'Grande
vitória': após 3 anos de paralisação, Avibras vê retomada das atividades no
horizonte
Empresa
brasileira já retomou contato com possíveis clientes, como o Exército
Brasileiro e o Exército da Indonésia. Após três anos de paralisação devido sua
recuperação judicial, a Avibras Indústria Aeroespacial retomará atividades de
fábrica no dia 16 de março, segundo comunicado da direção da empresa.
A
decisão foi anunciada em reunião com Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos
Campos e Região e com o Fundo Brasil Crédito, principal credor da empresa, na
quarta-feira (28). Uma nova reunião está prevista para o dia 5 de fevereiro.
A
Avibras está com as atividades suspensas desde setembro de 2022 e acumula 34
meses de salários atrasados aos trabalhadores.
A
retomada da operação depende da conclusão do acordo para quitação das dívidas
trabalhistas, negociado com o Sindicato, da resolução do processo de
recuperação judicial da empresa no Tribunal de Justiça de São Paulo e de um
acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para a redução de débitos
tributários.
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Sindicato se reúne com Alckmin
No dia
seguinte, 29, representantes do sindicato se reuniram com o vice-presidente e
ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin,
para cobrar do governo a liberação de recursos através da aquisição de
produtos, como sistemas de artilharia, veículos blindados, mísseis, foguetes e
veículos aéreos não tripulados (VANTs).
Segundo
o vice-presidente, o governo federal está empenhado em fechar um contrato entre
o Exército e a Avibras no valor de R$ 900 milhões por cinco anos. O anúncio
deve ser feito após as negociações sobre a dívida trabalhista da empresa.
À
Sputnik Brasil, Weller Gonçalves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de
São José dos Campos e Região, informou que o Sindicato está negociando com a
empresa para o pagamento das dívidas trabalhistas, com a Avibras propondo o
parcelamento em 48 vezes, mas a entidade está negociando por termos melhores.
"E, na nossa opinião, a Avibras voltando é uma grande vitória, não só para
os trabalhadores, para a região, mas para todo o país."
Uma das
preocupações acerca da empresa é sua capacidade de voltar com sua produção dado
o tempo parada. Por exemplo, seu quadro de funcionários caiu de 1,4 mil para
cerca de 900. Gonçalves, afirma que o corpo de trabalhadores é qualificado e
está pronto para o retorno das atividades. "A Avibras tem um corpo de
engenheiros muito bom, principalmente na fabricação de produtos de defesa, e
que devem retornar. Serão recontratados."
Esse
retorno será alimentado, ainda por cima, com a continuidade de contratos da
empresa. "A Avibras passa, inclusive, que já está em tratativas com países
como Indonésia e Catar para voltar a fornecer. Com certeza, diante dos
conflitos existentes no mundo, a Avibras voltando tem potencial, sim, para ter
os contratos de volta.
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Avibras busca antigos clientes
No
mesmo dia 29 , oficiais do Exército Brasileiro visitaram a sede da Avibras para
conversar sobre os projetos estratégicos da força terrestre feitos em parceria
com a empresa.
A
Avibras é a companhia por trás do Astros 2020, um dos maiores programado
Exército Brasileiro. Ele vista dotar o EB com um sistema de artilharia de alta
precisão e alcance de 300 quilômetros, o AV-TC (ou MTC-300).
O
míssil tático de cruzeiro permitiria ao Exército atingir o alvo com um erro
máximo de nove metros de distância. Apenas 11 países possuem capacidade de
disparo, alcance e precisão semelhantes em seus arsenais. "A comitiva foi
composta pelo Diretor de Fabricação do Exército Brasileiro, General de Brigada
Tales Eduardo Areco Villela, pelo Coronel Alexandre Horstmann e pelo General de
Brigada (R1). Moises da Paixão Júnior, Gerente do Programa Estratégico ASTROS.
