Os
povos que enfrentaram a Segunda Guerra vencerão novamente o fascismo
As
vertentes dominantes do fascismo que hoje se manifestam são encarnadas
por Donald Trump. E, no Peru, o
fenômeno levanta a cabeça a partir de figuras parasitárias de escasso relevo,
mas de alta periculosidade, que buscam perpetuar no país um conjunto de ações
sinistras de caráter primitivo, selvagem e terrorista.
O
mandatário ianque simboliza a mais alta expressão do hitlerismo contemporâneo.
Retratam-no por inteiro as operações desencadeadas contra a
Venezuela Bolivariana,
o sequestro de Nicolás Maduro e Cilia Flores, o assassinato aleivoso de
combatentes cubanos e venezuelanos, bem como de civis que tombaram nessas
circunstâncias; mas também a forma como lidou com a crise do Caribe, desatada
pela infinita voracidade do Império.
Continua
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Uma
após a outra, foram ruindo as mentiras de Washington, por meio das quais se
tentou “justificar” essas ações. O chamado “Cartel de los Soles”, citado milhares de
vezes desde a Yanquilândia, revelou-se aquilo que sempre foi: uma mentira
grosseira destinada a justificar um ataque rufianesco que se estrutura em torno
de uma única palavra: petróleo.
O mesmo
ocorreu com a alegação da droga “transportada” desde as costas da Venezuela por
via marítima, sem que a administração estadunidense tenha sido capaz de
apresentar a mínima prova da existência sequer de um quilo de cocaína
atravessando o proceloso mar das Antilhas, onde não menos de 12 embarcações
foram afundadas e quase 100 pessoas assassinadas.
O
senhor Trump, no esforço de apresentar a imagem de uma “operação
cirúrgica” impecável, lançou duas imensas mentiras: a de que não havia
sofrido qualquer dano e a de que havia conseguido “submeter” o governo da
Venezuela a ponto de colocá-lo “a seu serviço”.
A vida
demonstrou que os supostos “invictos” atacantes sofreram numerosas baixas,
ocultadas da opinião pública tanto nos Estados Unidos quanto no restante do
mundo; e que o governo bolivariano da Venezuela está submetido apenas à vontade
de seu povo, e de mais ninguém. Por isso, hoje o núcleo dirigente do processo
bolivariano se mantém sólido, enfrentando com singular coragem todas as ameaças
do Império, que, além disso, são ostensivas e públicas.
Estão
corretos aqueles que sustentam que Donald Trump destruiu a democracia e todos
os princípios do Direito Internacional. Não se pode tolerar que um governo se
vanglorie de ter “submetido” outro e colocado a seu serviço; tampouco que um
país se arrogue o direito de decidir qual governo é aceitável e qual não é.
Se na
Sociologia o Hegemon é apenas um termo para designar um país
dominante, na política o conceito não existe sem sua vinculação ao sistema
financeiro que representa: o Imperialismo em sua fase de decomposição.
Essa
fase também se evidencia quando se observa o que ocorre nos próprios Estados
Unidos, onde o governo recorre a leis de dois séculos atrás para ordenar que o
Exército reprima seu próprio povo; quando se registram milhares de
manifestações populares contra o governo; quando o regime se vê obrigado a
transformar o ICE (o Serviço de
Imigração e Alfândega) como força de choque contra populações migrantes que
pretende expulsar como se fossem gado; e também quando ameaça governos e países
que sustentam posições distintas.
Ataca o
México, a Colômbia, o Brasil, Cuba e a Nicarágua, e até mesmo o Canadá, que
propõe anexar; agride a Dinamarca e a Groenlândia, no coração da União
Europeia, porque sonha em se apoderar de territórios e riquezas que
afirma “lhe pertencerem”; e aponta contra o Irã, agredindo o regime dos
aiatolás ao mesmo tempo em que sustenta os planos de Netanyahu para destruir
Gaza e o povo da Palestina.
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Reflexos no Peru
Mas, se
isso ocorre no mundo, no Peru o rumo não é diferente. O que acontece é que aqui
os expoentes do fascismo se alinham de forma submissa, à espera de que o Amo do
Norte decida quem é seu “preferido”, tal como já ocorreu em Honduras. Por
ora, aguardam ansiosamente o “enviado diplomático” — o embaixador Mr.
