Cuba,
64 anos de bloqueio: A engenharia de asfixia imposta pelos EUA pré-1962
Em 7 de
fevereiro de 2026, o bloqueio econômico,
comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos ao povo de Cuba completou
64 anos de instauração oficial. Antes disso, já haviam sido aplicadas medidas
preliminares dessa ampla guerra econômica, tipificada como genocídio, que
constitui uma violação flagrante e sistemática dos direitos humanos de todos os
cubanos.
Ao
longo desse período, gerações de cubanos nasceram e viveram, e muitos até
morreram como consequência dessa medida desumana aplicada por sucessivas
administrações estadunidenses, nas quais dezenas de operadores políticos a
executaram com sanha, sem titubear nem medir seus efeitos letais, carências,
penúrias e consequências, com o deliberado objetivo de submeter pela fome para
alcançar o sonhado fim da Revolução Cubana.
“Agora
ou nunca”, clamam hoje aqueles que exigem o bloqueio naval e aéreo, a
intervenção militar disfarçada de humanitária e até os chamados “modernos
golpes cirúrgicos”, dirigidos ao abrandamento da capacidade de resistir e
vencer da Ilha insubmissa. Esperam, com paciência, um colapso que conduza à
rendição de uma nação, de uma cultura e de um sistema político e social com
todos e para o bem de todos.
São
tubarões imperialistas prontos para devorar, que jamais se tornarão
vegetarianos, incapazes de coexistir em paz com o irredento arquipélago situado
a 90 milhas de suas costas, chegando ao absurdo de qualificá-lo como uma ameaça
à segurança nacional do país mais poderoso do mundo — por enquanto. Mais ainda:
chegaram a classificá-lo como uma “ameaça à humanidade”, como declarou um de
seus funcionários mais tóxicos.
Mais de
seis décadas se passaram desde a imposição do bloqueio mais prolongado da
história, no marco da impiedosa guerra econômica desencadeada pelos Estados
Unidos contra uma Revolução nascente e triunfante em um país submetido, desde
1902, a seus desígnios.
A joia
insular é ambicionada desde os tempos dos Pais Fundadores da nação
estadunidense, mas o inter crimines (ou caminho do crime)
inicia-se em meados de 1959, quando Cuba ainda não havia se declarado
socialista nem empresas estadunidenses tinham sido legitimamente
nacionalizadas.
Vejamos
como foi o início, o desenvolvimento e a implementação desse projeto assassino,
que fracassou em seus intentos imperiais de dobrar a Revolução, mas que custou
sangue, suor, lágrimas e enormes esforços.
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Pacote de agressões econômicas e militares
Em 11
de junho de 1959, no contexto da aplicação da Lei de Reforma
Agrária, decretada
em 17 de maio daquele ano, os Estados Unidos ameaçaram reduzir a cota
açucareira, proibir investimentos privados estadunidenses e eliminar todo tipo
de ajuda econômica caso propriedades estadunidenses fossem nacionalizadas sem
uma compensação rápida.
Cinco
meses depois, em 13 de novembro, para privar Cuba do necessário para se
defender das constantes agressões e ameaças de invasão, o governo dos Estados
Unidos pressionou o do Reino Unido para impedir a venda de 15 aviões de combate
e a substituição da obsoleta tecnologia aérea, contrato que já havia sido
planejado e acordado com empresas britânicas.
Em 26
de maio de 1960, a Embaixada dos Estados Unidos em Havana declarou que a Lei de
Segurança Mútua de 1960 estabelecia que não seria concedida assistência a Cuba,
a menos que o presidente determinasse que isso atenderia ao interesse nacional
e hemisférico dos Estados Unidos. Em 17 de março daquele mesmo ano, havia sido
aprovado um plano abrangente de ações contra Cuba, que incluía a organização da
contrarrevolução interna e a criação de forças paramilitares para agredir
direta ou indiretamente a Ilha. Os preparativos haviam começado na América
Central.
Um mês
depois, em 29 de junho, as empresas estadunidenses dedicadas ao refino e
fornecimento de petróleo — TEXACO, ESSO e SHELL, tradicionais fornecedoras de
combustível a Cuba — interromperam o abastecimento e se recusaram a processar o
petróleo bruto adquirido na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS),
como resultado das pressões exercidas pelo governo dos Estados Unidos. As
relações entre os dois países haviam entrado em rota de colisão: de um lado, a
ilha agredida; de outro, o colosso agressor. Após mais de seis décadas, hoje se
ameaça com o bloqueio total de combustíveis e até com a
aplicação de medidas econômicas e tarifárias contra países que decidam vender
petróleo a Cuba — uma medida ilegal e desprovida de argumentos.
A
escalada agressiva avançava a passos largos, e o pacote de medidas coercitivas
unilaterais era aplicado de forma escalonada, porém constante. Assim, em 6 de
julho, apenas uma semana depois, foi aprovada a Lei Pública 86-592, que emendou
a Seção 408 da Lei Açucareira de 1948 e autorizou o presidente dos Estados
Unidos a determinar a cota açucareira cubana para o restante de 1960 e o
primeiro trimestre de 1961, com base no interesse nacional e independentemente
de qualquer outra disposição relativa a cotas.
Para
concretizar essa medida de pressão, que impedia Cuba de obter recursos
financeiros imediatos e de garantir o equilíbrio da balança de pagamentos, e
com base na autoridade conferida pela Lei Açucareira de 1948, conforme
emendada, o presidente estadunidense Dwight D. Eisenhower fixou a cota
açucareira de Cuba para o ano de 1960 em 39.752 toneladas curtas, acrescidas do
açúcar certificado antes de 3 de julho de 1960 para entrada no mercado, mas que
ainda não tivesse sido efetivamente importado ou que estivesse armazenado para
consumo.
Tal
medida, ditada pela Proclama Presidencial 3355 (25 FR 6414), implicou a redução
de 700 mil toneladas curtas da cota original de 3.119.655 toneladas curtas.
Essa cifra representou 95% do remanescente da tonelagem a ser exportada para os
Estados Unidos naquele ano, reduzindo, na prática, essas importações a zero.
Uma partida de 2.379.903 toneladas curtas, em valor bruto, havia sido
certificada de acordo com as regulamentações emitidas pelo Secretário de
Agricultura.
Em 2 de
setembro daquele ano, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos promulgou
um decreto que retirou das licenças gerais para exportação a Cuba determinados
veículos automotores e suas partes funcionais, passando a exigir, para esses
itens, licenças validadas. Cinco dias depois, o Departamento do Tesouro, com o
objetivo de facilitar a execução das regulamentações de exportação do
Departamento de Comércio, emitiu uma disposição que incluiu Cuba em uma lista
de países para os quais as embarcações não seriam despachadas pela alfândega
enquanto não fossem apresentadas as guias completas de carga exportada e todas
as declarações de exportação exigidas. Desde então, teve início a obsessão
punitiva imperial de incluir a Ilha em listas infames.
As
relações comerciais, naquele momento, ainda eram relativamente fluidas com os
Estados Unidos, que haviam sido o destino e a origem cativos de mercadorias e
matérias-primas de e para Cuba, a qual, como arquipélago, dependia
fundamentalmente da via marítima para suas relações comerciais. As medidas
adotadas destinavam-se a dificultar o livre exercício do comércio e a
estrangular a economia nacional.
No
final de setembro, o governo estadunidense notificou o governo cubano de sua
decisão de suspender as operações da planta de concentração de níquel em
Nicaro, de propriedade estadunidense. Até então, esse setor exportador havia
sido uma importante fonte de emprego para centenas de cubanos. As
transnacionais estadunidenses, numerosas e estabelecidas em Cuba, começaram a
reduzir suas produções e iniciaram o roubo de talentos, oferecendo-lhes
empregos em suas matrizes ou em subsidiárias localizadas em outros países da
América Latina onde estavam representadas.
Ao
final daquele mês de setembro, os Estados Unidos já privavam seus cidadãos do
direito constitucional de viajar, medida que permanece vigente seis décadas
depois. No último dia do mês, o Departamento de Estado anunciou ter recomendado
aos cidadãos estadunidenses que “se abstivessem de viajar a Cuba, a menos que
houvesse razões imperiosas para fazê-lo”.
O
“gotejamento” das medidas repressivas intensificou-se em 20 de outubro, quando
a invasão mercenária se encaminhava para sua fase final e estava pronta. Nessa
data, o Departamento de Comércio emendou as Regulamentações de Exportação,
estabelecendo controles estritos e totais que impunham a proibição das
exportações para Cuba, excetuando apenas certos alimentos não subsidiados,
medicamentos e suprimentos médicos especificamente autorizados.
O
inventário de medidas destinadas a isolar Cuba do mundo continuou a se
expandir. Assim, em novembro de 1960, foram emendadas as Regulamentações do
Departamento Postal e implantadas as primeiras restrições ao serviço postal dos
Estados Unidos para Cuba, incluindo o país entre aqueles para os quais as
exportações estadunidenses estavam sujeitas a limitações especiais. Da mesma
forma, passou-se a exigir, a partir da promulgação dessa disposição, uma
licença geral para o envio de presentes, considerados como tais alimentos,
roupas, medicamentos e fármacos.
Um
golpe demolidor, segundo o entendimento dos estrategistas estadunidenses, foi
desferido em 16 de dezembro daquele ano. Com base nas atribuições conferidas
pela Lei Açucareira de 1948, o presidente estadunidense emitiu a Proclama
Presidencial 3383, que reduziu a zero a cota açucareira cubana para o primeiro
trimestre de 1961. Com essa medida, buscava-se asfixiar a economia cubana,
dependente do açúcar como principal produto de exportação, obrigando
posteriormente a sitiada ilha a buscar novos mercados para escoar sua produção.
