Professor
brasileiro relata pânico em ataque a tiros em escola do Canadá que deixou ao
menos 9 mortos
Ao
menos dez pessoas morreram e outras 25 ficaram feridas em um ataque a tiros no
distrito de British Columbia, no oeste do Canadá. Ainda não se sabe quantas das
vítimas eram crianças.
O crime
aconteceu em uma escola de Tumbler Ridge, uma cidade com população de cerca de
2,4 mil habitantes, e uma residência da cidade próxima do colégio.
De
acordo com a polícia local, a suposta atiradora está entre os mortos — além de
mais nove vítimas.
Seu
corpo foi encontrado na escola, e acredita-se que ela tenha morrido de um
ferimento de bala autoinfligido. Ainda não está claro se ele tinha alguma
ligação com a escola.
As
autoridades afirmaram conhecer sua identidade, mas não informaram seu nome nem
seu gênero. No entanto, um alerta para que as pessoas permanecessem em casa,
enviado aos telefones na área, a descreveu como uma "mulher de vestido e
cabelos castanhos".
Em sua
maioria, as vítimas foram encontradas já mortas dentro da escola, exceto por
uma pessoa que morreu a caminho do hospital e outras duas achadas em uma casa
na região.
Em
nota, o Itamaraty afirmou que não há informações, até o momento, de brasileiros
entre as vítimas.
O
primeiro-ministro canadense, Mark Carney, disse a jornalistas que este é um
"dia difícil" para Tumbler Ridge e para o Canadá.
"Pais,
avós, irmãos e irmãs em Tumbler Ridge acordarão sem alguém que amam",
disse Carney.
"A
nação está de luto com vocês. O Canadá está ao seu lado."
Carney
agradeceu aos serviços de emergência e aos líderes mundiais que lhe
manifestaram solidariedade, incluindo o rei Charles 3º, chefe de Estado do
Canadá, que expressou seu profundo "choque e tristeza" pelo "ato
insensato de brutal violência".
O
primeiro-ministro então disse que ordenou que as bandeiras em todos os prédios
governamentais sejam hasteadas a meio mastro durante a próxima semana.
"Vamos
superar isso", continuou Carney. "Mas agora é hora de nos unirmos,
como os canadenses fazem nessas situações terríveis. Para nos apoiarmos
mutuamente, para lamentarmos juntos e para crescermos juntos."
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Como o ataque se desenrolou?
Às
13h20, no horário local, a polícia recebeu uma denúncia de um atirador ativo na
Tumbler Ridge.
Um
aluno relatou ter ouvido um alarme ao chegar à sala de aula por volta das
13h30, no horário local, instruindo-o a fechar as portas devido a um lockdown.
A
polícia chegou à escola em dois minutos, de acordo com a ministra da Segurança
Pública e Procuradora-Geral da Colúmbia Britânica, Nina Krieger.
Um
alerta para que os moradores permanecessem em casa foi enviado aos telefones da
região pela Polícia Montada Real Canadense (RCMP), descrevendo a suspeita como
uma "mulher de vestido e cabelos castanhos".
O
alerta foi oficialmente cancelado às 17h45, no horário local, após a polícia
determinar que não havia outros suspeitos foragidos.
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Professor brasileiro protegeu estudantes
O
brasileiro Jarbas Noronha é professor da escola canadense e relatou ao jornal
The New York Times (NYT) como foram os momentos de pânico com sua turma do 12º
ao proteger os 15 alunos que estavam com ele.
Noronha
contou que um de seus alunos estava a caminho do estacionamento quando voltou e
entrou na sala anunciando que havia escutado tiros. Minutos depois, o diretor
da escola entrou na oficina onde todos ordenando aos gritos que tudo fosse
fechado e todos ficassem onde estavam.
O
brasileiro contou ao NYT que ele e os estudantes trancaram a porta para o
corredor da escola e os dois portões voltados para o lado de fora do prédio e
usaram bancos de metal para fazer uma barricada.
"Estávamos
na parte mais segura da escola. Se alguém tentasse entrar pela porta do
corredor, correríamos para fora pelos portões", disse ele o jornal
americano.
O
professor contou que ele e os alunos ficaram escondidos na oficina por mais de
duas horas até que policiais bateram na porta e os levaram para o centro de
recreações da escola.
Noronha
dá aulas de mecânica e marcenaria alu há dois anos, quando se mudou do Brasil
para a cidade canadense para morar com sua mulher, que já vivia ali.
"Essa
é uma cidade que gosta de caça. Todo mundo tem armas aqui", disse o
brasileiro.
Em sua
conta no Facebook, Noronha avisou que está bem: "Não desejo a nenhuma
criança em idade escolar tenha que passar o que meus alunos passaram hoje.
Ainda processando. Nossa sociedade está doente".
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'Todos conhecemos as vítimas'
Embora
detalhes sobre as vítimas ainda não tenham sido revelados pelas autoridades
canadenses, todos na cidade sabem quem elas são, afirmou o vereador Chris
Norbury, que deu entrevista ao vivo para o programa Today da BBC Radio 4.
