sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Burkina Faso: as digitais de França e EUA na tentativa de assassinato contra Ibrahim Traoré

Em 3 de janeiro, durante as horas obscuras em que se realizava a “Operação Resolução Absoluta” — com a qual os Estados Unidos conseguiram sequestrar o presidente Nicolás Maduro após assassinar cerca de quarenta membros de sua escolta —, ocorria,  a mais de sete mil quilômetros dali, algo que guardaria uma forte familiaridade com o episódio em Forte Tiuna.

Em 7 de janeiro último, por meio de um comunicado, o Ministério da Segurança de Burkina Faso deu detalhes sobre a tentativa de golpe ocorrida no país em 3 de janeiro, cujos objetivos incluíam o assassinato do presidente da junta militar, o capitão Ibrahim Traoré, e de outros altos integrantes do governo, tanto civis quanto militares. A pasta informou que parte dos recursos utilizados para o plano de desestabilização — 70 milhões de francos da África Ocidental (CFA), aproximadamente 125 milhões de dólares — que se tentou implementar no país para fomentar a ação, procedia da Costa do Marfim. De Uagadugu, informou-se também que continuariam as operações para localizar envolvidos que ainda não haviam sido detidos.

Todas as suspeitas apontam que o chefe do golpe frustrado foi o ex-chefe de Estado, o tenente-coronel Paul-Henri Sandaogo Damiba, que, em janeiro de 2022, liderou o golpe de Estado dos jovens oficiais burquinenses do Movimento Patriótico para a Salvaguarda e a Restauração (MPSR) contra o governo civil encabeçado por Roch Marc Christian Kaboré, por sua responsabilidade não apenas na má condução da guerra contra as khatibas terroristas que operavam no norte do país, mas também pelas suspeitas de que os recursos destinados à guerra eram desviados para suas contas e para as de outros funcionários daquele governo.

O MPSR seguia firmemente os passos de seus camaradas do Mali, que haviam feito o mesmo no ano anterior exatamente pelas mesmas razões: a corrupção do então presidente Ibrahim Boubacar Keïta e sua equivocada condução da luta contra os terroristas. A essas duas nações somar-se-ia, em 2023, o Níger, onde também foi deposto o presidente “democrático” Mohamed Bazoum pelo Conselho Nacional para a Salvaguarda da Pátria (CNSP), encabeçado pelo general Abdourahamane Tchiani, igualmente alegando as mesmas razões dos dois movimentos precedentes: imperícia na condução da guerra e corrupção por parte de Bazoum, que permanece detido enfrentando sérias acusações pelos motivos mencionados.

As revoluções incruentas que ocorreram nessas três nações, motivadas por razões idênticas, traçaram também um destino comum anticolonialista que se materializou com a criação, meses após o último golpe no Níger, da Confederação de Estados do Sahel (CES), uma aliança essencialmente militar de autodefesa, ainda que também tenda a realizar ações conjuntas nos âmbitos comercial e diplomático. Trata-se de algo inédito no continente e que foi o sonho do coronel Gaddafi e do próprio presidente Nasser, entre muitos outros lutadores anticolonialistas como Lumumba, Cabral, Sankara e um trágico e sangrento etcétera.

Sem dúvida, o fracasso da tentativa de golpe do último dia 3 contra o capitão Traoré, líder da CES, tem relação com os três processos descritos, que, à primeira vista, poderiam ser conectados aos mais de 200 golpes ocorridos no continente desde a retirada das potências imperiais — França, Reino Unido, Bélgica, Itália, Portugal e Espanha — que ocuparam a África até os anos 1960, graças aos acordos celebrados na Conferência de Berlim (1884–1885), na qual essas nações dividiram o continente entre si, a seu bel-prazer.

