quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Bepe Damasco: Banco Master - os fatos e a manipulação midiática

Todo o mundo político sabe das estreitas ligações de Vorcaro com figuras da oposição ao governo federal.

<><> Os fatos:

1) Quem instaurou um inquérito para investigar as fraudes do Banco Master foi a Polícia Federal, subordinada ao Ministério da Justiça, quando tinha à frente o ministro Ricardo Lewandowski.

2) Daniel Vorcaro, dono do Master, foi preso pela PF. Depois, teve sua prisão relaxada por um juiz federal. Mas hoje ainda cumpre uma série de medidas cautelares, como a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica.

3) O Banco Central liquidou o Master, diante da situação de descalabro financeiro da instituição, que não tinha liquidez para honrar seus compromissos com os investidores, fruto especialmente do oferecimento de taxas de retorno estratosféricas para seus CDBs, que atraiam os incautos.

4) O Rioprevidência e seu presidente Deivis Marcon Antunes foram alvos de uma ação de busca e apreensão da PF. O instituto de previdência do estado fez aporte de quase R$ 1 bilhão em fundos do conglomerado de Vorcaro, em operação que põe em risco os pagamentos de aposentadorias e pensões dos servidores do Rio.

5) O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já iniciou o pagamentos dos investidores lesados em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Essa cobertura inclui saldo em conta corrente, poupança, CDB, RDB, LCI e LCA.

6) O ministro Dias Toffoli, responsável pelo processo no STF, vem se portando de forma errática e confusa à frente do caso, abrindo o flanco do tribunal para toda sorte de ataque.

<><> A manipulação midiática

1) Todo o mundo político sabe das estreitas ligações de Vorcaro com figuras da oposição ao governo federal. Mesmo assim, a mídia comercial, a partir dos artigos da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, passou a fazer das tripas coração para tentar vincular o Master ao governo Lula.

2) Essa linha de ação passa ao largo de um mínimo de sofisticação e apela para o senso comum mais rudimentar. Exemplo: já que ministros do Supremo como Toffoli e Alexandre de Moraes são vistos como próximos ao governo, atacá-los significa atingir por tabela o PT e Lula.

3) Por óbvio, não pega bem a esposa de Alexandre Moraes e a família de Lewandowski advogarem para o Master. Isso é uma questão que deve ser resolvida não só pelo STF, mas também por outros tribunais cujos magistrados possuem parentes que exercem a advocacia. Contudo, no caso específico do Master, a pergunta crucial é: o fato de haver parentes de juízes do Supremo advogando para o Master ajudou a livrar a cara de Vorcaro e seu banco? A resposta é não. O Master foi liquidado e Vorcaro cumpre medidas judiciais restritivas.

4) Nas redes sociais, circulam imagens de convescotes e reuniões entre Vorcaro e governadores e parlamentares bolsonaristas. No entanto, esse acervo virtual vem sendo  ignorado pela imprensa corporativa nas reportagens sobre as implicações políticas da crise do Master. Nem mesmo a prisão de um sócio de Vorcaro, tido e havido como maior doador para as campanhas de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, mereceu o destaque adequado.

5) Quando da operacão da PF no Rioprevidência, as notícias sobre o assunto veiculadas pelo Grupo Globo sequer citaram  o nome do governador Cláudio Castro. Imagina se fosse um governador do PT?

6) Um presidente da República que efetivamente trabalhe, como Lula, recebe um sem número de pessoas em seu gabinete. São lideranças de trabalhadores e empresários, políticos, intelectuais, artistas, estudantes, militantes de ONGs, integrantes de entidades da sociedade civil, delegações do exterior e gente do mercado financeiro. Usar a audiência que Lula concedeu a Vorcaro, bem antes do banco ser liquidado, como prova da relação entre ambos chega a ser ridículo. Principalmente porque as mesmas notícias dão conta de que Lula avisou ao dono do Master que o caso do seu banco demandaria uma solução técnica por parte do Banco Central.

7) Paulo Gala é um professor da Fundação Getúlio Vargas que já trabalhou como economista no Master. Pois bem, bastou Gala ter feito uma palestra na Fundação Perseu Abramo para a mídia apontar a existência de laços entre o banco de o PT. Acredite se quiser.

•        Banco Master tinha só R$ 4 milhões em caixa antes de ser liquidado, diz diretor do BC

Em depoimento prestado à Polícia Federal (PF), o diretor do Banco Central (BC) Ailton Aquino afirmou que o Banco Master dispunha de apenas R$ 4 milhões em caixa antes de ter a liquidação extrajudicial decretada pela autoridade monetária. Segundo ele, a situação era incompatível com o porte da instituição, classificada como banco de médio porte.

