De
vitrine do PT a fortaleza do bolsonarismo: o que explica a metamorfose
eleitoral do Sul?
25 de
janeiro de 2001. À frente de uma marcha de milhares de pessoas sob uma
temperatura de 34ºC, o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, o
governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, o
prefeito Tarso Genro e outras personalidades da esquerda brasileira e mundial
declaram aberto o 1º Fórum Social Mundial.
Idealizado
pelo governo gaúcho, o evento pretendia oferecer um contraponto aos efeitos da
globalização celebrada pelo Fórum Econômico Mundial de Davos, Suíça.
"Vamos
mostrar ao mundo que é possível construir uma alternativa ao
neoliberalismo", disse Lula, ovacionado pelos participantes da marcha.
26 de
maio de 2019. Milhares de manifestantes reúnem-se em apoio ao presidente Jair
Bolsonaro, eleito no ano anterior com base em uma plataforma de direita.
"Previdência
de Guedes [Paulo Guedes, então ministro da Economia]", "Anticrime de
Moro [Sergio Moro, então ministro da Justiça] e Lava Toga [referência a uma
ação contra o Supremo Tribunal Federal nos moldes da operação Lava-Jato]",
diziam algumas das faixas espalhadas pela multidão.
"Nós
precisávamos passar por um processo traumático no nosso país, infelizmente
governados por autoritários que fizeram a maior roubalheira da história desta
nação e cujo líder da gangue hoje está preso em Curitiba", disse o
deputado federal Marcel van Hattem (então no Novo), principal orador do
comício.
Pouco
mais de 18 anos separam no tempo as cenas descritas acima, mas no espaço físico
não houve mudança: ambas ocorreram em Porto Alegre, capital do Rio Grande do
Sul.
Na
primeira, em 2001, o Estado mais meridional do país era governado pelo PT, que
também ocupava a prefeitura da capital e de outros 34 municípios, de um total
de 497.
No ano
seguinte, Lula obteria 55,8% dos votos válidos gaúchos no segundo turno da
eleição presidencial, ante 44,1% de José Serra (PSDB).
Na
segunda, o Rio Grande do Sul era governado por Eduardo Leite (então no
PSDB), que no ano anterior havia declarado voto em Bolsonaro.
O então
presidente havia carreado 63,2% dos votos válidos no segundo turno da eleição
do ano anterior, contra 36,7% dados a Fernando Haddad (PT), indicado por Lula.
Três
anos antes, o PT elegera prefeitos em 23 municípios gaúchos, equivalentes a
menos de um terço do número de 2001.
Na
primeira década deste século, o peso eleitoral da esquerda no Sul não se
limitou ao Rio Grande: em 2002, Lula venceu em Santa Catarina e no Paraná.
Já em
2006, ainda que tenha sido derrotado no segundo turno por Geraldo Alckmin
(então no PSDB), o petista obteve 45,4% dos votos catarinenses e 49,2% dos
paranaenses.
Esse
percentual caiu para 37,6% no Paraná e 30,73% em Santa Catarina nas eleições de
2022, quando Lula concorreu contra Bolsonaro.
No caso de Santa Catarina, a região não apenas
se tornou terreno fértil para o bolsonarismo — o filho
"04" do ex-presidente, Jair Renan, foi eleito vereador por Balneário
Camboriú em 2024 —, como também campo de disputa dentro do movimento.
O
episódio, mais recente, colocou em lados opostos outro filho do ex-presidente,
Carlos Bolsonaro, e a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro.
Carlos
anunciou que deve disputar uma vaga no Senado pelo Estado com o Partido
Liberal, dificultando a candidatura da atual líder nas pesquisas para a mesma
vaga, a deputada federal Carolina de Toni, que é apoiada por Michelle.
Diante
da intenção do PL de destinar a segunda vaga de sua coligação a Esperidião
Amin, De Toni perdeu espaço no partido.
