Fim
da escala 6x1: 'Empresários causam pânico para continuar sugando trabalhador',
diz fundador do movimento
Quando
o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse na
segunda-feira (2/2) que o fim da escala 6x1 — aquela em que o funcionário
trabalha seis dias na semana e tem apenas um dia de descanso — será uma das
prioridades do ano legislativo de 2026, a equipe do gabinete 805 da Câmara dos
Vereadores do Rio de janeiro vibrou.
Entre
divisórias plásticas brancas típicas de repartição pública e cartazes
motivacionais com dizeres como "disciplina" e "foco", é ali
que dá expediente Rick Azevedo, ex-balconista de farmácia que viralizou no
TikTok desabafando sobre sua rotina de trabalho, com só um dia de folga por
semana.
Após
criar uma petição que já reúne quase 3 milhões de assinaturas e fundar com
outros trabalhadores o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), Azevedo foi
eleito em 2024 como o vereador mais votado do PSOL do Rio de Janeiro.
Aos 32
anos e nascido em Dianópolis, no Tocantins, ele não esconde o entusiasmo com a
possibilidade de ver em breve se tornar realidade o que ele classifica, sem
modéstia, como "a proposta trabalhista mais importante deste século".
"Tenho
certeza que vai ser aprovado agora nesse primeiro semestre de 2026", disse
Azevedo, em entrevista à BBC News Brasil, concedida no dia seguinte à fala de
Hugo Motta na cerimônia de abertura do ano legislativo em Brasília.
Com
igual entusiasmo, ele responde às críticas de economistas e empresários que têm
se posicionado contrários ao fim da escala 6x1.
Esses
críticos dizem que a proposta pode ser um tiro no pé da economia brasileira, em
um momento em que empresas enfrentam dificuldades para contratar, e que pode
prejudicar principalmente as pequenas e médias empresas, responsáveis por 80%
do emprego formal do país.
"Se
eu estivesse falando para você aqui agora, 'vamos acabar com a escravidão no
país', os economistas de hoje iriam falar a mesma coisa: que o país não tem
estrutura para acabar com a escravidão, que o país ia quebrar", diz
Azevedo.
"O
13º [salário], a mesma coisa. Férias remuneradas, a mesma coisa. Licença
maternidade também. Direitos para empregadas domésticas? 'Não podemos. O país
vai quebrar'", afirma.
"Eles
querem causar esse pânico econômico para continuar sugando o trabalhador seis
dias na semana, para apenas um dia de folga, e receber um salário que muitas
vezes não dá nem para comer."
Mas a
resistência à proposta não vem apenas de empresários e economistas.
Pesquisas
Genial/Quaest publicadas em dezembro mostraram que, embora 72% da população
seja a favor do fim da escala 6x1, entre os deputados, apenas 42% são
favoráveis e 45% são contra — os outros 13% não opinaram ou não responderam.
A
bancada contrária já foi maior, era de 70% em julho de 2025, segundo o mesmo
instituto. Mas ainda assim, o apoio ainda é bem inferior ao da tarifa zero no
transporte público, por exemplo, aprovada por 65% dos deputados em dezembro.
"O
Congresso Nacional brasileiro, que deveria ser a Casa do Povo, é a casa do
agro, dos empresários, dos lobistas, dos escravocratas. Netos e parentes de
donos de escravos estão lá dentro", critica o fundador do movimento VAT.
Ainda
assim, Azevedo se diz confiante na aprovação da pauta. "Eles são lobistas,
são escravocratas, mas precisam do voto do povo", afirma.
O
vereador também não poupa críticas ao governo Lula, que ele avalia ter
dificuldade de dialogar com os novos trabalhadores. E afirma que o apoio da
gestão petista à proposta — que deve ser uma das bandeiras da campanha de
reeleição de Lula este ano, ao lado da tarifa zero — é resultado da pressão
popular.
"Quando
a classe trabalhadora se une em prol de uma causa que é muito maior que o lobby
do Congresso Nacional, o governo se sente seguro em enfrentar esse lobby."
Apesar
de suas críticas ao Congresso, Rick Azevedo não descarta deixar seu mandato de
vereador no Rio para concorrer a deputado federal em outubro.
"Até
o fim desse semestre, vou tomar uma decisão", antecipou à BBC News Brasil.
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Confira a seguir os principais trechos da entrevista.
