terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Mau desempenho de governadores do Nordeste preocupa PT

O Partido dos Trabalhadores enfrenta um cenário preocupante no Nordeste, região historicamente decisiva para suas vitórias eleitorais. O desempenho abaixo do esperado dos governadores petistas da Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí tem acendido um sinal de alerta dentro da legenda, que já articula estratégias para reverter a situação visando as eleições de 2026. Apuração é de Matheus Teixeira, ao Bastidores CNN.

Os números da última eleição presidencial demonstram a importância vital do Nordeste para o PT. Em 2022, Lula venceu Bolsonaro na região com uma vantagem expressiva de 12 milhões de votos, enquanto no cenário nacional a diferença foi de apenas 2,1 milhões. Só na Bahia, o atual presidente obteve mais de 3 milhões de votos à frente do seu adversário, evidenciando como o estado foi crucial para sua vitória.

"O desafio do PT é 'Como manter, em 2026, a diferença que foi tirada em 2022 e que foi fundamental para a vitória do presidente Lula?'", afirmou Teixeira: "Para vocês terem noção de como o Nordeste foi fundamental para a vitória do presidente Lula e de como ele depende do Nordeste para conseguir se reeleger".

O Ceará é um dos casos mais emblemáticos da atual crise. O governador Eulmano de Freitas enfrenta baixa popularidade, o que motivou o anúncio de que o ministro da Educação, Camilo Santana, deixará o cargo para ajudar o partido no Nordeste.

Embora Camilo afirme que o candidato à reeleição será Eulmano, sua desincompatibilização para estar apto a concorrer em 2026 é vista como um plano B caso a situação não melhore. O cenário é ainda mais delicado considerando que Ciro Gomes, ex-padrinho político de Camilo e ex-governador do estado, deve ser o candidato da oposição.

"O mais provável é que o candidato seja Eulmano, mas, essa desincompatibilização já é um indício de que o PT não quer brincar e que, caso chegue perto da eleição e o cenário não esteja favorável, o PT pode botar Camilo na parada", apontou o repórter.

<><> Situação crítica na Bahia

Na Bahia, outro reduto histórico do PT, o governador Jerônimo também não apresenta boa avaliação, com os altos índices de violência pesando contra sua gestão. O estado, que proporcionou a Lula uma diferença de votos maior que a obtida nacionalmente, pode enfrentar uma disputa acirrada em 2026. O principal adversário é ACM Neto, neto do histórico cacique político Antônio Carlos Magalhães, que já foi prefeito de Salvador por dois mandatos e quase venceu na última eleição estadual.

"A diferença já foi pequena na última eleição e agora Jerônimo não está bem avaliado e essa diferença pode ser ainda menor ou até a gente pode ver uma reviravolta, portanto, o PT está muito atento e tenta ajudar os governadores do Nordeste a melhorarem o desempenho", relatou Matheus Teixeira.

Para tentar reverter esse quadro, o governo federal tem implementado medidas que beneficiam diretamente a população nordestina, como a isenção do imposto de renda até R$ 5 mil, que terá maior impacto proporcional nos estados da região, além do vale-gás e outros programas sociais. Essas iniciativas fazem parte da estratégia para manter o Nordeste como base eleitoral sólida para 2026, quando o partido precisará novamente da região para se manter competitivo nacionalmente.

•        Lula aposta em alianças para cercar bolsonarismo nos estados

Com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entendendo que precisa limitar candidaturas próprias do Partido dos Trabalhadores, o Palácio do Planalto começou a estruturar um desenho pragmático para as eleições de 2026.

A estratégia do petista passa pelo fortalecimento de alianças com partidos de centro e centro-esquerda — sobretudo PSD, MDB e PSB — para isolar o bolsonarismo nos estados e construir maiorias regionais capazes de sustentar o próximo ciclo político.

