Oliveiros
Marques: O Master e os púlpitos
Os
bolsonaristas decidiram agir como kamikazes. Na questão do pedido de CPI do
Banco Master, não há ingenuidade, zelo institucional ou preocupação
republicana. Há espetáculo. Há jogo para a plateia. E há uma tentativa
deliberada de dividir o ônus de um escândalo que tem endereço político,
ideológico e financeiro muito bem definido.
É
público, notório e documentado que o Banco Master surge e se expande a partir
de relações profundas com setores do bolsonarismo: empresários, políticos e
lideranças religiosas ligadas ao campo evangélico ultraconservador. O maior
doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas –
Fabiano Zéttel, cunhado de Daniel Vorcaro, o CEO do Master - é parte desse
ecossistema. Não se trata de coincidência, mas de um arranjo de poder que
mistura fé, dinheiro e política.
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Ao
pedir a CPI, o bolsonarismo não busca esclarecer. Busca arrastar o Centrão para
dentro do incêndio, diluir responsabilidades e criar uma confusão calculada: se
todos estão na CPI, ninguém é culpado. É o velho truque da lama generalizada.
Certa vez ouvi uma frase de um líder do MDB que caracteriza muito bem o
movimento feito pelo bolsonarismo neste caso: se estamos sujos com a lama,
vamos puxar a todos para rolarmos no chiqueiro. Kamikazes, sim - porque
explodem o próprio avião na tentativa de levar junto quem estiver por perto.
Cabe ao
Centrão, especialmente às lideranças do Congresso como Davi Alcolumbre e Hugo
Motta, agir com o devido cálculo político. O movimento racional, me parece, não
é instalar uma CPI contaminada desde a origem, mas frear essa armadilha, manter
o tema no âmbito do Judiciário e permitir que as investigações avancem com
técnica, seja no STF, seja - o caminho mais adequado – sendo encaminhado para a
primeira instância. CPI, neste caso, é palco; Justiça é método.
Já para
o campo da centro-esquerda e para os defensores do governo do presidente Lula,
há uma tarefa estratégica incontornável: disputar a narrativa na sociedade. É
preciso deixar claro como o Banco Master nasce de relações com a Igreja
Lagoinha, com figuras como Valadão, com empresários financiadores do
bolsonarismo e com políticos que hoje posam de paladinos da moral. As relações
do deputado Nikolas Ferreira com esse ambiente não podem ser tratadas como
tabu. São fatos políticos que precisam ser debatidos.
Também
é fundamental trazer à luz os vínculos que levam ao governador do Distrito
Federal, Ibaneis Rocha, à sua vice, Celina Leão, e ao senador Ciro Nogueira.
Não para condenar previamente, mas para mostrar quem são os protagonistas desse
sistema e impedir qualquer tentativa de empurrar a conta para o governo Lula.
Aliás,
é preciso repetir até cansar: foi este governo que, a partir da atuação do
Banco Central sob nova direção, com Gabriel Galípolo, investigou, agiu e levou
ao fechamento do Banco Master. O Banco Central mo governo Bolsonaro, sob
Roberto Campos Neto, escolheu a omissão e fez vista grossa.
Os
fatos têm lado. E a verdade também. O resto é encenação - perigosa, ruidosa e
cada vez mais desesperada.
• Canibalismo Master. Por Valéria Guerra
Reiter
O
canibalismo é um termo usado para definir a prática de indivíduos se
alimentarem de outros indivíduos da mesma espécie.
O famigerado canibalismo social retroalimenta
um sistema antropofágico, onde os donos do mercado inserem o povo (incauto) no
olho do furacão burguês: este povo humilde, que nem sabe a razão de seu
nascimento; porém estes masters canibais sabem a razão exata dos nascimentos
fabricados, que originam seus escravos modernos: peças da engrenagem de uma
corrupção sistêmica.
As
noticias a respeito do escândalo do
banco Master continuam estalando na panela da pipoca nacional, ai de nós se não
fosse o jornalismo, que pode agir para o bem ou para o mal.