• Sua petição que colocou o fim da escala
6X1 em pauta no Brasil já teve quase 3 milhões de assinaturas. No Congresso,
PECs sobre o tema avançam na Câmara e no Senado e podem ir à votação em
plenário ainda este ano. Esperava que o tema tivesse essa repercussão e
avançasse tão rapidamente?
Rick
Azevedo - Quando eu comecei lá atrás, como um balconista de farmácia que só
queria desabafar, nos primeiros momentos, achei que realmente não iria avançar
a ponto de a gente chegar até aqui. Mas, conforme criei a petição, fundei o
Movimento VAT e fui vendo a adesão em todo o país, falei: "Agora vai, a
gente tem uma pauta da classe trabalhadora em evidência".
• E como vê a iniciativa do governo Lula
de apoiar a pauta?
Azevedo
- Vejo como uma resposta à pressão do povo. Vejo que, quando a classe
trabalhadora se une em prol de uma causa que é muito maior que o lobby do
Congresso Nacional — porque obviamente sabemos de todo o lobby do empresariado
que toma conta das instituições —, o governo se sente seguro em enfrentar esse
lobby para dizer "sim, teremos o fim da escala 6x1".
• A opção da deputada Erika Hilton de
apresentar a proposta como uma PEC [cuja aprovação depende dos votos favoráveis
de três quintos dos deputados, em dois turnos de votação] e prevendo uma
jornada de 4 dias de trabalho e 36 horas semanais pode dificultar a aprovação
do tema?
Azevedo
- Dificulta, porque, quando se fala em direitos para a classe trabalhadora,
sempre há uma grande resistência. E a gente chega com uma proposta bastante
ousada. Obviamente, vem esse discurso de que "não tem como, porque a
[escala] 4x3 vai fragilizar a economia", quando, na verdade, a gente fala
de um Congresso que nem trabalha. Então, obviamente, essa proposta ousada de
4x3 e 36 horas semanais dificulta a aprovação do texto, porque eles [os
parlamentares] estão querendo já pensar em uma nova proposta, algo mais
flexível. Mas a gente vai manter nossa linha até o último momento. De repente,
a gente não consegue 4x3, mas, se a gente conseguir a [escala] 5x2 e 36 horas
semanais, não iremos desistir aí. O movimento VAT vai continuar lutando para
que a gente consiga a 4x3 em um futuro muito próximo.
• Alguns economistas e empresários dizem
que seria um tiro no pé aprovar a escala 6x1 no momento atual, em que o mercado
de trabalho enfrenta sérias dificuldades para contratar, particularmente nos
empregos de baixos salários e menor qualificação. Como avalia essa preocupação?
Azevedo
- Os economistas contratados pelos empresários iriam dizer isso se a gente
estivesse falando agora de acabar com a escravidão? Se eu estivesse falando
para você aqui, agora, "vamos acabar com a escravidão no país", os
economistas de hoje iriam falar a mesma coisa: que o país não tem estrutura
para acabar com a escravidão, que o país ia quebrar, que o país não poderia ter
um outro momento senão a escravidão, porque os empresários e os senhores de
escravos precisam explorar e escravizar pessoas. O 13º [salário], a mesma
coisa. [Eles diriam que] não poderia ter 13º, porque o país ia quebrar. Férias
remuneradas, a mesma coisa. Licença maternidade também. Direitos para
empregadas domésticas? "Não podemos. O país vai quebrar." É um
roteiro falido dos empresários. É um roteiro que as novas gerações não engolem,
não aceitam.
• Os empresários também dizem que a
proposta deve afetar sobretudo as pequenas e médias empresas, que são
responsáveis por 80% dos empregos formais do país, e que os negócios dessas
empresas podem se tornar insustentáveis. Como vê essa crítica?
Azevedo
- Sim, a gente tem uma discussão bem incisiva lá em Brasília, em parceria com o
mandato da deputada federal Erika Hilton. E sim, tem essa preocupação que é
válida com os pequenos e microempresários. Obviamente, a gente está
estruturando esse plano para apresentar. Agora vai ter os grupos de estudos
dentro do Congresso Nacional para a gente apresentar um plano mais concreto.
Mas o que eu posso te dizer é que esses pequenos e microempresários vão ser
assistidos. A gente vai, sim, ter essa conversa técnica e mais aprofundada.
• Mas o que estão pensando em termos
concretos para que esse pequeno empresário seja protegido e não fique de alguma
forma prejudicado por essa mudança?
