PL
sai em defesa dos super-ricos e aciona STF contra aumento de tributação
O
Partido Liberal (PL) acionou o STF contra dispositivos da Lei 15.270/2025, que
elevou a tributação sobre contribuintes de alta renda como forma de compensar a
ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil
mensais. Na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7933, a legenda pede a
suspensão imediata da cobrança e a declaração de inconstitucionalidade das
novas regras.
A sigla
sustenta que a norma teria violado os princípios da segurança jurídica e da
anterioridade nonagesimal, já que, segundo o partido, não foi respeitado o
prazo mínimo de 90 dias entre a publicação da lei e o início da cobrança. O
texto foi sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro de
2025 e passou a produzir efeitos em janeiro deste ano.
Outro
eixo da contestação envolve a chamada "tributação mínima". Para o PL,
o mecanismo teria natureza semelhante a um Imposto sobre Grandes Fortunas
(IGF), cuja instituição exigiria lei complementar, e não lei ordinária. O
partido afirma ainda que o próprio debate parlamentar deixou explícito o
objetivo de atingir contribuintes classificados como "super-ricos".
A
legenda também argumenta que a combinação do novo IR mínimo com tributos já
existentes, como IRPJ e CSLL, pode resultar em carga excessiva, potencialmente
incompatível com o princípio constitucional da vedação ao confisco. Segundo a
ação, haveria impacto relevante sobretudo sobre pequenas e médias empresas.
A ação
foi distribuída ao ministro Nunes Marques, que já analisa ações semelhantes.
• Classe dominante brasileira entende o
Estado como ‘coisa dela’, diz Haddad
“A
classe dominante brasileira entende o Estado como dela, não é uma coisa nossa,
é uma coisa dela.” A avaliação é do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que
participou de evento, na capital paulista, para lançamento de seu livro
Capitalismo Superindustrial. Na ocasião, houve bate-papo com Haddad, Celso
Rocha de Barros e mediação de Lilia Schwarcz, no Sesc 14 Bis.
“Eu
defendo a tese de que o Estado foi entregue aos fazendeiros como indenização
pela abolição da escravidão”, afirmou Haddad. Para contextualizar, ele lembrou
que o movimento dos republicanos começou em 14 de maio de 1888 — dia seguinte à
assinatura da Lei Áurea –, e um ano depois logrou êxito.
Vitorioso,
o movimento republicano “bota pra correr a classe dirigente do país e, no lugar
dela, não põe outra coisa senão a classe dominante do país para cuidar do
estado como se fosse seu. Nós estamos com esse problema até hoje.”
“Esse
‘acordão’ sob os auspícios das Forças Armadas, quando é colocado em xeque, a
reação é imediata. Você não pode tocar nisso, você não pode tocar em nenhuma
instância. Por isso que a democracia no Brasil é tão problemática e tão frágil,
porque a democracia é a contestação desse status quo. E, quando ela estica a
corda, a ruptura institucional pode acontecer”, concluiu o ministro.
Lançado
no sábado (7), o livro de Haddad discute os processos que levaram ao atual
modelo global do que ele chama de capitalismo superindustrial, marcado por
desigualdade e competição crescentes. Haddad aborda temas como a acumulação
primitiva de capital na chamada periferia do capitalismo, a incorporação do
conhecimento como fator de produção e as novas configurações de classe.
Para o
ministro, a desigualdade vai continuar aumentando. “A desigualdade, quando o
estado mitiga os efeitos do desenvolvimento capitalista e organiza a sociedade
em termos de desigualdade moderada, realmente as tensões sociais diminuem
muito, é verdade”, disse.
“Mas,
deixada à própria sorte, essa dinâmica leva a uma desigualdade absoluta. E
quando isso acontece, você não está mais falando de diferença, você está
falando de contradição e de processos contraditórios. E eu entendo que nós
estamos nesse momento, nessa fase, em que a contradição está se impondo”,
acrescentou.
A obra
reúne estudos sobre economia política e a natureza do sistema soviético,
realizados por Haddad nos anos 1980 e 1990, que foram revisados e ampliados.
Com isso, a obra discute também os desafios colocados pela ascensão da China
como potência global.
“A
ideia toda era tentar entender o que aconteceu no Oriente que podia se encaixar
num padrão próprio de acumulação primitiva de capital — que não se confunde nem
com a escravidão na América nem com a servidão no Leste Europeu –, mas que, à
sua maneira, cada um de um jeito, chegou aos mesmos objetivos”, explicou.
Ele
aponta que, ao contrário do que aconteceu no Leste Europeu e na América, as
revoluções no Oriente foram antissistêmicas e antiimperialistas. “Ao contrário
da escravidão e da servidão, o despotismo e a violência do estado serviram a
propósitos industrializantes, o que não aconteceu nem no leste europeu, nem nas
américas”, explicou.
“É
curioso que, do ponto de vista interno, eram formas ultra violentas e
coercitivas de acumulação de capital, mas do ponto de vista externo, tinha uma
potência antissistêmica que apaixonava os povos em busca de liberdade e de
emancipação nacional, e não de emancipação humana. Ou seja, nós estamos
falando, sim, de uma revolução, mas não de uma revolução socialista e isso faz
muita diferença”, acrescentou.
Em
relação a questionamentos sobre o sucesso ou fracasso dos processos no Oriente,
ele avalia que, do ponto de vista do desenvolvimento das forças produtivas e
mercantilização da terra, do trabalho e da ciência, houve um avanço dessas
sociedades. “Em relação aos ideias que motivaram os líderes revolucionários, aí
você pode dizer que não atingiu seus objetivos”, disse, destacando a
contradição explicitada nesses processos.
