segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Ciro Nogueira pede socorro a Lula e pelo apoio oferece afastar PP de Flávio Bolsonaro

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP e que se autoproclamava abertamente “o maior dos bolsonaristas”, procurou o presidente Lula (PT) em busca de salvação política. O encontro, de acordo com o diário Folha de S.Paulo, ocorreu em 23 de dezembro, na Granja do Torto, sem registro na agenda oficial do estadista, e contou com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A iniciativa foi do próprio Nogueira, que enfrenta sérias dificuldades para se reeleger senador pelo Piauí em outubro e teme perder o mandato.

Como na parábola bíblica do filho pródigo, que após esbanjar a herança retorna arrependido ao pai, Nogueira, que construiu sua ascensão política com a força total de Lula e do PT, para depois romper e se entregar de corpo e alma ao bolsonarismo, agora retorna ao Planalto em busca de um acordo que garanta sua sobrevivência eleitoral. No estado dele, governado pelo PT, duas vagas ao Senado estarão em disputa, e o senador propõe que Lula concentre o apoio petista em apenas um nome: o do colega Marcelo Castro (MDB). Em troca, o PP manteria neutralidade na disputa presidencial, sem formalizar aliança com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ungido pelo bolsonarismo.

A federação em andamento entre PP e União Brasil, batizada União Progressista, poderia resultar na maior bancada da Câmara, mas ainda aguarda aprovação do TSE. Nogueira é um dos principais articuladores dessa união partidária.

Participantes descreveram o diálogo como cordial, com “trocas de afeto” ao final. Assessores próximos a Lula indicam que o presidente vê com simpatia a proposta, e o próprio petista demonstra apreço pessoal pelo senador. Durante a conversa, Nogueira destacou sua relação próxima com Motta, a quem tratou quase como um filho político, e lembrou ter sido um dos primeiros a reconhecer a vitória de Lula em 2022, ainda que tenha mantido lealdade a Bolsonaro até o último momento.

Essa declaração foi lida como sinal de possível fidelidade futura. Preocupado com vazamentos, Nogueira negou à imprensa qualquer contato com o presidente, mas interlocutores confirmam que ele tem intensificado contatos para fortalecer sua campanha.

A reaproximação pode gerar desgaste entre bolsonaristas, que ainda o veem como ícone fiel. No PT do Piauí, a resistência é intensa: o governador Rafael Fonteles e o ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social) aparentemente não foram informados oficialmente, uma vez que, naturalmente, se colocariam contrários ao acordo. Fábio Novo, presidente estadual do partido, recordou que Nogueira já recebeu apoio de Lula em duas eleições anteriores, só para trair depois. “Não temos o direito de errar uma terceira vez”, disse.

Líderes nacionais do PT também se opõem a ajudar o senador. A aliança petista no estado já tem Júlio César (PSD) como pré-candidato ao Senado, e qualquer mudança poderia prejudicar a relação com Gilberto Kassab, presidente do PSD e aliado estratégico de Lula.

O Piauí é um dos estados mais lulistas do Brasil. Em 2022, Lula obteve 76,8% dos votos válidos no segundo turno contra Bolsonaro. Políticos locais consideram que o apoio explícito do Planalto é fator decisivo para uma vitória de quem quer que seja. Mesmo assim, Nogueira mantém influência forte entre prefeitos, inclusive petistas, como Felipe Ribeiro, de Cajueiro da Praia, que já declarou apoio ao senador.

Em seu segundo mandato no Senado, Nogueira elegeu-se em 2018 com endosso de Lula e do PT, fazendo campanha ao lado de Fernando Haddad, que venceu Bolsonaro no estado com 77,1% no segundo turno. Nogueira foi o mais votado, com 29,8%, seguido por Marcelo Castro, com 27,1%.

Após a derrota de Haddad, porém, o senador migrou para o campo bolsonarista, assumindo a Casa Civil em julho de 2021 e conduzindo o PP rumo ao alinhamento radical com Bolsonaro e sua odiosa extrema direita, mantendo-se por lá mesmo após o ex-presidente golpista perder o mandato, uma atitude que rompeu a “tradição centrista” de aderir ao poder vigente. Foi o clássico caso de quem cresceu politicamente às custas do petismo, para depois demonizá-lo e surfar a onda bolsonarista como o mais fervoroso dos fiéis.

