Trump
apresenta a Netanyahu plano com 20 pontos para acabar com a guerra na Faixa de
Gaza
O
governo dos Estados Unidos divulgou nesta segunda-feira (29) um plano em 20
pontos assinado pelo presidente Donald Trump com a promessa de encerrar
imediatamente a guerra na Faixa de Gaza caso "ambas as partes"
aceitem os termos. Durante o encontro com o republicano, o primeiro-ministro
Benjamin Netanyahu afirmou concordar com os termos.
O
documento combina um pacote de segurança, trocas massivas de prisioneiros e
reféns, além de um programa de reconstrução do enclave juntamente com um modelo
de governação transitória internacionalmente supervisionado.
Entre
os possíveis nomes defendidos pelos Estados Unidos para liderar o governo
provisório, está o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, que tem bom
trânsito entre os países árabes. Até o momento, o Hamas ainda não se
posicionou. <><> O que diz o plano de paz de Trump para Gaza
Considerando
que o presidente dos EUA, Donald Trump, já mentiu uma vez ao alegar
recentemente ter encerrado sete guerras desde que chegou à Casa Branca, a nova
promessa dele de que vai encerrar em breve a guerra em Gaza deve ser
recebida com uma boa dose de ceticismo pela maioria dos analistas.
"Temos
uma chance real de ALGO GRANDE NO ORIENTE MÉDIO. TODOS ESTÃO A BORDO PARA ALGO
ESPECIAL, PELA PRIMEIRA VEZ. VAMOS CONSEGUIR!!!", escreveu, em seu estilo
peculiar, numa postagem em sua rede social, a Truth Social, no domingo (28/09).
Trump
se referia ao seu plano de 20 pontos, cujos detalhes emergiram no fim de
semana, antes do encontro desta segunda-feira na Casa Branca
com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. É a quarta reunião
dos dois neste ano.
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Os pontos essenciais do plano
Em
resumo, o plano de Trump cria um caminho para a criação de um Estado palestino,
algo que o governo de Israel rejeita com veemência, e apresenta um roteiro para
o futuro de Gaza.
O
plano, que teve uma versão divulgada na íntegra no sábado pelo
jornal The Times of Israel e trechos de uma outra versão
publicados pelo
diário americano The Washington Post no domingo, exige a
libertação de todos os reféns vivos e a entrega dos restos mortais dos que
faleceram em troca da libertação de centenas de palestinos mantidos em
Israel. Isso deve acontecer 72 horas após Israel concordar com o acordo.
"Assim
que todos os reféns forem libertados, Israel libertará 250 prisioneiros que
cumprem penas de prisão perpétua, além de 1,7 mil moradores de Gaza detidos
após o 7 de Outubro, incluindo todas as mulheres e crianças detidas naquele
contexto. Para cada refém israelense cujos restos mortais forem retornados,
Israel retornará os restos mortais de 15 moradores de Gaza", diz um
dos pontos do acordo.
O plano
também exige a remoção do Hamas do poder e seu desarmamento — o grupo palestino
é considerado uma organização terrorista pelo governo alemão, pela UE, pelos
EUA e por alguns Estados árabes —, a reforma da Autoridade Palestina (AP),
que governa a Cisjordânia, e a promessa de Israel de não lançar novos
ataques ao Catar, que tem atuado como força mediadora no conflito.
Outros
pontos incluem: a Faixa de Gaza será uma zona desradicalizada e livre de
terrorismo; será criado um plano econômico para reconstruir Gaza; EUA e
potências regionais lhe darão uma garantia de segurança; ninguém será
forçado a deixar o território, e aqueles que optarem por sair poderão retornar.
Além
disso, a área deverá ser gerida por um governo de transição temporário, a ser
exercido por um "comitê palestino tecnocrático e apolítico" formado
por "palestinos qualificados e especialistas internacionais" e
supervisionado por um "novo órgão internacional de transição, o 'Conselho
da Paz', que será chefiado pelo presidente Donald J. Trump junto com outros
membros e chefes de Estado a serem anunciados", segundo informe da Casa
Branca.
