anos atrás. Nem vinte. Mas agora.

O mundo não carece de desafios. A recuperação econômica parece frágil. Conflitos surgem com uma frequência inquietante. A ansiedade climática deixou de ser abstrata para se tornar pessoal. Crises de refugiados, emergências de saúde pública e o aumento das desigualdades de desenvolvimento se entrelaçam de maneiras que tornam respostas simples impossíveis. Não é surpresa que pessoas em todos os lugares estejam fazendo a mesma pergunta: que tipo de sistema global estamos, de fato, construindo, e para quem?

Essa pergunta está no centro deste podcast, que analisa como a China, e seu líder Xi Jinping, enquadram a governança global por meio da ideia de uma “comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade”. É uma expressão frequentemente citada, às vezes mal compreendida e raramente explorada a partir de histórias reais. Foi aí que eu quis começar.

<><> Grandes ideias só importam se aparecerem na vida real

Uma coisa que me chamou a atenção durante a pesquisa foi o quanto esse conceito está consistentemente ligado a momentos concretos, e não apenas a discursos. Sim, há pronunciamentos em destaque na ONU, reuniões da Organização para Cooperação de Xangai (SCO) e fóruns globais. Mas também existem cenas muito humanas que contam essa história de forma mais clara do que qualquer slogan poderia fazer.

Veja o caso de Vanuatu, por exemplo.

Em dezembro de 2024, um terremoto de magnitude 7,3 atingiu a nação insular. Vidas foram perdidas. A infraestrutura entrou em colapso. Em meio a réplicas e chuvas intensas, uma equipe médica chinesa que já estava estacionada no local também foi afetada. Cinco dos nove integrantes ficaram feridos. Ainda assim, assim que a situação se estabilizou, eles voltaram diretamente ao trabalho. Reuniram seus suprimentos médicos e compareceram ao hospital local no dia seguinte. Foram a primeira equipe médica não local a chegar ao local.

Quando escrevi sobre essa história, ocorreu-me: é assim que a segurança global deveria se parecer quando se vai além do abstrato, além de alianças militares ou comunicados à imprensa, e se observa médicos que atuam sempre que e onde quer que sejam necessários.

A história se repete em Honduras, onde um surto de dengue levou o país a declarar emergência nacional de saúde. O que me chamou a atenção não foi apenas a escala da assistência, que incluiu desde kits de teste até mosquiteiros e equipamentos de monitoramento, mas o momento em que ela chegou. O apoio veio quando o surto estava em seu pior momento e foi além do fornecimento de materiais, incluindo também o acompanhamento de longo prazo da doença. Um amigo na necessidade é um amigo de verdade.

<><> Desenvolvimento não é apenas número de PIB

Outra parte do episódio que ficou comigo é sobre a ferrovia Mombasa–Nairóbi. Projetos de infraestrutura costumam ser discutidos em termos de custo, dívida ou geopolítica. Mas é quando você conversa com as pessoas cujas vidas foram transformadas por esses projetos que a história realmente aparece.

Essa ferrovia reduziu uma jornada exaustiva de um dia inteiro para cerca de cinco horas. Ao longo dos anos, criou dezenas de milhares de empregos locais e formou milhares de profissionais. Um deles é Jamlick Kariuki, que estudou em Pequim, voltou para trabalhar na ferrovia e depois retornou novamente à China para aprofundar suas habilidades técnicas.

Ele chamou a ferrovia de “Estrada da Felicidade”. Essa expressão não soa melodramática quando se entende o que ela representa: trabalho estável, transporte mais seguro e um futuro que parece promissor, e não bloqueado. Quando ele falou sobre gratidão, não era algo abstrato. Estava enraizado na oportunidade.

Há uma frase que ele compartilhou e que não sai da minha cabeça, um provérbio africano: se você quer ir rápido, vá sozinho. Se você quer ir longe, vá junto. É simples, mas explica muito sobre como parcerias de desenvolvimento funcionam ou fracassam.

