Brasil
e Rússia apostam na ampliação da cooperação e do comércio bilateral
A
ministra da Agricultura da Rússia, Oksana Lut, e o ministro da Agricultura e
Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, discutiram o fortalecimento das relações no
setor agroindustrial antes da reunião da Comissão Bilateral de Alto Nível,
informou hoje (5) o Ministério da Agricultura da Rússia.
O
comércio entre os dois países inclui café, soja, carne bovina e trigo, além de
fertilizantes minerais fornecidos pela Rússia.
Moscou
também se mostrou disposta a manter o fornecimento de pescado e bebidas
destiladas.
Há
ainda interesse em ampliar a cooperação científica, com projetos conjuntos em
genética vegetal e animal, agricultura, pecuária e formação de profissionais do
setor.
Em
conclusão, a ministra expressou confiança no fortalecimento contínuo da
cooperação agrária bilateral entre os países em diversos setores.
<><>
Cooperação industrial e produtiva são destaques de reunião entre Brasil e Rússia em Brasília
Integrantes
do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a
delegação oficial da Rússia reuniram-se nesta quarta-feira (4) para debater
acordos bilaterais de investimentos, inovação tecnológica e integração
produtiva.
O
encontro antecedeu a VIII Reunião da Comissão de Alto Nível Brasil–Rússia
(CAN), prevista para esta quinta-feira (5), no Palácio Itamaraty, com presença
confirmada do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
Serão
discutidas oportunidades de parcerias produtivas, intercâmbio tecnológico,
atração de investimentos, ampliação do comércio bilateral e aproximação
institucional entre os setores industriais.
Por
meio de nota, o secretário-executivo do MDIC, Márcio Elias Rosa, que conduziu o
encontro, declarou que a cooperação industrial com a Rússia também pode
contribuir para enfrentar gargalos estruturais da economia brasileira,
especialmente em setores estratégicos para a produção nacional.
"Reduzir
a dependência externa de insumos essenciais e fortalecer a produção local é uma
prioridade para o Brasil. Estamos atraindo investimentos, ampliando a
capacidade industrial e gerando emprego e renda", afirmou Rosa.
Os
acordos, segundo ele, visam fortalecer a tecnologia e o valor agregado das
produções industriais brasileiras, avançando em áreas como fertilizantes,
agroindústria, máquinas e equipamentos, energia limpa, logística e
digitalização industrial.
A
delegação russa foi liderada pelo vice-ministro da Indústria e Comércio,
Aleksei Gruzdev, e pelo representante comercial da Embaixada da Rússia no
Brasil, Viktor Sheremetker.
"Brasil
e Rússia são parceiros estratégicos. Queremos ampliar investimentos e projetos
industriais conjuntos, com benefícios concretos para nossas economias",
afirmou Gruzdev, durante a reunião, segundo a pasta. "Estamos prontos para
compartilhar nossa experiência em tecnologia, infraestrutura e segurança
produtiva, apoiando a modernização da indústria brasileira".
Também
participaram do encontro com a delegação russa a secretária de Comércio
Exterior, Tatiana Prazeres, o secretário de Desenvolvimento Industrial,
Inovação, Comércio e Serviços, Uallace Moreira Lima, e o subsecretário de
Articulação em Temas Comerciais da Câmara de Comércio Exterior (Camex),
Guilherme Rosa, entre outros integrantes do ministério.
• Governo federal lança programa para
integrar infraestruturas da América do Sul
O
governo federal anunciou nesta quarta-feira (4) a criação do Programa Rotas de
Integração Sul-Americana, iniciativa para formular e executar políticas
públicas destinadas à integração da infraestrutura física, digital, social,
ambiental e cultural entre os países sul-americanos.
O Rotas
prevê também atuação conjunta com organismos internacionais, com o intuito de
consolidar parcerias para a produção de estudos técnicos e pesquisas aplicadas.
Como parte do programa, pelo menos 190 obras já estão sendo realizadas no
continente.
De
acordo com o governo, as redes de infraestrutura traçadas pelo programa
articulam-se metodologicamente a partir de diferentes rotas estratégicas a
serem trabalhadas, sendo:
>>>
Rota Amazônica:
-
percorre o estado do Amazonas pelo eixo do rio Solimões, conectando o Brasil à
Colômbia, ao Equador e ao Peru, com acesso ao oceano Pacífico;
>>>
Rota Quadrante Rondon:
-
compreende os estados do Acre e de Rondônia em sua totalidade e partes de
Amazonas, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, conectando o Brasil ao Peru, à
Bolívia e ao norte do Chile, com destino a portos no oceano Pacífico;
>>>
Rota Bioceânica de Capricórnio:
-
atravessa os estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina
e se conecta com o Paraguai, a Argentina e o Chile, estabelecendo uma ligação
entre os oceanos Atlântico e Pacífico;
>>>
Rota Bioceânica do Sul:
-
compreende o estado do Rio Grande do Sul e trechos do sul de Santa Catarina e
se conecta com o Uruguai, a Argentina e o Chile.
