sábado, 7 de fevereiro de 2026

Imagens de pessoas nuas nos arquivos de Epstein ficaram disponíveis por dias apesar de protestos

Fotos e vídeos sem tarjas pretas, com cenas de nudez, divulgados nos arquivos do bilionário condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein (1953–2019), continuam disponíveis na internet há dias, apesar de autoridades dos Estados Unidos terem sido alertadas para falhas no processo de colocação de tarjas.

Advogados afirmam que o episódio causou "danos irreparáveis" a vítimas.

Os arquivos analisados pela BBC Verify estão entre milhares de documentos que, segundo advogados, contêm informações que permitem a identificação de dezenas de vítimas de Epstein.

Os grupos de vítimas se manifestaram pela primeira vez sobre o assunto no fim de semana, depois que o jornal americano New York Times informou que quase 40 imagens do tipo haviam sido publicadas na sexta-feira (30/1) como parte dos arquivos de Epstein.

Na terça-feira (3/2), um juiz de Nova York afirmou que o Departamento de Justiça (DoJ, na sigla em inglês) dos EUA concordou em corrigir rapidamente o problema, após as vítimas pedirem que o site fosse retirado do ar até que nomes e imagens pudessem ser devidamente ocultados.

O DoJ retirou milhares de documentos de seu site, alegando que os arquivos haviam sido publicados por "erro técnico ou humano". O departamento informou que segue analisando novos pedidos e verificando se há outros documentos que exijam ocultação adicional.

A BBC Verify, serviço de verificação de dados e imagens da BBC, constatou de forma independente que diversas imagens de pessoas identificáveis ainda estavam online na quarta-feira (4/2), apesar de o governo dos EUA ter informado no dia anterior que estava lidando com o problema das ocultações incompletas.

A BBC procurou o Departamento de Justiça dos EUA para comentar o caso e forneceu os nomes dos arquivos sem tarjas, mas não recebeu respostas até o momento.

"O dano causado é irreparável", afirmou em nota Brad Edwards, advogado que representa vítimas de Epstein.

"Estou arrasada pelas garotas cujas informações foram divulgadas", disse à BBC Ashley Rubright, sobrevivente dos abusos cometidos por Epstein. "Isso é uma violação enorme de um dos momentos mais horríveis da vida delas."

Quatro das imagens identificadas pela BBC Verify mostravam jovens parcialmente vestidas, com rostos e corpos sem qualquer ocultação. O material foi localizado em uma busca ampla entre milhões de arquivos divulgados como evidência das relações de Epstein com figuras públicas.

Partes de fotos de outras pessoas foram ocultadas em alguns documentos, mas permaneceram expostas em outros. Um dos arquivos reunia duas versões da mesma imagem: em uma, o rosto estava coberto por um quadrado preto; na outra, aparecia totalmente visível.

Outro vídeo também identificava uma pessoa que aparecia levantando a camisa e exibindo um dos seios para a câmera.

Autoridades do Departamento de Justiça dos EUA tinham sido encarregadas de ocultar todas as fotos sexualmente explícitas ou quaisquer informações que pudessem identificar vítimas antes da divulgação do mais recente lote de arquivos de Epstein, que estava prevista para o período do Natal passado.

Antes do prazo estabelecido pelo Congresso dos EUA, o vice-procurador-geral Todd Blanche disse que os arquivos não seriam divulgados dentro do calendário previsto, devido ao trabalho adicional necessário para resguardar a identidade das vítimas. "Estamos examinando cada documento que será tornado público, para garantir que todas as vítimas — seus nomes, identidades e histórias, na medida em que precisam ser protegidas — estejam plenamente resguardadas", afirmou à época.

A BBC Verify constatou separadamente que a identidade de várias pessoas foi revelada em informações médicas e declarações legais publicadas nos arquivos.

Um dos nomes foi exibido integralmente em dois vídeos de exames de ultrassom fetal. O horário, a data e o que parece ser o local dos exames, assim como a idade gestacional do feto, também estavam claramente visíveis.

Outro documento continha uma gravação de Epstein sendo interrogado, na qual um advogado mencionava o nome de ao menos uma vítima.

Diante dos episódios, advogados das vítimas de Epstein criticaram duramente o Departamento de Justiça dos EUA por não ter protegido adequadamente centenas de mulheres identificadas nos arquivos.