<><> A cultura é onde a confiança realmente se forma

Uma das minhas partes favoritas do episódio se afasta completamente das políticas públicas e vai para a vida universitária. Dois jovens estudantes, um chinês e um americano, fazem uma videochamada para praticar idiomas e compartilhar risadas sobre caracteres chineses escritos à mão.

Zhu Kaixin e Alessandro se conheceram na Universidade Wenzhou-Kean, uma instituição conjunta sino-americana. A amizade deles não aparece em estatísticas de comércio nem em comunicados diplomáticos, mas faz algo possivelmente mais importante. Ela humaniza o “outro lado”.

Alessandro falou sobre seu desejo de visitar a China novamente, conhecer mais cidades e entender a cultura para além das manchetes. Zhu falou sobre levar Alessandro a Xi’an porque seu amigo americano adorava os Guerreiros de Terracota. São decisões pequenas. Mas também são assim que a confiança de longo prazo é construída.

Quando educadores de ambos os países descrevem esses programas, costumam dizer a mesma coisa: os estudantes crescem juntos. Não separados. Juntos. E isso parece uma resposta silenciosa, porém poderosa, à questão de como civilizações coexistem.

<><> Por que essa conversa importa agora

O que une todas essas histórias, para mim, é que elas tratam a governança global como uma responsabilidade compartilhada, e não como um jogo competitivo. A ideia de uma “comunidade com um futuro compartilhado” se contrapõe à lógica de soma zero. Ela defende que segurança, desenvolvimento e compreensão cultural não são coisas que um país possa acumular apenas para si.

É possível concordar ou discordar de aspectos dessa visão. Mas vale a pena ouvir atentamente como ela está sendo articulada e, mais importante, como está sendo praticada no terreno.

No podcast Stories of Xi Jinping, aprofundamos essas histórias. Você ouve as vozes. Ouve as pausas, a emoção, os sons de fundo que não chegam a uma página escrita. Se esse tema lhe interessa, eu sinceramente recomendo ouvir o episódio. Ele acrescenta camadas que o texto, sozinho, não consegue oferecer.

Em um momento em que o mundo parece cada vez mais fragmentado, talvez a ideia mais radical seja uma simples: ninguém é jogado para fora do barco, ou atravessamos águas turbulentas juntos, ou não atravessamos de forma alguma.

¨      Do ‘neo-tribalismo’ aos Impérios em Rede: Próspera, a cidade dos bilionários da tecnologia. Por Cian Barbosa

Imagine um mundo onde a alta cúpula que detém o controle dos poderes tecnológicos pretende fundar seus próprios países para reger, em uma redefinição plenamente privatizada do Estado, suas próprias leis, levando adiante os mais profundos sonhos distópicos de experiências sociais controladas. Parece um roteiro promissor de ficção científica hollywoodiana, certo? 

Todavia, esse é o projeto de governança corporativa encampado na ilha de Roatán, em Honduras, denominado Próspera: uma “cidade experimental” fundada em 2017, que atua com base em um quadro jurídico singular denominado ZEDE (Zona de Emprego e Desenvolvimento Econômico), conferindo um alto grau de autonomia frente ao governo hondurenho. Esse arcabouço possibilita que a “cidade-startup” estabeleça suas próprias normas, regulamentos e políticas fiscais, caracterizando-a como uma espécie de “cidade startup” projetada para atrair investimentos estrangeiros por meio da oferta de impostos reduzidos e de uma supervisão regulatória mínima – como proposto pelo seu próprio fundador, Erick Brimen.