Como é bem sabido, apesar desses processos — em sua grande maioria pactuados — pelos quais os países africanos se tornaram independentes de suas metrópoles, o poder colonial, salvo algumas exceções, continuou vigente até a atualidade, mantendo os processos de espoliação de seus recursos naturais. Isso evitou que algumas dessas nações europeias hoje tivessem padrões de vida semelhantes aos de muitos países latino-americanos. Por essa razão, as três nações membros da CES implementaram de forma idêntica a expulsão de seus territórios tanto de empresas vinculadas às antigas metrópoles imperiais e a seus atuais aliados — os Estados Unidos — quanto da presença militar disfarçada sob o rótulo de operações de ajuda ou treinamento, como as missões Barkhane, Serval ou Sabre. Além disso, obrigaram os Estados Unidos a abandonar, em outubro de 2024, o Complexo 201, uma base de drones próxima a Agadez, no centro do Níger, provocando a reação, manipulada pelo Departamento de Estado, da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que ameaçou invadir o Níger e recolocar no cargo o presidente Bazoum. Isso porque, para o poder no continente aliado aos Estados Unidos e à França, a Confederação de Estados do Sahel é o pior exemplo possível.

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<><> Deter e desarticular

O ministro da Segurança Nacional de Burkina Faso, o comissário Mahamadou Sana, ao reiterar a denúncia contra o complô de 3 de janeiro durante uma entrevista coletiva, afirmou que o principal objetivo da manobra era assassinar o capitão Traoré, ao que se seguiria uma intervenção militar terrestre por parte de forças estrangeiras, sem especificar os países aos quais se referia. Ainda assim, para quem acompanha a conjuntura africana, é claro que não podem ser outros senão a Costa do Marfim e a Nigéria, as duas nações que se mostraram mais ativas em outubro de 2023, quando a CEDEAO, então presidida pelo presidente da Nigéria, Bola Tinubu, ameaçou o Níger.

Segundo o ministro Sana, o tenente-coronel Damiba — que governou de janeiro a setembro de 2022, quando foi afastado por seus companheiros, e que posteriormente se exilou no Togo — publicou nas redes sociais que “desejava muito êxito a seu sucessor” (Ibrahim Traoré). No entanto, teria sido ele quem traçou o plano e organizou as operações, mobilizou recursos financeiros e recrutou tanto civis quanto militares, cuja tarefa consistia em distribuir armamento aos grupos já formados por militares da ativa e da reserva, que já tinham missões designadas. Paralelamente, grupos civis deveriam agitar a população para respaldar os militares quando o golpe fosse desencadeado à meia-noite do dia 3.

O ministro informou que os responsáveis, cujos nomes não foram divulgados, serão levados à justiça. Tanto na capital, Uagadugu, quanto no interior do país, a situação permanecia “sob controle”, razão pela qual a população deveria manter a calma, apesar das manifestações multitudinárias em apoio ao capitão Traoré. Por fim, o ministro Sana apelou à “unidade nacional, coesão social e vigilância”.

Essas manobras golpistas exploram a crítica situação no norte do país, onde atuam as khatibas da al-Qaeda, do Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos e do Daesh no Grande Saara, agora com um inusitado reforço de armamentos, que se acredita poder vir diretamente dos Emirados Árabes Unidos (EAU), por conta e ordem do Departamento de Estado dos EUA e de seu equivalente francês, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da França.

Inclusive, algumas versões indicam que tropas de elite do Exército burquinense, junto com efetivos dos comandos russos conhecidos como spetsnaz (comando geral de forças especiais militares e policiais), encarregadas da segurança do capitão Traoré, teriam repelido a incursão de comandos não identificados transportados em helicópteros nas proximidades do palácio presidencial.

O que o ministro da Segurança confirmou foi a detenção de vários insurgentes, entre os quais há militares e numerosos civis. Acredita-se que alguns tenham sido manipulados por diferentes operadores. Apesar disso, o comissário Sana afirmou que todos são penalmente responsáveis, insistindo junto à população para que não se deixe enganar por promessas que jamais serão cumpridas, feitas pelos mesmos elementos que, a partir do interior do país e do exterior, difundiram acusações sobre as supostas ambições ditatoriais do capitão Traoré, afirmando que seu governo não apenas reprime a dissidência, como também realiza detenções ilegais e desaparecimentos forçados.

