Crime
organizado, IA e propaganda marcam debate sobre regras de 2026 no TSE
O TSE
(Tribunal Superior Eleitoral) encerrou na quinta-feira (5) três dias de
audiências públicas para discutir as normas que irão orientar as Eleições
Gerais de 2026. As minutas das resoluções, divulgadas em janeiro, receberam
contribuições de partidos políticos, especialistas, entidades e cidadãos sobre
temas como propaganda eleitoral, registro de candidaturas, pesquisas, ilícitos
eleitorais entre outros.
Ao
todo, foi apresentado o número recorde de 1.431 sugestões de ajustes. As
propostas passarão agora por análise técnica e poderão ser incorporadas aos
textos finais, que ainda serão debatidos e votados pelo plenário do TSE. As
regras precisam ser aprovadas até 5 de março.
Entre
os pontos discutidos esteve a proposta que permitiria o impulsionamento, nas
redes sociais, de publicações críticas ao desempenho de governos durante a
pré-campanha, desde que não apresentem elementos explícitos de disputa
eleitoral.
O PT
pediu na audiência a retirada da previsão, argumentando que a medida poderia
gerar desequilíbrio, já que permitiria críticas impulsionadas ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva sem a possibilidade equivalente de impulsionamento
negativo contra adversários.
A
regulação do uso de inteligência artificial nas campanhas também ganhou
destaque nas discussões, especialmente pela ausência inicial de regras
específicas nas minutas divulgadas em janeiro.
O
procurador regional da República Luiz Carlos Gonçalves propôs a aplicação de
multas de até R$ 30 mil para quem divulgar desinformação em propaganda
eleitoral com conteúdo fabricado ou manipulado, inclusive por IA.
Entre
outras sugestões apresentadas estão exigências ampliadas de transparência para
plataformas e sistemas de IA, com relatórios auditáveis, regras mais claras
sobre conteúdos sintéticos e deepfakes e fiscalização mais rigorosa sobre
anúncios políticos.
Também
foram defendidas mudanças no conceito de conteúdo político-eleitoral para
incluir menções a autoridades e instituições, além de produtos e serviços que
façam referência a candidatos.
Participantes
apontaram ainda a infiltração do crime organizado na política como um dos
principais desafios atuais da democracia brasileira. Foram citados casos
recentes de candidatos e eleitos com vínculos com facções, milícias e grupos
paramilitares.
Entre
as propostas está a inclusão expressa, nas regras de registro de candidaturas,
da possibilidade de indeferimento quando houver elementos que indiquem ligação
com organizações criminosas.
Também
foram apresentadas sugestões relacionadas à transparência das candidaturas.
Entre elas, a retomada da divulgação do CPF dos candidatos, apontada como
instrumento relevante para controle social e investigações jornalísticas. Houve
ainda defesa do retorno ao modelo completo e detalhado de declaração de bens,
para fortalecer a fiscalização patrimonial, prevenir conflitos de interesse e
alinhar o país a compromissos internacionais de combate à corrupção.
As
contribuições apresentadas nas audiências serão analisadas pelo corpo técnico
do TSE antes da elaboração das versões finais das resoluções que irão reger o
processo eleitoral de 2026.
• MP Eleitoral propõe multa de até R$ 30
mil por desinformação com IA em 2026
O
procurador regional da República Luiz Carlos Gonçalves propôs nesta
quinta-feira (5) a aplicação de multas de até R$ 30 mil para quem divulgar, em
propaganda eleitoral, desinformação com conteúdo fabricado ou manipulado,
inclusive por inteligência artificial.
Segundo
o procurador, a mudança busca "suprir uma lacuna" atualmente
existente nas regras eleitorais
A
sugestão foi apresentada durante audiência pública do TSE (Tribunal Superior
Eleitoral) sobre as normas que orientarão as Eleições Gerais de 2026. As
discussões foram encerradas nesta quinta após três dias de debates.
Como
mostrou a CNN Brasil, as minutas das normas foram divulgadas em janeiro e
ficaram abertas a contribuições de partidos, entidades, especialistas e demais
interessados. Os textos tratam de temas como pesquisas eleitorais, registro de
candidaturas, ilícitos eleitorais e propaganda política.
Um dos
pontos de destaque das minutas divulgadas em janeiro foi a ausência de
discussões específicas sobre o uso de inteligência artificial nas campanhas.
