Mau
desempenho de governadores do Nordeste preocupa PT
O
Partido dos Trabalhadores enfrenta um cenário preocupante no Nordeste, região
historicamente decisiva para suas vitórias eleitorais. O desempenho abaixo do
esperado dos governadores petistas da Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí
tem acendido um sinal de alerta dentro da legenda, que já articula estratégias
para reverter a situação visando as eleições de 2026. Apuração é de Matheus
Teixeira, ao Bastidores CNN.
Os
números da última eleição presidencial demonstram a importância vital do
Nordeste para o PT. Em 2022, Lula venceu Bolsonaro na região com uma vantagem
expressiva de 12 milhões de votos, enquanto no cenário nacional a diferença foi
de apenas 2,1 milhões. Só na Bahia, o atual presidente obteve mais de 3 milhões
de votos à frente do seu adversário, evidenciando como o estado foi crucial
para sua vitória.
"O
desafio do PT é 'Como manter, em 2026, a diferença que foi tirada em 2022 e que
foi fundamental para a vitória do presidente Lula?'", afirmou Teixeira:
"Para vocês terem noção de como o Nordeste foi fundamental para a vitória
do presidente Lula e de como ele depende do Nordeste para conseguir se
reeleger".
O Ceará
é um dos casos mais emblemáticos da atual crise. O governador Eulmano de
Freitas enfrenta baixa popularidade, o que motivou o anúncio de que o ministro
da Educação, Camilo Santana, deixará o cargo para ajudar o partido no Nordeste.
Embora
Camilo afirme que o candidato à reeleição será Eulmano, sua
desincompatibilização para estar apto a concorrer em 2026 é vista como um plano
B caso a situação não melhore. O cenário é ainda mais delicado considerando que
Ciro Gomes, ex-padrinho político de Camilo e ex-governador do estado, deve ser
o candidato da oposição.
"O
mais provável é que o candidato seja Eulmano, mas, essa desincompatibilização
já é um indício de que o PT não quer brincar e que, caso chegue perto da
eleição e o cenário não esteja favorável, o PT pode botar Camilo na
parada", apontou o repórter.
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Situação crítica na Bahia
Na
Bahia, outro reduto histórico do PT, o governador Jerônimo também não apresenta
boa avaliação, com os altos índices de violência pesando contra sua gestão. O
estado, que proporcionou a Lula uma diferença de votos maior que a obtida
nacionalmente, pode enfrentar uma disputa acirrada em 2026. O principal
adversário é ACM Neto, neto do histórico cacique político Antônio Carlos
Magalhães, que já foi prefeito de Salvador por dois mandatos e quase venceu na
última eleição estadual.
"A
diferença já foi pequena na última eleição e agora Jerônimo não está bem
avaliado e essa diferença pode ser ainda menor ou até a gente pode ver uma
reviravolta, portanto, o PT está muito atento e tenta ajudar os governadores do
Nordeste a melhorarem o desempenho", relatou Matheus Teixeira.
Para
tentar reverter esse quadro, o governo federal tem implementado medidas que
beneficiam diretamente a população nordestina, como a isenção do imposto de
renda até R$ 5 mil, que terá maior impacto proporcional nos estados da região,
além do vale-gás e outros programas sociais. Essas iniciativas fazem parte da
estratégia para manter o Nordeste como base eleitoral sólida para 2026, quando
o partido precisará novamente da região para se manter competitivo
nacionalmente.
• Lula aposta em alianças para cercar
bolsonarismo nos estados
Com o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entendendo que precisa limitar
candidaturas próprias do Partido dos Trabalhadores, o Palácio do Planalto
começou a estruturar um desenho pragmático para as eleições de 2026.
A
estratégia do petista passa pelo fortalecimento de alianças com partidos de
centro e centro-esquerda — sobretudo PSD, MDB e PSB — para isolar o
bolsonarismo nos estados e construir maiorias regionais capazes de sustentar o
próximo ciclo político.
