sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Os povos que enfrentaram a Segunda Guerra vencerão novamente o fascismo

As vertentes dominantes do fascismo que hoje se manifestam são encarnadas por Donald Trump. E, no Peru, o fenômeno levanta a cabeça a partir de figuras parasitárias de escasso relevo, mas de alta periculosidade, que buscam perpetuar no país um conjunto de ações sinistras de caráter primitivo, selvagem e terrorista.

O mandatário ianque simboliza a mais alta expressão do hitlerismo contemporâneo. Retratam-no por inteiro as operações desencadeadas contra a Venezuela Bolivariana, o sequestro de Nicolás Maduro e Cilia Flores, o assassinato aleivoso de combatentes cubanos e venezuelanos, bem como de civis que tombaram nessas circunstâncias; mas também a forma como lidou com a crise do Caribe, desatada pela infinita voracidade do Império.

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Uma após a outra, foram ruindo as mentiras de Washington, por meio das quais se tentou “justificar” essas ações. O chamado “Cartel de los Soles”, citado milhares de vezes desde a Yanquilândia, revelou-se aquilo que sempre foi: uma mentira grosseira destinada a justificar um ataque rufianesco que se estrutura em torno de uma única palavra: petróleo.

O mesmo ocorreu com a alegação da droga “transportada” desde as costas da Venezuela por via marítima, sem que a administração estadunidense tenha sido capaz de apresentar a mínima prova da existência sequer de um quilo de cocaína atravessando o proceloso mar das Antilhas, onde não menos de 12 embarcações foram afundadas e quase 100 pessoas assassinadas.

O senhor Trump, no esforço de apresentar a imagem de uma “operação cirúrgica” impecável, lançou duas imensas mentiras: a de que não havia sofrido qualquer dano e a de que havia conseguido “submeter” o governo da Venezuela a ponto de colocá-lo “a seu serviço”.

A vida demonstrou que os supostos “invictos” atacantes sofreram numerosas baixas, ocultadas da opinião pública tanto nos Estados Unidos quanto no restante do mundo; e que o governo bolivariano da Venezuela está submetido apenas à vontade de seu povo, e de mais ninguém. Por isso, hoje o núcleo dirigente do processo bolivariano se mantém sólido, enfrentando com singular coragem todas as ameaças do Império, que, além disso, são ostensivas e públicas.

Estão corretos aqueles que sustentam que Donald Trump destruiu a democracia e todos os princípios do Direito Internacional. Não se pode tolerar que um governo se vanglorie de ter “submetido” outro e colocado a seu serviço; tampouco que um país se arrogue o direito de decidir qual governo é aceitável e qual não é.

Se na Sociologia o Hegemon é apenas um termo para designar um país dominante, na política o conceito não existe sem sua vinculação ao sistema financeiro que representa: o Imperialismo em sua fase de decomposição.

Essa fase também se evidencia quando se observa o que ocorre nos próprios Estados Unidos, onde o governo recorre a leis de dois séculos atrás para ordenar que o Exército reprima seu próprio povo; quando se registram milhares de manifestações populares contra o governo; quando o regime se vê obrigado a transformar o ICE (o Serviço de Imigração e Alfândega) como força de choque contra populações migrantes que pretende expulsar como se fossem gado; e também quando ameaça governos e países que sustentam posições distintas.

Ataca o México, a Colômbia, o Brasil, Cuba e a Nicarágua, e até mesmo o Canadá, que propõe anexar; agride a Dinamarca e a Groenlândia, no coração da União Europeia, porque sonha em se apoderar de territórios e riquezas que afirma “lhe pertencerem”; e aponta contra o Irã, agredindo o regime dos aiatolás ao mesmo tempo em que sustenta os planos de Netanyahu para destruir Gaza e o povo da Palestina.