Por isso, o tema ganhou espaço nas audiências, especialmente na sessão dedicada
à propaganda eleitoral.
Entre
as sugestões apresentadas está a ampliação das exigências de transparência e
prestação de contas de plataformas e sistemas de IA, com relatórios auditáveis
e definições mais precisas sobre conteúdos sintéticos e deepfakes.
Também
foram propostas mudanças para ampliar o conceito de conteúdo político-eleitoral
para incluir menções a autoridades e instituições, além de anúncios de bens ou
produtos que façam referência a candidatos.
Outra
sugestão prevê fiscalização mais rigorosa pelas plataformas digitais, com
divulgação de informações detalhadas sobre quem financiou a propaganda, valores
investidos e público alcançado.
Ao
todo, o TSE recebeu um número recorde de 1.431 sugestões de ajustes. As
propostas passarão por análise técnica e poderão ser incorporadas às normas. Em
seguida, os textos finais serão debatidos e votados pelo Plenário do tribunal.
As regras precisam ser aprovadas até 5 de março.
O TSE
já discute desde 2025 o avanço da desinformação e da IA e seus impactos nas
eleições de 2026.
Sob a
presidência da ministra Cármen Lúcia, o tribunal iniciou estudos e iniciativas
para antecipar riscos relacionados ao uso de sistemas generativos após a
viralização de vídeos hiper-realistas. O episódio levou à criação, em junho do
ano passado, de um grupo de trabalho dedicado ao tema.
Em
2024, nas eleições municipais, o tribunal regulou pela primeira vez o uso de IA
em propaganda eleitoral, proibindo deepfakes e limitando o uso de robôs.
No
campo da desinformação, as minutas do TSE já preveem adequações às novas regras
de responsabilização de plataformas digitais, conforme entendimento fixado pelo
STF em junho de 2025.
A
minuta sugere que publicações que ataquem as urnas eletrônicas ou incentivem
atos antidemocráticos sejam retiradas do ar imediatamente, mesmo sem decisão
judicial. Caso não cumpram a determinação, as plataformas poderão responder na
Justiça.
• STF consolida dupla punição para caixa
2: entenda o que muda
O STF
(Supremo Tribunal Federal) decidiu, na sexta-feira (6), que a prática de caixa
dois — uso de recursos não declarados em campanhas eleitorais — pode ser punida
simultaneamente na Justiça Eleitoral e na Justiça comum. A tese, fixada sob a
relatoria do ministro Alexandre de Moraes, autoriza a responsabilização em duas
esferas distintas e amplia o alcance das sanções aplicáveis aos envolvidos.
O
julgamento ocorreu no plenário virtual e contou com a adesão dos dez ministros
da Corte. A decisão, tomada em ano eleitoral, sinaliza um endurecimento do
entendimento do Supremo em relação às punições aplicáveis a irregularidades no
financiamento de campanhas.
Com o
novo entendimento do Tema 1260, o crime de caixa 2 pode gerar dois processos
independentes:
• Esfera Criminal Eleitoral: focada na
fraude contra o processo democrático (falsidade ideológica).
• Esfera Civil de Improbidade: focada no
dano à moralidade pública e ao patrimônio do Estado.
Assim,
a principal mudança é o acúmulo de sanções. "A independência de instâncias
exige tratamentos sancionatórios diferenciados", escreveu o ministro
relator. Para Moraes, a proteção da transparência eleitoral não exclui a
proteção da probidade administrativa.
Para
garantir a segurança jurídica, o STF também entendeu que, se a Justiça
Eleitoral decidir que o crime não existiu ou que o réu não teve participação no
fato, essa absolvição "contamina" positivamente a ação de
improbidade. Caso contrário, as instâncias seguem de forma autônoma.
“Reconhecida,
na instância eleitoral, a inexistência do fato ou negativa de autoria do réu, a
decisão repercute na seara administrativa”, escreveu Moraes.
Analistas
ouvidos pela CNN Brasil apontam que o principal avanço em relação ao
entendimento anterior está na redução das ambiguidades.
“A
decisão fecha espaço para estratégias voltadas a deslocar integralmente a
controvérsia para a Justiça Eleitoral ou a paralisar a responsabilização por
improbidade com base em decisões eleitorais que não enfrentam o mérito dos
fatos. O STF reforça, assim, que não existe imunidade pela via eleitoral para
condutas de caixa dois que também atentem contra a probidade administrativa”,
afirmou Rafael Amorim, advogado sócio de Holthe, Amorim & Lazari Advocacia
e Consultoria.