Encerrava-se,
assim, um ano marcado por severas medidas de pressão. A invasão seguia seu
curso inexorável nesse último estertor da administração republicana, e a
ruptura das relações diplomáticas configurava-se como uma opção preparatória,
destinada a deixar o caminho livre para a gestão democrata sucessora, que daria
continuidade à agressão diversificada, tendo a incursão mercenária como ponta
de lança. Faltavam ainda três meses e meio para que a Revolução se declarasse
socialista, e o bloqueio já espreitava com suas fauces abertas.
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Após décadas de sanções ocidentais, Cuba aprendeu a
resistir a crises, afirma cientista político
Cuba
aprendeu a resistir a diferentes crises ao longo de quase sete décadas de
pressão e sanções dos Estados Unidos, disse à Sputnik o sociólogo e cientista
político equatoriano Luis Ernesto Guerra.
Segundo
ele, desde 1959, a partir do momento da vitória da Revolução Cubana, 13
presidentes norte-americanos impuseram e mantiveram sanções, bloqueios, medidas coercitivas unilaterais, o que foi
considerado uma agressão contra o povo da Ilha da Liberdade.
Além
disso, Guerra lembrou que nos Estados Unidos opera um "lobby
anticubano" com sede em Miami, que também organiza vários métodos de
agressão contra Cuba.
No
entanto, o especialista político destacou que Cuba adquiriu experiência
para resistir às ações hostis dos Estados Unidos e, graças à experiência acumulada ao longo de
décadas,
são capazes de resistir a essas crises e ameaças para prejudicar a ilha.
"Cuba
é muito resiliente e capaz de resistir a crises e, graças a essa
vasta experiência acumulada, sabe resistir e lutar. Cuba faz isso com
dignidade, preservando a soberania", observou.
O
especialista explicou que o governo norte-americano vive agora uma crise
sistêmica e estrutural que se acumulou ao longo de décadas e, às vésperas
das eleições de meio de mandato nos EUA, está recorrendo a ferramentas típicas
da chamada "guerra híbrida".
Em 29
de janeiro, o presidente estadunidense Donald Trump assinou um
decreto, segundo o qual os Estados Unidos podem impor tarifas
de importação sobre
mercadorias de países que vendem ou fornecem petróleo a Cuba, e também declarou
estado de emergência, citando a ameaça à segurança nacional supostamente
emanada de Havana.
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‘Não vamos nos render’: Cuba anuncia medidas frente a
brutal novo bloqueio dos EUA
O
presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, anunciou nesta
quinta-feira (5) a implementação de um conjunto de medidas governamentais, que
incluem restrições ao consumo, para enfrentar uma complexa situação energética
agravada pelas medidas coercitivas dos Estados Unidos.
Durante
uma conferência de imprensa, o chefe de Estado explicou que, desde dezembro, o
país não recebe combustível devido ao reforço do bloqueio contra a Venezuela, o
que afeta a geração de
energia elétrica e atividades econômicas e sociais básicas.
“Temos
problemas na disponibilidade de combustível para garantir não apenas a geração
elétrica, mas também atividades básicas que têm relação direta com a
população”, afirmou.
O
mandatário informou que o Conselho de Ministros se reuniu para aprovar
diretrizes, atualizadas a partir das orientações do líder histórico da
Revolução, Fidel Castro, durante o chamado “período especial”, com o objetivo
de enfrentar o desabastecimento.
“Ainda
que haja um bloqueio energético, nós não renunciamos a receber combustível em
nosso país. Esse é um direito que temos, e estamos realizando todas as gestões
para que o país volte a ter abastecimento”, assegurou.
Díaz-Canel
qualificou de “condenável” e “criminosa” a política de uma potência que busca
asfixiar uma pequena nação, ao questionar: “Que direito tem uma nação de
impedir que um país receba combustível?”.
Como
parte da estratégia para enfrentar os efeitos do bloqueio, o presidente
detalhou várias ações em curso, como o aumento da produção nacional.
O
mandatário especificou que será impulsionada a extração de petróleo e de gás
associado e que, ainda este ano, está prevista a conexão de 20 mil novos
consumidores em Havana à rede de gás manufaturado.
Indicou
também que cientistas cubanos trabalham em projetos para refinar o petróleo
bruto nacional e obter derivados como gasolina e diesel, após um teste
bem-sucedido realizado no final do ano passado.
Avançam
igualmente os trabalhos de recuperação e construção de novas capacidades de
armazenamento de combustível, perdidas após o incêndio em Matanzas, para possibilitar o
recebimento de maiores volumes.
“Vamos
encarar isso como uma oportunidade para nos desenvolver, alcançar um
desenvolvimento sustentável, sermos mais soberanos energeticamente e menos
dependentes”, enfatizou o presidente.
O
mandatário reconheceu que as medidas, algumas delas restritivas, “vão exigir
esforço” e “sacrifício” da população, mas ressaltou que a opção da rendição não
existe para Cuba.
Fonte:
Por José Luis Méndez Méndez, para Cuba en Resumen/Diálogos do Sul Global/Sputnik
Brasil

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