"Estamos recebendo ligações constantes de vítimas porque seus nomes — apesar de elas nunca terem se exposto e serem completamente desconhecidas do público — acabaram de ser divulgados para consumo público", afirmou no domingo (1/2) Brad Edwards, um dos advogados.

"São literalmente milhares de erros."

¨      Escândalo do caso Epstein envolvendo embaixador britânico pode derrubar premiê?

Este é um momento muito sério para o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

Tudo o que ele fez e disse hoje (5/2) reflete o fato de que ele e sua equipe compreendem a gravidade da sua situação.

No seu pronunciamento desta manhã, teria sido estranho e até chocante se Starmer falasse apenas sobre o aumento dos valores investidos pelo governo para inspirar orgulho entre as pessoas. Mas não foi o que ele fez.

Em vez disso, o primeiro-ministro ofereceu um pedido de desculpas específico para as vítimas do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein (1953-2019), por ter "acreditado nas mentiras de Peter Mandelson" e tê-lo nomeado para o mais alto cargo diplomático do país — o de embaixador nos Estados Unidos.

O momento mais revelador provavelmente ocorreu quando, sob intenso questionamento dos jornalistas, Starmer reconheceu que compreende "a raiva e a frustração dos parlamentares trabalhistas".

São os parlamentares do Partido Trabalhista que irão determinar o destino do primeiro-ministro. E eles nunca estiveram tão furiosos quanto agora, desde o início do seu governo.

A parlamentar trabalhista Rachael Maskell tem sido uma espinha na garganta de Starmer, quando o assunto são os cortes no setor de assistência social.

Ela declarou que, na sua opinião, a posição do primeiro-ministro é "insustentável" — e que é "inevitável" que ele precise deixar o cargo.

"Não acredito que ele tenha escolha", disse ela à BBC Rádio York. "Ele escondeu por vários meses da Câmara dos Comuns [a câmara baixa do Parlamento britânico] que sabia das associações entre Peter Mandelson e Jeffrey Epstein no momento da nomeação."

Aquele foi "um ato vergonhoso" para os parlamentares e para as vítimas de Epstein, segundo Maskell.

Outro parlamentar trabalhista, que pediu para se manter no anonimato, declarou ao jornalista Matt Chorley, da BBC Rádio 5 Live: "Preciso dizer que não sei como ele poderá continuar."

"O paciente está em estado terminal há meses", acrescentou outro, "mas, agora, parou de reagir ao tratamento."

Um ministro trabalhista afirmou que "a única certeza é que o governo não está no controle deste tema e, por isso, ele poderá tomar qualquer rumo".

Chorley também conversou com outros parlamentares mais dispostos a apoiar o primeiro-ministro.

O parlamentar John Slinger declarou que "a calma precisa prevalecer. O primeiro-ministro agiu certo neste assunto."

Outro parlamentar do Partido Trabalhista, Steve Witherden, afirmou à BBC País de Gales que "no mínimo, o chefe do Estado-maior do primeiro-ministro, Morgan McSweeney, certamente precisa responder por que apoiou a nomeação de Mandelson, apesar dos detalhes do seu relacionamento com Epstein serem de conhecimento público".

Mas é significativo que, mesmo com toda a fúria por trás dos microfones, poucos parlamentares convoquem o primeiro-ministro a ir a público. Os poucos que o fizeram são parlamentares que nunca apoiaram muito sua liderança.

Na verdade, muitos parlamentares nem mesmo estão dispostos a pedir publicamente a demissão de McSweeney, o que Starmer vem resistindo a fazer.

Isso indica que o primeiro-ministro pode estar mais fraco do que nunca, mas o questionamento da sua liderança está longe de ser iminente.

"Realisticamente falando, não acho que algo irá acontecer antes dos resultados de Gorton", disse um parlamentar. Ele se refere às eleições suplementares que irão ocorrer nas regiões de Gorton e Denton, em Manchester (Inglaterra), no dia 26 de fevereiro.

"E, até lá, pode ficar muito perto de maio", quando serão realizadas eleições na Escócia, no País de Gales e em alguns locais da Inglaterra.

Um ex-ministro também declarou que ainda acha "muito improvável que alguém se mude antes de maio".

"Mas tudo está se movimentando com muita rapidez." E acrescentou: "Não vejo como o primeiro-ministro possa se recuperar da absoluta falha de julgamento ao nomear Mandelson."

E um ministro atual declarou: "Ele está acabado. É só questão de quando."

 

Fonte: BBC Verify

 

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