Acontecimentos como o ocorrido recentemente em Burkina Faso, longe de serem uma raridade, tornaram-se o pain quotidien (o pão de cada dia) dessas três nações, igualmente acossadas pelo terrorismo wahabita, pela pressão da CEDEAO e das potências ocidentais. Isso, quando comparado aos recentes acontecimentos na Venezuela e sem descartar as novas manifestações incentivadas pelo Mossad e pela CIA no Irã, confere-lhes um inegável ar de família.

¨      Mecanização, indústria e esperança: entenda a Ofensiva Agrícola de Traoré em Burkina Faso

A dependência de ajuda externa, a instabilidade política, a pobreza crônica e os efeitos das mudanças climáticas estão entre os entraves que impedem Burkina Faso de alcançar a sonhada soberania alimentar. Atualmente, cerca de 80% da população da nação do Sahel está envolvida na atividade agrícola, que representa um terço do PIB. Mesmo assim, o país ainda importa mais de 200 mil toneladas de arroz por ano. Em resposta a esse desafio, o governo do presidente Ibrahim Traoré lançou em 2023 a chamada Ofensiva Agrícola, que vem revolucionando o meio rural e sendo um modelo para o continente. O objetivo central é pôr fim à dependência de importação de produtos alimentares de grande consumo.

Segundo Mark Gansonré, produtor rural e representante das associações de camponeses na Assembleia Nacional de Transição, ao implementar o programa, o novo governo buscou ouvir os agricultores do país. “Acredito que ele [Traoré] tirou um tempo para entender o grito do coração dos agricultores de Burkina”. “Desde 2002, nós conduzimos uma série de ações, começando pela reivindicação do reconhecimento da agricultura como uma profissão plena e legítima. Obtivemos uma lei de orientação agrícola para estruturar esse reconhecimento. Também trabalhamos para facilitar o acesso dos pequenos produtores ao crédito. Hoje, chegamos a um ponto de verdadeira gratidão. Graças a Deus, no ano passado este governo destinou 78 bilhões de francos CFA para a compra de equipamentos agrícolas, colocando à disposição dos agricultores”, celebra Gansonré.

<><> Os números da Ofensiva Agrícola

A Ofensiva já trouxe resultados na autossuficiência alimentar. Os rendimentos por hectare no país aumentaram drasticamente desde o início da ofensiva, com melhorias de cerca de 35% a 40%. Mais notável ainda, o país alcançou excedentes de cereais por dois anos sucessivos, um contraste com o padrão histórico de déficits antes da atual gestão. Em 2024, seis milhões de toneladas de cereais foram colhidas em Burkina Faso. Isso ocorreu apesar da presença de grupos jihadistas fundamentalistas ao redor do país. Até o fim deste ano, o programa agrário pretende criar 100 mil empregos para a população deslocada pelo terrorismo, com um orçamento dividido entre 54% da iniciativa privada e 46% do Estado. “Se há mais de um milhão de pessoas deslocadas, a maior parte desta população está no meio rural. Muitos desses agricultores abandonaram as terras que não puderam ser cultivadas. Mas isso não nos impede hoje de produzir. Apesar do abandono de várias áreas agrícolas que não puderam ser cultivadas, houve um acompanhamento significativo para que, nas regiões onde ainda há capacidade produtiva, os agricultores pudessem intensificar a produção a fim de alimentar o povo burkinabé”, destaca Gansonré.

Luc Damiba, conselheiro especial do primeiro-ministro de Burkina Faso, avalia que, mesmo em um contexto de poucas chuvas, o país dispõe de boas terras e água em abundância, o que torna possível, segundo ele, reorganizar a produção para abastecer os cidadãos. Ele destaca que garantir alimento suficiente à população é a base de qualquer projeto nacional. “É preciso ocupar os camponeses, ocupá-los bem. Se não fizermos isso, eles serão ocupados pelos terroristas. O primeiro ganho é esse. O segundo ganho é que eles vão produzir o suficiente para alcançar a autossuficiência alimentar. O terceiro ganho é que teremos atores políticos bem preparados e comprometidos com o avanço da revolução”, analisa. “Se não tivermos o mundo camponês para fazer a revolução, vamos fracassar. Só podemos contar com o mundo camponês para realizá-la. E Traoré começou bem ao adotar essa política agrícola ofensiva, capaz de mobilizar esse grupo, que passa a ser um ator político fundamental”, complementa Damiba.