"Aqui,
não trancamos as portas", disse Norbury.
"É
uma comunidade incrivelmente segura. Não precisamos nos preocupar com crimes
aqui."
Ele
conta que foi até a escola secundária e viu os serviços de emergência
bloqueando a entrada.
"Temos
apenas três viaturas policiais na cidade, somos muito pequenos. Nos conhecemos,
todos conhecemos as vítimas. São nossos amigos e filhos de nossos amigos."
Norbury
trabalhou por uma década como bibliotecário infantil. Sua mulher também é
professora na Tumbler Ridge.
Ele
disse ao programa The National, da CBC News: "Conheço essas crianças, vi
elas crescer... Cantávamos juntos, líamos livros juntos... eu as via em todos
os lugares."
"E
saber que não posso mais vê-las, que não as veremos mais, que suas famílias
terão que conviver com essa perda irreparável... É quase insuportável",
continuou Norbury.
"Tenho
medo pelo resto da nossa comunidade, que sente essa perda."
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Investigação
Em
entrevista coletiva, o superintendente-chefe da polícia, Ken Floyd, disse que
ainda é cedo para determinar a ligação entre a escola e a casa onde os mortos e
feridos foram encontrados.
"Acreditamos
que estejam conectados, mas não podemos afirmar com certeza neste momento, nem
qual seria essa ligação."
Ele
também afirmou que não é possível dizer se o número de mortos aumentará, já que
muitas vítimas ainda estão recebendo atendimento médico. "A cena foi muito
dramática", acrescentou.
O
primeiro-ministro da Colúmbia Britânica, David Eby, afirmou que o o fato de os
policiais terem chegado ao local em dois minutos após o chamado para os
serviços de emergência pode ter salvado vidas.
A
resposta rápida impediu que uma "tragédia devastadora fosse
significativamente pior", disse ele, observando que os policiais se
colocaram em risco ao entrarem correndo na escola. "É um trabalho heroico,
e sou muito grato", disse Eby.
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A escola
Uma
página oficial na internet do distrito da Colúmbia Britânica sobre a escola
secundária a descreve como uma instituição pública com 175 alunos matriculados
da 7ª série (de 12 e 13 anos) até a 12ª série (de 17 e 18 anos).
A
escola, portanto, recebe estudantes de um perfil equivalente tanto ao ensino
fundamental quanto ao ensino médio no Brasil.
Tanto a
escola alvo do ataque quanto outra na mesma região permanecerão fechadas
durante o resto da semana. A polícia segue realizando buscas em residências
próximas.
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A posse de armas no Canadá
No
Canadá, a posse de armas de fogo é amplamente regulamentada pelo governo
federal, e as leis são mais rigorosas do que na maioria dos Estados Unidos.
No
Canadá, elas devem ser mantidas trancadas e descarregadas. Qualquer pessoa que
deseje comprar uma arma também está sujeita a extensas verificações de
antecedentes criminais.
Desde
2022, ainda está em vigor um congelamento nacional da posse privada de todas as
armas de fogo de cano curto.
Apesar
disso, há um número considerável de pessoas em todo o país que possuem armas,
principalmente em áreas rurais.
No
passado, o Departamento de Justiça do Canadá relatou que a Colúmbia Britânica —
onde está localizada a escola alvo do ataque — possui a maior taxa de posse de
armas de fogo curtas do país.
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Ataques a tiros são comuns no Canadá?
Ataques
a tiros são relativamente raros no Canadá e, segundo estatísticas recentes, a
taxa de homicídios relacionados a armas de fogo é muito menor em comparação com
os Estados Unidos.
Entre
os ataques mais significativos até hoje, estão:
#
Dezembro de 1989, Montreal: Quatorze mulheres foram mortas em um ataque
antifeminista cometido pelo atirador Marc Lepine na Polytechnique Montréal.
Após o ataque, novas leis sobre o registro de posse de armas foram
introduzidas, incluindo o fortalecimento da verificação de antecedentes e a
limitação dos tipos de armas que poderiam ser licenciadas.
#
Dezembro de 2014, Edmonton: Um homem matou seis adultos — incluindo sua esposa
— e duas crianças, antes de se suicidar em um ataque que a polícia classificou
como "assassinato em massa sem sentido".
#
Janeiro de 2017, Quebec: Um ataque ao Centro Cultural Islâmico da cidade de
Quebec deixou 6 mortos e 19 feridos. O atirador Alexandre Bissonnette foi
condenado à prisão perpétua.
# Abril
de 2020, Nova Escócia: O pior massacre da história do Canadá ocorreu quando um
homem armado, disfarçado de policial, matou 22 pessoas em um período de dois
dias. Posteriormente, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, anunciou a
proibição de 1,5 mil tipos de armas de assalto. Desde então, a compra e venda
de armas de fogo foi suspensa.
Fonte:
BBC News

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