Azevedo
- Já tem a isenção fiscal que acontece no Brasil, que é um assunto que pouco se
fala. Temos milhões e milhões de isenção fiscal. Então, não temos um plano
fechado agora, mas o que eu posso te dizer [é que] a isenção de alguns impostos
para essas pequenas empresas será um dos planos que a gente vai apresentar de
forma concreta para os empreendedores e para os pequenos empresários. Porque,
de fato, essa discussão tem que ser muito bem pensada.
• Você foi funcionário de farmácia, antes
de se tornar vereador. A Abraframa, entidade que representa o varejo
farmacêutico, tem dito que para manter as farmácias funcionando 12, 15 ou até
24 horas de segunda a domingo, não tem como reduzir o número de pessoas. Dizem
que a redução de jornada pode resultar no fechamento de pequenas farmácias e no
encarecimento dos produtos aos consumidores, devido ao aumento de custo. Como
alguém que trabalhou em farmácia, como vê esses argumentos?
Azevedo
- Vejo um malabarismo grande para continuar sucateando os trabalhadores desses
setores. Porque eu venho de farmácia, e quem já trabalhou em farmácia sabe como
é difícil, como você fica esgotado. Farmácias vendem cuidado, e quem cuida das
pessoas que estão ali trabalhando? Na verdade, o empresariado brasileiro não
conseguiu enxergar o que está acontecendo mundo afora. Porque o patrão europeu
não é bonzinho. O exemplo que temos de outros países que já diminuíram a
jornada de trabalho, não é porque o patrão é bonzinho, é porque ele é esperto o
suficiente para entender que o trabalhador com mais tempo vai consumir mais.
Então, esse efeito que eles falam que vai causar é simplesmente pânico
econômico. Eles querem causar esse pânico econômico para continuar sugando o
trabalhador seis dias na semana, para apenas um dia de folga, e receber um
salário que muitas vezes não dá nem para comer.
• Empresários e economistas também
defendem que o fim da jornada 6x1 pode ser prejudicial à economia do país sem
investimentos anteriores em educação e um aumento da produtividade da economia
brasileira. Na sua visão, é de fato necessário um aumento da produtividade
antes do avanço da pauta?
Azevedo
- Eles adoram falar que não temos uma produtividade boa no Brasil. Mas como que
o trabalhador vai ter uma produtividade boa? Estamos falando de um país que não
oferece o básico, não oferece um transporte público de qualidade, não oferece
sequer uma escala justa, um salário justo, não oferece condições mínimas para o
trabalhador ter dignidade. Como é que essa pessoa vai produzir bem? Como é que
ela vai produzir de forma positiva para o país se ela não tem condições
mínimas? E sobre educação, estamos lutando por vida além do trabalho, por uma
escala mais justa, para que as pessoas tenham condições de estudar.
• Você mencionou a questão do transporte.
Existe a expectativa de que o fim da jornada 6x1 esteja no centro da campanha
eleitoral deste ano, sendo uma das bandeiras de reeleição de Lula, ao lado da
tarifa zero nos transportes. Há espaço para que essas duas pautas que geram
forte resistência do empresariado caminhem juntas? Ou o governo pode ser
forçado a escolher qual briga quer comprar?
Azevedo
- São duas pautas extremamente necessárias e que têm condições de ter um grande
andamento agora nesse primeiro semestre. Mas, devido ao tempo curto no
Congresso Nacional, por causa das eleições, pode ser que não consiga andar com
as duas pautas e aprovar. Tenho certeza que o fim da escala 6x1 vai ser
aprovado agora nesse primeiro semestre de 2026. Tivemos uma fala recente do
presidente da Câmara, Hugo Motta, que já disse que vai acelerar a pauta. Uma
conversa que não tinha no ano passado, porque teve muita resistência no ano de
2025.
• Essa é, então, uma pauta que está mais
madura do que a da tarifa zero?
Azevedo
- Sim. Acredito que o fim da escala 6x1 é uma pauta que está mais madura e que
tem mais chances de ser aprovada neste primeiro semestre. Isso não significa
que a gente não vai lutar para que a tarifa zero seja aprovada também. Mas
acredito que o fim da escala 6x1 está mais avançada, digamos assim.