<><> Reflexos no Peru

Mas, se isso ocorre no mundo, no Peru o rumo não é diferente. O que acontece é que aqui os expoentes do fascismo se alinham de forma submissa, à espera de que o Amo do Norte decida quem é seu “preferido”, tal como já ocorreu em Honduras. Por ora, aguardam ansiosamente o “enviado diplomático” — o embaixador Mr. Navarro — que em breve virá “apresentar credenciais”, sublinhando que, para estar em sintonia com aqueles que o receberão, também responde a processos por crime de peculato, entre outros.

López Aliaga, Keiko, Acuña, Williams Zapata e até Espá se atacam mutuamente, desesperados, pois cada um anseia obter a bênção do “Ser Supremo”, como consideram Trump. E como em março estará entre nós Marco Rubio — “Narco Rubio”, o assassino de janeiro —, tratarão de fazer os méritos necessários diante de seus olhos.

Todos coincidem no essencial: dão as mãos à corrupção, mantêm intocadas as leis pró-crime aprovadas pelo Congresso, acobertam as mentiras de Jerí, endossando sua estultícia, e estimulam a campanha da imprensa destinada a rotular de “vermelhos” ou “caviares” todos aqueles que criticam suas ações.

É evidente que o pano de fundo é o anticomunismo galopante que lhes corrói as entranhas. Por isso despejam todo o ódio acumulado contra Nicolás Maduro e a causa da Venezuela; por isso promoveram uma campanha de mentiras contra Claudia Sheinbaum e contra o embaixador de Cuba, Zamora Rodríguez; e por isso também cerram fileiras contra a Ilha de Martí, murmurando preces para que o socialismo na Maior das Antilhas caia.

Os povos não permanecem indiferentes a essa campanha nem ao avanço do fascismo. Onde menos se espera, surge a vontade de luta de milhões de pessoas que não estão dispostas a ceder espaço a novas hordas hitleristas.

Não foi em vão que o mundo viveu a experiência da Segunda Grande Guerra, nem tampouco é em vão que cresceu a consciência de milhões na luta de libertação nacional, pela independência e soberania dos Estados, pelos recursos dos países e dos povos.

Ainda que os partidários da morte tentem cantar vitória, ela não lhes pertence. Nas condições mais adversas, poderemos evocar as vigorosas palavras de combate de Salvador Allende: “A história é nossa. E quem a faz são os povos.”

¨      EUA: na música e na poesia, a cultura reafirma sua força contra o fascismo

São versos contemporâneos e histórias de lutas e resistência; são expressões de ira, condenação e dignidade na música, nos cartazes e no resgate de literatura, discursos e declarações de décadas e até séculos atrás que, de repente, voltam a ser muito urgentes, mesclados com expressões que nascem nesta conjuntura. Versos e prosa, gráficos, ecos e ritmos nos EUA que deixam claro do que se trata.

Que nosso país
nos dispare pelas costas
não é apenas brutal…
é execução…
Nossa maior ameaça
não são os de fora entre nós…
Não temas os que não têm papéis,
mas os que não têm consciência…
A única coisa que não morre é a misericórdia, a coragem de nos abrirmos como portas,
abraçar nossos vizinhos
e salvar mais uma vida brilhante, impossível.

Fragmento do poema Para Alex Jeffrey Pretti – assassinado pelo ICE em 24 de janeiro de 2026, de Amanda Gorman. A autora é a mais reconhecida jovem poeta dos Estados Unidos:

“Parece fascismo, soa como fascismo, age como fascismo, se veste como fascismo, fala como fascismo, mata como fascismo e mente como fascismo, irmãos e irmãs, é o maldito fascismo. Está aqui, é agora, está na minha cidade, está na sua, e precisa ser resistido, protestado… precisa ser expulso. Por quem? Por você e por mim. Mineápolis é uma inspiração para toda a nação… Não há ninguém que venha nos salvar além de nós mesmos”, afirmou o músico Tom Morello em um concerto na referida cidade na semana passada.

Em um ato organizado pelo grande centro cultural nova-iorquino The Public Theater, em suas escadarias de entrada, dezenas de artistas consagrados e iniciantes, políticos locais, escritores, dramaturgos e poetas fizeram leituras durante oito horas de fragmentos de discursos famosos, de romances (incluindo o inevitável 1984, de George Orwell), poemas e até partes da Constituição e da Declaração de Independência, em um ato de denúncia, protesto e solidariedade. De Susan Sarandon a Peter Dinklage, Christine Baranski, John Leguizamo, Oscar Isaac, Lin-Manuel Miranda e Tony Kushner, entre outros, participaram do evento local, que também foi transmitido ao vivo pela internet para todo o país. Entre as leituras, um fragmento do discurso de Martin Luther King Jr. ao receber o Prêmio Nobel da Paz:

A não violência é a resposta à questão política e moral crucial de nosso tempo, a necessidade do ser humano de superar a opressão e a violência sem recorrer à violência e à opressão… Creio que a verdade desarmada e o amor incondicional terão a palavra final na realidade.Martin Luther King Jr.

De vez em quando, as leituras eram interrompidas por motoristas que passavam gritando “fuck ICE” (“Dane-se o ICE”, em tradução livre), e o público respondia do mesmo modo.

Na cerimônia do Grammy, transmitida mundialmente neste domingo (1º), vários músicos usavam bottons com os dizeres “ICE Out” (“Fora ICE”, em tradução livre). Entre eles estava Bad Bunny, que será a estrela do show do intervalo do Super Bowl no próximo domingo (8) e prometeu fazê-lo quase todo em espanhol. O Green Day, que será a atração de abertura do mesmo evento esportivo, são roqueiros que em todos os seus shows recentes convidaram o público a entoar “Fuck ICE” e “Fuck Trump” (“Dane-se Trump”, em tradução livre). De fato, o presidente dos Estados Unidos expressou irritação com a escolha de ambos e decidiu não comparecer ao espetáculo televisivo mais assistido do ano no país — ou seja, ficou com medo.

Uma cidade em chamas luta contra fogo e gelo
Sob as botas do ocupante…
Na primeira luz do amanhecer
Cidadãos se levantaram pela justiça
Suas vozes ecoando ao longo da noite…
E dois mortos, nas ruas cobertas de neve
Alex Pretti e Renee Good.

Oh, nossa Mineápolis, ouço a tua voz
Cantando através da névoa ensanguentada
Aqui estaremos defendendo nossa terra
E o estrangeiro entre nós…
Lembraremos os nomes daqueles que morreram
Nas ruas de Mineápolis…

Fora ICE.

Fragmento da nova canção de Bruce Springsteen, Ruas de Mineápolis, que já ocupa o primeiro lugar em vários países.

São apenas alguns vislumbres do que este momento representa nos Estados Unidos.

¨      Frear a catástrofe: por uma aliança dos povos capaz de reconstruir o sistema global

Com o começo do ano de 2026, o mundo entrou em uma nova fase. O direito internacional está sendo abolido e substituído pela lei da selva, na qual se supõe que “a força faz o direito”. Esse colapso total de qualquer ordem baseada em verdadeiros princípios jurídicos ameaça intensificar diversos conflitos regionais, transformando-os em uma nova era de trevas ou mesmo em uma guerra nuclear mundial.

Por exemplo: após vários atos de pirataria contra a nação soberana da Venezuela e o sequestro de seu chefe de Estado, anunciam-se agora invasões planejadas e o roubo de recursos naturais de países como Cuba, México, Colômbia, Irã e, possivelmente, de outros territórios, como a Groenlândia. Uma militarização não vista há aproximadamente 90 anos evoca o panorama de uma nova guerra mundial iminente. Enquanto isso, o sistema financeiro dominado pelo Ocidente, hoje quase completamente desconectado da economia real, ameaça um colapso sistêmico muito pior do que a crise de 2008.