• Governo anuncia investimentos para
triplicar incentivo fiscal à indústria química
O
governo federal pretende investir R$ 3 bilhões no Regime Especial da Indústria
Química (Reiq) de 2026, R$ 2 bilhões a mais de que no ano passado.
O
aumento será feito por Medida Provisória (MP) e projeto de lei complementar que
será enviado na semana que vem ao Congresso Nacional, em regime de urgência,
informou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e
Serviços, Geraldo Alckmin, em reunião com representantes do setor,
sindicalistas e políticos:
"Na
próxima semana, o presidente [Luiz Inácio Lula da Silva] deve fazer dois atos
importantes para fortalecer a indústria química e garantir o emprego. Com isso,
o regime, que já tem R$ 1 bi previstos no orçamento deste ano, passará para R$
3 bilhões", disse Alckmin.
O
investimento visa minimizar o impacto do crescimento acelerado das importações,
a perda de participação no mercado interno e a pressão decorrente dos custos de
produção.
<><>
Isenção fiscal para carro chinês montado no Brasil chega ao fim
O
regime especial que isentava do Imposto de Importação a entrada no Brasil de
kits desmontados de veículos elétricos e híbridos chegou ao fim em 31 de
janeiro. A política havia sido instituída pelo governo federal em agosto de
2025, após solicitação da montadora chinesa BYD, e vigorou por seis meses.
O
benefício permitia a aplicação de alíquota zero dentro de um teto global de US$
463 milhões (cerca de R$ 2,4 bilhões) em produtos importados, conforme
ressaltado pela colunista Paula Gama, no portal UOL.
Com o
encerramento do prazo, as tarifas voltaram a ser aplicadas a partir de 1º de
fevereiro. Atualmente, a alíquota é de 16% para kits CKD (completamente
desmontados) e de 18% para SKD (semidesmontados), conforme a tabela em vigor da
Câmara de Comércio Exterior (Camex). De acordo com o cronograma oficial, esses
percentuais devem subir gradualmente até atingir 35% em janeiro de 2027 no caso
dos kits desmontados.
O
regime temporário foi criado com o objetivo de facilitar a entrada de novas
montadoras no país, como BYD e GWM, durante a fase inicial de implantação das
respectivas fábricas. Na prática, a medida reduziu de forma expressiva o custo
de veículos montados localmente a partir de componentes importados da China, o
que gerou forte reação de segmentos da indústria automotiva nacional.
Embora
houvesse expectativa de renovação do benefício, nenhum pedido formal foi
encaminhado à Camex, órgão responsável pela política tarifária. De acordo com a
coluna, o tema também não foi incluído na pauta da reunião do colegiado
realizada em 28 de janeiro. Um novo encontro está previsto para 12 de
fevereiro, mas a agenda ainda não foi divulgada.
Ainda
segundo relatos de bastidores revelados pelo portal, integrantes do governo
reconhecem a existência de pressões políticas favoráveis à BYD, especialmente
de representantes ligados à instalação da fábrica da empresa em Camaçari, na
Bahia. Apesar disso, o prazo do regime expirou sem prorrogação e sem a
apresentação de qualquer solicitação oficial para a prorrogação do benefício.
O fim
da isenção do imposto, conforme a coluna revelou, se dá no contexto em que a
Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), divulgou
recentemente um estudo com projeções negativas, mostrando que, caso os
incentivos continuassem, 69 mil empregos diretos poderiam ser perdidos e
geraria prejuízos de até R$ 103 bilhões na cadeia automotiva.
• ANP autoriza Petrobras a retomar
perfuração na Foz do Amazonas, 1 mês após vazamento
A
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou
nesta quarta-feira (4) a Petrobras a retomar perfuração de um poço exploratório
na Bacia da Foz do Amazonas, que havia sido paralisada no início do ano devido
a um vazamento de fluido de perfuração.
"Considerando
as análises técnicas realizadas e as medidas mitigadoras propostas pela
Petrobras, concluiu-se não haver óbice ao retorno das atividades de perfuração
no referido poço, a partir do recebimento deste ofício", diz a notificação
da ANP.
A
retomada deverá seguir alguns condicionantes, expressos na autorização, como a
troca dos elementos de vedação usados nas conexões da tubulação por onde passam
os fluidos e treinamento de todos os trabalhadores envolvidos no procedimento,
diz a notificação da agência.