“Apesar de o Master ser um típico, nós chamamos S3, uma instituição de médio porte, dada a crise de liquidez do Master e com R$ 80 bilhões de ativos totais, o acompanhamento por parte da supervisão era fundamental para entender a liquidez”, declarou Aquino.

Os vídeos do depoimento, realizado em 30 de dezembro, foram tornados públicos por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.

O Banco Master foi liquidado em novembro pelo Banco Central, após a identificação de um elevado custo de captação e de forte exposição a investimentos considerados arriscados, com taxas de juros acima do padrão de mercado. A liquidação extrajudicial é o mecanismo pelo qual o BC encerra as atividades de uma instituição financeira que não reúne mais condições de funcionamento, nomeia um liquidante e promove a venda de ativos para pagamento dos credores, conforme a ordem legal.

Um especialista ouvido pelo g1 ressaltou que, por não ser uma instituição de grande tradição no mercado, o Master deveria manter um volume de recursos em caixa ainda maior do que bancos mais consolidados com estrutura semelhante de passivos.

“[Deveria ter] um caixa maior que uma instituição financeira de maior tradição com a mesma estrutura de passivos”, explicou o economista Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor da Área Externa do Banco Central.

Durante o depoimento, Ailton Aquino também citou dificuldades operacionais enfrentadas pela Will Financeira, que opera sob o nome fantasia Will Bank e integra o conglomerado do Banco Master. Segundo ele, havia problemas recorrentes para honrar pagamentos, o que exigia acompanhamento constante por parte da supervisão do BC.

Cerca de dois meses após a liquidação do Master, o Banco Central decretou também a liquidação extrajudicial da Will, instituição voltada à inclusão financeira de pessoas de renda média e baixa. Antes disso, a empresa estava sob o Regime de Administração Especial Temporária (Raet), mecanismo que permite ao BC assumir provisoriamente o controle da instituição para tentar evitar prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro.

De acordo com o Banco Central, houve uma tentativa de preservar a operação da Will em razão do interesse público, inclusive com a perspectiva de venda para um investidor estrangeiro, hipótese que não se concretizou. Além disso, o descumprimento da grade de pagamentos com a Mastercard agravou a situação. No dia seguinte ao impasse, a bandeira anunciou a suspensão da aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank.

Em nota divulgada à época da liquidação, o Banco Central afirmou que o conjunto desses fatores comprometeu a situação econômico-financeira da instituição e caracterizou sua insolvência.

•        O jantar romântico com o dono do Master. Por Mário Sabino

Alguns jornalistas disseram que, como o dono do Master está enrolado na Justiça e o seu banco foi liquidado, não faz sentido querer a cabeça dos agentes públicos que receberam uma dinheirama dele, direta ou indiretamente.

Esse agentes públicos teriam cometido uma falta ética grave, sem dúvida, mas sem comprometer a higidez dos sistemas financeiro, político e jurídico.

O argumento não condiz com a realidade. Mostrar-se amigão do bolso de autoridades dos Três Poderes certamente permitiu a Daniel Vorcaro que se achasse imune a punições e, assim, fosse ainda mais audacioso nas fraudes que perpetrou. Possibilitou, ainda, que os seus crimes se estendessem no tempo.

Como se não bastasse, estamos assistindo agora ao espetáculo vexaminoso no Judiciário, no Legislativo e no Executivo, de gente tentando culpabilizar o Banco Central e livrar Vorcaro das suas culpas.

A mais recente revelação nesse sentido foram as anotações do ministro Dias Toffoli nas perguntas que enviou à PF para que fossem feitas ao diretor do Banco Central Ailton de Aquino. Parecem saídas da cachola de um advogado de defesa.

“Os registros sinalizam que Toffoli parecia estar em busca de indícios de irregularidades na fiscalização do Banco Central que resultou na liquidação do banco de Daniel Vorcaro, em novembro do ano passado”, dizem os jornalistas Aguirre Talento e Alvaro Gribel.

Mesmo que a higidez dos sistemas financeiro, jurídico e político tivessem sido preservadas, essa história de achar que faltas éticas graves de agentes públicos não significam necessariamente contaminação institucional é como achar que adultério não é pecado se ficar só no pensamento.

Vou fazer como boa parte dos brasileiros e apelar para Jesus. “Qualquer homem (casado) que olhar para uma mulher e desejá-la já cometeu adultério no seu coração”, disse Ele, no Sermão da Montanha.

Em relação a Vorcaro, a safadeza com os agentes públicos não ficou só no pensamento ou no coração. Foi até o jantar romântico, muito bem pago por ele.

Se pularam a noite de amor, isso não deveria livrar ninguém de descontar uma pena no inferno. Do contrário, o adultério continuará a ser tentação fácil de ser consumada com outro.

•        Caso Master: ex-presidente do Rioprevidência é preso após voltar dos EUA

 O diretor-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso nesta terça-feira (3) pela Polícia Federal e pela Polícia Rodoviária Federal, no âmbito das investigações envolvendo as fraudes do Banco Master.

Os policiais federais cumpriram três mandados de prisão temporária e nove mandados de busca e apreensão, em endereços vinculados aos investigados no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, de acordo com nota da PF.

De acordo com a revista Veja, Antunes foi preso pouco depois de desembarcar, em São Paulo, de uma viagem aos Estados Unidos, onde ele teria passado férias. A detenção ocorreu na região de Itatiaia, no Vale do Paraíba, quando voltava de carro para o Rio de Janeiro, diz a reportagem.

No último dia 23, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra autoridades do órgão responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores públicos estaduais do Rio de Janeiro

Os agentes apuram a suspeita de operações financeiras irregulares, em novo desenvolvimento do caso envolvendo o Banco Master.

Entre os alvos estavam o diretor-presidente da instituição, Deivis Marcon Antunes; Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de Investimentos; e Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-diretor de Investimentos interino, conforme duas fontes com conhecimento da operação.

De acordo com a PF, a investigação, iniciada em novembro de 2025, visa apurar um conjunto de nove operações financeiras, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões de recursos pertencentes à autarquia em Letras Financeiras emitidas por banco privado.

Os agentes da PF apuram crimes contra o sistema financeiro nacional, como gestão fraudulenta, desvio de recursos, induzir em erro repartição pública e fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva.

Em nota, o Palácio Guanabara informou à época que o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, determinou o afastamento imediato de Deivis Antunes do cargo de diretor-presidente do Rioprevidência. A exoneração foi publicada em Diário Oficial extraordinário. (Com informações da Reuters).

•        Caso Master: PF abre novo inquérito sobre gestão fraudulenta no BRB

A Polícia Federal instaurou, na última sexta-feira (30), um novo inquérito para investigar suspeitas de gestão fraudulenta no Banco de Brasília (BRB). A apuração, autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), foca em operações nebulosas realizadas entre o banco público e o Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025 após a descoberta de um esquema de ativos fictícios.

O novo desdobramento surge após uma auditoria forense contratada pela própria atual diretoria do BRB identificar “achados relevantes“. Segundo os investigadores, o banco teria adquirido R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master que não possuíam garantias reais ou documentação idônea.

Embora o BRB tenha conseguido recuperar cerca de R$ 10 bilhões por meio de transferências de ativos antes da quebra do Master, o rombo remanescente exigirá um provisionamento bilionário.

<><> O esquema das carteiras fictícias

As investigações da Operação Compliance Zero apontam que o Banco Master, sob o comando do empresário Daniel Vorcaro, preso em novembro passado, emitiu R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs) sem comprovação de liquidez. Para sustentar a fachada de solvência, o Master teria adquirido créditos inexistentes da consultoria Tirreno e, imediatamente, os revendido ao BRB.

O banco público do Distrito Federal efetuou o pagamento bilionário sem o devido rigor técnico, no mesmo período em que tentava formalizar a compra do próprio Banco Master. Essa aquisição, que contava com o apoio político do governo do Distrito Federal, acabou barrada pelo Banco Central em setembro de 2025 por falta de transparência e riscos excessivos.

Em nota, o BRB afirmou que entregou o relatório da auditoria à PF e ao Banco Central para “resguardar seus interesses, recuperar seus créditos e ativos e ver ressarcidos os prejuízos causados pelos agentes relacionados à Operação Compliance Zero“.

<><> Crise de governança e impacto financeiro

O escândalo já provocou mudanças profundas na cúpula da instituição. Em novembro, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado e posteriormente demitido após operações de busca e apreensão. Agora, o banco corre contra o tempo para apresentar seu balanço financeiro, que deverá detalhar a real extensão dos danos ao patrimônio público.

O Banco Central determinou que o BRB reserve R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas imediatas com as carteiras fraudulentas. Apesar do cenário crítico, o governo do Distrito Federal, acionista controlador, já sinalizou que poderá realizar um aporte direto de recursos para manter a estabilidade da instituição.

O governador Ibaneis Rocha admitiu ter se reunido com Daniel Vorcaro em quatro ocasiões entre 2024 e 2025, mas negou que os encontros tivessem como pauta a polêmica tentativa de compra do banco privado pelo BRB. O caso segue sob sigilo na Procuradoria-Geral da República (PGR).

 

Fonte: Brasil 247/Metrópoles/Jornal GGN

 

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