Também estiveram presentes o Tenente-Coronel Eduardo Guerra e o Capitão Eduardo
Henrique dos Santos, militares que integram a Comissão de Absorção de
Conhecimentos e Transferência de Tecnologia (CACTTAV) na Avibras",
informou a empresa.
Além de
busca contratos com o governo brasileiro, representantes da empresa brasileira
foram para um encontro com oficiais das Forças Armadas da Indonésia. O país do
sudeste asiático é um dos principais clientes internacionais da Avibras.
O país
integra o ASTROS II Mk6 em seus batalhões de artilharia. A visita, liderada por
Sami Youssef Hassuani, ex-diretor da Avibras e atual assessor técnico da nova
diretoria, tem como objetivo garantir a Indonésia a capacidade da Avibras de
retomar suas operações e realizar a manutenção dos 63 sistemas entregues.
O
lançador múltiplo de foguetes instalado sobre caminhões pode empregar munições
de diferentes alcances e calibres e inclui radares, sistemas de navegação,
estações de comando e computadores balísticos.
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Mas o que aconteceu com a Avibras?
Em
março de 2022, a Avibras pediu sua terceira recuperação judicial alegando uma
dívida de R$ 600 milhões. Segundo a própria empresa, os problemas se devem aos
efeitos econômicos da pandemia de Covid-19 entre 2020 e 2021 e a
imprevisibilidade das compras governamentais, alegando queda de 70% em sua
receita equivalente de R$ 848 milhões para R$ 232 milhões.
Em
setembro do mesmo ano, os trabalhadores da companhia entraram em greve devido
ao atraso dos salários. Desde então, o passivo da empresa é estimado em R$ 1,5
bilhão, incluindo R$ 200 milhões com o governo federal.
Um
plano de recuperação judicial havia sido aprovado em julho de 2023, mas as
tentativas de vendas fracassaram. A primeira a aparecer publicamente, em abril
de 2024, foi a australiana DefendTex, porém em julho a empresa brasileira
anunciou que o negócio não havia sido concretizado.
No
mesmo mês a chinesa Norinco mostrou interesse em comprar a empresa, mas as
negociações também não foram para frente. Em outubro um investidor anônimo
esteve interessado em comprar a Avibras, mas desistiu da transação 42 dias
depois em uma carta alegando que "não foram cumpridas as condições
precedentes consideradas pelas partes como essenciais ao fechamento do
negócio".
Em
janeiro de 2025 foi a vez da saudita Black Storm Military Industries iniciar
negociações com a diretoria, mas tampouco houve resultado. Em março, a
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional pediu a conversão da recuperação
judicial aprovada em 2023 em falência devido o não pagamento das parcelas da
renegociação tributárias acordadas.
Em maio
um plano de recuperação judicial alternativo foi aprovado e, em agosto, Fábio
Guimarães Leite, através da empresa Vita Gestão e Investimentos, se tornou
proprietário da empresa após da saída de João Brasil Carvalho Leite e anunciou
a intenção de reativar gradualmente as atividades, iniciando pelos setores
administrativos e de engenharia.
Em
setembro, a empresa informou estar em processo de reestruturação, com
diligências, auditorias e ações de manutenção das instalações industriais em
andamento.
• Amazônia ganha polo militar de pesquisa
em movimento estratégico do Exército, opina analista
A
criação do Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia marca um movimento
estratégico de regionalização militar e fortalecimento científico, ampliando a
prontidão das Forças Armadas em uma das áreas mais sensíveis do território
brasileiro, afirmou em entrevista à Sputnik o capitão da reserva da Marinha do
Brasil Robinson Farinazzo.
A
iniciativa, segundo ele, responde a desafios urgentes. A instalação do
instituto no Norte do país representa, para Farinazzo, um passo decisivo na
adaptação das Forças Armadas às realidades regionais.
Em
entrevista à Sputnik, o capitão da reserva lembra que o Brasil é um território
de dimensões continentais e que soluções centralizadas já não atendem às
necessidades operacionais. "É importante essa regionalização de centros de
excelência do Exército brasileiro", afirmou, destacando que a Amazônia
exige capacidades específicas e presença permanente.