O
vazamento de fluido na perfuração no Foz do Amazonas foi notificado em 6 de
janeiro, e ocorreu em duas linhas conectadas à sonda de perfuração do poço
Morpho, a 175 km da costa do estado do Amapá, segundo informou a Petrobras.
Em 20
de outubro do ano passado, o Ibama concedeu uma licença para a Petrobras
explorar o primeiro poço na Bacia do Foz do Amazonas. A estatal iniciou as
operações de perfuração no mesmo dia.
As
estimativas da estatal são de que a perfuração dure cinco meses para avaliar se
há petróleo e gás na área em escala econômica. Ainda não há produção de
petróleo no momento.
A
perfuração é criticada por ambientalistas pela região ser rica em flora e fauna
marinha e por comunidades indígenas da região por temor de contaminação de seu
habitat.
• Parlasul: por que o Parlamento do
Mercosul é tão distante da população sul-americana?
Especialistas
explicam por que o Parlamento do Mercosul não consegue avançar efetivamente em
projetos de integração regional, diferentemente do que acontece com outros
órgãos, como o Parlamento Europeu.
Muitas
pessoas não sabem, mas o Mercosul tem seu próprio Parlamento, o Parlasul, que
tem como objetivo representar os interesses dos cidadãos dos países-membros ao
atuar como um espaço de debate político e de harmonização de normas.
Diferente
de outros órgãos mais técnicos, como a Comissão de Comércio e o Tribunal
Permanente de Revisão, no corpo legislativo se debatem direitos sociais,
integração regional e mobilidade.
Em
entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, especialistas analisam até
que ponto o Parlasul consegue influenciar as políticas do Mercosul e quais os
desafios para tornar essa representação mais próxima da população.
Jorge
Rodrigues, pesquisador do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social e
doutorando em relações internacionais pelo programa de pós-graduação em
relações internacionais San Tiago Dantas, afirma que, apesar do nome do bloco
significar Mercado Comum do Sul, na prática ele funciona mais como uma
instituição aduaneira.
Um
mercado comum implicaria na livre circulação de bens de capital, serviços,
pessoas, e na harmonização de políticas econômicas e regulatórias através de
instituições como o Parlasul. No entanto, o órgão atua mais com uma função
consultiva, elaborando relatórios e proposições que devem ser acatadas, de
maneira unânime, pela estrutura decisória do Mercosul.
"Na
União Europeia, por exemplo, o Parlamento Europeu tem incidência política nas
decisões da integração e do bloco. Aqui a gente não tem essa realidade. Mas
existem processos e existem funções relevantes do Parlasul que fazem com que a
estrutura mereça continuar e mereça ser fortalecida."
Para
Rodrigues, esta diferença ocorre por falta de interesse político e está
"na raiz" no esquecimento do Parlasul.
"É
essa raiz que eu coloco como responsável por um eventual enfraquecimento de uma
estrutura como o Parlasul, que é importante, que tem função do ponto de vista
da integração e do ponto de vista das relações políticas e econômicas dos
Estados-membros, mas que tem sido relegada."
Outra
diferença entre o Parlamento Europeu e o Parlasul é a proximidade com a
população. No caso europeu, os integrantes são eleitos pela população para
atuar na representação.
"No
caso do Parlasul, isso não aconteceu. Os países aqui da nossa região, Brasil,
Argentina, Paraguai, Uruguai, principalmente, não se engajaram num processo de
abdicar a parte da sua soberania para pensar num processo de integração
regional mais sólido", avalia Beatriz Bandeira de Mello, pesquisadora de
relações internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
A
especialista enfatiza que, no caso do Brasil, a falta de dedicação exclusiva de
parlamentares eleitos para o Parlasul prejudica a atuação no órgão. A dupla
função exercida pelos parlamentares eleitos por seus pares para integrar o
Parlasul os leva a atuar nas frentes nacional e regional.
"O
que acontece muitas vezes é que, quando esse parlamentar vai ocupar um
ministério, por exemplo, ele troca com um suplente. Então, o suplente dele
passa a exercer o cargo do Parlamento do Mercosul e ele passa a ser vinculado
ao ministério. Então, isso também prejudica a nível de continuidade de
políticas. Não tem uma garantia de estabilidade desse parlamentar dentro do
Parlasul."
Ainda
no recorte do Brasil, outro obstáculo para a atuação do Parlasul apontado por
Mello, é a competição a nível doméstico. Isso porque o Legislativo brasileiro
acaba ocupando um lugar central na própria condução dos processos de integração
e na forma como o país se posiciona a nível internacional.
Fonte:
Sputnik Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário