Fevereiro
Laranja: Especialistas esclarecem dúvidas sobre leucemia
De
acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), 12.220 novos casos de
leucemia
devem ser registrados em 2026 no Brasil. Na Bahia, a estimativa é de 790 novos
casos. A leucemia é um tipo de câncer que surge na medula óssea, a fábrica do
sangue. As células doentes se proliferam desordenadamente dentro da medula,
dificultando a fabricação normal do sangue, provocando sintomas como
sangramento, anemia e infecções. A doença pode afetar pessoas de diferentes
faixas etárias, inclusive crianças, como no caso da Leucemia Linfoblástica
Aguda que mais frequentemente acontece em pacientes dessa idade.
Embora
a leucemia seja um tipo de câncer hematológico com causas ainda pouco
conhecidas, muitas pesquisas já associam vários fatores de risco a alguns tipos
da doença. Dentre os fatores, herança genética, tabagismo, idade
aumentada,
infecções no início da vida, exposição ambiental ao benzeno, à
radiação
ionizante e a agrotóxicos e solventes, além de exposição a altas
doses
de radioatividade e quimioterapia prévia.
Para
esclarecer dúvidas sobre a doença, os hematologistas Lycia Bellintani e Caio do
Espirito Santo, da equipe da Oncoclínicas, responderam algumas
perguntas:
• Anemia pode causar leucemia?
O
hematologista Caio do Espirito Santo esclarece que “anemia não causa
leucemia,
mas pode ser um dos sintomas apresentados por um paciente com leucemia”. A anemia, condição na qual há uma redução da
quantidade de glóbulos vermelhos ou de hemoglobina no sangue, tem várias
causas. Pode ser decorrente de deficiências nutricionais, como de ferro,
vitamina ou e ácido fólico. Outras
causas podem ser as doenças crônicas e hereditárias, assim como as leucemias e
os linfomas.
Já a
leucemia é um tipo de câncer hematológico que afeta os leucócitos
(glóbulos
brancos), responsáveis pelo sistema imunológico. Com a produção excessiva e
descontrolada de leucócitos doentes, a defesa do organismo
fica
comprometida.
• É possível prevenir a leucemia?
A
leucemia é uma neoplasia hematológica de origem ainda pouco conhecida e com
sinais e sintomas decorrentes da disfunção na produção das células do sangue.
Através de um simples exame de sangue, como o hemograma, é possível detectar
alterações hematológicas que podem indicar a suspeita de leucemia.
Para a
hematologista Lycia Bellintani, o fato de grande parte dos pacientes
diagnosticados
com leucemia não apresentar fatores de risco conhecidos
modificáveis,
é mais um indicativo da importância da prevenção através dos
exames
de sangue periódicos. “É importante estarmos atentos aos sinais do corpo. No
caso das leucemias, os principais sintomas são relacionados à alteração na
produção das células da medula óssea, levando à anemia, sangramentos e
infecções. Os exames laboratoriais são fundamentais para identificar possíveis
alterações em fases iniciais”, explica.
“Quando
o exame de sangue aponta a suspeita de uma leucemia, o paciente deve ser
encaminhado para a realização de um mielograma, exame especifico que analisa as
células sanguíneas produzidas pela medula óssea para verificar a presença de
células anormais”, acrescenta o hematologista Caio do Espírito Santo.
• Quando o transplante de medula óssea é a
única opção, o paciente passa a depender da compatibilidade e da doação de
algum membro da família?
Embora
exista mais possibilidade de compatibilidade entre irmãos, pais e
filhos,
a doação não é algo restrito a familiares próximos. O Registro
Nacional
de Doadores de Medula Óssea (REDOME) consegue conectar doadores cadastrados e
receptores compatíveis em todo o Brasil e até em bancos internacionais.
• Qual são os principais sintomas da
leucemia?
Infecções
persistentes ou recorrentes, perda de peso sem motivo aparente,
palidez,
cansaço extremo, falta de energia, febres inexplicáveis ou
suores
noturnos, aumento de gânglios, hematomas, sangramentos sem causas
aparentes
e até desconforto abdominal (decorrente do aumento do baço e do fígado) são
alguns sintomas que podem indicar uma leucemia.
“Ao
notar alterações e sintomas persistentes, é preciso buscar imediatamente um
hematologista para investigação”, finaliza Lycia Bellintani.
Fonte:
Tribuna da Bahia

Nenhum comentário:
Postar um comentário