Hiperglicemia:
por que a glicose pode ficar alta por anos sem causar sintomas evidentes
A
hiperglicemia, caracterizada pela elevação da glicose no sangue, é o principal
critério utilizado para diagnosticar o diabetes. Compreender seus limites não é
apenas uma curiosidade médica, mas uma informação essencial para prevenção e
cuidado contínuo.
“O
diagnóstico do diabetes é feito com base no valor da glicose no sangue”,
explica o endocrinologista pediátrico Dr. Luis Eduardo Calliari. “Quando a
glicemia de jejum é acima de 125 mg/dL ou quando, após uma sobrecarga de
glicose, o valor ultrapassa 200 mg/dL, isso já configura diabetes.”
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Quais níveis definem a hiperglicemia em quem já tem diabetes
Para
pessoas que convivem com diabetes, os parâmetros mudam. Segundo consensos
clínicos, a faixa considerada adequada de glicose varia entre 70 e 180 mg/dL ao
longo do dia.
“Valores
acima de 180 mg/dL já caracterizam uma hiperglicemia”, afirma o médico. “Quando
a glicose ultrapassa 250 mg/dL, falamos de uma glicemia muito alta, que exige
atenção redobrada.”
No
entanto, o especialista alerta que o perigo não está apenas nos picos isolados,
mas na manutenção prolongada desses níveis elevados.
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Por que a hiperglicemia pode passar despercebida
Diferentemente
da hipoglicemia, que costuma causar sintomas imediatos, a hiperglicemia
geralmente evolui de forma lenta. Ainda assim, isso não significa que seja
inofensiva.
“Muita
gente se sente completamente normal com 200 ou até 250 de glicose”, destaca
Calliari. “Os sintomas são mais leves e aparecem aos poucos, como aumento do
volume urinário e sede excessiva.”
No
diabetes tipo 2, esse quadro é ainda mais preocupante. “Na maioria das vezes, a
hiperglicemia é silenciosa. A pessoa não sente nada e, por isso, não vê motivo
para mudar o comportamento”, explica.
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Diabetes tipo 1 e tipo 2: diferenças na manifestação da glicose alta
A forma
como a hiperglicemia se manifesta varia conforme o tipo de diabetes. No tipo 1,
a ausência quase total de insulina favorece elevações rápidas da glicose.
“As
pessoas com diabetes tipo 1 costumam perceber mais facilmente, porque a
glicemia sobe rápido e os sintomas aparecem”, afirma o endocrinologista.
Por
outro lado, no diabetes tipo 2, a resistência à insulina permite que a glicose
permaneça elevada por anos sem sinais claros, o que aumenta o risco de
diagnóstico tardio.
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O impacto da hiperglicemia prolongada no organismo
Embora
muitas vezes assintomática no início, a hiperglicemia causa danos progressivos.
O excesso de glicose passa a se ligar às proteínas dos vasos sanguíneos,
comprometendo sua função.
“O
organismo não tolera glicose alta por muito tempo”, alerta Calliari. “Os vasos
pequenos, como os da retina, dos rins e dos nervos, começam a endurecer e
perdem a capacidade de irrigar adequadamente esses tecidos.”
Esse
processo está associado ao desenvolvimento de retinopatia, nefropatia e
neuropatia diabética, complicações que podem surgir após anos de controle
inadequado.
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Como identificar a hiperglicemia antes das complicações
A
detecção precoce é um dos principais desafios. Para quem ainda não tem
diagnóstico, os exames laboratoriais são fundamentais. No entanto, para quem já
convive com diabetes, o controle depende da monitorização contínua.
“A
pessoa pode medir a glicose no laboratório, mas isso não é prático para o dia a
dia”, explica o médico. “Por isso, usamos o glicosímetro ou os sensores de
glicose, que permitem acompanhar as variações ao longo do dia.”
Segundo
ele, essa prática é essencial justamente porque a ausência de sintomas não
indica controle adequado.
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Alimentação e glicose: um erro comum de interpretação
Outro
ponto frequente de confusão envolve a alimentação. Muitas pessoas associam a
glicose alta apenas ao consumo de açúcar, o que não corresponde à realidade.
“Qualquer
alimento que contenha carboidrato faz a glicose subir”, esclarece Calliari.
“Pão, arroz, batata e massas também se transformam em glicose no organismo.”
Portanto,
o controle glicêmico passa pelo planejamento alimentar como um todo, e não
apenas pela exclusão de doces.
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Informação como ferramenta de prevenção
Para o
endocrinologista, o medo das complicações é compreensível, mas não deve
paralisar.
“O medo
só é útil quando gera uma atitude de cuidado”, afirma Calliari. “A informação
permite que a pessoa se cuide hoje para evitar problemas no futuro.”
Nesse
sentido, a educação em diabetes se consolida como uma das principais
estratégias para preservar qualidade de vida e reduzir complicações a longo
prazo.
• Tudo que a gente come aumenta a
glicose?Entenda como os alimentos interferem no diabetes
A
percepção de que qualquer alimento eleva a glicose ainda é comum entre pessoas
que convivem com diabetes. Essa ideia, no entanto, simplifica um processo
metabólico mais complexo.
Segundo
a nutricionista e educadora em diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes
(SBD), Maristela Strufaldi o impacto dos alimentos na glicemia varia conforme o
tipo de nutriente, a quantidade consumida e o contexto clínico da pessoa.
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O que realmente faz a glicose subir
Do
ponto de vista fisiológico, os carboidratos são os nutrientes com impacto mais
direto na glicemia. Isso ocorre porque sua função principal é fornecer energia
ao organismo.
“O
carboidrato vira 100% glicose no organismo”, explica Maristela. “Isso vale para
pão, massa, arroz, milho e outros alimentos da mesma categoria.”
Nesse
contexto, o aumento da glicose após o consumo de carboidratos é esperado e faz
parte do funcionamento normal do corpo, inclusive em pessoas sem diabetes.
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Proteínas e gorduras também interferem, mas de outra forma
Embora
menos discutidas, proteínas e gorduras também influenciam a glicemia. No
entanto, esse efeito ocorre de maneira mais tardia.
“A
proteína e a gordura geram impacto glicêmico mais lento”, afirma a
nutricionista. “Não é imediato como no carboidrato, mas acontece.”
Além
disso, quando associadas aos carboidratos, essas fontes ajudam a retardar a
absorção da glicose, o que pode favorecer um perfil glicêmico mais estável.
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Nem todo alimento gera aumento relevante
Por
outro lado, alguns alimentos apresentam impacto mínimo na glicemia quando
consumidos em quantidades habituais.
“Verduras
e legumes, como alface, por exemplo, praticamente não alteram a glicose”, diz
Maristela. “Por isso, costumamos liberar o consumo.”
Nesse
sentido, afirmar que todo alimento eleva a glicemia sem considerar quantidade e
composição pode gerar interpretações equivocadas e restrições desnecessárias.
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Quantidade importa tanto quanto o tipo de alimento
Mesmo
alimentos considerados adequados podem elevar a glicose quando consumidos em
excesso. Por isso, a especialista reforça que o controle não está na exclusão,
mas na organização das porções.
“Se a
pessoa comer grandes quantidades, o impacto vai acontecer, independentemente de
ser integral ou não”, explica.
Portanto,
a avaliação deve considerar não apenas o alimento isolado, mas o conjunto da
refeição.
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Alimentação é apenas um dos fatores do controle glicêmico
Ainda
assim, a alimentação não atua sozinha no controle do diabetes. Segundo
Maristela, mais de 40 fatores podem interferir nos níveis de glicose.
Entre
eles estão qualidade do sono, prática de atividade física, uso correto da
medicação, estresse e presença de infecções.
“A
alimentação é importante, mas não pode ser vista como única responsável pelas
oscilações glicêmicas”, afirma.
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Comer menos não significa controlar melhor
Nesse
cenário, a nutricionista alerta para um erro comum: reduzir excessivamente a
alimentação como estratégia de controle.
“Não é
deixar de comer para ter um bom controle glicêmico”, afirma. “É comer bem, na
quantidade adequada, e alinhar isso ao tratamento.”
Essa
abordagem evita riscos como hipoglicemia, perda de qualidade nutricional e
relação negativa com a comida.
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Educação alimentar como ferramenta central
Para
Maristela, compreender como cada nutriente atua no organismo é parte essencial
do tratamento do diabetes.
“Quando
a pessoa entende o impacto dos alimentos, ela ganha autonomia para fazer
escolhas mais conscientes”, conclui.
• Adoçantes no diabetes: quando usar e
quais cuidados considerar
O uso
de adoçantes costuma ser uma das primeiras mudanças adotadas após o diagnóstico
de diabetes. No entanto, especialistas alertam que essa substituição não é
obrigatória. A endocrinologista Mônica Gabbay e a nutricionista Tarcila Campos
esclareceram dúvidas sobre o papel dos adoçantes no planejamento alimentar.
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Adoçante não é prescrição automática
Segundo
Tarcila Campos, pessoas com diabetes não precisam, necessariamente, trocar
açúcar por adoçantes em todos os alimentos. É possível manter o controle
glicêmico sem o uso frequente dessas substâncias, desde que a alimentação seja
organizada e individualizada. Além disso, a especialista reforça que os
adoçantes são moléculas químicas e devem ser consumidos com moderação.
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Alimentos diet ainda contêm carboidratos
Outro
ponto destacado por Mônica Gabbay é que produtos diet não são livres de impacto
glicêmico. Portanto, biscoitos, bolos e sobremesas diet continuam contendo
carboidratos, o que exige atenção à quantidade consumida. Enquanto isso,
algumas famílias passam a temer o consumo de frutas naturais, embora o consumo
em porções corretas torne essas opções mais adequadas.
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O risco do consumo excessivo
De
acordo com as especialistas, o problema não está no uso pontual de adoçantes,
mas no consumo frequente ao longo do dia. Nesse cenário, crianças e adultos
podem ingerir grandes volumes de produtos diet sem perceber, o que levanta
dúvidas sobre efeitos a longo prazo. A Organização Mundial da Saúde recomenda
cautela no consumo excessivo de adoçantes não nutritivos.
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Paladar e reeducação alimentar
Além
disso, Tarcila Campos explica que o uso constante de adoçantes pode manter a
dependência do sabor doce. Portanto, adaptar o paladar ao sabor natural dos
alimentos faz parte de uma estratégia alimentar mais sustentável.
Fonte:
Um Diabetico

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