Um dos
membros do conselho citados por Washington é o ex-primeiro-ministro britânico
Tony Blair. O órgão operaria com o apoio da ONU e dos países do Golfo Pérsico
antes de, eventualmente, entregar o controle a uma Autoridade Palestina (AP)
reformada.
Já
o Hamas e outros grupos armados teriam que concordar em "não ter
nenhum papel na governança de Gaza, direta ou indiretamente, ou de qualquer
forma", segundo um comunicado da Casa Branca emitido nesta segunda.
Contudo, combatentes que se comprometerem a se desarmar e coexistir
pacificamente ao lado de Israel serão anistiados. Aqueles que desejarem poderão
partir para o exílio.
O plano
prevê ainda que as Forças de Defesa de Israel (IDF) interrompam todas as
operações imediatamente após haver um acordo e entreguem quaisquer territórios
capturados. Israel também deve prometer não ocupar ou anexar Gaza.
Também
há garantias de que a ajuda de agências internacionais poderá chegar a Gaza sem
interferência de nenhum dos lados, "por meio das Nações Unidas e suas
agências, o Crescente Vermelho, além de outras instituições internacionais não
associadas de nenhuma forma a nenhuma das partes", segundo a proposta.
A
redação deste ponto não deixa claro se a controversa Fundação Humanitária de Gaza, que é apoiada por
Israel e Estados Unidos, continuará atuando na região.
O texto
também menciona a reabilitação de infraestrutura de água, esgoto e energia, bem
como hospitais e padarias, e a entrada de maquinário para remover os escombros
da guerra e abrir estradas.
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Como surgiu o plano?
O
enviado dos EUA, Steve Witkoff, afirmou em 23 de setembro que Trump havia
apresentado o plano numa reunião naquele dia com líderes de países árabes e
muçulmanos — Catar, Arábia Saudita, Indonésia, Turquia, Paquistão, Egito,
Emirados Árabes Unidos e Jordânia — na ONU em Nova York. O presidente da
Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, não pôde participar do encontro porque
teve seu visto negado pelo governo americano.
Numa
declaração conjunta, as nações participantes da reunião disseram que
"reiteraram seu compromisso de cooperar com o presidente Trump e
enfatizaram a importância de sua liderança para o fim da guerra".
O plano
teria sido apoiado pelo Instituto Tony Blair para a Mudança Global,
administrado pelo ex-primeiro-ministro do Reino Unido, que está longe de ser
universalmente benquisto no Oriente Médio devido ao seu apoio à controversa
invasão do Iraque pelos EUA em 2003.
Blair
apresentou uma proposta na qual Gaza seria governada pela "Autoridade
Internacional de Transição de Gaza", um órgão governamental que incluiria
uma força de segurança multinacional.
O plano
vem em um momento de apoio internacional crescente à
criação de um Estado palestino, com a adesão recente de potências
ocidentais como o próprio Reino Unido, a França e o Canadá — algo que
Netanyahu chamou de "decisão infeliz".
Enquanto
Trump tem sido tipicamente otimista em relação ao seu plano, o premiê
israelense tem sido mais cauteloso, embora não totalmente contrário.
"Estamos trabalhando nele", disse ele à emissora americana Fox News
no domingo. "Ainda não foi finalizado, mas estamos trabalhando com a
equipe do presidente Trump."
Nesta
segunda-feira, falando a jornalistas após se reunir com Trump, Netanyahu disse
apoiar o plano do aliado americano, destacando que ele cumpre "com os
nossos objetivos de guerra", mas frisando que caso o Hamas rejeite ou
viole o acordo, "Israel terminará o trabalho por conta própria".
Uma
autoridade não identificada do Hamas disse à agência de notícias Reuters na
sexta-feira não ter recebido o plano. O grupo divulgou um comunicado no domingo
em que afirma que vai "considerar de forma positiva e responsável qualquer
proposta que chegue dos mediadores, desde que tal proposta proteja os direitos
nacionais dos palestinos."