“A
decisão reforça a ideia de que se tratam de esferas autônomas, voltadas à
proteção de bens jurídicos distintos: de um lado, a lisura e a legitimidade do
processo eleitoral; de outro, a moralidade administrativa e o patrimônio
público”, explica Marcos Meira, especialista em Direito Administrativo,
presidente da Comissão de Infraestrutura da OAB e sócio-fundador da M. Meira
Advogados.
• Fachin enfrenta resistências no STF ao
tentar acelerar código de conduta para ministros
A
tentativa do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, de
acelerar a criação de um código de ética e conduta para ministros da Corte vem
provocando divisões internas, inclusive entre magistrados que veem com bons
olhos a ideia de estabelecer novas regras. O movimento, tratado como uma das
principais bandeiras da gestão de Fachin, passou a ser alvo de questionamentos
sobre o momento escolhido para avançar com o debate.
Segundo
reportagem da Folha de S.Paulo, Fachin avalia que conta com o apoio da maioria
dos dez ministros atualmente em exercício no STF para aprovar o projeto. Ainda
assim, mesmo dentro do grupo considerado favorável, cresce a preocupação de que
a discussão possa fragilizar o tribunal e alimentar ataques em um período de
crise de imagem e de maior vulnerabilidade de alguns integrantes, que enfrentam
questionamentos públicos sobre condutas pessoais e profissionais.
De
acordo com relatos de ministros e assessores citados na reportagem, a proposta
encontra receptividade em alas diversas do Supremo. Além de Fachin, nomes como
Cármen Lúcia, indicada como relatora do projeto, Cristiano Zanin, Luiz Fux,
André Mendonça e Flávio Dino estariam entre os mais abertos à criação de um
código formal. O grupo inclui ministros que já estiveram em lados opostos em
julgamentos relevantes, como no caso da condenação do ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL) por golpe de Estado, o que reforça o caráter transversal do
debate dentro da Corte.
Apesar
disso, resistências começaram a aparecer também entre os aliados da iniciativa.
Um dos receios apontados é que o código venha a ser interpretado como uma
reação a ataques recentes, o que poderia fortalecer críticas externas e dar
margem à leitura de que o STF estaria reconhecendo implicitamente falhas de
conduta. Esse temor é um dos fatores que levaram Fachin a cogitar a
possibilidade de adiar uma discussão mais concreta para depois das eleições,
estratégia que permitiria ganhar tempo para consolidar apoio interno.
O
avanço da proposta também tem sido prejudicado pela falta de discussões
coletivas aprofundadas. Com o recesso judiciário, os ministros passaram mais de
40 dias sem encontros conjuntos, e um almoço previsto entre eles para
quinta-feira (12) acabou cancelado. Ainda segundo a reportagem, Fachin informou
aos colegas, logo após o recesso, que havia escolhido Cármen Lúcia para
elaborar o texto do código e iniciou conversas individuais, mas sem aprofundar
os pontos centrais da proposta.
Outro
elemento que alimenta hesitações é justamente a ausência de um texto formal.
Pelo menos três ministros, com posições distintas sobre o tema, avaliam que o
debate segue em nível abstrato, sem clareza sobre o alcance das regras e o grau
de restrição que poderia ser imposto aos integrantes do Supremo.
Nos
bastidores, parte dos magistrados mais simpáticos ao projeto considera que um
código de ética seria uma resposta institucional necessária diante do desgaste
público da Corte, ampliado por episódios recentes relacionados à investigação
envolvendo o Banco Master. Entre os argumentos usados por interlocutores do
presidente do STF para justificar a criação do código está um estudo da
Fundação FHC, que aponta a necessidade de fortalecer a reputação pública de
magistrados. O documento sugere a adoção de um código de conduta com cláusulas
voltadas à imparcialidade, integridade e honestidade, além de prever regras
específicas sobre manifestações públicas, participação em eventos e um período
maior de quarentena após a saída de ministros da Corte.
O
estudo também propõe normas mais claras sobre suspeição e impedimento,
situações em que ministros deixam de atuar em processos por eventuais conflitos
de interesse.
Fonte:
CNN Brasil/Brasil 247

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