quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Hiperglicemia: por que a glicose pode ficar alta por anos sem causar sintomas evidentes

A hiperglicemia, caracterizada pela elevação da glicose no sangue, é o principal critério utilizado para diagnosticar o diabetes. Compreender seus limites não é apenas uma curiosidade médica, mas uma informação essencial para prevenção e cuidado contínuo.

“O diagnóstico do diabetes é feito com base no valor da glicose no sangue”, explica o endocrinologista pediátrico Dr. Luis Eduardo Calliari. “Quando a glicemia de jejum é acima de 125 mg/dL ou quando, após uma sobrecarga de glicose, o valor ultrapassa 200 mg/dL, isso já configura diabetes.”

<><> Quais níveis definem a hiperglicemia em quem já tem diabetes

Para pessoas que convivem com diabetes, os parâmetros mudam. Segundo consensos clínicos, a faixa considerada adequada de glicose varia entre 70 e 180 mg/dL ao longo do dia.

“Valores acima de 180 mg/dL já caracterizam uma hiperglicemia”, afirma o médico. “Quando a glicose ultrapassa 250 mg/dL, falamos de uma glicemia muito alta, que exige atenção redobrada.”

No entanto, o especialista alerta que o perigo não está apenas nos picos isolados, mas na manutenção prolongada desses níveis elevados.

<><> Por que a hiperglicemia pode passar despercebida

Diferentemente da hipoglicemia, que costuma causar sintomas imediatos, a hiperglicemia geralmente evolui de forma lenta. Ainda assim, isso não significa que seja inofensiva.

“Muita gente se sente completamente normal com 200 ou até 250 de glicose”, destaca Calliari. “Os sintomas são mais leves e aparecem aos poucos, como aumento do volume urinário e sede excessiva.”

No diabetes tipo 2, esse quadro é ainda mais preocupante. “Na maioria das vezes, a hiperglicemia é silenciosa. A pessoa não sente nada e, por isso, não vê motivo para mudar o comportamento”, explica.

<><> Diabetes tipo 1 e tipo 2: diferenças na manifestação da glicose alta

A forma como a hiperglicemia se manifesta varia conforme o tipo de diabetes. No tipo 1, a ausência quase total de insulina favorece elevações rápidas da glicose.

“As pessoas com diabetes tipo 1 costumam perceber mais facilmente, porque a glicemia sobe rápido e os sintomas aparecem”, afirma o endocrinologista.

Por outro lado, no diabetes tipo 2, a resistência à insulina permite que a glicose permaneça elevada por anos sem sinais claros, o que aumenta o risco de diagnóstico tardio.

<><> O impacto da hiperglicemia prolongada no organismo

Embora muitas vezes assintomática no início, a hiperglicemia causa danos progressivos. O excesso de glicose passa a se ligar às proteínas dos vasos sanguíneos, comprometendo sua função.

“O organismo não tolera glicose alta por muito tempo”, alerta Calliari. “Os vasos pequenos, como os da retina, dos rins e dos nervos, começam a endurecer e perdem a capacidade de irrigar adequadamente esses tecidos.”

Esse processo está associado ao desenvolvimento de retinopatia, nefropatia e neuropatia diabética, complicações que podem surgir após anos de controle inadequado.

<><> Como identificar a hiperglicemia antes das complicações

A detecção precoce é um dos principais desafios. Para quem ainda não tem diagnóstico, os exames laboratoriais são fundamentais. No entanto, para quem já convive com diabetes, o controle depende da monitorização contínua.

“A pessoa pode medir a glicose no laboratório, mas isso não é prático para o dia a dia”, explica o médico. “Por isso, usamos o glicosímetro ou os sensores de glicose, que permitem acompanhar as variações ao longo do dia.”

Segundo ele, essa prática é essencial justamente porque a ausência de sintomas não indica controle adequado.

<><> Alimentação e glicose: um erro comum de interpretação

Outro ponto frequente de confusão envolve a alimentação. Muitas pessoas associam a glicose alta apenas ao consumo de açúcar, o que não corresponde à realidade.

“Qualquer alimento que contenha carboidrato faz a glicose subir”, esclarece Calliari. “Pão, arroz, batata e massas também se transformam em glicose no organismo.”

Portanto, o controle glicêmico passa pelo planejamento alimentar como um todo, e não apenas pela exclusão de doces.

<><> Informação como ferramenta de prevenção

Para o endocrinologista, o medo das complicações é compreensível, mas não deve paralisar.

“O medo só é útil quando gera uma atitude de cuidado”, afirma Calliari. “A informação permite que a pessoa se cuide hoje para evitar problemas no futuro.”

Nesse sentido, a educação em diabetes se consolida como uma das principais estratégias para preservar qualidade de vida e reduzir complicações a longo prazo.

•        Tudo que a gente come aumenta a glicose?Entenda como os alimentos interferem no diabetes

A percepção de que qualquer alimento eleva a glicose ainda é comum entre pessoas que convivem com diabetes. Essa ideia, no entanto, simplifica um processo metabólico mais complexo.

Segundo a nutricionista e educadora em diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Maristela Strufaldi o impacto dos alimentos na glicemia varia conforme o tipo de nutriente, a quantidade consumida e o contexto clínico da pessoa.