Navarro — que em breve virá “apresentar credenciais”, sublinhando que,
para estar em sintonia com aqueles que o receberão, também responde a processos
por crime de peculato, entre outros.
López
Aliaga, Keiko, Acuña, Williams Zapata e até Espá se atacam mutuamente,
desesperados, pois cada um anseia obter a bênção do “Ser Supremo”, como
consideram Trump. E como em março estará entre nós Marco Rubio — “Narco Rubio”,
o assassino de janeiro —, tratarão de fazer os méritos necessários diante de
seus olhos.
Todos
coincidem no essencial: dão as mãos à corrupção, mantêm intocadas as leis
pró-crime aprovadas pelo Congresso, acobertam as mentiras de Jerí, endossando
sua estultícia, e estimulam a campanha da imprensa destinada a rotular de
“vermelhos” ou “caviares” todos aqueles que criticam suas ações.
É
evidente que o pano de fundo é o anticomunismo galopante que lhes corrói as
entranhas. Por isso despejam todo o ódio acumulado contra Nicolás Maduro e a
causa da Venezuela; por isso promoveram uma campanha de mentiras contra Claudia
Sheinbaum e contra o embaixador de Cuba, Zamora Rodríguez; e por isso também
cerram fileiras contra a Ilha de Martí, murmurando preces para que o socialismo
na Maior das Antilhas caia.
Os
povos não permanecem indiferentes a essa campanha nem ao avanço do fascismo.
Onde menos se espera, surge a vontade de luta de milhões de pessoas que não
estão dispostas a ceder espaço a novas hordas hitleristas.
Não foi
em vão que o mundo viveu a experiência da Segunda Grande Guerra, nem tampouco é
em vão que cresceu a consciência de milhões na luta de libertação nacional,
pela independência e soberania dos Estados, pelos recursos dos países e dos
povos.
Ainda
que os partidários da morte tentem cantar vitória, ela não lhes pertence. Nas
condições mais adversas, poderemos evocar as vigorosas palavras de combate de
Salvador Allende: “A história é nossa. E quem a faz são os povos.”
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EUA: na música e na poesia, a cultura reafirma sua força
contra o fascismo
São
versos contemporâneos e histórias de lutas e resistência; são expressões de
ira, condenação e dignidade na música, nos cartazes e no resgate de literatura,
discursos e declarações de décadas e até séculos atrás que, de repente, voltam
a ser muito urgentes, mesclados com expressões que nascem nesta conjuntura.
Versos e prosa, gráficos, ecos e ritmos nos EUA que deixam claro do que se
trata.
Que nosso país
nos dispare pelas costas
não é apenas brutal…
é execução…
Nossa maior ameaça
não são os de fora entre nós…
Não temas os que não têm papéis,
mas os que não têm consciência…
A única coisa que não morre é a misericórdia, a coragem de nos abrirmos como
portas,
abraçar nossos vizinhos
e salvar mais uma vida brilhante, impossível.
Fragmento
do poema Para Alex Jeffrey Pretti – assassinado pelo ICE em 24 de
janeiro de 2026, de Amanda Gorman. A autora é a mais reconhecida jovem
poeta dos Estados Unidos:
“Parece
fascismo, soa como fascismo, age como fascismo, se veste como fascismo, fala
como fascismo, mata como fascismo e mente como fascismo, irmãos e irmãs, é o
maldito fascismo. Está aqui, é agora, está na minha cidade, está na sua, e
precisa ser resistido, protestado… precisa ser expulso. Por quem? Por você e
por mim. Mineápolis é uma
inspiração para toda a nação… Não há ninguém que venha nos salvar além de nós
mesmos”, afirmou o músico Tom Morello em um concerto na referida cidade na
semana passada.