A
dinâmica chama atenção especialmente porque a Região Sul, que concentra cerca
de 13,3% da população e 14,7% do eleitorado do país na atualidade, está
desproporcionalmente representada na história da esquerda brasileira.
No
século 19, abrigou algumas das primeiras colônias inspiradas em ideias
socialistas utópicas e anarquistas no Brasil, como a Colônia do Saí, em 1841,
em Santa Catarina, e a Colônia Cecília, em 1890, no Paraná.
A greve
geral nacional de 1917 teve importantes focos no Paraná e no Rio Grande do Sul
— em Santa Maria (RS), a Brigada Militar dispersou à bala um comício pacífico
de ferroviários, com saldo de três mortos, incluindo uma mulher e uma criança.
Porto
Alegre esteve representada entre os nove fundadores do Partido Comunista do
Brasil (PCB), com o barbeiro e ex-anarquista de origem libanesa Abílio de
Nequete, primeiro secretário-geral da agremiação.
O Rio
Grande foi o berço da Coluna Prestes, em 1924, e do Movimento pela Legalidade,
em 1961, além de ter ajudado a gestar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Terra (MST).
Esses e
outros movimentos tiveram como coluna vertebral o tenentismo de Luís Carlos
Prestes (mais tarde líder comunista histórico), o trabalhismo de Getúlio
Vargas, João Goulart e Leonel Brizola e o petismo de Olívio Dutra e Tarso
Genro.
No
final do século 20, quando se inicia o ciclo de administrações do PT em Porto
Alegre, a capital gaúcha ganha fama internacional graças ao Orçamento
Participativo e ao Fórum Social Mundial.
Diante
desse histórico de ideias e movimentos libertários, rebeldes e de esquerda, o
que explica a guinada do Sul à direita no início do século 21?
Especialistas
ouvidos pela BBC News Brasil apontam uma série de razões para a metamorfose,
desde elementos internos, como o modelo de industrialização particular do Sul e
sua influência nas relações de trabalho, que fizeram da região um solo fértil
para ideais igualitários e socialistas, até fatores mais amplos, como o
antipetismo que cresceu nas camadas médias brasileiras em anos recentes.
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Tradição à esquerda criou ambiente favorável ao PT
A
Região Sul incorporou-se de maneira tardia ao Brasil, por meio de expansão
militar e ocupação irregular do solo, com amplo recurso à colonização por meio
de migrantes europeus e asiáticos.
A área
mais próspera, até a segunda metade do século 19, foi a do pampa gaúcho, onde
predominava a criação de gado em latifúndios (estâncias), que deu origem à
primeira indústria da região, as charqueadas (fábricas de carne salgada com
trabalho escravo).
Embora
essa fosse a região militarmente mais vulnerável a ataques vindos da região do
Prata, a concentração de terras nas mãos dos estancieiros, a maioria de
oficiais ou ex-oficiais coloniais e imperiais, impedia o assentamento de
colonos.
Restou
aos agricultores importados pelo Império do Brasil a região de serras e matas
habitadas por indígenas às margens de rios no norte do Rio Grande do Sul e no
interior de Santa Catarina e Paraná.
Sem
dispor de escravos e unidos por laços culturais e religiosos, esses migrantes
criaram colônias onde vicejaram as primeiras indústrias de bens de consumo
destinadas às metrópoles da região: banha, queijo, madeira, vinho e, mais
tarde, máquinas.
Surgiram
assim polos industriais como os das regiões de colonização italiana e alemã no
Rio Grande do Sul e do Vale do Itajaí em Santa Catarina, onde se concentravam
trabalhadores industriais interessados em temas como salário, organização e
benefícios sociais, temas preferenciais de partidos e organizações de esquerda.
Ao
mesmo tempo, no Rio Grande do Sul, as raízes ideológicas da corrente política
governante por quatro décadas (de 1890 a 1930), o positivismo
castilhista-borgista, enfatizavam a necessidade de progresso social por meio da
colaboração entre patrões e empregados.