A avaliação interna é de que as disputas estaduais terão peso decisivo tanto na formação do Congresso Nacional quanto no desempenho presidencial. Por isso, Lula já sinalizou que onde o PT não for competitivo, não hesitará em subir em palanques de aliados de outros partidos para evitar vitórias do Partido Liberal e de nomes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

<><> Sudeste e Sul: o campo mais difícil para o Planalto

No Sudeste e no Sul, regiões com maior resistência ao PT, o governo atua para reduzir a rejeição e quebrar hegemonias da direita.

Em São Paulo, o cenário depende do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Caso ele dispute a reeleição, o Planalto trabalha para unificar a esquerda em torno do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ou do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Os movimentos ainda dependem das vontades pessoais do vice e do ministro de Lula.

Em Minas Gerais, com a saída de Romeu Zema (Novo), a disputa está aberta. O nome preferencial de Lula é o do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), além do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). Já a direita aposta no senador Cleitinho (Republicanos) e no vice-governador Mateus Simões, que recentemente migrou para o PSD, ampliando a complexidade do tabuleiro local.

No Rio de Janeiro, a aliança governista está consolidada. Lula apoia o prefeito Eduardo Paes (PSD). A oposição ainda avalia nomes já que o cenário de incerteza estadual dificultou os que estavam sendo desenhados pelo atual governo do estado, Cláudio Castro (PL). Nomes do clã Bolsonaro podem entrar na disputa.

O Paraná segue como um dos cenários mais hostis ao PT. O senador Sergio Moro (União) lidera pesquisas iniciais. O governo tenta construir uma alternativa de centro, como o ex-prefeito Rafael Greca (PSD), ou manter um palanque próprio com Enio Verri (PT).

No Rio Grande do Sul, a disputa é fragmentada entre Juliana Brizola (PDT), o deputado federal Zucco (PL) e Edegar Pretto (PT). Lula tenta atrair o MDB do vice-governador Gabriel Souza para ampliar o arco de alianças.

Em Santa Catarina, estado considerado o mais bolsonarista do país, o PT tenta viabilizar Décio Lima, enfrentando a força do grupo do governador Jorginho Mello (PL).

<><> Nordeste: base sólida, mas com riscos de racha

No Nordeste, principal reduto eleitoral de Lula, o foco é evitar conflitos entre aliados.

Na Bahia, a reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT) é prioridade absoluta, em nova disputa contra ACM Neto (União).

Em Pernambuco, o Planalto enfrenta um dilema estratégico: apoiar o prefeito João Campos (PSB), fenômeno eleitoral no estado, ou manter a relação institucional com a governadora Raquel Lyra (PSD).

No Ceará, Elmano de Freitas (PT) tenta a reeleição, enquanto a oposição pode lançar Capitão Wagner (União Brasil) ou Ciro Gomes (PSDB), agora tucano, que não agrada toda a base bolsonarista.

No Maranhão, o governo busca consolidar o grupo político ligado ao ex-governador Flávio Dino, atualmente ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), e que é base do PT no estado. No entanto, o nome a ser escolhido ainda é incerto.

Em Alagoas, a aliança com os Calheiros, liderada por Renan Filho (MDB), é tratada como estratégica.

Piauí, Paraíba e Sergipe aparecem como cenários mais estáveis para o Planalto, com Rafael Fonteles (PT), o grupo de João Azevêdo (PSB) e Fábio Mitidieri (PSD), respectivamente.

No Rio Grande do Norte, a saída de Fátima Bezerra abre disputa pela sucessão. O PT ainda avalia cenários, mas as incertezas e a rejeição da atual governadora podem dificultar a escolha. A direita vai apostar em Alvaro Dias (Republicanos), ex-prefeito de Natal, com apoio do senador Rogério Marinho (PL).

<><> Norte e Centro-Oeste: pragmatismo para não ficar isolado

No Norte e Centro-Oeste, regiões de forte influência do agronegócio e do eleitorado evangélico, a estratégia é pragmática.