Sem Bolsonaro na disputa presidencial, Nogueira chegou a cogitar Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) como alternativa, sonhando inclusive com a vice-presidência. Com Tarcísio fora, o foco recai em Flávio Bolsonaro, mas o interesse em compor chapa esfriou. O PP, que abriga uma ala lulista, inclusive com um ministro no governo atual, pode optar por não apoiar formalmente o filho do ex-presidente, liberando filiados para escolherem livremente o lado na eleição nacional.

•        Ciro Nogueira é flagrado em aeroporto com investigados na Carbono Oculto 86

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) encontrou na noite desta quinta-feira (5) no aeroporto de Brasília com os empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Danilo Coelho de Souza, que foram alvos da Operação Carbono Oculto 86, da Polícia Civil do Piauí. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis que, segundo as autoridades, atendiam à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Conforme o ICL Notícias revelou, Haran Sampaio pagou R$ 230 mil a Victor Linhares de Paiva, ex-assessor, aliado político e compadre de Ciro Nogueira. Linhares também foi alvo da operação piauiense.

O ICL Notícias teve acesso a uma fotografia do senador conversando com os empresários no aeroporto da capital federal na noite desta quinta-feira. Conforme apurou a reportagem, os três embarcaram para Teresina. Sampaio e Souza são ex-proprietários da rede de postos HD, apontada nas investigações como possível núcleo do esquema no estado.

A Carbono Oculto 86 foi deflagrada em novembro do ano passado e é um desdobramento de operação homônima realizada em agosto de 2025 pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Federal (PF), que investigou a infiltração do PCC no setor de combustíveis e no sistema financeiro. O mesmo modelo de atuação teria sido replicado no Piauí por meio da rede HD. Por isso, a Polícia Civil local batizou a ação com acréscimo do número 86, em referência ao DDD do estado.

Comunicação do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) à qual a reportagem teve acesso registra que Linhares de Paiva transferiu, logo após o depósito, o valor recebido de Sampaio para outra conta bancária de sua titularidade. A suspeita dos investigadores é a de que ele recebeu a quantia por intermediar a negociação de venda da rede de postos de combustíveis HD.

A conta utilizada na transação foi aberta por Paiva no BK Bank, fintech investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. A movimentação chamou a atenção da Polícia Civil do Piauí por ter ocorrido em dezembro de 2023, mês em que a rede Postos HD foi vendida à Pima Energia Participações.

Em resposta ao ICL Notícias, Haran Sampaio afirmou que o encontro com o senador Ciro Nogueira foi casual.

“Ontem no retorno a Teresina houve um encontro casual com diversas personalidades políticas do estado do Piauí no embarque do aeroporto de Brasília, onde estávamos fazendo uma conexão. Cumprimentamos o Senador Ciro Nogueira, assim como cumprimentamos outros senadores, ministros e deputados federais e estaduais, diversas outras autoridades e pessoas que residem em Teresina e que conhecemos. Apenas isso.”

O empresário não respondeu sobre a transação financeira com Victor Linhares.

“Sobre o Victor, já prestei os esclarecimentos na Delegacia, e por conta do sigilo dos autos, não posso me manifestar externamente”, afirmou.

O senador Ciro Nogueira também foi procurado pela reportagem. Se houver resposta, este texto será atualizado.

<><> Empresa de Ciro recebeu dinheiro de posto investigado

O ICL Notícias também revelou no ano passado que a empresa Ciro Nogueira recebeu R$ 63,9 mil de um posto de combustível da rede Pima Energia, localizado em Teresina, que também foi alvo da Operação Carbono Oculto 86.

O posto Pima Energia Amizade — que anteriormente operava sob o nome Maranhão Petróleo — realizou duas transferências para a Ciro Nogueira Agropecuária Imóveis, incorporadora pertencente ao senador. Segundo o relatório do Coaf, foram enviados R$ 47,9 mil em 2 de maio de 2025 e R$ 15,9 mil em 17 de abril do mesmo ano.

A Pima Energia Participações foi fundada na capital paulista apenas seis dias antes de adquirir a rede de postos de gasolina piauiense “Postos HD”, dos empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Daniel Coelho de Souza.

Os investigadores suspeitam que foi uma venda de fachada, uma vez que houve uma “substituição de bandeira (de HD para Pima e Diamante) sem alteração operacional real” e que a Pima Energia “foi criada especificamente para formalizar a referida transação comercial”.

O único sócio da Pima Energia à época da transação com o grupo HD era o Jersey Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, que por sua vez, é administrado por uma empresa, também suspeita de lavar dinheiro e, igualmente, alvo da operação Carbono Oculto: a gestora de fundos Altinvest Gestão e Administração de Recursos de Terceiros.