Em um
ato organizado pelo grande centro cultural nova-iorquino The Public Theater, em
suas escadarias de entrada, dezenas de artistas consagrados e iniciantes,
políticos locais, escritores, dramaturgos e poetas fizeram leituras durante
oito horas de fragmentos de discursos famosos, de romances (incluindo o
inevitável 1984, de George Orwell), poemas e até partes da
Constituição e da Declaração de Independência, em um ato de denúncia, protesto
e solidariedade. De Susan Sarandon a Peter Dinklage, Christine Baranski,
John Leguizamo, Oscar Isaac, Lin-Manuel Miranda e Tony Kushner, entre outros,
participaram do evento local, que também foi transmitido ao vivo pela internet
para todo o país. Entre as leituras, um fragmento do discurso de Martin Luther
King Jr. ao receber o Prêmio Nobel da Paz:
A
não violência é a resposta à questão política e moral crucial de nosso tempo, a
necessidade do ser humano de superar a opressão e a violência sem recorrer à
violência e à opressão… Creio que a verdade desarmada e o amor incondicional
terão a palavra final na realidade.Martin Luther King Jr.
De vez
em quando, as leituras eram interrompidas por motoristas que passavam gritando “fuck
ICE” (“Dane-se o ICE”, em tradução livre), e o público respondia do
mesmo modo.
Na cerimônia do Grammy, transmitida
mundialmente neste domingo (1º), vários músicos usavam bottons com os
dizeres “ICE Out” (“Fora ICE”, em tradução livre). Entre eles
estava Bad Bunny, que será a estrela do show do intervalo do Super Bowl no
próximo domingo (8) e prometeu fazê-lo quase todo em espanhol. O Green Day, que
será a atração de abertura do mesmo evento esportivo, são roqueiros que em
todos os seus shows recentes convidaram o público a entoar “Fuck ICE” e
“Fuck Trump” (“Dane-se Trump”,
em tradução livre). De fato, o presidente dos Estados Unidos expressou
irritação com a escolha de ambos e decidiu não comparecer ao espetáculo
televisivo mais assistido do ano no país — ou seja, ficou com medo.
Uma cidade em chamas
luta contra fogo e gelo
Sob as botas do ocupante…
Na primeira luz do amanhecer
Cidadãos se levantaram pela justiça
Suas vozes ecoando ao longo da noite…
E dois mortos, nas ruas cobertas de neve
Alex Pretti e Renee Good.
Oh, nossa Mineápolis,
ouço a tua voz
Cantando através da névoa ensanguentada
Aqui estaremos defendendo nossa terra
E o estrangeiro entre nós…
Lembraremos os nomes daqueles que morreram
Nas ruas de Mineápolis…
Fora
ICE.
Fragmento
da nova canção de Bruce Springsteen, Ruas de Mineápolis, que já ocupa o
primeiro lugar em vários países.
São
apenas alguns vislumbres do que este momento representa nos Estados Unidos.
¨
Frear a catástrofe: por uma aliança dos povos capaz de
reconstruir o sistema global
Com o
começo do ano de 2026, o mundo entrou em uma nova fase. O direito internacional está sendo
abolido e substituído pela lei da selva, na qual se supõe que “a força faz o
direito”. Esse colapso total de qualquer ordem baseada em verdadeiros
princípios jurídicos ameaça intensificar diversos conflitos regionais,
transformando-os em uma nova era de trevas ou mesmo em uma guerra nuclear
mundial.
Por
exemplo: após vários atos de pirataria contra a nação soberana da Venezuela e o sequestro
de seu chefe de Estado, anunciam-se agora invasões planejadas e o roubo de
recursos naturais de países como Cuba, México, Colômbia, Irã e, possivelmente,
de outros territórios, como a Groenlândia. Uma militarização não vista há
aproximadamente 90 anos evoca o panorama de uma nova guerra mundial
iminente. Enquanto isso, o sistema financeiro dominado pelo Ocidente, hoje
quase completamente desconectado da economia real, ameaça um colapso
sistêmico muito pior do que a crise de 2008.