A
avaliação interna é de que as disputas estaduais terão peso decisivo tanto na
formação do Congresso Nacional quanto no desempenho presidencial. Por isso,
Lula já sinalizou que onde o PT não for competitivo, não hesitará em subir em
palanques de aliados de outros partidos para evitar vitórias do Partido Liberal
e de nomes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
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Sudeste e Sul: o campo mais difícil para o Planalto
No
Sudeste e no Sul, regiões com maior resistência ao PT, o governo atua para
reduzir a rejeição e quebrar hegemonias da direita.
Em São
Paulo, o cenário depende do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Caso
ele dispute a reeleição, o Planalto trabalha para unificar a esquerda em torno
do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ou do vice-presidente Geraldo
Alckmin (PSB). Os movimentos ainda dependem das vontades pessoais do vice e do
ministro de Lula.
Em
Minas Gerais, com a saída de Romeu Zema (Novo), a disputa está aberta. O nome
preferencial de Lula é o do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD),
além do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). Já a direita
aposta no senador Cleitinho (Republicanos) e no vice-governador Mateus Simões,
que recentemente migrou para o PSD, ampliando a complexidade do tabuleiro
local.
No Rio
de Janeiro, a aliança governista está consolidada. Lula apoia o prefeito
Eduardo Paes (PSD). A oposição ainda avalia nomes já que o cenário de incerteza
estadual dificultou os que estavam sendo desenhados pelo atual governo do
estado, Cláudio Castro (PL). Nomes do clã Bolsonaro podem entrar na disputa.
O
Paraná segue como um dos cenários mais hostis ao PT. O senador Sergio Moro
(União) lidera pesquisas iniciais. O governo tenta construir uma alternativa de
centro, como o ex-prefeito Rafael Greca (PSD), ou manter um palanque próprio
com Enio Verri (PT).
No Rio
Grande do Sul, a disputa é fragmentada entre Juliana Brizola (PDT), o deputado
federal Zucco (PL) e Edegar Pretto (PT). Lula tenta atrair o MDB do
vice-governador Gabriel Souza para ampliar o arco de alianças.
Em
Santa Catarina, estado considerado o mais bolsonarista do país, o PT tenta
viabilizar Décio Lima, enfrentando a força do grupo do governador Jorginho
Mello (PL).
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Nordeste: base sólida, mas com riscos de racha
No
Nordeste, principal reduto eleitoral de Lula, o foco é evitar conflitos entre
aliados.
Na
Bahia, a reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT) é prioridade absoluta, em nova
disputa contra ACM Neto (União).
Em
Pernambuco, o Planalto enfrenta um dilema estratégico: apoiar o prefeito João
Campos (PSB), fenômeno eleitoral no estado, ou manter a relação institucional
com a governadora Raquel Lyra (PSD).
No
Ceará, Elmano de Freitas (PT) tenta a reeleição, enquanto a oposição pode
lançar Capitão Wagner (União Brasil) ou Ciro Gomes (PSDB), agora tucano, que
não agrada toda a base bolsonarista.
No
Maranhão, o governo busca consolidar o grupo político ligado ao ex-governador
Flávio Dino, atualmente ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), e que é
base do PT no estado. No entanto, o nome a ser escolhido ainda é incerto.
Em
Alagoas, a aliança com os Calheiros, liderada por Renan Filho (MDB), é tratada
como estratégica.
Piauí,
Paraíba e Sergipe aparecem como cenários mais estáveis para o Planalto, com
Rafael Fonteles (PT), o grupo de João Azevêdo (PSB) e Fábio Mitidieri (PSD),
respectivamente.
No Rio
Grande do Norte, a saída de Fátima Bezerra abre disputa pela sucessão. O PT
ainda avalia cenários, mas as incertezas e a rejeição da atual governadora
podem dificultar a escolha. A direita vai apostar em Alvaro Dias
(Republicanos), ex-prefeito de Natal, com apoio do senador Rogério Marinho
(PL).
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Norte e Centro-Oeste: pragmatismo para não ficar isolado
No
Norte e Centro-Oeste, regiões de forte influência do agronegócio e do
eleitorado evangélico, a estratégia é pragmática.
