sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Modo como você vira ao andar pode revelar risco de Parkinson, aponta estudo

A redução na velocidade ao mudar de direção durante uma caminhada pode revelar um risco de desenvolver doença de Parkinson. Isso é o que mostrou um estudo alemão com dados coletados ao longo de uma década.

🧠O Parkinson é uma doença neurológica que afeta os movimentos do paciente. Entre os principais sintomas estão tremores, lentidão de movimentos e desequilíbrio. (veja mais abaixo)

➡️A pesquisa, publicada na revista científica "Annals of Neurology", acompanhou 1.051 pacientes com mais de 50 anos durante dez anos. O objetivo era analisar a relação da taxa de alteração no desempenho dos giros durante uma caminhada e um futuro diagnóstico de Parkinson.

Os resultados mostraram que uma "velocidade angular mais lenta", isto é, a velocidade com que alguém gira no ponto de maior velocidade ao andar, esteve ligada a uma maior probabilidade de desenvolver a doença no futuro.

Os pesquisadores também atestaram que as velocidades de giro começaram a diminuir cerca de 8,8 anos antes do diagnóstico clínico de Parkinson, o que pode indicar que esse seria um dos primeiros sinais motores detectáveis da doença.

Brook Galna, professor associado da Escola de Saúde Aliada da Murdoch University, na Alemanha, e um dos autores do estudo, afirma que as descobertas abrem caminho para intervenções precoces relacionadas ao problema.

"A detecção precoce de pessoas em risco de desenvolver Parkinson acelerará a descoberta e o teste de tratamentos neuroprotetores, desenvolvidos para retardar a progressão da doença, e pode manter as pessoas vivendo de forma independente por mais tempo", projeta.

<><> Sensor nas costas

Para realizar o estudo, os pesquisadores utilizaram um sensor na parte inferior das costas dos participantes.

O dispositivo era responsável por medir os movimentos de giro durante uma caminhada de cerca de um minuto por um corredor de 20 metros.

O aparelho registrava ângulo, duração e velocidade da virada, fornecendo dados que posteriormente foram relacionados ao desenvolvimento ou não de Parkinson.

Do total de participantes, 23 foram diagnosticados com a doença em média 5,3 anos após a avaliação inicial. Mas o sinais de redução na velocidade foram observados aproximadamente 8,8 anos antes do diagnóstico.

"Ao detectar mudanças na velocidade da virada por meio de sensores vestíveis, em combinação com outros sinais iniciais de Parkinson, podemos identificar indivíduos em risco muito antes de os sintomas se tornarem clinicamente aparentes", afirmou Galna.

<><> Sintomas e diagnóstico do Parkinson

A doença de Parkinson acontece por causa da degeneração das células localizadas em uma região do cérebro conhecida como substância negra.

Essas células produzem a dopamina, responsável por conduzir as correntes nervosas (neurotransmissores) ao corpo. Por isso, a falta ou diminuição dessa substância no corpo afeta os movimentos.

👉Os sintomas mais característicos da doença são:

•        Tremores

•        Lentidão de movimentos

•        Rigidez muscular

•        Desequilíbrio

•        Alterações na fala e na escrita

Atualmente, o diagnóstico é feito a partir do histórico clínico do paciente e por meio de um exame neurológico. Ainda não há nenhum teste específico para o diagnóstico ou prevenção da doença.

Também não há cura. O tratamento normalmente busca combater os sintomas, além de retardar o progresso da doença.

<><> Limitações do estudo

Apesar dos resultados indicarem uma possível nova forma de detecção precoce do Parkinson, os pesquisadores ponderam que o estudo ainda traz algumas limitações.

👉Entre elas:

•        Utilização de somente sete medidas de giro

•        Número limitado de participantes

•        Limitações do algoritmo para detecção do ângulo de giro

Na discussão da pesquisa, o grupo sinaliza que os "achados indicam que avaliações quantitativas e digitais dos movimentos de giro podem ser mais um componente útil em uma bateria diagnóstica para identificar pré-diagnóstico de Parkinson".

Apesar disso, eles recomendam futuras análises para aprofundar as descobertas.

"O trabalho futuro deve buscar aumentar a sensibilidade e especificidade dos modelos de aprendizado de máquina, avançando em direção a ferramentas de triagem mais eficientes e clinicamente relevantes", destacam.

•        Parkinson pode começar nos rins e não no cérebro, aponta estudo

A Doença de Parkinson, tradicionalmente associada a alterações no cérebro, pode ter sua origem nos rins. É o que sugere um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Wuhan, na China, publicado na revista científica Nature Neuroscience.

A doença, conhecida por comprometer o controle dos movimentos e causar tremores, rigidez muscular e lentidão, sempre foi investigada a partir do sistema nervoso central. Agora, os cientistas levantam a hipótese de que a patologia pode começar fora do cérebro, em órgãos periféricos — neste caso, os rins.

<><> O papel da proteína alfa-sinucleína

O foco da pesquisa é a alfa-sinucleína (α-Syn), proteína que há décadas está no centro dos estudos sobre Parkinson e outras demências chamadas “demências de corpos de Lewy”. Esse nome, Lewy, se refere a depósitos anormais da própria alfa-sinucleína dentro dos neurônios.

Esses aglomerados dificultam o funcionamento das células nervosas e são considerados a principal marca patológica do Parkinson.

O novo estudo mostra que o processo pode se iniciar nos rins. Os pesquisadores observaram depósitos da proteína nesse órgão em 10 de 11 pacientes com Parkinson ou outras doenças do grupo. O mesmo tipo de alteração também foi detectado em 17 de 20 pessoas com doença renal crônica, mesmo na ausência de sintomas neurológicos.

Segundo os autores, isso sugere que os rins podem funcionar como um “ponto de partida” para a propagação da alfa-sinucleína, que depois alcança o cérebro.

<><> Testes em animais

Além da análise de tecidos humanos, a equipe chinesa fez experimentos em camundongos geneticamente modificados. Nos animais, a injeção da proteína no rim levou à disseminação da patologia até o cérebro.

Outro achado importante foi que a propagação pôde ser bloqueada em determinadas condições, como quando os nervos que conectam o rim ao sistema nervoso foram interrompidos. Isso reforça a hipótese de que a comunicação entre os rins e o cérebro tem um papel relevante no avanço da doença.

<><> Implicações para diagnóstico e tratamento

Se confirmada em estudos maiores, a descoberta pode abrir novas possibilidades para a prática médica. O rastreamento da alfa-sinucleína em órgãos periféricos poderia servir como sinal precoce da doença, permitindo acompanhar pessoas com risco elevado antes que os sintomas motores se manifestem.

Além disso, entender a participação dos rins no processo pode orientar o desenvolvimento de terapias que atuem antes da degeneração cerebral, em fases ainda silenciosas da condição.

<><> Um passo inicial

Apesar dos resultados animadores, os pesquisadores alertam que se trata de um estudo preliminar. Ainda será necessário expandir os testes em humanos para confirmar a relação entre função renal comprometida e surgimento do Parkinson.

A pesquisa se soma a outras investigações que já mostraram a possibilidade de a doença começar em órgãos periféricos, como o trato gastrointestinal ou mesmo o apêndice, antes de chegar ao cérebro.

<><> A dimensão do problema

O Parkinson faz parte do grupo das doenças de corpos de Lewy, caracterizadas pela presença desses depósitos de alfa-sinucleína. Além do Parkinson, o grupo inclui a demência com corpos de Lewy, que causa declínio cognitivo e alterações de comportamento.

De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 10 milhões de brasileiros vivem com o diagnóstico da doença. A prevalência tende a aumentar nos próximos anos, acompanhando o envelhecimento da população.

 

Fonte: g1

 

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