Esse projeto não é meramente um efeito lógico dos pressupostos internos ao neoliberalismo, mas está atrelado a um projeto radical de superação total das “amarras” do Estado à “inovação” dos representantes do mercado, que pretendem se lançar à condição de tecno-monarcas da atualidade. Isso fica evidente ao analisarmos quem são os principais investidores da Próspera: Peter Thiel (PayPal e Palantir) e Marc Andreessen (Mosaic e Netscape), por exemplo, são aliados políticos e teóricos de Nick Land e Curtis Yarvin, dois ideólogos do Dark Enlightenment, defensores do aceleracionismo e da tecno-governança neofeudal que se tornou uma espécie de horizonte filosófico no Vale do Silício – além de abertamente influenciados pelo pensamento (ou por uma “leitura distorcida”) de Albert Hirschman. 

Para compreendermos as implicações políticas desse projeto, é fundamental ter em conta a relação cada vez mais simbiótica entre o governo norte-americano, seu complexo industrial-militar e o projeto quase teológico que emerge do Vale do Silício em um momento histórico onde a hegemonia estadunidense encontra-se ameaçada por novos arranjos mundiais que apontam para uma reconfiguração da arquitetura financeira global, onde agentes como Rússia e principalmente China despontam como concorrentes na disputa econômica e tecnológica que, cada vez mais, passa a definir os caminhos geopolíticos do futuro. 

“Próspera” passa a representar um novo estágio nos modos de exploração e dominação, onde todo aparato dos oligopólios digitais – que já se provaram efetivos para burlar regulamentações locais/nacionais, incentivando e impulsionando uma nova dinâmica de “capitalismo de rapina”, reduzindo o horizonte do trabalho a economias de serviço, apostas, auto-exploração de si e espetacularização da vida privada – se convertem em um projeto de governança total, substituindo o aparato estatal em uma mistura de tecnosolucionismo distópico e neocolonialismo corporativista. 

É importante, entretanto, ressaltar que a retórica anti-estatal dos apologistas de tais projetos se reduz somente à dimensão regulatória que visa frear minimamente os impactos e voracidades exploratórias de seus empreendimentos. O que está em jogo na verdade não é a superação do Estado, mas sua privatização e apropriação completa, onde uma autofagia corporativa aparece como resposta necessária aos impasses impostos pelo processo de acumulação no século XXI. 

Esses impasses não são menos centrais, e revelam-se cada vez mais presentes na medida em que os “bilionários tech” passam a se preocupar com a formação ideológica – ou mesmo teológica – para a realização de seus projetos. Andreessen e Theil são exemplos suficientes para ilustrar como o horizonte sem futuro que nos fixa no presente retroalimenta uma espécie de tecno-escatologia. Com as mudanças climáticas em curso e uma crescente presença do espectro do fim, noções apocalípticas passam a organizar os projetos políticos dos de cima, e empreendimentos como “cidades bunker” e “ilhas de emergência” já são tiradas do papel, fazendo parte dos planos A e B para as elites paranoicas com as possíveis consequências de um cataclisma global. 

Se noções de sobrevivencialismo sempre estiveram presentes na modernidade, especialmente alimentadas por um supremacismo fascista, atualmente a grande diferença se encontra na ausência de um horizonte futuro redentor que se seguiria após um verdadeiro banho de sangue. Hoje, entretanto, as expectativas centram-se mais no dia do julgamento do que na própria transcendência, na medida em que a possibilidade de uma terra emancipada é substituída pela aceitação de uma terra arrasada que poderia ser redimida por um tecno-solucionismo “dark”.

Com tais projetos e preocupações em mente, os avanços de Trump sobre a Groenlândia fazem crescer os olhos de bilionários do tecno-apocalipse. Obviamente, os interesses de Trump não são recentes nos EUA – as disputas e interesses pela Groenlândia fazem parte de ambições históricas estadunidenses por mais cem anos —, e fazem parte do “plano de emergência” do que convencionou-se chamar de nova “doutrina donroe”. Com o declínio em curso da hegemonia financeira e tecnológica americana, resta tentar reverter tal processo com o que ainda sobrou de hegemonia militar e imposição econômica a diversos países – e o interesse pela Groenlândia passa tanto pelo controle de rotas marítimas, pela dispersão militar através do globo e também pela corrida tecnológica por metais de terras raras.