No
Pará, Helder Barbalho (MDB) é o principal aliado de Lula e deve indicar o
sucessor, com a vice-governadora Hanna Ghassan como nome mais citado.
Em
Goiás, sem Ronaldo Caiado (União) no páreo, o Planalto tenta atrair os partidos
de centro para uma aliança contra candidatos do PL.
Em Mato
Grosso, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), é a aposta para tentar
romper a hegemonia do grupo do governador Mauro Mendes (União).
Em Mato
Grosso do Sul, o cenário é incerto.
No
Amazonas, a disputa envolve o grupo do governador Wilson Lima (União), o
senador Eduardo Braga (MDB) e o deputado Capitão Alberto Neto (PL). O PT deve
seguir tentando uma costura de centro.
Em
estados como Acre, Rondônia e Roraima, o Planalto busca nomes do MDB ou PSD
para não ficar sem palanque.
No
Distrito Federal, a esquerda tenta se reorganizar com Leila Barros (PDT),
Leandro Grass (PT) ou Ricardo Cappelli (PSB) para enfrentar o grupo do
governador Ibaneis Rocha (MDB).
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Unidade como fator decisivo
No
entorno de Lula, o principal risco apontado é o “fogo amigo”. Disputas entre
PT, PSB e PSD podem fragmentar o campo governista e abrir espaço para a
direita. Por isso, a ordem no Planalto é priorizar a unidade, mesmo que isso
signifique abrir mão de candidaturas próprias.
A
leitura é que o sucesso em 2026 dependerá menos da força isolada do PT e mais
da capacidade de Lula montar um xadrez estadual capaz de conter o avanço
bolsonarista e garantir governabilidade no próximo ciclo.
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PT aguarda arranjo na direita para definir chapa em São Paulo
O
Partido dos Trabalhadores (PT) está adotando uma postura de espera para definir
sua estratégia eleitoral em São Paulo para 2026, enquanto observa os movimentos
políticos na direita brasileira. A apuração é de Clarissa Oliveira, ao Live
CNN.
Segundo
a apuração, o cenário incerto para as eleições presidenciais de 2026 coloca em
espera um possível plano do PT para o governo de São Paulo, que poderia
envolver o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
"Haddad
deixa o Ministério da Fazenda para ser uma peça importante do processo
eleitoral do ano que vem. Ele também vem resistindo a uma candidatura, mas, vem
sendo pressionado pelo seu partido a aceitar seja a cabeça de chapa no governo
de São Paulo, seja uma vaga para a disputa do Senado, com a ideia de que é
necessário para Lula, independente do risco de uma derrota no estado, de que se
tenha um palanque forte no maior colégio eleitoral do país", afirma
Clarissa.
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Cenário político em São Paulo
A
indefinição sobre o futuro político de Tarcísio de Freitas é um dos fatores que
mantém o PT em posição de cautela. Com o lançamento de Flávio Bolsonaro como
candidato à presidência, ainda não está claro se Tarcísio disputará a reeleição
ao governo paulista.
A
avaliação dentro do PT é de que uma eventual candidatura de Haddad ao governo
de São Paulo enfrentaria grandes dificuldades caso Tarcísio concorra à
reeleição, considerando que o partido historicamente enfrenta resistência no
interior do estado, região tradicionalmente refratária à esquerda.
Apesar
dos riscos de uma possível derrota eleitoral, o PT considera fundamental ter um
palanque forte em São Paulo para a campanha presidencial de 2026. O partido
entende que não pode abrir mão de presença significativa no maior colégio
eleitoral do país, independentemente das dificuldades que possa enfrentar.
"É
impossível que Fernando Haddad fique totalmente fora do processo eleitoral, não
saia do Ministério da Fazenda, porque Lula tem 80 anos, pode acontecer algo com
ele a qualquer momento, e ele precisa ter um plano B para caso algo ocorra até
se chegar perto da eleição", aponta a analista.
Esta
possibilidade também pesa nas discussões internas do partido sobre o futuro
político do atual ministro da Fazenda.
Fonte:
CNN Brasil

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