O
capitão ressalta que o recente episódio de tensão na Venezuela reforçou a
percepção de vulnerabilidades no entorno estratégico brasileiro. "Isso
acabou despertando no Brasil uma visão bastante pungente das ameaças que se
avizinham no horizonte", disse. Para ele, a decisão de criar o instituto
não nasce desse evento, mas pode ter sido acelerada por ele.
Farinazzo
lembra que projetos dessa natureza costumam ter longa maturação dentro das
Forças Armadas. Ainda assim, reconhece que o impacto regional da crise
venezuelana serviu de alerta. "Os acontecimentos podem ter precipitado a
decisão. [...] Porque, na verdade, o que aconteceu na Venezuela teve um impacto
muito grande no meio militar do Brasil. Todo mundo olhou e falou, isso
aconteceu lá e não é difícil acontecer em outro país da América Latina",
afirmou.
Do
ponto de vista estratégico, o novo instituto pode ajudar a reduzir o atraso
tecnológico da América Latina em relação às grandes potências militares.
Farinazzo lista lacunas críticas: ausência de satélites próprios, programas
robustos de drones, domínio incompleto de tecnologias de mísseis e a
inexistência de submarinos nucleares.
Segundo
o militar, isto resulta de pressões históricas norte-americanas sobre a América
Latina para que as forças armadas na região fossem voltadas para a defesa de
fronteiras, combate ao narcotráfico, segurança interna, etc., o que "não
atende às necessidades de um país como o Brasil, que é cobiçado por ter muitas
riquezas", defendeu o militar destacando ainda haver "gaps
tecnológicos bastante sensíveis que precisam ser preenchidos da forma mais
urgente possível" em função da realidade mais complexa de hoje.
A
chegada de uma extensão do Instituto Militar de Engenharia (IME) ao Amazonas
também é vista como resposta a uma demanda histórica da sociedade. Farinazzo
lembra que, por décadas, a maior parte das unidades militares esteve
concentrada no Sudeste."O Exército tem feito um esforço muito grande de
transladar essas unidades para outras regiões do país", afirmou. Para ele,
o movimento fortalece a presença do Estado e amplia oportunidades de formação e
pesquisa na região.
Entre
as áreas prioritárias de desenvolvimento, o capitão destaca o setor
aeroespacial, sistemas de mísseis, telemetria, giroscopia, satélites
independentes e drones de uso descartável — tendência consolidada em conflitos
recentes. Ele também aponta a necessidade de autonomia tecnológica em
inteligência artificial (IA). "O Brasil precisa ter um sistema de
inteligência artificial próprio. A gente não pode depender mais de AIs
importadas", defendeu.
A
crescente atenção internacional sobre a Amazônia também exige respostas firmes,
segundo o militar. Farinazzo critica declarações estrangeiras que relativizam a
soberania brasileira sobre a região. "O Brasil é um país soberano. Essas
ingerências internacionais têm que ser encaradas com bastante reserva",
afirmou, completando que é preciso não apenas reforçar a presença militar na
Amazônia, mas proteger seus portos e ampliar capacidades estratégicas no
Atlântico Sul.
Farinazzo
conclui que o Brasil deve construir uma estratégia própria, alinhada às suas
necessidades e não às agendas externas: "Os interesses do Brasil não são
os interesses da Organização do Tratado do Atlântico Norte [OTAN], não são os
interesses dos Estados Unidos".
• Acordo entre Marinhas do Brasil e Índia
eleva a confiança entre 2 parceiros do BRICS
Ao
podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, especialistas afirmam que a parceria entre
as duas forças navais para manutenção e compartilhamento de experiências gera
"confiança mútua" entre dois parceiros importantíssimos na
geopolítica global que vem se configurando.
Durante
visita ao Brasil, o chefe do Estado-Maior da Marinha indiana, Almirante Dinesh
K. Tripathi, aprofundou a relação militar entre Brasília e Nova Deli,
reforçando os laços entre as Marinhas dos dois países-membros do BRICS.