<><> O que realmente faz a glicose subir

Do ponto de vista fisiológico, os carboidratos são os nutrientes com impacto mais direto na glicemia. Isso ocorre porque sua função principal é fornecer energia ao organismo.

“O carboidrato vira 100% glicose no organismo”, explica Maristela. “Isso vale para pão, massa, arroz, milho e outros alimentos da mesma categoria.”

Nesse contexto, o aumento da glicose após o consumo de carboidratos é esperado e faz parte do funcionamento normal do corpo, inclusive em pessoas sem diabetes.

<><> Proteínas e gorduras também interferem, mas de outra forma

Embora menos discutidas, proteínas e gorduras também influenciam a glicemia. No entanto, esse efeito ocorre de maneira mais tardia.

“A proteína e a gordura geram impacto glicêmico mais lento”, afirma a nutricionista. “Não é imediato como no carboidrato, mas acontece.”

Além disso, quando associadas aos carboidratos, essas fontes ajudam a retardar a absorção da glicose, o que pode favorecer um perfil glicêmico mais estável.

<><> Nem todo alimento gera aumento relevante

Por outro lado, alguns alimentos apresentam impacto mínimo na glicemia quando consumidos em quantidades habituais.

“Verduras e legumes, como alface, por exemplo, praticamente não alteram a glicose”, diz Maristela. “Por isso, costumamos liberar o consumo.”

Nesse sentido, afirmar que todo alimento eleva a glicemia sem considerar quantidade e composição pode gerar interpretações equivocadas e restrições desnecessárias.

<><> Quantidade importa tanto quanto o tipo de alimento

Mesmo alimentos considerados adequados podem elevar a glicose quando consumidos em excesso. Por isso, a especialista reforça que o controle não está na exclusão, mas na organização das porções.

“Se a pessoa comer grandes quantidades, o impacto vai acontecer, independentemente de ser integral ou não”, explica.

Portanto, a avaliação deve considerar não apenas o alimento isolado, mas o conjunto da refeição.

<><> Alimentação é apenas um dos fatores do controle glicêmico

Ainda assim, a alimentação não atua sozinha no controle do diabetes. Segundo Maristela, mais de 40 fatores podem interferir nos níveis de glicose.

Entre eles estão qualidade do sono, prática de atividade física, uso correto da medicação, estresse e presença de infecções.

“A alimentação é importante, mas não pode ser vista como única responsável pelas oscilações glicêmicas”, afirma.

<><> Comer menos não significa controlar melhor

Nesse cenário, a nutricionista alerta para um erro comum: reduzir excessivamente a alimentação como estratégia de controle.

“Não é deixar de comer para ter um bom controle glicêmico”, afirma. “É comer bem, na quantidade adequada, e alinhar isso ao tratamento.”

Essa abordagem evita riscos como hipoglicemia, perda de qualidade nutricional e relação negativa com a comida.

<><> Educação alimentar como ferramenta central

Para Maristela, compreender como cada nutriente atua no organismo é parte essencial do tratamento do diabetes.

“Quando a pessoa entende o impacto dos alimentos, ela ganha autonomia para fazer escolhas mais conscientes”, conclui.

•        Adoçantes no diabetes: quando usar e quais cuidados considerar

O uso de adoçantes costuma ser uma das primeiras mudanças adotadas após o diagnóstico de diabetes. No entanto, especialistas alertam que essa substituição não é obrigatória. A endocrinologista Mônica Gabbay e a nutricionista Tarcila Campos esclareceram dúvidas sobre o papel dos adoçantes no planejamento alimentar.

<><> Adoçante não é prescrição automática

Segundo Tarcila Campos, pessoas com diabetes não precisam, necessariamente, trocar açúcar por adoçantes em todos os alimentos. É possível manter o controle glicêmico sem o uso frequente dessas substâncias, desde que a alimentação seja organizada e individualizada. Além disso, a especialista reforça que os adoçantes são moléculas químicas e devem ser consumidos com moderação.

<><> Alimentos diet ainda contêm carboidratos

Outro ponto destacado por Mônica Gabbay é que produtos diet não são livres de impacto glicêmico. Portanto, biscoitos, bolos e sobremesas diet continuam contendo carboidratos, o que exige atenção à quantidade consumida. Enquanto isso, algumas famílias passam a temer o consumo de frutas naturais, embora o consumo em porções corretas torne essas opções mais adequadas.

<><> O risco do consumo excessivo

De acordo com as especialistas, o problema não está no uso pontual de adoçantes, mas no consumo frequente ao longo do dia. Nesse cenário, crianças e adultos podem ingerir grandes volumes de produtos diet sem perceber, o que levanta dúvidas sobre efeitos a longo prazo. A Organização Mundial da Saúde recomenda cautela no consumo excessivo de adoçantes não nutritivos.

<><> Paladar e reeducação alimentar

Além disso, Tarcila Campos explica que o uso constante de adoçantes pode manter a dependência do sabor doce. Portanto, adaptar o paladar ao sabor natural dos alimentos faz parte de uma estratégia alimentar mais sustentável.

 

Fonte: Um Diabetico

 

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