<><> Relação com Sankara

A busca pela soberania alimentar na região tem raízes históricas profundas, remetendo à Revolução de Thomas Sankara nos anos 1980. A reforma agrária implementada por Thomas Sankara (1983-1987), além de distribuir terras àqueles que realmente produziam, visava engajar politicamente essa grande massa de pequenos camponeses. Em 1987, após quatro anos de Sankara, em Burkina Faso, a ONU reconheceu pela primeira vez o país como autossuficiente na produção de alimentos. Após o assassinato do ex-presidente e líder da histórica revolução burkinabé, no entanto, décadas de políticas que priorizavam culturas de exportação em detrimento da agricultura familiar fizeram o país do Sahel voltar a depender de insumos externos. O modelo colonial ditado pelas multinacionais do agronegócio mundial, como a Monsanto, ganhou espaço no país durante o regime de Blaise Compaoré, o mentor do massacre de Sankara e que governou o país de 1987 até 2014, com suporte do governo francês.

Para Mark Gansonré, a implementação da Ofensiva Agrícola é um símbolo da aproximação de Traoré com as ideias de Sankara. “É como se tivéssemos um Sankara. Sankara despertou. É verdade que na época dele a maior parte da população não compreendia muito bem a sua visão. Era um mobilizador… Mas hoje, depois da sua passagem, houve um despertar e este atual governo veio efetivamente estimular esse despertar”, considera.

<><> Mecanização

A ofensiva do atual governo tem sido marcada por um forte apoio direto aos produtores rurais e por investimentos inéditos em mecanização. A estratégia foca no aumento substancial da produção em oito culturas prioritárias: arroz, milho, batata, trigo, peixe, gado, avicultura e manga.

O financiamento para a compra das máquinas no país, em grande parte provenientes da China, se apoia em duas fontes principais: a nacionalização do ouro e a criação de um fundo patriótico alimentado pela própria população.

Desde que Traoré assumiu o controle de duas minas que antes pertenciam a uma empresa listada em Londres e iniciou a construção de uma refinaria estatal, o governo já destinou 179 milhões de dólares para a compra de máquinas agrícolas.

Sawadogo Pasmamde, ou Oceán, multiartista e membro do Centro pela Liberdade e União Africana Thomas Sankara, detalha a transformação: Pela primeira vez, estão sendo distribuídos tratores em todo o país. Os insumos agrícolas são entregues aos agricultores, dando-lhes tudo o que é necessário para que possam produzir. Além disso, todos os engenheiros agrônomos que trabalhavam nas cidades foram transferidos para o campo, para acompanhar e apoiar diretamente os camponeses. E agora, vemos que os resultados estão começando a aparecer como recompensa por esse esforço.

<><> Os dois tipos de agricultura

Segundo o governo anuncia, a mecanização diferenciada inclui animais de tração para pequenos produtores e, por outro lado, motocultores e tratores para grandes empreendimentos. Inicialmente, foram distribuídos mais de 400 tratores, além de fertilizantes subsidiados. Para a campanha 2025-2026, o pacote deve incluir a entrega de 608 tratores e 1.102 motocultores.

Para Marc Gansonré, essa é uma demanda histórica dos agricultores do país que nunca foi plenamente atendida. Ele recorda que houve uma tentativa inicial durante a Revolução liderada por Sankara, mas o processo foi interrompido após sua morte.

Durante o governo Compaoré, ele acrescenta que um programa chegou a distribuir carroças aos agricultores, porém sem os animais de tração necessários para seu uso. A iniciativa ficou paralisada por anos até que, após reivindicações dos agricultores, foram introduzidas subvenções para arados e para animais como jumentos e bois. Mesmo assim, o alcance das políticas permaneceu limitado. Segundo o parlamentar, à época havia cerca de 1,4 milhão de famílias agrícolas no país, mas menos da metade foi atendida pelos programas: “A cobertura chegou apenas a 27%, depois, 32%. E, graças a Deus, tivemos a chegada deste presidente atual, que compreendeu desde o início os sinais dessa necessidade de apoio à mecanização”, reforça.

A mecanização no país hoje, segundo Marc, é feita de forma diferenciada, respeitando as dimensões espaciais de cada área cultivável e as capacidades financeiras entre as famílias produtoras. Ele conta que em Burkina Faso há dois tipos de agricultura: a exploração agrícola familiar e empreendedores agrícolas de grande porte, que precisam de equipamentos pesados. “Dar um motocultivador ou um trator a alguém que não tem condições de fazer a manutenção adequada desse equipamento é como não ter feito nada. Por isso, trabalhamos para que o pequeno produtor continue a ser acompanhado com arado e animais de tração, enquanto os que evoluíram um pouco mais possam trabalhar com motocultivadores”, explica Gansonré. “Quando cai uma chuva que não ultrapassa 5 milímetros e você precisa semear, é necessário que nas 24 a 48 horas seguintes você consiga cultivar o máximo de superfície possível. E fazer isso apenas manualmente é muito difícil. Houve então a introdução de semeadoras e motocultivadores para melhorar o preparo do solo”, completa.

<><> Criação de indústrias

Além da produção, o foco do governo burkinabé com sua Ofensiva Agrícola está na industrialização e agregação de valor aos produtos cultivados localmente. No país, a criação de unidades de transformação tem gerado empregos e até permitido que os agricultores se tornem acionistas em algumas das fábricas inauguradas.

A primeira indústria de processamento de tomate do país, inaugurada em 2024 em Bobo Dioulasso, tem 20% de participação estatal e 80% de capital popular, organizados pela Agência para a Promoção do Empreendedorismo Comunitário (Apec). A organização, fundada em 2022, é sustentada principalmente pela pequena e média burguesia nacional.

Souleymane Yougbare, diretor do Conselho Nacional da Agricultura Biológica de Burkina Faso (CNABio), avalia que a iniciativa tem reduzido a dependência de importações e desenvolvido a economia local. “Se tivermos, por exemplo, purê de tomate 100% burkinabé, isso permite proteger nossos mercados, isso nos permite ser autônomos em relação ao consumo de purê de tomate e também evitar casos de intoxicação. Tudo que importamos, não sabemos como é produzido”, coloca Yougbare. Ele destaca ainda como a fábrica tem agregado valor à produção dos agricultores, que antes perdiam grande parte da colheita por falta de alternativas de escoamento. “Antes, a produção de tomate em Burkina era muito grande, mas, infelizmente, os produtores perdiam boa parte porque os tomates apodreciam nos campos ou precisavam ser vendidos a preços muito baixos. Isso é triste. Havia até exportadores, ou melhor, importadores e exportadores, que vinham comprar a preços irrisórios e revendiam em outros países. Tudo isso destrói a nossa economia”, avalia. Por outro lado, Yougbare pondera que o avanço da industrialização no país deve ser acompanhado de uma reflexão sobre seus impactos. “Ao pensarmos em industrialização, e o nome já diz tudo, é preciso ter cuidado para que ela não traga outros problemas, como vemos nos países desenvolvidos: a poluição da camada de ozônio, o impacto sobre o clima… Portanto, é preciso que sejam soluções realmente locais, adaptadas ao nosso contexto e às nossas necessidades”, detalha.

O deputado Marc Gansonré acredita que o país vive embranhado hoje dentro de uma mudança de consciência, “um espírito de patriotismo” que faz com que a população diga: “Se queremos ser autônomos, é bom receber ajuda, mas é melhor que nós mesmos trabalhemos para encontrar soluções para os nossos problemas internos. E aquilo que não pudermos fazer, podemos buscar fora.” Ele finaliza: “Eu reconheço que esses são elementos realmente novos que observamos hoje, graças à visão do chefe de Estado e de seu governo. Isso nos leva a ter muita esperança de que, em breve, a África Ocidental será um exemplo para outros países”.

 

Fonte: Diálogos do Sul Global

 

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