terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

“Não sou inimigo”: Ciro Nogueira acena a Lula, Kassab flerta com Republicanos e Centrão isola Flávio Bolsonaro

imposição por Jair Bolsonaro (PL) da pré-candidatura do filho “01”, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na disputa presidencial movimentou o cenário eleitoral no Centrão que, sob elogios de Ciro Nogueira (PP-PI) a Lula e flertes de Gilberto Kassab, presidente do PSD, ao Republicanos, de Tarcísio Gomes de Freitas, começa a isolar o senador na ultradireita.

Após encontro no fim de dezembro para dizer que o PP pode se afastar de Flávio por um acordo para sua reeleição no Piauí, Ciro Nogueira mudou o tom e elogiou Lula em entrevista ao SBTNews neste domingo (9).

“Não sou inimigo do presidente Lula. Acho que ele foi um grande presidente nas primeiras gestões, mas não voltou da forma que o brasileiro tinha de expectativa”, afirmou.

O presidente do PP ainda sinalizou que a sigla não deve embarcar numa candidatura Flávio que venha apenas “para defender um legado, para falar para sua bolha, não unificar, não falar para maioria”.

“Muito mais importante e vai ser definitivo é como vai ser a campanha do Flávio Bolsonaro. Se ele vier apenas para defender um legado, para falar para sua bolha, não unificar, não falar para maioria, não vai contar com nosso apoio”, disse.

Nogueira ainda voltou a criticar Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por sua atuação fracassada junto ao governo Donald Trump para impor sanções ao Brasil em troca da liberdade a Jair Bolsonaro.

Para Nogueira, o filho “02” do ex-presidente “deu discurso de soberania para Lula”. “Ele errou. Se não fosse Eduardo, Lula nem seria candidato”, emendou.

<><> Centrão se afasta

As declarações se dão em um momento em que partidos do Centrão não escondem mais o descontentamento com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Na entrevista, Nogueira afirmou ainda que deve levar o União Brasil, da federação com Antonio Rueda, a reboque na decisão que tomará quanto ao Progressistas.

Nogueira voltou a lamentar que a candidatura de Tarcísio Gomes de Freitas tenha sido escanteada por Bolsonaro e disse ainda não entender a “estratégia” de Gilberto Kassab de ter três presidenciáveis no PSD.

“Se o Tarcísio fosse nosso candidato hoje, estava eleito porque aglutinava muito mais o centro com a direita. Agora é um direito do maior líder da direita de escolher o candidato, já que ele acha que o Tarcísio tem a missão de ser candidato à reeleição em São Paulo”, afirmou.

O presidente do PP ainda comparou Lula e e Bolsonaro aos ex-presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubistcheck e diz desconfiar de uma candidatura de terceira via.

“A força eleitoral de Lula e Bolsonaro é muito importante. O Brasil teve quatro grandes líderes populares: Getúlio (Vargas), Juscelino (Kubitscheck), Lula e Bolsonaro. E pela primeira vez, dois deles se enfrentaram. Não vejo a menor possibilidade de terceira via. A disputa vai ser entre Flávio e Lula. Se a eleição fosse amanhã, ninguém sabe quem seria o vencedor”, afirmou.

Na semana passada, em entrevista à Jovem Pan, Nogueira deu mais um sinal da aproximação de Lula, tratado como “grande líder” por ele, e pressionou Flávio.

“[Flávio] vai enfrentar o homem público que mais ganhou eleições na nossa história, um grande líder como o presidente Lula, que tem que ter uma campanha completamente diferente, que é a que o pai perdeu há três anos, uma campanha que unifica o Brasil, que foque no futuro desse país, para que ele possa ter reais chances de ganhar essa eleição.”

<><> Flerte com Republicanos

Enquanto Ciro Nogueira dá sinais trocados no apoio a Flávio Bolsonaro, Gilberto Kassab avança sobre o Centrão em sua estratégia de tentar atrair novamente Tarcísio, em uma traição contra Bolsonaro, ou negociar o apoio com seu candidato – Ratinho Jr, do Paraná, se o governador paulista seguir “submisso” ao ex-presidente – para se colocar como fiel da balança em um segundo turno entre Flávio e Lula, negociando cargos em troca de apoios.

Com um pé no governo – comandando o Ministério de Portos e Aeroportos, com Silvio Costa Filho – e outro no bolsonarismo – com Tarcísio em São Paulo e Damares Alves, entre outros, no Congresso -, o Republicanos não se mostrou disposto a embarcar na candidatura de Flávio Bolsonaro.

Em mais de uma ocasião, Marcos Pereira, bispo licenciado da Igreja Universal e presidente da sigla, demonstrou descontentamento com a pré-candidatura de Flávio e sinalizou que o Republicanos não deve entrar na composição.

“Quando você diz que a direita fecha com o Bolsonaro, com o Flávio Bolsonaro, não está tudo certo ainda. Eu acho que não tá ainda fechado; pelo contrário, está dividido”, afirmou à revista Veja no final de janeiro.

O movimento abriu espaço para Kassab, que flerta com a sigla para atrair parte do eleitorado evangélico para fortalecer a pré-candidatura da terceira via e isolar Flávio na ultradireita.

Kassab ainda tenta uma articulação com a federação PP e União e deve se encontrar com Ciro Nogueira para explicar a “estratégia” eleitoral mais ao Centro, como quer o mandatário do PP.

Em entrevista ao Canal Livre na noite deste domingo (8), Kassab desdenhou da candidatura do filho de Bolsonaro justamente pela dificuldade de avançar no centro político.

