Ricardo
Nêggo Tom: The Send Brasil - os enviados do imperialismo diabólico para
destruir a sociedade brasileira
Lou
Engle é um líder evangélico estadunidense conhecido por estimular atos de
“martírio cristão” para redimir a sociedade do que ele considera pecado e para
louvar o nome de Deus na terra. Em 2016, foi uma das atrações do “The Call:
Azuza Now” - evento evangélico de avivamento inspirado em outro evento similar
ocorrido em 1906, na Azusa Street (Rua Azusa), em Los Angeles – onde, segundo
relatos, diversos milagres foram realizados, com deficientes físicos se
levantando de suas cadeiras de rodas, e até pessoas sendo curadas de câncer no
cérebro. É deste evento - que contou com a presença de outras importantes
lideranças evangélicas estadunidenses – que se origina o The Send (Os
enviados), que foi criado em 2018, e trazido para o Brasil em 2020, pelas mãos
de Damares Alves, então ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, e
contando com a presença do então presidente da república, Jair Bolsonaro, e do
pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha - recentemente associado a
fraude contra os aposentados na CPMI do INSS - no encontro realizado no Estádio
Mané Garrincha, em Brasília.
O The
Send foi criado com o objetivo de atingir pontos específicos dentro das nações,
e instrumentalizá-los religiosamente para fins políticos. Universidades,
escolas secundárias, crianças em situação vulnerável e comunidades locais são
os alvos principais do projeto. Uma prova de que o movimento é mais uma mola na
engrenagem que faz girar a Teologia do Domínio por todo o mundo, é a presença
do pastor Ralph Drollinger, fundador do Capitol Ministries (Ministério do
Capitólio), um grupo evangélico de extrema direita criado em 1996 que realizava
cultos na Casa Branca – sede do Governo dos EUA - e cuja missão é converter
políticos a uma visão evangélica de governança. Algo semelhante ao que o bispo
Edir Macedo – fundador da Igreja Universal do Reino de Deus – propôs em seu
livro Plano de Poder, publicado ano de 200, no qual ele afirma que Deus tem um
projeto de governo para o mundo, e sugere que ele é um dos responsáveis por
estabelecê-lo no Brasil. Coincidência ou não, três anos depois, em 2003, ele
fundou o partido Republicanos, sigla ligada a sua empresa da fé.
Em
agosto de 2023, o movimento de Ralph Drollinger esteve na ALESP a convite do
deputado estadual Vitão do Cachorrão, que pertence justamente ao partido
Republicanos de Edir Macedo. Na oportunidade, a missão extremista evangélica
foi representada pelo pastor Brian Hanson, que na oportunidade atribuiu a vinda
do Capitol Ministries ao Brasil ao “conceito de verdade cristã” presente no
trabalho político do deputado. É importante que se saiba que o Ministério do
Capitólio também está instalado na América Latina, e possui uma “filial” no
Brasil que foi lançada em 2019, durante uma sessão realizada no Congresso
Nacional. O diretor do projeto no país é um pastor chamado Giovaldo Freitas,
ligado à Igreja Batista Boas Novas, com sede em São Paulo, e que está responsável
pela evangelização de políticos e servidores da Assembleia Legislativa de São
Paulo. Mais um pecado cometido contra a laicidade do Estado, e que vem sendo
perdoado pela distração da sociedade brasileira. O responsável pelo Ministério
na América Latina é o pastor Oscar Zamora, nomeado em 2017 como o responsável
pela região.
Lou
Engle - que costuma se referir a Deus como o “vingador de sangue” e a estimular
os seus seguidores a reverenciá-lo nesses termos – esteve na primeira edição do
The Send no Brasil em 2020, quando declarou que "o Brasil está pronto para
ser uma das maiores, senão a maior nação de envio na história, a completar a
missão de alcançar os povos não-alcançados". Lou também é ativista
antiaborto e recomenda aos fiéis que se martirizem para evitar o casamento
entre pessoas do mesmo sexo, não deixando claro se ele mesmo pratica tais
martírios em nome de Deus e sua doutrina. Em 2009, polemizou ao declarar que o
assassinato de um médico por um ativista antiaborto teria sido obra de Deus,
atendendo ao sacrifício dos “cristãos” de sua seita. Lou Engle também declarou
apoio ao governo de Uganda, elogiando a lei que criminaliza a homossexualidade
e condena à prisão perpétua e à pena de morte gays e lésbicas daquele país. O
missionário extremista parece ter sido uma das inspirações do supremacista
Charlie Kirk, ativista evangélico fundamentalista morto em 2025.
No
último final de semana, o The Send Brasil foi realizado na Arena Pernambuco, e
recebeu figuras “ilustres” do segmento político-evangélico brasileiro, como
Silas Malafaia e Deltan Dallagnol, que fizeram falas carregadas de ódio contra
professores e quem eles não consideram “enviados” por Deus para transformar a
nação. No evento, que é destinado prioritariamente a jovens e adolescentes, e
tem na música o carro chefe da evangelização, Malafaia disparou que as crianças
estão sendo enganadas nas escolas por professores ligados ao comunismo e ao que
ele chama de marxismo cultural. “Você está sendo enganado na escola. Moçada,
existe hoje uma coisa chamada o controle do pensamento pelo marxismo cultural.
Se você pensar diferente, você é banido. Se você for contra ideologia de
gênero, se você for contra o aborto, se você for contra práticas homossexuais,
se você for contra essa cultura, você é ridicularizado.”, declarou ele,
acrescentado que os jovens devem estar preparados para este “enfrentamento”, e
que o The Send é para prepara-los para a faculdade. Resta saber se o MEC
reconhece esse novo cursinho preparatório gospel.
As
falas de Malafaia se alinham a ideologia dos fundadores do movimento, e
demonstram como os alvos especificados estão sendo atingidos com sucesso, e
como a Teologia do Domínio vem se consolidando dentro de uma sociedade
brasileira cada vez mais “gospel elitizada”, e cada vez menos laica, popular e
democrática, de fato. O curioso é que tudo o que foi dito por Malafaia se
encaixa perfeitamente no “evangelho” pregado por líderes neopentecostais
ligados ao dominionismo, que através de suas pregações controlam pensamento e
ações, e induzem os fiéis a enxergarem a tudo e a todos que não estão
refletidos diante do espelho, como ameaças morais e opositores da sua fé em
Cristo. E se você for contra a pregação desses líderes, pior do que
ridicularizá-lo, eles irão demonizá-lo e apresentá-lo como um inimigo
espiritual a ser combatido em defesa do projeto de Deus para a nação. A fala de
Malafaia é grave, atenta contra todo o sistema educacional do país, e, não por
coincidência, objetiva controlar o pensamento dos jovens evangélicos e moldar a
subjetividade dessa juventude dentro da cultura neopentecostal, obedecendo às
normas sociais estabelecidas por ela, e submetendo-os ao poder de um deus
(sistema) que atende pelo nome de capitalismo religioso.
Em seu
discurso na ALESP, o enviado do Capitol Ministries - o pastor Brian Hanson -
disse que "a única forma de qualquer área política ser relevante é ser
baseada na verdade inspirada por Deus", dando a dica de como capturar
indivíduos moldando a sua subjetividade ao projeto de poder neopentecostal:
Fazendo-os crer que qualquer área da sociedade só será relevante se estiver
baseada (e submetida) no projeto de poder político evangélico, ao que ele chama
de verdade inspirada por Deus. Nesta fala também está contida a “batalha
espiritual” que os evangélicos de extrema-direita como Michelle Bolsonaro,
costumam evocar para justificar a resistência da sociedade à distopia cognitiva
e ao mau-caratismo que eles apresentam como plano de Deus para a nação. A ideia
de que nada que não tenha vindo de alguém que professe a sua mesma fé em Deus
(Teologia do Domínio) pode ser bom para os evangélicos. Por isso, a esquerda é
apresentada como um inimigo ideológico, e Lula como o demônio que lidera tal
“legião”. E nada que ele faça politicamente, ainda que favoreça diretamente a
esses fiéis ou melhore a condição social na qual eles vivem, deve ser aceito ou
visto como positivo, pois não estaria de acordo com a vontade divina do
dominionismo. O verdadeiro Deus adorado por esta igreja.
E
quando Deltan Dallagnol - o profeta do powerpoint – se coloca de joelhos diante
dos jovens presentes ao The Send na Arena Pernambuco, e clama para que Deus
“afaste do cargo aqueles que praticam corrupção, que abusam do poder, que
praticam injustiça”, ele reforça este conceito de guerra espiritual e acende
nos jovens e adolescentes um desejo de mudança na sociedade. Uma mudança que só
poderá ser feita com base na doutrina e na verdade dominionista, que se passa
por Deus para enganar os fiéis. Recorrer ao discurso moralizante e ao apelo
espiritual para resolver os problemas do país, é tudo que os teólogos do
domínio querem que o povo acredite ter efeito, para que dessa forma o povo
confie o seu voto em pessoas indicadas ou ligadas ao projeto de poder neopentecostal.
Na crença que através delas Deus promoverá a tão desejada mudança no país. Lou
Engle também visitou a Igreja de André Valadão em outubro passado, quando
reafirmou que o Brasil é um celeiro do avivamento no mundo. Meses depois, a
mesma igreja é citada no escândalo do INSS, provando que o Brasil também é o
celeiro do avivamento financeiro de muitas igrejas. Mais diabólico que isso, só
condenar alguém sem provas, mas com muita convicção. Os enviados do
imperialismo diabólico para destruir a sociedade brasileira estão cada vez mais
entre nós.
¨
Dallagnol vira pastor fanático e pede que Deus afaste os
que praticam o mal – assim como aconteceu com ele
O
ex-procurador Deltan Dallagnol voltou a chamar atenção nas redes ao adotar um
tom de pregação religiosa e pedir a Deus que “afaste do cargo aqueles que
praticam corrupção, que abusam do poder, que praticam injustiça”. A fala,
carregada de moralismo e retórica messiânica, gerou reações imediatas por
contrastar com o próprio histórico do ex-integrante da Lava Jato, que acabou
afastado do cargo justamente em meio a questionamentos relacionados a abuso de
poder e práticas incompatíveis com a função pública.
Na
gravação, Dallagnol faz uma espécie de oração pública, misturando política e
religião para reforçar uma narrativa de “guerra do bem contra o mal”. Em vez de
apresentar argumentos objetivos ou reconhecer responsabilidades institucionais,
ele recorre ao apelo espiritual para pedir que autoridades sejam removidas por
corrupção, injustiça e abuso de poder.
A
contradição, no entanto, é evidente. Dallagnol foi afastado do cargo após
acumular episódios que se tornaram símbolo de um método de atuação marcado por
excessos, personalismo e violações de garantias legais. Ao pedir que Deus
retire do poder quem “abusa do poder” e “pratica injustiça”, ele acaba
descrevendo, ironicamente, o tipo de conduta que levou ao seu próprio
afastamento.
A
trajetória do ex-procurador ficou associada a um período em que a Lava Jato
atuou como instrumento político, abrindo caminho para práticas de lawfare — a
instrumentalização do sistema de Justiça para perseguir adversários e
interferir no jogo democrático. Em vez de fortalecer o Estado de Direito, esse
tipo de ação contribuiu para um ambiente de exceção, no qual convicções
pessoais e objetivos políticos se sobrepunham à legalidade.
O tom
de Dallagnol, agora como uma espécie de “pastor fanático” nas redes, reforça o
caráter performático de sua atuação pública: um discurso moralizante que busca
mobilizar seguidores, mas que evita enfrentar as consequências concretas de
seus próprios atos. Ao transformar um tema institucional em oração e
espetáculo, ele tenta reescrever a própria história como se fosse vítima,
quando, na prática, foi afastado exatamente pelo tipo de comportamento que
agora condena.
A fala
também reacende o debate sobre os danos deixados pela Lava Jato no país:
carreiras destruídas sem provas consistentes, interferência na política, uso
seletivo de acusações e a corrosão da confiança no sistema de Justiça. Para
muitos críticos, Dallagnol representa não o combate legítimo à corrupção, mas a
face mais agressiva de um projeto de poder travestido de moralidade.
Ao
pedir que Deus “afaste do cargo” quem pratica corrupção, abuso de poder e
injustiça, Dallagnol acabou produzindo um retrato involuntário de sua própria
queda — e do método que ajudou a institucionalizar.
¨
Evangélicos resistem a Flávio Bolsonaro e defendem chapa
Tarcísio-Michelle
O
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, tem
ampliado sua presença no meio evangélico na tentativa de se consolidar como
principal elo do bolsonarismo com esse eleitorado. Apesar do aumento do diálogo
e de contatos frequentes com pastores influentes, a movimentação esbarra em uma
postura predominante de cautela: há abertura para conversas reservadas, mas
resistência a qualquer gesto público que sinalize apoio antecipado.
Segundo
o jornal O Globo, lideranças
religiosas avaliam que Flávio ainda não reúne densidade política suficiente
para liderar o campo conservador em 2026. Essa leitura tem levado parte
expressiva do segmento a discutir uma alternativa considerada mais competitiva,
formada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com a
ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como vice.
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Cautela religiosa e limites ao projeto de Flávio
Nos
bastidores, pastores relatam que a disposição é preservar o vínculo com o
ex-presidente Jair Bolsonaro, sem assumir o custo político de uma sucessão
antecipada. A estratégia dominante é manter canais abertos com diferentes
atores do bolsonarismo, aguardando um consenso mais amplo antes de qualquer
definição.
Flávio
tem buscado ampliar sua interlocução participando de eventos religiosos e
investindo em contatos diretos com lideranças de alcance nacional, capazes de
abrir portas em denominações com forte capilaridade. A expectativa era de que
esses diálogos funcionassem como atalhos para redes mais amplas do eleitorado
evangélico, o que, até agora, não se concretizou.
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Força da alternativa Tarcísio-Michelle
A
defesa da chapa Tarcísio-Michelle ganhou força após a atuação conjunta dos dois
no Supremo Tribunal Federal em torno do pedido de prisão domiciliar de
Bolsonaro. Entre lideranças religiosas, o gesto foi interpretado como sinal de
coordenação política e de busca por uma saída sustentável para o grupo.
Interlocutores
apontam que a transferência do ex-presidente para a Papuda reforçou a imagem de
Michelle como ponte com a base bolsonarista e de Tarcísio como um nome com
menor rejeição e maior capacidade de diálogo fora do núcleo mais duro do
movimento.
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Tentativas de aproximação e respostas frias
Entre
as investidas do senador, uma das mais relevantes foi a tentativa de
aproximação com o pastor Silas Malafaia. Segundo pessoas informadas sobre o
diálogo, Flávio buscou marcar um jantar para estruturar um canal mais direto,
mas a iniciativa não avançou. A avaliação é que houve disposição para
conversar, mas sem qualquer sinal de endosso.
Em
conversa relatada por interlocutores, Malafaia foi direto ao expor sua
avaliação eleitoral. “Já disse para ele: você não tem musculatura para
enfrentar isso. Se nós queremos vencer e derrotar Lula e PT, o Tarcísio é o
nome que tem capilaridade”, afirmou o pastor. Na mesma conversa, ele
sustentou que, para o segmento evangélico e o eleitorado conservador, a
composição mais viável seria Tarcísio com Michelle Bolsonaro.
Tentativas
semelhantes com o pastor Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus Madureira, e
com lideranças próximas à Universal do Reino de Deus seguiram o mesmo padrão:
diálogo aberto, mas sem adesão política.
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Apoios discretos e articulações em curso
Diante
das dificuldades com caciques religiosos de projeção nacional, aliados afirmam
que Flávio passou a operar em duas frentes. Uma delas é insistir na presença
junto às igrejas, buscando consolidar sua imagem como interlocutor do
bolsonarismo. A outra é estruturar um ambiente próprio em Brasília, apoiado em
lideranças mais próximas.
Nesse
contexto, o bispo JB Carvalho, da Comunidade das Nações, é apontado como o
apoio mais concreto até agora, oferecendo não apenas acolhimento religioso, mas
também disposição para ajudar o senador a circular e abrir portas.
Outro
nome citado é o do bispo Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, conselheiro
espiritual do núcleo de Bolsonaro. A aproximação com Flávio, porém, ainda é
inicial.
“Ainda
não foi na minha igreja. Combinamos de falar depois do dia 25 de janeiro. Ele é
bem-vindo”, disse Rodovalho. O bispo ponderou que o cenário segue aberto
e defendeu cautela. “Defendo que caminhamos juntos até encontrar um ponto de
equilíbrio e de acordo comum. O segmento pode não se dividir. Está muito cedo
para declarar apoio”, concluiu.
Fonte:
Brasil 247

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