Hub de soluções financeiras, a Altinvest é liderada pelo empresário Rogério Garcia Peres e administra 10 fundos citados pelos promotores na Operação Carbono Oculto. O MP-SP afirma que Peres é um dos responsáveis pelas “dinâmicas fraudulentas envolvendo fundos e a BK Instituição de Pagamento”.

Outra reportagem do ICL Notícias revelou que a uma empresa do grupo de Haran Sampaio e Daniel Souza já dividiu endereço com uma firma do irmão do senador piauiense Ciro Nogueira (PP-PI) e recebeu recursos públicos da cota parlamentar do político. Outra empresa do mesmo grupo pagou combustível usado para abastecer o jatinho do PP.

<><> Leia abaixo nota de Esclarecimento da Altinvest e Rogério Garcia Peres, enviada ao ICL Notícias:

A Altinvest repudia veementemente qualquer tentativa de associação de seu nome ou de seus executivos a atividades ilícitas. A gestora atua em plena conformidade com a legislação brasileira e com as normas da CVM e da ANBIMA, enviando regularmente todas as informações de seus fundos e cotistas aos órgãos competentes. Importante informar que o Fundo Jersey FIP, relacionado à Operação Carbono Oculto 86, foi oficialmente encerrado em 5 de maio de 2025, após a liquidação integral de seus ativos, conforme documentação e auditoria disponíveis. Cabe esclarecer também que Rogério Garcia Peres, não é gestor ou administrador de fundos de investimento, exercendo apenas a função de administrador da Altinvest e de professor de Direito Tributário. Ressalta-se que ele é executivo com mais de 25 anos de experiência no mercado financeiro e jamais teve qualquer envolvimento com o setor de combustíveis. A Altinvest e seus executivos seguem colaborando integralmente com as autoridades e confiam que todos os fatos serão devidamente esclarecidos.

O ICL Notícias esclarece que as informações sobre Altinvest foram publicadas de acordo com as informações divulgadas pelas autoridades

•        Flávio Bolsonaro teria oferecido R$ 5 milhões para depoente ir contra Lula na CPMI do INSS, denuncia deputado

A sessão que marcou a retomada dos trabalhos da CPMI do INSS, que acontece nesta quinta-feira (5), começou quente com uma denúncia feita pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), vice líder do PT na Câmara, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), antecipando o clima eleitoral que deve imperar nos trabalhos da comissão.

Em sua primeira intervenção, Correia denunciou que o filho de Jair Bolsonaro (PL), ungido pré-candidato à Presidência dentro da cela na Papudinha, teria oferecido R$ 5 milhões para que o advogado Eli Cohen, um dos primeiros denunciantes do esquema de desvios no INSS, fosse contra o governo e Lula na CPMI.

“Eu estou apresentando o requerimento porque ele [Eli Cohen] vem aqui, e ele denuncia dois senadores, um que eu não posso falar o nome e o outro Flávio Bolsonaro, que teria mandado emissário para oferecer os R$ 5 milhões. É muito grave. Ele esteve aqui, falou um monte de coisa e agora é preciso esse rapaz vir aqui explicar, esse ex-policial”, afirmou Correia.

Em 24 de outubro de 2025, o ex-policial Rogério Gilio Gomes registrou documento, com firma reconhecida, que Cohen teria pedido R$ 5 milhões para atacar Lula e o governo durante seu depoimento à CPMI.

Em seu depoimento, em setembro, Cohen criou narrativas de que José Ferreira da Silva, o Frei Chico, atuaria como um “laranja” em esquema de fraudes no INSS no Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), entidade do qual ele é vice-presidente.

O depoimento motivou a tentativa de convocação de Frei Chico, que não prosperou. Em troca, a base governista pediu a quebra de sigilo bancário e fiscal de Eli Cohen para detectar o suposto suborno de R$ 5 milhões.

Em dezembro, após pressão e ameaças de bolsonaristas, o ex-policial apresentou um novo documento se retratando da acusação sobre os R$ 5 milhões.

Na abertura da CPMI, no entanto, Correia sinaliza que teria novos elementos que comprovariam o envolvimento de Flávio no caso.

“Quero depois falar, não tenho tempo aqui, mas o filho do Bolsonaro, eu vou mostrar, tá envolvido nisso e vai ter que vir [depor] aqui depois”, disse o petista, que protocolou um requerimento pedindo a convocação de Flávio para depor.