Abandonou-se
por completo o pretexto das “intervenções humanitárias” e da defesa da “ordem
baseada em regras”, em nome de um imperialismo e de um neocolonialismo
agressivos, agora demonstrados abertamente. Os chamados “valores
ocidentais” foram traídos e, depois de enterrados, não resta sequer uma ilusão
de legitimidade. A ausência de um estadismo eficaz, bem como o emprego da força
militar e econômica em lugar da diplomacia para a resolução dos conflitos,
levou ao fracasso das instituições do pós-guerra, como o Conselho de Segurança
da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Assembleia Geral da ONU. A falta de
aplicação das decisões dos tribunais supremos, como a Corte Internacional de
Justiça (CIJ), deixou impunes o genocídio, os crimes de guerra e os crimes
contra a humanidade.
Essa
situação deplorável exige uma intervenção urgente das instituições e das
pessoas de boa vontade em todo o mundo. Portanto, propomos a criação de uma
Iniciativa da Sociedade Civil Mundial, para atuar em conjunto com organizações
religiosas, grupos civis e com a ONU como parceiro central, com o objetivo de
defender a Carta das Nações Unidas e os Cinco Princípios de Coexistência
Pacífica de 1954. Seus focos imediatos, entre outros, devem ser:
- Convocar com
urgência uma conferência internacional para discutir os princípios de uma
Nova Arquitetura Internacional de Segurança e Desenvolvimento.
- Criar equipes
que trabalhem em aspectos da reconstrução do sistema mundial, como,
por exemplo:
a) a elaboração de
uma “Ponte Terrestre Mundial”, composta por corredores de desenvolvimento
econômico para cada continente;
b) a criação de
equipes ad hoc para condenar a descarada ingerência
estrangeira nos assuntos internos da Venezuela e qualquer intervenção similar
nos assuntos internos de Estados soberanos em qualquer parte do mundo; bem como
para condenar o genocídio que se leva a cabo em Gaza e violações semelhantes da
dignidade humana onde quer que ocorram;
c) a reorganização do sistema financeiro mundial, assim como a criação de
bancos nacionais em cada país e de um novo sistema de pagamentos dedicado à
economia física;
d) a revitalização
das melhores tradições de cada cultura e civilização do mundo e o fomento do
diálogo entre elas;
e) a exploração de
novos métodos de pensamento, com o objetivo de estabelecer um novo paradigma na
história humana, como o método da Coincidência dos Opostos.
Constitui-se,
pelo presente, um Grupo de Ação Imediata para implementar essa perspectiva. Ele
está aberto a representantes de qualquer organização ou instituição, bem como a
pessoas que desejem participar da criação de uma iniciativa da sociedade civil
mundial comprometida com os interesses da humanidade como um todo único e com a
garantia da adesão a esse ideal de uma ONU reformada. Caberá aos representantes
de cada uma das nações determinar as ações diretas não violentas apropriadas em
seus respectivos países, seguindo a tradição de Mahatma Gandhi, Martin Luther
King Jr. e Nelson Mandela.
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Por um movimento de cidadãos do mundo!
Os
signatários abaixo, que se reuniram em uma mesa redonda de diálogo de
emergência virtual internacional em 12 de janeiro de 2026, fazem este apelo à
comunidade mundial. Unimo-nos para impulsionar as ações que consideramos
necessárias para evitar que a civilização humana caia em uma catástrofe
potencialmente fatal.
>>>
Signatários que covocam:
- Helga
Zepp-LaRouche (Alemanha), fundadora do Instituto Schiller, diretora-geral
da Análise Executiva de Inteligência (EIR, na sigla em
inglês)
- Naledi Pandor
(África do Sul), ex-ministra de Relações Internacionais e Cooperação da
África do Sul
- Prof. Zhang
Weiwei (China), professor de Relações Internacionais na Universidade
Fudan, Shangai
- Dmitri Trenin
(Rússia), diretor e supervisor acadêmico do Instituto de Economia Militar
e Estratégia Mundial da Universidade HSE de Moscou
- Donald Ramotar
(Guiana), ex-Presidente da Guiana
- María de los Ángeles Huerta del Río (México), ex-deputada federal do
México
- Namit Verma
(Índia), escritor e analista de segurança da Índia
- Dennis Small
(Estados Unidos), diretor de EIR para a América espanhola
- Tenente-coronel
(ret.) Ralph Bosshard (Suíça), ex-assessor militar do secretário-geral da
Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE)
Fonte:
Diálogos do Sul Global/ Redação
Schiller Institute

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