Abandonou-se por completo o pretexto das “intervenções humanitárias” e da defesa da “ordem baseada em regras”, em nome de um imperialismo e de um neocolonialismo agressivos, agora demonstrados abertamente. Os chamados “valores ocidentais” foram traídos e, depois de enterrados, não resta sequer uma ilusão de legitimidade. A ausência de um estadismo eficaz, bem como o emprego da força militar e econômica em lugar da diplomacia para a resolução dos conflitos, levou ao fracasso das instituições do pós-guerra, como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Assembleia Geral da ONU. A falta de aplicação das decisões dos tribunais supremos, como a Corte Internacional de Justiça (CIJ), deixou impunes o genocídio, os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade.

Essa situação deplorável exige uma intervenção urgente das instituições e das pessoas de boa vontade em todo o mundo. Portanto, propomos a criação de uma Iniciativa da Sociedade Civil Mundial, para atuar em conjunto com organizações religiosas, grupos civis e com a ONU como parceiro central, com o objetivo de defender a Carta das Nações Unidas e os Cinco Princípios de Coexistência Pacífica de 1954. Seus focos imediatos, entre outros, devem ser:

  1. Convocar com urgência uma conferência internacional para discutir os princípios de uma Nova Arquitetura Internacional de Segurança e Desenvolvimento.
  2. Criar equipes que trabalhem em aspectos da reconstrução do sistema mundial, como, por exemplo:

a) a elaboração de uma “Ponte Terrestre Mundial”, composta por corredores de desenvolvimento econômico para cada continente;

b) a criação de equipes ad hoc para condenar a descarada ingerência estrangeira nos assuntos internos da Venezuela e qualquer intervenção similar nos assuntos internos de Estados soberanos em qualquer parte do mundo; bem como para condenar o genocídio que se leva a cabo em Gaza e violações semelhantes da dignidade humana onde quer que ocorram;
c) a reorganização do sistema financeiro mundial, assim como a criação de bancos nacionais em cada país e de um novo sistema de pagamentos dedicado à economia física;

d) a revitalização das melhores tradições de cada cultura e civilização do mundo e o fomento do diálogo entre elas;

e) a exploração de novos métodos de pensamento, com o objetivo de estabelecer um novo paradigma na história humana, como o método da Coincidência dos Opostos.

Constitui-se, pelo presente, um Grupo de Ação Imediata para implementar essa perspectiva. Ele está aberto a representantes de qualquer organização ou instituição, bem como a pessoas que desejem participar da criação de uma iniciativa da sociedade civil mundial comprometida com os interesses da humanidade como um todo único e com a garantia da adesão a esse ideal de uma ONU reformada. Caberá aos representantes de cada uma das nações determinar as ações diretas não violentas apropriadas em seus respectivos países, seguindo a tradição de Mahatma Gandhi, Martin Luther King Jr. e Nelson Mandela.

<><> Por um movimento de cidadãos do mundo!

Os signatários abaixo, que se reuniram em uma mesa redonda de diálogo de emergência virtual internacional em 12 de janeiro de 2026, fazem este apelo à comunidade mundial. Unimo-nos para impulsionar as ações que consideramos necessárias para evitar que a civilização humana caia em uma catástrofe potencialmente fatal.

>>> Signatários que covocam:

  • Helga Zepp-LaRouche (Alemanha), fundadora do Instituto Schiller, diretora-geral da Análise Executiva de Inteligência (EIR, na sigla em inglês)
  • Naledi Pandor (África do Sul), ex-ministra de Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul 
  • Prof. Zhang Weiwei (China), professor de Relações Internacionais na Universidade Fudan, Shangai
  • Dmitri Trenin (Rússia), diretor e supervisor acadêmico do Instituto de Economia Militar e Estratégia Mundial da Universidade HSE de Moscou
  • Donald Ramotar (Guiana), ex-Presidente da Guiana
  • María de los Ángeles Huerta del Río (México), ex-deputada federal do México
  • Namit Verma (Índia), escritor e analista de segurança da Índia
  • Dennis Small (Estados Unidos), diretor de EIR para a América espanhola
  • Tenente-coronel (ret.) Ralph Bosshard (Suíça), ex-assessor militar do secretário-geral da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE)

 

Fonte: Diálogos do Sul Global/ Redação Schiller Institute

 

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