O requerimento pedindo a convocação do filho “01” de Bolsonaro foi protocolado nesta segunda-feira (2) pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), vice líder do PT na Câmara, que pede ainda a convocação e quebra de sigilo de Letícia Caetano dos Reis, administradora da empresa Flavio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia.

“Falaram tanto do filho do Lula, do irmão do Lula, mas parece que quem tá mesmo no fogo e na relação com o careca do INSS é o filho do Bolsonaro, que até hoje não conseguiu explicar uma mansão de R$ 6 milhões. Será que teve ajuda do BRB? Será que teve ajuda do careca? Ao que tudo indica, não foi dinheiro limpo”, afirmou o deputado à Fórum.

Segundo o requerimento, suspeita-se de uma conexão entre Flávio Bolsonaro e o núcleo de Antonio Carlos Camilo Antunes, que ficou conhecido como “Careca do INSS”.

“Ocorre que a Sra. Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis. No relatório da Polícia Federal (PF), o Senhor Alexandre é apontado como sócio de Antonio Carlos Camilo Antunes, principal operador do esquema de desvio de dinheiro de aposentados e pensionistas, na empresa CAMILO & ANTUNES LIMITED (RPDL LTD33), sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. A empresa, que adquiriu quatro imóveis em 2024, totalizando R$ 1.050.000,00, seria uma offshore constituída por Antonio Carlos a fim de blindar o patrimônio ilegítimo amealhado”, diz o requerimento.

Irmão de Letícia, Alexandre Caetano dos Reis foi alvo de uma das fases da operação Sem Desconto e, segundo a PF, seria o contador das empresas e integrante do núcleo administrativo-financeiro do grupo financeiro que lesou aposentados e pensionistas.

“Em entrevista para veículo a imprensa, a sra. Letícia disse que foi indicada para ser administradora do escritório pelo advogado Willer Tomaz de Souza, que é amigo de Flávio Bolsonaro e bastante influente no meio político. Em seu aniversário de 2021, por exemplo, Willer promoveu festa pomposa, na qual, além de Flávio Bolsonaro, estiveram presentes: Arthur Lira, Paulo Octávio (ex-vice-governador do DF) e José Roberto Arruda (ex-governador do DF)”, afirma o requerimento, destacando link para a “festa ostentação do advogado” em Brasília.

Tomaz de Souza é amigo de longa data de Flávio Bolsonaro e, segundo o requerimento, “advoga em um processo em que Alexandre Caetano dos Reis, investigado no esquema do INSS, estava no polo passivo (Voga Brasil Solucoes Empresariais E Ambientais Ltda X Ricardo Gadelha

Lustosa – Processo nº 003XXXX-07.2015.8.07.0001)”, ou seja, atua como defensor do sócio do Careca do INSS.

“Além disso, na análise dos RIFs enviados pelo COAF, a PF destacou que dr. Willer Tomaz movimentou R$ 45,5 milhões entre maio e novembro de 2021, contando entradas e saídas (página 900, IPL). Além disso, a PF apontou que o advogado pagou R$ 120 mil a Milton Salvador de Almeida Júnior, operador financeiro de Antonio Carlos Camilo Antunes”, diz o documento.

“Diante das evidências, suspeita-se de uma conexão entre Flávio Bolsonaro e o núcleo de Antonio Carlos Camilo Antunes, visto que seus sócios são irmãos”, emenda.

<><> Quebra de sigilo

Em outros dois requerimentos, que serão discutidos na sessão da próxima quinta-feira (5), que abre os trabalhos da CPMI em 2026, o vice-líder do PT pede a convocação e a quebra de sigilo de Letícia Caetano dos Reis, administradora da empresa Flavio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia.

“Diante da gravidade dos fatos, torna-se indispensável a quebra dos

sigilos bancário, fiscal e de Relatório de Inteligência Financeira (RIF) da Sra. Letícia Caetano dos Reis, a fim de possibilitar a identificação de movimentações financeiras atípicas, eventuais e recebimento de valores de pessoas e empresas investigadas no âmbito da CPMI do INSS”, diz o pedido.

Correia ainda chama a atenção possíveis crimes que podem ser desnudados com o levantamento das informações.

“A investigação desse fluxo financeiro é fundamental para apuração

sobre possíveis conflitos de interesse, favorecimento indevido, tráfico de influência, recebimento de vantagens econômicas, ou seja, a eventual vinculação entre decisões administrativas, interesses eleitorais e as atividades da Sra. Letícia, pelo que se requer a aprovação deste requerimento”, diz.

 

Fonte: Fórum/ICL Notícias

 

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