Na
ocasião, foi assinado um memorando de entendimento, publicado nas redes sociais
por um porta-voz da Marinha indiana, que define a relação cooperativa
triangular entre as forças navais do Brasil, da Índia e o estaleiro indiano
Mazagon Dock Shipbuilders Limited, localizado em Mumbai. O documento prevê o
fortalecimento da cooperação indo-brasileira entre agências governamentais e a
indústria de defesa, além de facilitar o compartilhamento de experiências em
manutenção, treinamento e logística.
A
iniciativa reforça a parceria estratégica entre os dois países e amplia as
oportunidades de intercâmbio técnico e operacional entre suas Marinhas. Em
entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, especialistas analisam a
importância estratégica do memorando de entendimento para ambos os países.
Maria
Fernanda Császár, bacharel em relações internacionais pela Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora do Núcleo de Avaliação da Conjuntura
(NAC), destaca que a parceria entre as Marinhas do Brasil e da Índia já vem
acontecendo há um tempo e cita como exemplo o IBSAMAR (sigla em inglês para
India-Brazil-South Africa Maritime Exercise), exercícios militares bilaterais e
multinacionais iniciados em 2008, que ocorrem a cada dois anos. Porém, ela
afirma que recentemente essa aproximação se tornou mais intensa.
No caso
do memorando atual, ela diz que o foco principal é aprofundar a cooperação que
já existe e facilitar o acesso da Marinha brasileira e da Marinha indiana às
tecnologias que já tem em cada um dos países. "É um memorando tripartite.
Ele envolve a Marinha indiana, envolve a Marinha brasileira, mas envolve também
a indústria indiana, que é o estaleiro Mazagon. Esse estaleiro é o estaleiro
responsável pelo programa de submarinos Scorpene da Índia. Então, ele traz uma
bagagem institucional, uma bagagem operacional, um know-how muito grande",
afirma.
Császár
acrescenta que a troca de técnicas e boas práticas têm o potencial de melhorar
a capacidade operacional das frotas de submarino, tanto da Índia quanto do
Brasil, e de aprofundar a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologia conjunta.
"Isso é muito importante de frisar porque não é só um país enviando
tecnologia e o outro recebendo. São os dois caminhando lado a lado para
entenderem qual é o melhor jeito, quais são as falhas, quais são as
oportunidades que se tem para melhorar os seus programas submarinos."
Ela
afirma que o fato de o memorando ter sido assinado entre duas potências
emergentes faz com que seja recebido com menos sensibilidade e de uma forma
mais positiva por países vizinhos do Brasil. "Talvez se fosse feito com
potências que são um pouco mais sensíveis, com países que têm um pouco mais de
sensibilidade na região, isso poderia gerar um sentimento de 'Por que com o
Brasil e não comigo?'. Até porque tem outros países que têm programas
submarinos aqui", explica.
Já na
região do Índico, Császár afirma que a iniciativa não terá um desdobramento tão
grande, pois Brasil e Índia não costumam fazer alianças militares nem têm esse
alinhamento estratégico direto. "Não é o tipo de política externa que a
gente tem, não é o tipo de acordo que a gente tende a fazer. Então, os
desdobramentos que tem ali são muito mais para fortalecimento da indústria
naval indiana e também para a promoção do país, da Índia, como uma potência
naval que tem uma diplomacia efetiva."
Ela
acrescenta que o memorando sinaliza que a Índia quer fortalecer mais essas
parcerias de segurança no âmbito do BRICS, ainda que seja bilateralmente.
Entre
os obstáculos a serem superados pela iniciativa está a questão da escala, uma
vez que a Marinha indiana opera em uma escala muito maior que a brasileira e
com outros padrões técnicos. Segundo Császár, há um esforço para adaptar a
experiência indiana à escala brasileira e para trazer os padrões técnicos
indianos para a nossa realidade. "A nossa indústria, em geral, ela precisa
ser fortalecida, ela precisa ser incentivada. E o exemplo da indústria indiana
com o esforço de nacionalização, o esforço de produzir domesticamente, desde a
indústria de defesa até os bens de consumo, isso é uma coisa que é interessante
da gente olhar e da gente tentar aprender", afirma.