• Sobre a tramitação no Congresso,
pesquisas Genial/Quaest de dezembro mostraram que, embora 72% da população seja
a favor do fim da escala 6x1, entre os deputados, apenas 42% são a favor e 45%
são contra. A bancada contrária já foi maior, ela era de 70% em julho. Mas
ainda assim, o apoio ainda é bem inferior ao da tarifa zero, que tinha a
aprovação de 65% dos deputados em dezembro. Na sua visão, o que explica essa
resistência do Congresso à pauta?
Azevedo
- Simples: temos o Congresso Nacional do agro, do empresariado. O Congresso
Nacional brasileiro, que deveria ser a Casa do Povo, não é a Casa do Povo, é a
casa do agro, dos empresários, dos lobistas, dos escravocratas, netos e
parentes de donos de escravos estão lá dentro.
• Mas como vencer essa resistência? Vocês
precisam que todo esse pessoal vote a favor do que estão querendo…
Azevedo
- E a gente conseguiu, de uma certa forma, porque PECs demoram anos para
tramitar no Congresso Nacional. E a gente conseguiu, digamos que de uma forma
muito rápida, expondo o rostinho de cada um. A gente vai continuar fazendo
isso. Porque eles são lobistas, são escravocratas, mas precisam do voto do
povo.
A
votação vai acontecer neste semestre e a gente já está programando grandes atos
e iremos expor o rosto de cada um que não quiser votar por livre e espontânea
vontade. E aí, vão votar por livre e espontânea pressão. Porque a gente precisa
acabar com a escala 6x1. O Brasil precisa acabar com essa vergonha que ainda
temos como modelo de trabalho, que vem diretamente da senzala. Falo isso em
alto e bom som. A escala 6x1 vem diretamente da senzala, vem de um modelo de
senhores de escravos que querem continuar explorando e escravizando o povo
brasileiro.
• O governo tenta desde 2023 regulamentar
o trabalho por aplicativo e segue enfrentando dificuldades neste início de ano,
com críticas tanto das empresas, quanto dos trabalhadores ao projeto de lei em
discussão na Câmara. Críticos veem uma certa dificuldade do atual governo do
PT, forjado no sindicalismo tradicional, de dialogar com esses novos
trabalhadores plataformizados. Vê essa dificuldade no atual governo?
Azevedo
- Sim, tem uma dificuldade. O neoliberalismo nos últimos anos fez um trabalho
bem incisivo com essa questão dos trabalhadores de aplicativos. Porque temos
esse modelo de escala de trabalho que ninguém aguenta mais, um salário, que
muitas vezes não dá para comer, não dá para pagar aluguel. As pessoas estavam
procurando uma saída, assim como eu lá atrás, revoltado no TikTok, também
estava procurando uma saída. Só que muitos trabalhadores, principalmente
homens, estavam ali tentando essa saída e encontraram, por exemplo, o iFood,
que vem com essa proposta neoliberal. "Você é o seu próprio patrão, você
faz o seu próprio tempo, você faz o seu próprio dinheiro." Com essa
proposta, os aplicativos conseguiram conquistar uma grande massa de trabalhadores.
• Mas por que acha que o governo tem
dificuldade de dialogar com estas pessoas?
Azevedo
- Porque não apresentou um plano melhor para a classe trabalhadora. É por isso
que a gente está ajudando o governo. Estamos ajudando o governo com essa pauta,
porque não pode acabar com a CLT. Não teve um plano formal de trabalho melhor
para a classe trabalhadora. E é por isso que estamos perdendo muitos
trabalhadores para o iFood, Uber e outros aplicativos. Mas agora a gente está
com essa discussão, justamente para manter a CLT. A gente não pode deixar que
acabe com a CLT, porque, na verdade, todo esse discurso que foi vendido e que
muitos trabalhadores compraram, é um discurso que no final é para acabar com a
CLT, é para não ter direitos, como, por exemplo, pejotização e MEI
[Microeempreendedor Individual].
• O que me leva à nossa próxima pergunta:
como avalia o movimento da geração Z de aversão à CLT?
Azevedo
- Não é que a pessoa não gosta de um 13º [salário], de férias remuneradas, de
direitos. É que os modelos de trabalho que estão na CLT são modelos de trabalho
falidos. Não tem como o jovem que está chegando agora gostar de trabalhar seis
dias consecutivos, mais de 44 horas semanais, [se locomovendo] em um transporte
público precarizado, para ganhar um salário mínimo e ainda falar "nossa,
que legal, está ótimo".mE aí, querem dizer que as novas gerações não
gostam de trabalhar? São vagabundos? Não, não são.