No Pará, Helder Barbalho (MDB) é o principal aliado de Lula e deve indicar o sucessor, com a vice-governadora Hanna Ghassan como nome mais citado.

Em Goiás, sem Ronaldo Caiado (União) no páreo, o Planalto tenta atrair os partidos de centro para uma aliança contra candidatos do PL.

Em Mato Grosso, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), é a aposta para tentar romper a hegemonia do grupo do governador Mauro Mendes (União).

Em Mato Grosso do Sul, o cenário é incerto.

No Amazonas, a disputa envolve o grupo do governador Wilson Lima (União), o senador Eduardo Braga (MDB) e o deputado Capitão Alberto Neto (PL). O PT deve seguir tentando uma costura de centro.

Em estados como Acre, Rondônia e Roraima, o Planalto busca nomes do MDB ou PSD para não ficar sem palanque.

No Distrito Federal, a esquerda tenta se reorganizar com Leila Barros (PDT), Leandro Grass (PT) ou Ricardo Cappelli (PSB) para enfrentar o grupo do governador Ibaneis Rocha (MDB).

<><> Unidade como fator decisivo

No entorno de Lula, o principal risco apontado é o “fogo amigo”. Disputas entre PT, PSB e PSD podem fragmentar o campo governista e abrir espaço para a direita. Por isso, a ordem no Planalto é priorizar a unidade, mesmo que isso signifique abrir mão de candidaturas próprias.

A leitura é que o sucesso em 2026 dependerá menos da força isolada do PT e mais da capacidade de Lula montar um xadrez estadual capaz de conter o avanço bolsonarista e garantir governabilidade no próximo ciclo.

<><> PT aguarda arranjo na direita para definir chapa em São Paulo

O Partido dos Trabalhadores (PT) está adotando uma postura de espera para definir sua estratégia eleitoral em São Paulo para 2026, enquanto observa os movimentos políticos na direita brasileira. A apuração é de Clarissa Oliveira, ao Live CNN.

Segundo a apuração, o cenário incerto para as eleições presidenciais de 2026 coloca em espera um possível plano do PT para o governo de São Paulo, que poderia envolver o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

"Haddad deixa o Ministério da Fazenda para ser uma peça importante do processo eleitoral do ano que vem. Ele também vem resistindo a uma candidatura, mas, vem sendo pressionado pelo seu partido a aceitar seja a cabeça de chapa no governo de São Paulo, seja uma vaga para a disputa do Senado, com a ideia de que é necessário para Lula, independente do risco de uma derrota no estado, de que se tenha um palanque forte no maior colégio eleitoral do país", afirma Clarissa.

<><> Cenário político em São Paulo

A indefinição sobre o futuro político de Tarcísio de Freitas é um dos fatores que mantém o PT em posição de cautela. Com o lançamento de Flávio Bolsonaro como candidato à presidência, ainda não está claro se Tarcísio disputará a reeleição ao governo paulista.

A avaliação dentro do PT é de que uma eventual candidatura de Haddad ao governo de São Paulo enfrentaria grandes dificuldades caso Tarcísio concorra à reeleição, considerando que o partido historicamente enfrenta resistência no interior do estado, região tradicionalmente refratária à esquerda.

Apesar dos riscos de uma possível derrota eleitoral, o PT considera fundamental ter um palanque forte em São Paulo para a campanha presidencial de 2026. O partido entende que não pode abrir mão de presença significativa no maior colégio eleitoral do país, independentemente das dificuldades que possa enfrentar.

"É impossível que Fernando Haddad fique totalmente fora do processo eleitoral, não saia do Ministério da Fazenda, porque Lula tem 80 anos, pode acontecer algo com ele a qualquer momento, e ele precisa ter um plano B para caso algo ocorra até se chegar perto da eleição", aponta a analista.

Esta possibilidade também pesa nas discussões internas do partido sobre o futuro político do atual ministro da Fazenda.

 

Fonte: CNN Brasil

 

Nenhum comentário: