Bepe
Damasco: Banco Master - os fatos e a manipulação midiática
Todo o
mundo político sabe das estreitas ligações de Vorcaro com figuras da oposição
ao governo federal.
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Os fatos:
1) Quem
instaurou um inquérito para investigar as fraudes do Banco Master foi a Polícia
Federal, subordinada ao Ministério da Justiça, quando tinha à frente o ministro
Ricardo Lewandowski.
2)
Daniel Vorcaro, dono do Master, foi preso pela PF. Depois, teve sua prisão
relaxada por um juiz federal. Mas hoje ainda cumpre uma série de medidas
cautelares, como a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica.
3) O
Banco Central liquidou o Master, diante da situação de descalabro financeiro da
instituição, que não tinha liquidez para honrar seus compromissos com os
investidores, fruto especialmente do oferecimento de taxas de retorno
estratosféricas para seus CDBs, que atraiam os incautos.
4) O
Rioprevidência e seu presidente Deivis Marcon Antunes foram alvos de uma ação
de busca e apreensão da PF. O instituto de previdência do estado fez aporte de
quase R$ 1 bilhão em fundos do conglomerado de Vorcaro, em operação que põe em
risco os pagamentos de aposentadorias e pensões dos servidores do Rio.
5) O
Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já iniciou o pagamentos dos investidores
lesados em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Essa cobertura inclui saldo em conta
corrente, poupança, CDB, RDB, LCI e LCA.
6) O
ministro Dias Toffoli, responsável pelo processo no STF, vem se portando de
forma errática e confusa à frente do caso, abrindo o flanco do tribunal para
toda sorte de ataque.
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A manipulação midiática
1) Todo
o mundo político sabe das estreitas ligações de Vorcaro com figuras da oposição
ao governo federal. Mesmo assim, a mídia comercial, a partir dos artigos da
jornalista Malu Gaspar, de O Globo, passou a fazer das tripas coração para
tentar vincular o Master ao governo Lula.
2) Essa
linha de ação passa ao largo de um mínimo de sofisticação e apela para o senso
comum mais rudimentar. Exemplo: já que ministros do Supremo como Toffoli e
Alexandre de Moraes são vistos como próximos ao governo, atacá-los significa
atingir por tabela o PT e Lula.
3) Por
óbvio, não pega bem a esposa de Alexandre Moraes e a família de Lewandowski
advogarem para o Master. Isso é uma questão que deve ser resolvida não só pelo
STF, mas também por outros tribunais cujos magistrados possuem parentes que
exercem a advocacia. Contudo, no caso específico do Master, a pergunta crucial
é: o fato de haver parentes de juízes do Supremo advogando para o Master ajudou
a livrar a cara de Vorcaro e seu banco? A resposta é não. O Master foi
liquidado e Vorcaro cumpre medidas judiciais restritivas.
4) Nas
redes sociais, circulam imagens de convescotes e reuniões entre Vorcaro e
governadores e parlamentares bolsonaristas. No entanto, esse acervo virtual vem
sendo ignorado pela imprensa corporativa
nas reportagens sobre as implicações políticas da crise do Master. Nem mesmo a
prisão de um sócio de Vorcaro, tido e havido como maior doador para as
campanhas de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, mereceu o destaque adequado.
5)
Quando da operacão da PF no Rioprevidência, as notícias sobre o assunto
veiculadas pelo Grupo Globo sequer citaram
o nome do governador Cláudio Castro. Imagina se fosse um governador do
PT?
6) Um
presidente da República que efetivamente trabalhe, como Lula, recebe um sem
número de pessoas em seu gabinete. São lideranças de trabalhadores e
empresários, políticos, intelectuais, artistas, estudantes, militantes de ONGs,
integrantes de entidades da sociedade civil, delegações do exterior e gente do
mercado financeiro. Usar a audiência que Lula concedeu a Vorcaro, bem antes do
banco ser liquidado, como prova da relação entre ambos chega a ser ridículo.
Principalmente porque as mesmas notícias dão conta de que Lula avisou ao dono
do Master que o caso do seu banco demandaria uma solução técnica por parte do
Banco Central.
7)
Paulo Gala é um professor da Fundação Getúlio Vargas que já trabalhou como
economista no Master. Pois bem, bastou Gala ter feito uma palestra na Fundação
Perseu Abramo para a mídia apontar a existência de laços entre o banco de o PT.
Acredite se quiser.
• Banco Master tinha só R$ 4 milhões em
caixa antes de ser liquidado, diz diretor do BC
Em
depoimento prestado à Polícia Federal (PF), o diretor do Banco Central (BC)
Ailton Aquino afirmou que o Banco Master dispunha de apenas R$ 4 milhões em
caixa antes de ter a liquidação extrajudicial decretada pela autoridade
monetária. Segundo ele, a situação era incompatível com o porte da instituição,
classificada como banco de médio porte.