• PSD de Kassab aposta contra polarização,
mas olha para 2030. Por Lydia Medeiros
Nos
quarenta dias em que aproveitaram as férias, os parlamentares puderam ver a
assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, acompanhar o noticiário sobre a
invasão militar americana à Venezuela e a prisão de Nicolás Maduro, e seguir a
intrigante novela do Banco Master. Eles voltam ao trabalho nesta segunda-feira
com outro enredo em tempo real, a escolha do candidato presidencial do PSD.
Os
governadores Ratinho Junior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul,
ganharam a companhia partidária de Ronaldo Caiado, de Goiás, e, segundo
anunciou Gilberto Kassab, presidente do PSD, um deles vai representar o partido
na disputa pelo Planalto em outubro. A escolha será difícil, e a fórmula de uma
"decisão política" para sair do impasse, aliada a pesquisas, é opaca
e sem imunidade a dissidências e reviravoltas.
A
primeira reação de dois dos partidos do Centrão foi de crítica e desconfiança
quanto à consistência do plano anunciado. Caiado entrou no PSD porque seu
projeto presidencial foi abortado pela direção do União Brasil, expoente do
Centrão que optou por investir energia e (fartos) recursos na eleição de uma
bancada parlamentar forte. O PP do senador Ciro Nogueira e do deputado Arthur
Lira, que forma uma federação com o União Brasil, também não apostou numa
aliança em torno de Caiado. Ciro prefere ver a federação ao lado de Flávio
Bolsonaro, do PL.
Kassab
lança o PSD na eleição com o partido ocupando três cadeiras no Ministério de
Lula. Hábil, justificou a permanência dos ministros afirmando que eles, em
2022, integraram a campanha lulista e ajudaram a elegê-lo. O problema é que
naquele ano Kassab também anunciou que o partido teria candidato próprio.
Tentou convencer Rodrigo Pacheco a aceitar a tarefa, mas o mineiro preferiu
ficar no Senado. Eduardo Leite ensaiou o papel, mas, sem viabilidade, voltou
para o Rio Grande do Sul para ser reeleito. Kassab, então, liberou o partido,
que se dividiu entre Lula e Bolsonaro.
Outro
fator que atrapalha a credibilidade do roteiro exibido por Kassab é Tarcísio de
Freitas. O governador declarou que ficará em São Paulo para disputar a
reeleição. Kassab ainda integra seu secretariado. E afirmou que ficaria
"honrado" em ser vice do atual chefe numa campanha presidencial, caso
ele mude de ideia, admitindo implicitamente que tudo o que disse nos últimos
dias pode ser revisto.
O
experiente Kassab nunca deixou de reconhecer o favoritismo de Lula. Ele usou
esse argumento, inclusive, para aconselhar publicamente Tarcísio a deixar a
aventura eleitoral em Brasília para 2030 — ainda que, na opinião de muitos,
desejasse intimamente vê-lo na disputa e assumir, ele mesmo, a candidatura ao
governo paulista.
Kassab
já classificou Tarcísio como um refém eleitoral de Jair Bolsonaro. "Ele
precisa decidir se é de centro ou de direita", disse a pessoas próximas,
diante dos gestos do governador de apoio ao ex-presidente — e às investidas de
Eduardo Bolsonaro nos EUA, que resultaram em aumento de tarifas de exportação
para o Brasil. Essas manifestações de Tarcísio o desgastaram muito junto a
setores econômicos que o viam como candidato ideal para ser o antiLula. Kassab
passou a trabalhar com mais força a ideia de levar Ratinho Júnior à disputa
presidencial. Na última sexta-feira, anda aconselhou o governador paulista a
não confundir gratidão e lealdade com submissão a Jair Bolsonaro.
Agora,
com três governadores bem avaliados em seus estados, o PSD tenta mostrar que
entra no jogo com algum propósito. Nas múltiplas entrevistas que concederam,
Kassab e os três pré-candidatos anteciparam a defesa de medidas para reduzir o
tamanho do Estado, combater a corrupção e enfrentar o problema da segurança
pública e do crime organizado. Kassab pregou idade mínima de 60 anos para
ministros do STF, para limitar a 15 anos a permanência dos ministros na Corte
(a aposentadoria compulsória é aos 75 anos).
O
grande desafio do PSD será convencer o eleitor de direita e aquele que não quer
a permanência de Lula de que seu candidato é o melhor. Afinal, no primeiro
turno, a disputa não será com Lula, mas entre candidatos da direita. O
escolhido do PSD terá de mostrar diferenças em relação ao filho de Jair
Bolsonaro. Nesse ponto, a campanha do PSD mal começou e já deixou o
eleitor-alvo na mão. À exceção de Leite, os dois outros possíveis candidatos
defendem anistia geral e indulto para Bolsonaro (o último indulto presidencial
a um condenado por crimes contra a democracia foi concedido por Bolsonaro ao
ex-deputado Daniel Silveira, mas o STF cassou a decisão por considerá-la
inconstitucional). Kassab admite que o eleitor do PSD está mais próximo de
Flávio do que de Lula.
Faltam
alguns meses para o desfecho dessa trama — as convenções partidárias acontecem
em junho. É inegável, no entanto, que Kassab fez um movimento ousado. Se não
conseguir alterar a balança da polarização — tarefa complicada, mas não
impossível, mostram as pesquisas — terá fincado bases mais sólidas para 2030,
quando o jogo será outro. Por enquanto, Lula assiste a direita continuar a
brigar entre si. Só há uma certeza — seja qual for o vencedor, haverá vagas
para o PSD e o Centrão em Brasília.
Fonte:
Congresso em Foco/Agencia Brasil/ICL Notícias

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