Para o
professor titular do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal
de Minas Gerais (UFMG) Leonardo Avritzer, mudanças econômicas e demográficas
ajudam a compreender o que se passa nas urnas sulinas, especialmente no Rio
Grande.
Duas
peculiaridades da formação gaúcha, que explicam seu perfil político ao longo
dos séculos 19 e 20, deixaram de existir, explica o pesquisador.
"A
primeira foi uma industrialização de padrão diferente do Sudeste, com um
mercado interno regional importante e, ao mesmo tempo, relações de trabalho
relativamente mais igualitárias, ligadas tanto à imigração quanto ao próprio
movimento político do início do século 20, com o castilhismo e depois com
Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola", enumera.
"Esse
processo acaba criando um outro padrão de população, com mudanças no sistema
educacional e em muitos outros setores."
Outro
fator assinalado pelo professor da UFMG é a decadência econômica de longo prazo
do Rio Grande do Sul, que se inicia no final do regime militar (1964-1985).
Segundo
Avritzer, a Região Sul tem uma trajetória majoritariamente conservadora desde a
redemocratização.
"Desde
1985, quem não era conservador [entre os Estados do Sul] era o Rio Grande do
Sul, único Estado em que Fernando Henrique Cardoso perdeu a reeleição em
1998", afirma à BBC News Brasil.
Entre
os motivos do realinhamento a partir da segunda década deste século, Avritzer
cita o aumento da influência de correntes religiosas neopentecostais,
especialmente em Santa Catarina e Paraná, onde já havia forte presença do
protestantismo luterano baseado nas comunidades de origem alemã.
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Giro à direita
Essas
características acabaram, segundo Avritzer, "jogando água no moinho das
forças de esquerda", que conquistam o governo do Estado com o PDT, em
1990, e com o PT, em 1998, além de administrar a capital e grandes municípios
do interior como Caxias do Sul.
A
antropóloga e professora de Estudos Globais da University College Dublin Rosana
Pinheiro-Machado, afirma que no Rio Grande do Sul sempre coexistiram forças
conservadoras e alternativas.
"O
trabalhismo, o PT e as elites e forças populares dos anos 1980 pós-ditadura
ajudaram a puxar o pêndulo para um lado", explica ela, e com a ascensão da
direita radical "ocorre o movimento inverso, seguindo maré nacional",
observa.
À
primeira vista, segundo Rosana, a capital gaúcha poderia ser vista como um
"estereótipo mundial de direitização" em razão da conversão de parte
significativa de seu eleitorado ao bolsonarismo depois de ter se celebrizado
pela ideia de que "outro mundo é possível", slogan do Fórum Social.
"Porto
Alegre era, em certo sentido, o outro mundo possível a partir de uma ideia de
democracia direta."
A
mudança do pêndulo, porém, não foi brusca, mas entremeada por mais de 10 anos
de administrações de partidos como MDB e PDT.
"Após
anos de tradição petista, houve uma aposta na tradição centrista",
descreve a professora, enfatizando que esse movimento coincidiu com o
esgotamento de um modelo de administração local corroído pela crise econômica e
os limites do Orçamento Participativo.
O
professor do Programa de Pós-graduação em Sociologia e Ciência Política da
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Julian Borba agrega outro
elemento, desta vez de caráter nacional, a esse quadro: a mudança do perfil
demográfico do eleitorado do PT a partir do pleito presidencial de 2006.
"Se
em 2002 Lula sai vitorioso sobretudo no Sul e no Sudeste, em 2006 há um
deslocamento muito forte de seu voto para o Nordeste", destaca à BBC News
Brasil.
Esse
deslocamento corresponde, no entendimento de Borba, ao efeito dos programas
sociais do primeiro governo Lula (2003-2006), que têm forte impacto na
população nordestina.
"Enquanto
isso, a base histórica de classe média e classe média alta do PT no Sul e no
Sudeste começa a abandonar o partido, sobretudo em razão de denúncias de
corrupção."
Essa
dinâmica, na opinião do pesquisador, é mais social do que regional em seu
início.
"O
[componente] regional acaba sendo uma consequência daquilo que vai acontecer no
campo da mudança da base social do partido, especialmente se avaliarmos a
relação entre os campos identificados como PT e anti-PT", analisa.
À parte
esses traços nacionais, Borba identifica no Rio Grande do Sul o embrião de uma
sistematização do antipetismo em termos intelectuais no início dos anos 2000.
"O
antipetismo vai receber [no Rio Grande do Sul] um tratamento intelectual que
depois vai se espraiar, como diz Olívio Dutra, para outros contextos e
formadores de opinião."
Entre
os autores que se dedicam a essa sistematização do pensamento antipetista,
Borba elenca os professores Denis Lerrer Rosenfield e José Antônio Giusti
Tavares, ambos da UFRGS.
"Giusti
Tavares publica uma obra intitulada O totalitarismo tardio, que vai
tentar mostrar como havia um projeto autoritário e até totalitário no PT",
observa.
Conforme
Rosana Pinheiro-Machado, o movimento pendular do eleitorado em Porto Alegre em
direção ao bolsonarismo não se resumiu à classe média, mas atingiu áreas
periféricas como o Morro da Cruz, um dos berços do Orçamento Participativo
petista, onde realizou pesquisas por uma década.
"Vimos
isso [a simpatia por Bolsonaro na periferia], vimos como a memória do Orçamento
Participativo se perdeu totalmente, ainda que tenha persistido uma certa
memória do lulismo."
A
antropóloga afirma que o fenômeno determinante, nessas áreas, foram os fatores
nacionais e não os locais.
"O
que foi preponderante foi a crise nacional, foi a massa de desinformação, foi o
golpe [o impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016], foi o limite da
política de substituir a participação direta pelo modelo lulista de inclusão
pelo consumo e pela financeirização", analisa.
A
professora do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul Silvana Krause alerta para a necessidade de se distinguir não
apenas as esferas federal, estadual e municipal, mas também as diferenças
regionais no interior dos próprios Estados ao analisar dados eleitorais.
"Há
tradicionalmente um peso muito maior do trabalhismo do PTB e de seu herdeiro, o
PDT, e, mais tarde, do petismo em Porto Alegre e na Região Metropolitana do que
no Interior", diz Silvana à BBC News Brasil.
Mesmo
fora da capital, acrescenta, há diferenças entre o comportamento do eleitorado
nas regiões de colonização alemã e italiana e no restante do Estado.
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Disrupção versus tradição
Em toda
a Região Sul, há diferenças importantes entre as tendências eleitorais nas
eleições presidenciais, por um lado, e nas eleições legislativas federais e
estaduais e para os Executivos de Estados e municípios.
Ainda
assim, por vezes as três esferas comportaram-se mais como vasos comunicantes do
que como ilhas desvinculadas.
Oscilações
do eleitorado por regiões são comuns em grandes democracias.
É o que
mostram os antigos redutos esquerdistas de Nord-Pas-de-Calais e
Hauts-de-France, na França, da Andaluzia, na Espanha, e da Emilia-Romagna, na
Itália, que nas últimas décadas foram palco de crescimento expressivo da
direita radical.
Essas
migrações eleitorais costumam ser vistas como efeitos de metamorfoses sociais,
políticas e culturais de grande escala, como desindustrialização, nacionalismo
e desgaste após décadas de governos de uma corrente ou partido.
Essas
peculiaridades ajudam a compreender o fato de que, embora Bolsonaro tenha sido
o mais votado no Estado em 2018, Leite tenha chegado ao Palácio Piratini no
mesmo pleito.
Adversário
do então tucano no segundo turno, o então governador e candidato à reeleição
José Ivo Sartori (MDB) era o mais identificado com o então candidato
presidencial vitorioso.
"Apesar
de tudo, o Rio Grande do Sul nunca elegeu pelo voto direto um governador de
direita", observa.