“Apesar
de o Master ser um típico, nós chamamos S3, uma instituição de médio porte,
dada a crise de liquidez do Master e com R$ 80 bilhões de ativos totais, o
acompanhamento por parte da supervisão era fundamental para entender a
liquidez”, declarou Aquino.
Os
vídeos do depoimento, realizado em 30 de dezembro, foram tornados públicos por
decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do
caso.
O Banco
Master foi liquidado em novembro pelo Banco Central, após a identificação de um
elevado custo de captação e de forte exposição a investimentos considerados
arriscados, com taxas de juros acima do padrão de mercado. A liquidação
extrajudicial é o mecanismo pelo qual o BC encerra as atividades de uma
instituição financeira que não reúne mais condições de funcionamento, nomeia um
liquidante e promove a venda de ativos para pagamento dos credores, conforme a
ordem legal.
Um
especialista ouvido pelo g1 ressaltou que, por não ser uma instituição de
grande tradição no mercado, o Master deveria manter um volume de recursos em
caixa ainda maior do que bancos mais consolidados com estrutura semelhante de
passivos.
“[Deveria
ter] um caixa maior que uma instituição financeira de maior tradição com a
mesma estrutura de passivos”, explicou o economista Carlos Eduardo de Freitas,
ex-diretor da Área Externa do Banco Central.
Durante
o depoimento, Ailton Aquino também citou dificuldades operacionais enfrentadas
pela Will Financeira, que opera sob o nome fantasia Will Bank e integra o
conglomerado do Banco Master. Segundo ele, havia problemas recorrentes para
honrar pagamentos, o que exigia acompanhamento constante por parte da
supervisão do BC.
Cerca
de dois meses após a liquidação do Master, o Banco Central decretou também a
liquidação extrajudicial da Will, instituição voltada à inclusão financeira de
pessoas de renda média e baixa. Antes disso, a empresa estava sob o Regime de
Administração Especial Temporária (Raet), mecanismo que permite ao BC assumir
provisoriamente o controle da instituição para tentar evitar prejuízos maiores
aos clientes e ao sistema financeiro.
De
acordo com o Banco Central, houve uma tentativa de preservar a operação da Will
em razão do interesse público, inclusive com a perspectiva de venda para um
investidor estrangeiro, hipótese que não se concretizou. Além disso, o
descumprimento da grade de pagamentos com a Mastercard agravou a situação. No
dia seguinte ao impasse, a bandeira anunciou a suspensão da aceitação de
cartões emitidos pelo Will Bank.
Em nota
divulgada à época da liquidação, o Banco Central afirmou que o conjunto desses
fatores comprometeu a situação econômico-financeira da instituição e
caracterizou sua insolvência.
• O jantar romântico com o dono do Master.
Por Mário Sabino
Alguns
jornalistas disseram que, como o dono do Master está enrolado na Justiça e o
seu banco foi liquidado, não faz sentido querer a cabeça dos agentes públicos
que receberam uma dinheirama dele, direta ou indiretamente.
Esse
agentes públicos teriam cometido uma falta ética grave, sem dúvida, mas sem
comprometer a higidez dos sistemas financeiro, político e jurídico.
O
argumento não condiz com a realidade. Mostrar-se amigão do bolso de autoridades
dos Três Poderes certamente permitiu a Daniel Vorcaro que se achasse imune a
punições e, assim, fosse ainda mais audacioso nas fraudes que perpetrou.
Possibilitou, ainda, que os seus crimes se estendessem no tempo.
Como se
não bastasse, estamos assistindo agora ao espetáculo vexaminoso no Judiciário,
no Legislativo e no Executivo, de gente tentando culpabilizar o Banco Central e
livrar Vorcaro das suas culpas.
A mais
recente revelação nesse sentido foram as anotações do ministro Dias Toffoli nas
perguntas que enviou à PF para que fossem feitas ao diretor do Banco Central
Ailton de Aquino. Parecem saídas da cachola de um advogado de defesa.
“Os
registros sinalizam que Toffoli parecia estar em busca de indícios de
irregularidades na fiscalização do Banco Central que resultou na liquidação do
banco de Daniel Vorcaro, em novembro do ano passado”, dizem os jornalistas
Aguirre Talento e Alvaro Gribel.
Mesmo
que a higidez dos sistemas financeiro, jurídico e político tivessem sido
preservadas, essa história de achar que faltas éticas graves de agentes
públicos não significam necessariamente contaminação institucional é como achar
que adultério não é pecado se ficar só no pensamento.
Vou
fazer como boa parte dos brasileiros e apelar para Jesus. “Qualquer homem
(casado) que olhar para uma mulher e desejá-la já cometeu adultério no seu
coração”, disse Ele, no Sermão da Montanha.
Em
relação a Vorcaro, a safadeza com os agentes públicos não ficou só no
pensamento ou no coração. Foi até o jantar romântico, muito bem pago por ele.
Se
pularam a noite de amor, isso não deveria livrar ninguém de descontar uma pena
no inferno. Do contrário, o adultério continuará a ser tentação fácil de ser
consumada com outro.
• Caso Master: ex-presidente do
Rioprevidência é preso após voltar dos EUA
O diretor-presidente do Rioprevidência, Deivis
Marcon Antunes, foi preso nesta terça-feira (3) pela Polícia Federal e pela
Polícia Rodoviária Federal, no âmbito das investigações envolvendo as fraudes
do Banco Master.
Os
policiais federais cumpriram três mandados de prisão temporária e nove mandados
de busca e apreensão, em endereços vinculados aos investigados no Rio de
Janeiro e em Santa Catarina, de acordo com nota da PF.
De
acordo com a revista Veja, Antunes foi preso pouco depois de desembarcar, em
São Paulo, de uma viagem aos Estados Unidos, onde ele teria passado férias. A
detenção ocorreu na região de Itatiaia, no Vale do Paraíba, quando voltava de
carro para o Rio de Janeiro, diz a reportagem.
No
último dia 23, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra autoridades do
órgão responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores
públicos estaduais do Rio de Janeiro
Os
agentes apuram a suspeita de operações financeiras irregulares, em novo
desenvolvimento do caso envolvendo o Banco Master.
Entre
os alvos estavam o diretor-presidente da instituição, Deivis Marcon Antunes;
Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de Investimentos; e Pedro Pinheiro Guerra
Leal, ex-diretor de Investimentos interino, conforme duas fontes com
conhecimento da operação.
De
acordo com a PF, a investigação, iniciada em novembro de 2025, visa apurar um
conjunto de nove operações financeiras, realizadas entre novembro de 2023 e
julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões de
recursos pertencentes à autarquia em Letras Financeiras emitidas por banco
privado.
Os
agentes da PF apuram crimes contra o sistema financeiro nacional, como gestão
fraudulenta, desvio de recursos, induzir em erro repartição pública e fraude à
fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção
passiva.
Em
nota, o Palácio Guanabara informou à época que o governador do Rio de Janeiro,
Cláudio Castro, determinou o afastamento imediato de Deivis Antunes do cargo de
diretor-presidente do Rioprevidência. A exoneração foi publicada em Diário
Oficial extraordinário. (Com informações da Reuters).
• Caso Master: PF abre novo inquérito
sobre gestão fraudulenta no BRB
A
Polícia Federal instaurou, na última sexta-feira (30), um novo inquérito para
investigar suspeitas de gestão fraudulenta no Banco de Brasília (BRB). A
apuração, autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal
(STF), foca em operações nebulosas realizadas entre o banco público e o Banco
Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025 após a
descoberta de um esquema de ativos fictícios.
O novo
desdobramento surge após uma auditoria forense contratada pela própria atual
diretoria do BRB identificar “achados relevantes“. Segundo os investigadores, o
banco teria adquirido R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master que não
possuíam garantias reais ou documentação idônea.
Embora
o BRB tenha conseguido recuperar cerca de R$ 10 bilhões por meio de
transferências de ativos antes da quebra do Master, o rombo remanescente
exigirá um provisionamento bilionário.
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O esquema das carteiras fictícias
As
investigações da Operação Compliance Zero apontam que o Banco Master, sob o
comando do empresário Daniel Vorcaro, preso em novembro passado, emitiu R$ 50
bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs) sem comprovação de
liquidez. Para sustentar a fachada de solvência, o Master teria adquirido
créditos inexistentes da consultoria Tirreno e, imediatamente, os revendido ao
BRB.
O banco
público do Distrito Federal efetuou o pagamento bilionário sem o devido rigor
técnico, no mesmo período em que tentava formalizar a compra do próprio Banco
Master. Essa aquisição, que contava com o apoio político do governo do Distrito
Federal, acabou barrada pelo Banco Central em setembro de 2025 por falta de
transparência e riscos excessivos.
Em
nota, o BRB afirmou que entregou o relatório da auditoria à PF e ao Banco
Central para “resguardar seus interesses, recuperar seus créditos e ativos e
ver ressarcidos os prejuízos causados pelos agentes relacionados à Operação
Compliance Zero“.
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Crise de governança e impacto financeiro
O
escândalo já provocou mudanças profundas na cúpula da instituição. Em novembro,
o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado e posteriormente
demitido após operações de busca e apreensão. Agora, o banco corre contra o
tempo para apresentar seu balanço financeiro, que deverá detalhar a real
extensão dos danos ao patrimônio público.
O Banco
Central determinou que o BRB reserve R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas
imediatas com as carteiras fraudulentas. Apesar do cenário crítico, o governo
do Distrito Federal, acionista controlador, já sinalizou que poderá realizar um
aporte direto de recursos para manter a estabilidade da instituição.
O
governador Ibaneis Rocha admitiu ter se reunido com Daniel Vorcaro em quatro
ocasiões entre 2024 e 2025, mas negou que os encontros tivessem como pauta a
polêmica tentativa de compra do banco privado pelo BRB. O caso segue sob sigilo
na Procuradoria-Geral da República (PGR).
Fonte:
Brasil 247/Metrópoles/Jornal GGN

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