Obesidade
é fator de risco para infecções, diz estudo
Tradicionalmente
associada a doenças como diabetes 2, infarto e alguns tipos de câncer, a
obesidade também tem um impacto significativo nas doenças infecciosas, segundo
um estudo com mais meio milhão de pessoas publicado na revista The Lancet. Os
autores concluíram que a condição aumenta o risco de hospitalização e morte por
infecções: uma em cada 10 mortes por enfermidades provocadas por
micro-organismos pode estar relacionada ao excesso de peso.
A
pesquisa analisou dados de 540 mil adultos acompanhados na Finlândia e no Reino
Unido ao longo de mais de uma década. Os participantes foram classificados
segundo o índice de massa corporal (IMC), divididos em peso saudável, sobrepeso
e obesidade (graus I, II e III). Nenhum deles tinha histórico de infecção grave
no início do acompanhamento.
Durante
o período de seguimento, foram registrados quase 90 mil casos de infecções
graves que levaram à internação hospitalar ou à morte. O resultado mostrou uma
relação direta entre o aumento do IMC e o risco de complicações infecciosas.
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Grau III
Pessoas
com obesidade grau III (IMC igual ou superior a 40) tiveram risco quase três
vezes maior de hospitalização ou morte por infecção quando comparadas àquelas
com peso considerado saudável. Considerando qualquer grau da doença metabólica
(IMC igual ou superior a 30), essa probabilidade foi cerca de 70% maior. A
associação se manteve mesmo após o ajuste para fatores como idade, sexo, nível
socioeconômico, tabagismo, consumo de álcool, atividade física, hipertensão,
diabetes, doenças cardiovasculares, enfermidades respiratórias e câncer.
Além de
avaliar o risco individual, os pesquisadores estimaram o impacto populacional
da obesidade sobre as mortes por infecção usando dados do Global Burden of
Disease, que reúne informações de 204 países, incluindo o Brasil. Segundo os
cálculos, em 2018, antes da covid-19, 8,6% dos óbitos por doenças infecciosas
no mundo poderiam ser atribuídos ao excesso de peso. Durante a pandemia, em
2021, esse percentual subiu para 15%. Em 2023, no período pós-pandêmico, a
estimativa ficou em 10,8%.
Em
números absolutos, isso significa que, em 2023, cerca de 600 mil mortes por
infecção no mundo estariam relacionadas à obesidade, em um total estimado de
5,4 milhões de óbitos causados por agentes infecciosos naquele ano. Os autores
destacam que, diante do crescimento contínuo da obesidade no mundo, a
contribuição desse fator de risco para a carga global de doenças infecciosas
tende a aumentar nas próximas décadas.
As
estimativas variam entre regiões. Em 2023, a fração de mortes atribuíveis à
obesidade foi mais alta no norte da África e Oriente Médio (22,5%) e mais baixa
no sul da Ásia (4,1%). No ranking global, o Brasil aparece em 67º entre 204
países, com uma média de 17,2 óbitos por 100 mil habitantes, uma taxa 40% maior
do que a mundial, estimada em 12,3 mortes por 100 mil em 2023.
• Dá para reduzir calorias sem comer
menos? Veja como
Nos
últimos anos, cada vez mais as pessoas têm buscado maneiras mais saudáveis de
viver, principalmente nas dietas. Algumas das escolhas alimentares são pensadas
para que se possa abaixar o número de calorias sem precisar diminuir a
quantidade de comida do prato, o que é um problema para quem tenta se adaptar a
esse tipo de rotina.
Especialistas
explicam que é possível reduzir as calorias sem precisar comer menos. Para a
nutricionista clínica do Hospital Sírio Libanês, Fernanda Irias, é preciso
fazer escolhas inteligentes, reduzindo o consumo de gorduras e açúcares e
colocando, com mais frequência na dieta, alimentos como frutas e verduras por
teres menor aporte calórico.
“Do
ponto de vista nutricional e fisiológico, essas escolhas retardam o
esvaziamento do estômago e estimulam os mecanismos hormonais relacionados à
saciedade, contribuindo para o controle do apetite”, explica Fernanda Irias.
O ideal
neste tipo de dieta é focar em alimentos com alta densidade de nutrientes e
baixa densidade calórica. Comidas ricas em fibras e proteínas podem
complementar as refeições, trazendo sensação de saciedade pelo maior volume na
hora de comer. Os melhores exemplos são as leguminosas como cenoura, pepino,
lentilha; e as chamadas proteínas magras: peixe, frango, ovos e carnes sem
gordura aparente.
A
nutricionista Fernanda aponta que é preciso evitar os ultraprocessados como
bolachas recheadas, salgadinhos e refrigerantes com açúcar. “Esses alimentos
tendem a apresentar alta densidade calórica, serem hiperpalatáveis e pobres em
fibras, tendo um processo rápido de digestão no nosso organismo e menor
saciedade por caloria consumida.”
Trocar
os ultraprocessados por alimentos naturais está ligado a redução calórica e uma
melhora na qualidade da dieta. Estes efeitos não dependem apenas do grau de
processamento da comida, mas sim da qualidade nutricional dos alimentos
escolhidos.
Reduzir
o consumo de produtos com alta densidade energética e baixo valor nutricional
são ajustes necessários na proporção dos alimentos, de forma individualizada. A
orientação de um nutricionista é fundamental para avaliar escolhas alimentares,
adequar a dieta às necessidades nutricionais para torná-las sustentáveis a
longo prazo.
É
preciso também se atentar neste tipo de dieta para não ter riscos de alguma
deficiência de proteína ou micronutrientes. Fernanda Irias reforça que o baixo
consumo desses nutrientes pode resultar na perda de massa magra e redução da
imunidade.
Fonte:
Correio Braziliense

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