“Eu acredito que nós somos muito mais competitivos no segundo turno do que o Flávio”, afirmou, ressaltando que acredita em um “tropeço” do bolsonarismo e reafirmando a candidatura do PSD.

•        Ciro Nogueira confirma relação com Daniel Vorcaro e se explica sobre “emenda Master”

tuando nos bastidores e mantendo distância das redes sociais desde o estouro do escândalo investigado pela Polícia Federal na Faria Lima, o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, confirmou a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e se explicou sobre a chamada “Emenda Master”, proposição dele inserida na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que beneficiaria a instituição.

Nogueira, que é tido como um dos principais lobistas do banqueiro no Congresso Nacional, minimizou a relação com Vorcaro e negou ter feito “gestões para encobrir algo” sobre a questão relacionada ao Master, que foi liquidado pelo Banco Central (BC) um dia após a prisão de seu dono, em novembro passado.

“Conheço o Daniel, como conheço todos os grandes empresários desse país, donos de vários bancos, e não tenho nenhum medo de esconder essa relação porque ela nunca foi uma relação ilícita. Nunca tratei do Banco Master. Nunca fiz gestões para encobrir algo”, afirmou em entrevista ao SBTNews neste domingo (8).

Em relação à sua proposta na PEC, que propunha elevar o valor de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — um mecanismo que protege depositantes em caso de falência de bancos — de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF/CNPJ, o presidente do PP negou que a intenção era aumentar a capacidade de captação do Master. A emenda foi rejeitada e não chegou a ser incorporada na PEC, que segue em debate no Congresso.

“Esse valor não está corrigido há 10 anos. Faça a correção. Você acha que R$ 250 mil há 10 anos é o mesmo valor de hoje? O que se tentou foi corrigir e, basicamente, esse fundo garantidor não vem pra proteger banco, veio para proteger o correntista. Não vem para proteger o Master. Se alguém puder me explicar por que isso não é corrigido há 10 anos. Isso tinha que ser uma indexação”, afirmou.

Na prática, o aumento do valor de R$ 250 mil para R$ 1 milhão ampliaria o seguro dado pelo FCG para investidores que adquirissem títulos, como CDB, nos bancos. Ao elevar o valor, a emenda daria mais segurança para o Master turbinar as vendas de títulos podres.

O reajuste também aumentaria o rombo causado pela liquidação do Master no FCG. Com o teto de R$ 250 mil em investimentos ressarcíveis, o fundo terá que desembolsar cerca de R$ 50 bilhões para pagar investidores do Master. O valor aumentaria muito se a emenda, elevando para R$ 1 milhão, tivesse passado.

Na entrevista, Ciro Nogueira se colocou contra uma CPMI para investigar o Banco Master e Daniel Vorcaro.

“Tenho muito receio de CPI na época de eleição. As questões políticas e ataques ficam mais valorizados do que realmente esclarecer os fatos. Confio mais no trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público do que nessas CPIs, principalmente na época de eleição”, disse.

¨      Lula opera com toda a sua força para isolar Flávio Bolsonaro

Entre os que o cercam de perto, Lula será o último a celebrar seu favoritismo para se reeleger presidente em outubro. É ele que ensina aos mais entusiasmados: “Não se ganha eleição de véspera, só no último minuto. Até lá, tudo pode acontecer”.

Foi assim na eleição de 1989, a primeira pelo voto popular depois do fim da ditadura. Disputada por 21 candidatos, Lula classificou-se para enfrentar Fernando Collor no segundo turno ao derrotar Leonel Brizola pela diferença irrisória de 0,6% do total de votos.

Disparou no segundo turno a ponto de empatar com Collor nas pesquisas. Para surpresa de muitos, superou-o com folga no primeiro debate televisivo. Apagou-se no segundo. Perdeu a eleição pelo placar de 53,03% dos votos válidos contra 46,97%.

No início de 1994, Lula liderava todas as pesquisas, mas perdeu a eleição no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso, o candidato do Plano Real que domou a inflação. Fernando Henrique se reelegeu em 1998 no primeiro turno, e Lula chorou.

Chegou a pensar em nunca mais candidatar-se a presidente. Mas se elegeu pela primeira vez em 2002, e pela segunda em 2006. Fez seu sucessor (Dilma Rousseff) em 2010, quando sua popularidade bateu na casa dos 80%. Ajudou-a a se reeleger em 2014.

Estava pronto para tentar voltar em 2018, mas foi condenado e preso, acusado de corrupção. Uma vez que sua condenação acabou suspensa pela Justiça, voltou em 2022, derrotando Bolsonaro pela diferença dramática de 50,90% dos votos válidos a 49,10%

Como candidato, agora não há mais Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta da democracia e outros crimes. Mas há o filho dele, Flávio, escolhido pelo pai para herdar seus votos.

Poderá haver um candidato do PSD de Gilberto Kassab, mas não é certo. O mais cotado, Ratinho Júnior, governador do Paraná, não se arriscará a ser sucedido pelo ex-juiz Sérgio Moro. Espera que a Justiça o remova do caminho, tornando-o inelegível.

Lula está empenhado em atrair o apoio do PSD, por mais que Kassab jure que isso não será possível. E em atrair o MDB, onde já conta com apoio expressivo. E em conseguir rachar o Centrão (PP e União Brasil), tarefa em estágio avançado a essa altura.

Não descansará enquanto não ver Flávio isolado.

 

Fonte: Fórum/Metrópoles

 

Nenhum comentário: