quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Obesidade é fator de risco para infecções, diz estudo

Tradicionalmente associada a doenças como diabetes 2, infarto e alguns tipos de câncer, a obesidade também tem um impacto significativo nas doenças infecciosas, segundo um estudo com mais meio milhão de pessoas publicado na revista The Lancet. Os autores concluíram que a condição aumenta o risco de hospitalização e morte por infecções: uma em cada 10 mortes por enfermidades provocadas por micro-organismos pode estar relacionada ao excesso de peso.

A pesquisa analisou dados de 540 mil adultos acompanhados na Finlândia e no Reino Unido ao longo de mais de uma década. Os participantes foram classificados segundo o índice de massa corporal (IMC), divididos em peso saudável, sobrepeso e obesidade (graus I, II e III). Nenhum deles tinha histórico de infecção grave no início do acompanhamento.

Durante o período de seguimento, foram registrados quase 90 mil casos de infecções graves que levaram à internação hospitalar ou à morte. O resultado mostrou uma relação direta entre o aumento do IMC e o risco de complicações infecciosas.

<><> Grau III

Pessoas com obesidade grau III (IMC igual ou superior a 40) tiveram risco quase três vezes maior de hospitalização ou morte por infecção quando comparadas àquelas com peso considerado saudável. Considerando qualquer grau da doença metabólica (IMC igual ou superior a 30), essa probabilidade foi cerca de 70% maior. A associação se manteve mesmo após o ajuste para fatores como idade, sexo, nível socioeconômico, tabagismo, consumo de álcool, atividade física, hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, enfermidades respiratórias e câncer.

Além de avaliar o risco individual, os pesquisadores estimaram o impacto populacional da obesidade sobre as mortes por infecção usando dados do Global Burden of Disease, que reúne informações de 204 países, incluindo o Brasil. Segundo os cálculos, em 2018, antes da covid-19, 8,6% dos óbitos por doenças infecciosas no mundo poderiam ser atribuídos ao excesso de peso. Durante a pandemia, em 2021, esse percentual subiu para 15%. Em 2023, no período pós-pandêmico, a estimativa ficou em 10,8%.

Em números absolutos, isso significa que, em 2023, cerca de 600 mil mortes por infecção no mundo estariam relacionadas à obesidade, em um total estimado de 5,4 milhões de óbitos causados por agentes infecciosos naquele ano. Os autores destacam que, diante do crescimento contínuo da obesidade no mundo, a contribuição desse fator de risco para a carga global de doenças infecciosas tende a aumentar nas próximas décadas.

As estimativas variam entre regiões. Em 2023, a fração de mortes atribuíveis à obesidade foi mais alta no norte da África e Oriente Médio (22,5%) e mais baixa no sul da Ásia (4,1%). No ranking global, o Brasil aparece em 67º entre 204 países, com uma média de 17,2 óbitos por 100 mil habitantes, uma taxa 40% maior do que a mundial, estimada em 12,3 mortes por 100 mil em 2023.

•        Dá para reduzir calorias sem comer menos? Veja como

Nos últimos anos, cada vez mais as pessoas têm buscado maneiras mais saudáveis de viver, principalmente nas dietas. Algumas das escolhas alimentares são pensadas para que se possa abaixar o número de calorias sem precisar diminuir a quantidade de comida do prato, o que é um problema para quem tenta se adaptar a esse tipo de rotina.

Especialistas explicam que é possível reduzir as calorias sem precisar comer menos. Para a nutricionista clínica do Hospital Sírio Libanês, Fernanda Irias, é preciso fazer escolhas inteligentes, reduzindo o consumo de gorduras e açúcares e colocando, com mais frequência na dieta, alimentos como frutas e verduras por teres menor aporte calórico.

“Do ponto de vista nutricional e fisiológico, essas escolhas retardam o esvaziamento do estômago e estimulam os mecanismos hormonais relacionados à saciedade, contribuindo para o controle do apetite”, explica Fernanda Irias.

O ideal neste tipo de dieta é focar em alimentos com alta densidade de nutrientes e baixa densidade calórica. Comidas ricas em fibras e proteínas podem complementar as refeições, trazendo sensação de saciedade pelo maior volume na hora de comer. Os melhores exemplos são as leguminosas como cenoura, pepino, lentilha; e as chamadas proteínas magras: peixe, frango, ovos e carnes sem gordura aparente.

A nutricionista Fernanda aponta que é preciso evitar os ultraprocessados como bolachas recheadas, salgadinhos e refrigerantes com açúcar. “Esses alimentos tendem a apresentar alta densidade calórica, serem hiperpalatáveis e pobres em fibras, tendo um processo rápido de digestão no nosso organismo e menor saciedade por caloria consumida.”

Trocar os ultraprocessados por alimentos naturais está ligado a redução calórica e uma melhora na qualidade da dieta. Estes efeitos não dependem apenas do grau de processamento da comida, mas sim da qualidade nutricional dos alimentos escolhidos.

Reduzir o consumo de produtos com alta densidade energética e baixo valor nutricional são ajustes necessários na proporção dos alimentos, de forma individualizada. A orientação de um nutricionista é fundamental para avaliar escolhas alimentares, adequar a dieta às necessidades nutricionais para torná-las sustentáveis a longo prazo.

É preciso também se atentar neste tipo de dieta para não ter riscos de alguma deficiência de proteína ou micronutrientes. Fernanda Irias reforça que o baixo consumo desses nutrientes pode resultar na perda de massa magra e redução da imunidade.

 

Fonte: Correio Braziliense

 

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