• Na eleição de 2024, você recebeu a menor
verba de campanha, mas foi o candidato mais votado entre os eleitos a vereador
pelo PSOL no Rio. Você acha que os partidos erram ao apostar mais na reeleição
e em candidatos conhecidos do que em novos nomes na política?
Azevedo
- Na verdade, os partidos — muitos deles — ficaram para trás, não estão
atualizados. Acho que estão errando quando não dão voz para algumas pessoas que
estão aí, que estão brigando, que estão fazendo um bom trabalho. Não para tomar
o espaço, não para apagar a história de ninguém, mas para ter novas histórias,
novos espaços, novas lutas, com caras novas.
• Parte do seu sucesso eleitoral se deveu
aos seus vídeos que viralizaram no TikTok, algo comum entre muitos candidatos
eleitos pela direita nos últimos anos. A esquerda está atrasada com relação à
direita no uso das redes sociais?
Azevedo
- Não diria exatamente atrasada. Diria que a esquerda ainda está entendendo a
dinâmica das redes sociais. A questão da direita é porque a mentira é mais
fácil de vender, e eles não têm responsabilidade com o que vão postar, se
aquela informação vai ser prejudicial para a vida do trabalhador ou não.
Já a
esquerda tem essa responsabilidade. Então, por ter essa responsabilidade, a
esquerda está entendendo a dinâmica, está entendendo para onde realmente tem
que direcionar as questões importantes. No ano passado, tivemos um avanço muito
bom da esquerda nas redes sociais, como, por exemplo, na PEC da blindagem
[aprovada pela Câmara em 2025 e depois rejeitada pelo Senado, que limitava a
prisão de parlamentares], que conseguimos realmente mobilizar em pouco tempo
muitas pessoas por todo o Brasil. Ali foi um movimento da esquerda, foi onde a
esquerda conseguiu se organizar, e acho que tem um caminho muito bom pela
frente.
• Sua eleição levou alguns setores a
questionarem a questão das pautas ditas "identitárias" na esquerda,
como gênero, direitos LGBT e raça, celebrando o sucesso de um candidato ligado
a uma pauta trabalhista e econômica. Como você vê esse debate dentro do campo
da esquerda? Há realmente uma oposição entre esses temas?
Azevedo
- Não vejo como uma oposição. As pessoas esquecem que esses
"identitários", como eles falam, são trabalhadores. Que podem lutar
pelos direitos da classe trabalhadora, mas também têm pautas específicas, que
não deixam de ser importantes. Pautas raciais, LGBTs, dentre outras que são
necessárias. Esse discurso que eles jogam para a esquerda é justamente para
tentar fazer uma desunião. O que eles não esperavam é que os
"identitários" e a classe trabalhadora inteira iriam se unir para
colocar eles contra a parede. Eu acho que a surpresa foi essa. A surpresa de
todos foi ver um homem gay preto, uma mulher trans preta [Erika Hilton] lá em
Brasília, comandando uma proposta de emenda à Constituição. A proposta
trabalhista mais importante deste século. Porque normalmente esses empregos,
com escala 6x1 e salário mínimo, é o que resta para grupos vulneráveis.
• Quais são as suas ambições políticas
daqui para a frente, pretende concluir o mandato de vereador ou deve sair para
deputado federal?
Azevedo
- Por ora, eu ainda não tenho uma resposta concreta. Estou trabalhando muito
enquanto vereador. Trabalhei muito no ano passado, continuo trabalhando muito e
tenho uma articulação incisiva com a Erika lá em Brasília, relacionada à pauta
[do fim da escala 6x1], que, sim, é uma pauta federal. Aqui na Câmara Municipal
[do Rio de Janeiro], eu não consigo desenvolver ela, mas tenho essa parceria lá
em Brasília e, por ora, eu não consigo ainda te dizer se eu vou ser candidato a
deputado federal ou não.
• Mas é um desejo seu? Pensa nisso como
uma possibilidade?
Azevedo
- Existe a possibilidade, existe um caminho. Mas, de fato, por ora, eu ainda
não estou com uma resposta firme e concreta para te passar.
• Até quando você pretende tomar essa
decisão?
Azevedo
- Eu acredito que logo. Até o fim desse semestre, vou decidir se sim ou não.
Fonte:
BBC News Brasil

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