Com as políticas 2.0 de Trump tomando forma, o cofundador da Praxis — empresa responsável pela Próspera e matriz idealizadora desse modelo de “cidade startup”, vale ressaltar, financiada em grande parte por Peter Thiel –, Dryden Brown, já demonstrou, desde o ano passado, um interesse em reproduzir o experimento da Próspera na ilha inuit, com sua primeira tentativa de comprá-la. A ironia do nome dispensa comentários… 

É importante termos em mente que os fundadores da Praxis a definem como uma empresa que é também um Estado-nação teórico, onde teríamos a primeira “nação digital” – voltada especificamente para a reunião e reconstrução dos valores ocidentais. Em seu primeiro congresso anual, Brown expôs algumas de suas visões básicas que norteiam sua pseudo-antropologia supremacista: primeiro, para ele nós humanos somos instintivamente tribais, e a própria internet demonstrou isso com a emergência de tribos online organizadas por afinidades eletivas de valores. Misturando essencialismo e determinismo culturalista com uma ode às transformações tecnológicas que, paradoxalmente, revelam características supostamente inatas à categoria humana, Brown prega que após a fase tribalista da internet, iremos em direção aos Impérios de Rede – vale ressaltar, império é uma das palavras que mais aparece em seu discurso. Para ele, tal império será a Roma da era digital, “com a benção de Deus”. 

Curiosamente, apesar de encontrarmos possíveis oposições a tais projetos na esquerda, com um exame um pouco mais atento vemos que boa parte dos progressismos liberais acabam por manter intactos os pressupostos subjacentes à ideologia tecno-imperial de Brown, mudando apenas seus conteúdos com propostas bem intencionadas e diametralmente “opostas” na superfície – um retorno mítico a uma natureza idílica, idealizando uma espécie de harmonia pré-moderna que nunca existiu senão apenas como fantasia e sintoma interno à própria modernidade, negando de forma indeterminada tanto sua emergência quanto os impasses políticos que surgiram dela e que só poderão ser superados atravessando suas próprias contradições, não negando-as cinicamente. 

Infelizmente, o que parece estar no horizonte é de fato uma espécie de “neo-tribalismo” atualizado pelos impasses do mundo e pela denegação de tais impasses. Nossa inépcia em reconhecer os limites e pressupostos que, infelizmente, ainda dividimos com nossos inimigos, segue sendo não a maior arma deles, mas talvez nossa pior fraqueza dentre aquelas que poderíamos, nós mesmos, combater. 

¨      Você existe mesmo? Por Eugênio Bucci

Improvável leitora, improvável leitor. Tento imaginar seus olhos percorrendo estas maldigitadas linhas. Visualizo suas pupilas indo e vindo, despertas, acesas. A cena me comove. É de manhã. Nas suas mãos, um jornal de papel se abre sobre a mesa. O cheiro de café aquece o seu entorno. Torço para que você não desista do meu artigo já neste primeiro parágrafo, mas me falta convicção. Por motivos que vou explicar, você é um ente que some na bruma da história. Em tempo: você ainda está aí?

Sob o risco de pedantismo, lembro uma passagem de Hegel que tem sido citada amiúde. Em um dado momento entre 1803 e 1805, o pensador da dialética anotou que a leitura do jornal seria uma “oração matinal realista”, ou, em outra versão, a “oração matinal do homem moderno”. Penso nisso quando penso em você.

Hegel sempre teve parte com a razão. Nessa nota em especial, tinha razão de sobra. Há dois séculos, o noticiário e os artigos de fundo davam o contexto em que se movia o cidadão da modernidade, esse amuleto da utopia liberal. Acima da palavra de Deus, o cidadão descrito por Hegel valorizava os fatos e os argumentos. Com base nas informações do dia, calibrava sua postura diante dos dilemas da política e dos impasses do mercado. Lendo as folhas impressas, ele se localizava.