O mesmo
raciocínio não se aplica a Porto Alegre, onde o prefeito Sebastião Melo (MDB)
elegeu-se duas vezes com um perfil fortemente bolsonarista, afirma Silvana.
Além da
dicotomia direita-esquerda, a professora da UFRGS chama atenção para um outro
fenômeno que pode ajudar a compreender o que se passa no Sul: o choque entre
forças disruptivas e antissistema (como o bolsonarismo a partir de 2018) e a
estrutura partidária tradicionalmente forte na região.
"Oligarcas
e líderes cumprem um papel importante nos partidos", afirma Silvana.
"Eles
atuam para proteger suas organizações de aventureiros externos, que podem
desestruturar o partido e levá-lo a aventuras, inclusive autocráticas."
O caso
de Donald Trump, inicialmente um forasteiro que se impôs sobre máquina do
Partido Republicano nos Estados Unidos, é exemplo de disrupção, conforme a
professora.
Por
outro lado, as dificuldades atuais na composição de palanques pró-bolsonarismo
no Rio Grande do Sul (onde uma franja do Progressistas resiste à aliança em
torno do candidato a governador Luciano Zucco, do PL) e em Santa Catarina (onde
Progressistas, MDB e PSD resistem ao núcleo em torno do governador Jorginho
Mello, do PL) indicariam a resiliência de lideranças mais tradicionais.
Silvana
adverte para o uso por vezes abusivo do conceito de polarização no debate
político.
"É
preciso ter um pouco de cuidado com a ideia de que existe uma polarização
calcificada no Brasil e, nesse aspecto, também no mundo."
A
pesquisadora propõe distinguir entre duas formas de polarização: de demanda
(baseada nas necessidades e impulsos do eleitorado) e de oferta (relacionada a
uma gradação política entre os partidos existentes).
"O
que temos visto é muito mais uma polarização de oferta, com os partidos tendo
dificuldade de apresentar alternativas aos eleitores."
A
recente movimentação do PSD, com três potenciais candidatos à Presidência (os
governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, e Ratinho Jr., do Paraná, além de Leite)
como alternativa a Lula e Flávio Bolsonaro (PL), é vista por Silvana como uma
tentativa de responder a esse problema.
Para o
professor do Curso de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo
(USP) Pablo Ortellado, um dos aspectos interessantes da conversão política no
sul do país é o fato de a transformação ter ocorrido de forma acentuada após
anos de relativa estabilidade.
"A
agulha foi de um lado para outro após ter ficado constante por cerca de 15
anos", ressalta à BBC News Brasil.
Ressaltando
que suas reflexões sobre o assunto têm caráter especulativo, Ortellado afirma
que uma das características marcantes de setores que se identificam com o
antipetismo a partir de 2014 é a desilusão.
"São
parcelas que foram muito identificadas [com o PT] no passado e se sentiram
traídas pela sucessão de escândalos como o mensalão e a Petrobras",
explica.
"Há
um conjunto grande de pessoas que colocou sua confiança [no PT] durante muito
tempo, sobretudo nas administrações locais, e ficaram ressentidas."
Contribui
para esse sentimento, de acordo com o professor, o fato de o partido nunca ter
reconhecido de fato as práticas de corrupção.
Essa
atitude do PT, na avaliação de Ortellado, explica-se em razão de vários
escândalos terem envolvido figuras centrais da sigla.
"Reconhecer
[o envolvimento desses líderes] seria abrir mão de todo esse legado, de toda
essa liderança."
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'Ressentimento' de eleitores
O
resultado disso, diz o professor, é um "ressentimento muito grande não
apenas por [o PT] ter errado, mas jamais ter reconhecido que errou".
Ortellado
afirma que o fato de dois governadores de Estados do Sul serem pré-candidatos à
Presidência coaduna-se com o histórico de protagonismo político da região.
"O
que foi atípico foi o longo predomínio de quadros de São Paulo no período que
vai de 1994 a 2010", opina.
Fonte:
BBC News Brasil

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