O
depoimento de Daniel Vorcaro está liberado nas redes, parte dela, segue abaixo:
“Na verdade, a gente fez uma cessão, como várias outras que a gente tinha
feito, que ainda carecia da documentação completa. Mas a gente tinha
responsabilidade por qualquer vício formal pela ausência de documento, que,
obviamente, quando aconteceu, a gente acabou desfazendo [o negócio]",
disse.
O
banqueiro argumentou, porém, que o Master não tinha ciência da falta de
documentos ao fazer o negócio com o BRB.
"Para
ser sincero, quando a gente fez o negócio, ainda não tinha essa ciência da
ausência da documentação. Eu fiquei sabendo posteriormente que não tinham vindo
todas as documentações e, a partir daí, a gente começa a ir atrás. Porque
também não foi uma ausência completa: existiu uma documentação base e tinham
coisas que estavam faltando", completou”
A
retórica é uma arma poderosa, mas parece que só funciona para o nicho do mau-
caratismo. Os fatos, não só falam, mas comprovam, esperamos que as cortes
julgadoras sejam isentas e realmente justas, ao julgar todos os canibais
fraudadores.
• BC alertou Banco Master sobre liquidez
meses antes da liquidação
O
processo que levou à liquidação do Banco Master, decretada em novembro de 2025,
não ocorreu de forma inesperada para seu controlador, Daniel Vorcaro. Ainda em
novembro de 2024, o empresário foi formalmente alertado pelo Banco Central de
que teria 180 dias para corrigir problemas graves de liquidez e de governança
identificados na instituição financeira. O aviso foi feito quando o BC ainda
era comandado por Roberto Campos Neto e colocou o banco sob acompanhamento
reforçado, segundo Valdo Cruz.
O prazo
estabelecido pela autoridade monetária se encerraria em maio de 2025. Antes
disso, porém, o Banco Central identificou que o Banco Master havia negociado
carteiras de crédito consideradas fraudulentas com o Banco de Brasília (BRB), o
que agravou ainda mais a situação da instituição privada. Desde o alerta
formal, o banco já estava ciente da necessidade de reequilibrar seu caixa para
continuar operando no sistema financeiro.
Quando
a liquidação foi decretada, a situação financeira do Banco Master era crítica.
A instituição contava com apenas R$ 4 milhões em caixa, ao mesmo tempo em que
acumulava mais de R$ 100 milhões em compromissos operacionais imediatos. Além
disso, havia uma dívida de cerca de R$ 2 bilhões referente a recolhimentos
compulsórios que deveriam ter sido pagos ao Banco Central.
Daniel
Vorcaro sustenta que, no fim de 2024, estava em negociação para viabilizar a
continuidade do banco por meio de uma operação liderada pela empresa Fictor, em
parceria com fundos árabes. O grupo Fictor protocolou pedido de recuperação
judicial na Justiça de São Paulo posteriormente.
Apesar
dessas tratativas, o Banco Central manteve a supervisão rigorosa e cobrou uma
reestruturação profunda da instituição para autorizar sua permanência no
mercado.
Na
tentativa de se salvar, o Banco Master buscou compradores e fechou um acordo
com o BRB, que resultou na aquisição de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito
posteriormente classificadas como fraudulentas. O Banco Central determinou a
reversão dessas operações e acabou vetando a venda do banco privado ao BRB.
A
operação deve gerar um prejuízo superior a R$ 4 bilhões ao banco público do
Distrito Federal, valor que terá de ser coberto pelo governo local. O Banco
Master também é alvo de suspeitas envolvendo irregularidades na comercialização
de crédito consignado para milhares de aposentados e pensionistas, o que
ampliou o cerco regulatório e acelerou o desfecho da crise.
• Criação de CPI do Banco Master é decisão
que compete ao Congresso, diz Gleisi
A
ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou
nesta terça-feira, na Câmara dos Deputados, que o governo federal não tem
posição definida sobre a possível instalação de uma Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. Segundo ela, a criação de CPIs
ou CPMIs é uma prerrogativa exclusiva do Congresso Nacional, independentemente
do posicionamento de partidos da base governista.
A
declaração, segundo o jornal O Globo, foi dada após reunião com lideranças do
PT na Câmara e foi divulgada originalmente pelo jornal O Globo. Mesmo com o
apoio formal do partido à abertura de investigações parlamentares, Gleisi
reiterou que o Executivo não interfere nesse tipo de decisão.
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Governo diz não interferir em CPIs
Em
conversa com jornalistas, a ministra reforçou que a atuação do governo se
limita a enfrentar os desdobramentos institucionais que possam surgir a partir
de decisões do Legislativo.
“O
governo não tem posição sobre CPIs ou CPMIs. Isso é da natureza da função do
Congresso Nacional, que é legítimo para instalar ou não. O governo vai
enfrentar a situação que vier”, afirmou Gleisi.
O Banco
Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado e é
controlado por Daniel Vorcaro. A instituição é investigada por suspeitas de
fraudes e crimes contra o sistema financeiro.
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PT defende investigação do Banco Master
Mais
cedo, o então líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), que nesta
terça-feira (3) transmitiu o cargo ao deputado Pedro Uczai (SC), defendeu
publicamente a instalação de uma CPI e de uma Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito. “Nós vamos assinar a CPI da Câmara, do (Rodrigo) Rollemberg
(PSB-DF), e a CPMI da Heloísa Helena (PSOL-AL) e da Fernanda Melchionna
(PSOL-RS)”, declarou Lindbergh.
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Pedido de CPI reúne mais de 200 assinaturas
Na
véspera, o deputado Rodrigo Rollemberg anunciou ter protocolado um pedido de
abertura de CPI na Câmara dos Deputados. Segundo ele, o requerimento já conta
com 201 assinaturas. O escopo da comissão inclui a apuração de supostas fraudes
financeiras e a compra, pelo Banco de Brasília (BRB), de carteiras de crédito
do Banco Master que seriam inexistentes.
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Apuração envolve Banco Central e Polícia Federal
Gleisi
Hoffmann também destacou que o governo do presidente Lula tem atuado dentro das
atribuições institucionais para apurar as irregularidades relacionadas ao caso.
“O Master nós estamos enfrentando como deve ser enfrentado. É um caso de
fiscalização do Banco Central e de apuração da Polícia Federal. É bom dizer que
Vorcaro foi preso durante a presidência do BC de indicação do presidente Lula e
sob a gestão do ministro Ricardo Lewandowski”, afirmou a ministra.
• CPI do Banco Master vai pra fila, diz
Hugo Motta
O
presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta
terça-feira (3) que o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) para investigar possíveis fraudes financeiras relacionadas ao
Banco Master não será analisado de forma imediata. As informações são do G1.
Segundo
ele, o requerimento passará a integrar a fila regular de solicitações para
abertura de CPIs na Casa. De acordo com Motta, a Câmara é obrigada a respeitar
a ordem cronológica dos pedidos já protocolados, além de seguir as regras
regimentais que limitam o número de comissões de inquérito em funcionamento
simultaneamente.
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Pedido de CPI do Master entra na fila regimental
“Nós temos aqui uma fila de CPIs. Essas CPIs
são tratadas na ordem cronológica. No ano passado, nós tivemos em torno de 13,
16 CPIs protocoladas. Nós acabamos não instalando nenhuma e agora nós vamos
fazer o debate sobre essas CPIs”, afirmou Motta..
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Motta destaca limites para funcionamento de CPIs
Hugo
Motta ressaltou ainda que o Regimento Interno da Câmara estabelece limites
claros para a instalação dessas comissões. “A Câmara tem que obedecer essa
ordem cronológica, tem que obedecer regimentalmente o funcionamento de cinco
CPIs ao mesmo tempo, se for decisão da presidência instalar, e nós vamos no
momento certo estar tratando dessa pauta de CPI”,ressaltou.
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Câmara não instalou CPIs protocoladas no ano anterior
Segundo
o presidente da Casa, nenhum dos requerimentos apresentados no ano passado foi
efetivamente transformado em CPI até o momento. Dessa forma, o pedido
relacionado ao Banco Master dependerá do andamento dos processos anteriores e
de uma eventual decisão da presidência da Câmara, dentro dos critérios
regimentais, para avançar.
Fonte:
Brasil 247

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