Hoje, quando um motoqueiro empurra o exemplar de um diário para dentro da sua caixa de correio, alguma coisa do século XIX acontece no seu portão. A simples existência de alguém que toma pé dos acontecimentos antes de pôr o pé para fora de casa faz perdurar entre nós um resto do Iluminismo. Um resíduo mínimo: esse alguém se tornou uma raridade. Nos nossos dias, uma pessoa com esse perfil, mais do que improvável, é uma relíquia de um realismo cívico pretérito, quase uma peça de museu.

Os meios impressos também se tornaram raridade, mas isso não revoga a fórmula de Hegel. Você, desde que existente, pode muito bem ver as notícias numa tela de celular e, ainda assim, encarnar o “homem moderno” ou a “mulher moderna”. A única diferença é que, se você for mesmo um leitor ou uma leitora digital, a probabilidade de seus olhos terem me seguido até aqui se reduz impiedosamente.

Na internet, o leitorado escapole na primeira vírgula. Um raciocínio mais longo, num arco de abstração estendido, como este meu aqui, espanta a freguesia. Jamais será trending topic. Na ciberesfera, a pressa aumenta e paciência diminui. Falando nisso, cadê você?

Nenhum jornal do presente esconde a saudade dos leitores idos. A audiência debanda, e em ritmo acelerado. O discurso jornalístico, essa língua exótica falada pela imprensa, carece de olhos. O público invocado pelas manchetes não está mais aqui. Nem aí.

Se você olhar para a primeira página do seu jornal – ou para a home na tela do computador, tanto faz – vai notar que tudo ali parece gritar à procura de alguém em estado de inabalável prontidão cidadã: alguém que não se cansa de fiscalizar o poder, de protestar a todo fôlego e de exigir que consertem as instituições.

Sim, trata-se de um tipo ideal: o leitor assim sonhado preza a democracia, tem cultura considerável e desprendimento de espírito. Se as evidências desmentem suas presunções, ele muda o ponto de vista e evolui, sem dramas.

Esse tipo ideal não deve ser entendido como uma pessoa, não é bem isso. Ele é, antes, uma das dimensões que habitam o interior de cada pessoa. Explicando melhor: o ser leitor é uma dimensão ao lado de outras dimensões dentro da mesma subjetividade, como a dimensão do torcedor de um time, a do ser místico (umbandista, católico, budista etc.), a do ser profissional, a do cônjuge ou do celibatário. O ser leitor-de-jornal é uma dimensão a mais. Nosso trauma é que ela entrou em declínio – dentro de você, inclusive.

Você cobra notícias isentas. Disso já sabemos. Mas você sabe ler as notícias com isenção? Você lê com a curiosidade de quem quer aprender? Ou você lê, quando lê, com o único propósito de patrulhar a opinião alheia? Você posta emojis de caretinhas ferozes em links de textos jornalísticos?

A sua relação com o noticiário é pensante ou é pautada pelas mesmas emoções que você experimenta numa celebração mística, num estádio de futebol ou no cinema? Ao ler o jornal, você é um cidadão hegeliano ou um devorador de sensações?

O discurso dos jornais se dirige a um adulto livre, racional e responsável: o titular do direito à informação. Há dois séculos, esse adulto moderno foi consagrado cidadão e deflagrou a ascensão da imprensa. Agora, o sumiço do mesmo cidadão, diluído no entretenimento e no fanatismo, faz eclodir a crise da imprensa. Por isso pergunto: você existe? Ou será que escrevo aqui para uma ficção? Ou para ninguém?

PS: Sabemos que os jornais passaram a ser lidos por dispositivos de Inteligência artificial a serviço dos algoritmos. Se você for uma simples máquina, desconsidere, por favor, os parágrafos acima. Não são para você. Da sua existência eu não duvido nem um pouco. Você não apenas existe – você se expande. Eu estava pensando em gente de carne e osso, gente que evanesce. Eu tinha na cabeça uma quimera.

 

Fonte: Brasil 247

 

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