A
cooperação entre Brasil e Índia eleva a confiança entre dois parceiros
fundadores do BRICS com menor peso político e estratégico, como aponta Vinicius
Modolo Teixeira, professor de geopolítica da Universidade do Estado de Mato
Grosso (Unemat), escritor e analista de organizações militares. "Brasil é
o menor dos quatro primeiros, a África do Sul, ingressando depois, ela não tem
também potencial geopolítico, que a gente poderia colocar assim. Mas o Brasil e
a Índia, perto de Rússia e China, estão um pouquinho atrasados em termos de
desenvolvimento tecnológico, desenvolvimento nuclear também. Então isso
favorece uma cooperação, um fortalecimento de laços entre os parceiros menores
do BRICS."
Segundo
ele, a cooperação coloca Brasil e Índia em uma parceria para desenvolvimento de
tecnologias e manutenção da sua classe de submarinos Scorpene, adquiridos da
França, facilitando o intercâmbio dessas duas Marinhas na promoção de uma
cultura naval que possa possibilitar uma melhor gestão desses recursos, desses
ativos, também conhecimento. "Isso gera uma confiança mútua, gera uma
parceria entre dois parceiros ali que são importantíssimos no mundo, que vem se
configurando bastante tenso e intenso nesse começo do século XXI", afirma.
Teixeira
acrescenta que Brasil e Índia "têm condições de serem complementares na
área de defesa" e que parcerias desse tipo entre dois países que buscam
ativos com certa independência de uso favorecem operacionalidade soberana
desses meios, diferentemente do que ocorre em parcerias com os EUA, por
exemplo, nas quais os ativos vêm com uma série de restrições para uso, com
peças de reposição escassas. No entanto, o Brasil ainda está um pouco atrasado
em relação ao processo de tecnologia de defesa indiana. "Nós temos
condições de produzir alguns equipamentos que a Índia não faz, mas o que a
Índia produz hoje, onde ela avançou em algumas áreas, é um desejo do Brasil.
[...] Então, há uma certa complementaridade, mas em algumas áreas, como
tecnologia nuclear, que a Índia é um país com capacidade nuclear militar, o
Brasil almejou isso e nunca conseguiu chegar."
Ele
enfatiza que ter um submarino nuclear é um projeto da Marinha desde 1979, e a
Marinha indiana já está indo para o quarto submarino nuclear operacional, sendo
que um deles é alugado da Rússia". "Então, eu imagino que a Índia
seria o que o Brasil gostaria de ser em termos militares de capacidade. Lógico
que tem algumas deficiências graves ainda na Índia, mas em aspecto de defesa, o
Brasil almeja muitas coisas que a Índia já tem", afirma.
Teixeira
observa ainda que a aproximação militar entre Brasil e Índia pode não ser
bem-vista pelos EUA, que podem promover certos desenlaces para desequilibrar a
parceria. Ele explica que os EUA se tornaram um grande fornecedor de armamento
para a Índia visando contrabalancear o poder no Indo-Pacífico. Isso pode ser
usado para influenciar a Índia a não adquirir do Brasil equipamentos de defesa
do interesse de Nova Deli, como aviões de transporte militares, afetando vendas
do KC-390, da Embraer. "A Índia, por exemplo, tem interesse em comprar uma
aeronave de carga, um transporte militar, e o KC-390 é um dos grandes
competidores na área. [...] Nesse sentido, eles podem pressionar os indianos a
não fazer uma parceria, não elevar as relações com o Brasil, vendendo para eles
o Hércules ou outro avião que promova essa indústria norte-americana e não a
brasileira."
Fonte:
Sputnik Brasil

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