"Nada
está finalizado... são apenas linhas gerais", disse uma autoridade da
região, sob anonimato, ao Washington Post. "Ainda há coisas
que precisam ser resolvidas."
Em mais
um sinal das dificuldades que Netanyahu deve enfrentar para levar o plano
adiante, seu ministro das Finanças, o radical de direita Bezalel Smotrich,
evocou mais cedo nesta segunda-feira uma série de "linhas vermelhas",
alegando que a segurança de Israel depende de "ações, nosso controle do
território e de uma aplicação intransigente que depende unicamente dos
militares e do nosso aparato de defesa."
Smotrich
também rejeitou qualquer envolvimento da Autoridade Palestina, que governava
Gaza até o Hamas tomar o poder em 2007.
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Trump e Netanyahu discutem paz em Gaza
O presidente dos EUA, Donald Trump,
recebeu o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu na Casa Branca
para discutir uma proposta de paz para Gaza, em meio ao crescente apoio
internacional à criação de um Estado palestino.
O
encontro ocorre poucos dias depois de uma série de países, incluindo o Reino
Unido e a França, dois aliados dos EUA com assento permanente no Conselho de
Segurança da ONU, terem reconhecido o Estado
palestino apesar da oposição de EUA e Israel.
Trump,
que criticou as medidas de reconhecimento como um prêmio
ao grupo radical palestino Hamas, disse à agência de notícias Reuters no
domingo que espera obter o aval de Netanyahu a um plano geral para encerrar a
guerra no enclave palestino e libertar os reféns israelenses restantes.
O
presidente americano aparenta estar cada vez mais frustrado com Netanyahu,
principalmente depois do ataque israelense a negociadores
do Hamas em Doha, no Catar. O país árabe é um importante aliado dos EUA e
abriga a maior base militar americana no Oriente Médio.
Na
sexta-feira, Trump disse acreditar ter um acordo sobre Gaza, depois de
apresentar durante a semana o seu plano de paz a vários países árabes e
muçulmanos, assim como a Benjamin Netanyahu. "Será um acordo que trará de
volta os reféns. Será um acordo que acabará com a guerra", prometeu o
presidente dos EUA.
No
domingo, numa mensagem na rede social Truth Social, Trump afirmou que há
"uma oportunidade real de alcançar algo grande no Oriente Médio" e
"todos estão prontos para algo especial, algo inédito".
Netanyahu,
em sua quarta visita a Washington desde o retorno de Trump à presidência,
busca reforçar os laços com seu principal aliado, enquanto enfrenta isolamento diplomático e pressão
interna. De acordo com a Reuters,
a recepção deve ser mais calorosa do que a da ONU, onde seu discurso foi
marcado por protestos e críticas à decisão de países aliados dos EUA de
reconhecer o Estado palestino.
Esses
países justificaram o reconhecimento como um passo necessário para preservar a
solução de dois Estados e encerrar a guerra. Trump, por sua
vez, condenou a medida como uma recompensa ao Hamas e afirmou que
espera obter o apoio de Netanyahu para uma estrutura de paz que inclua a
libertação de reféns e uma resolução mais ampla para o Oriente Médio.
Um plano
de paz com 21 pontos foi distribuído a países árabes e à ONU, propondo o fim
dos ataques israelenses
ao Catar e
o início de um novo diálogo entre Israel e os palestinos. Trump criticou Israel
por um ataque aéreo em Doha e agradeceu o apoio de líderes regionais como
Arábia Saudita, Egito e Jordânia.
Apesar
dos esforços anteriores de cessar-fogo terem falhado, Netanyahu continua
comprometido com a destruição total do
Hamas.
A pressão das famílias dos reféns e da opinião pública israelense aumenta,
enquanto o governo enfrenta críticas por sua condução da guerra e pela crise
humanitária em Gaza.
A
guerra, iniciada após o ataque do Hamas em outubro de 2023, já causou mais de
65 mil mortes em Gaza, segundo autoridades locais. O Tribunal Penal
Internacional (TPI) emitiu um mandado de prisão contra Netanyahu por
supostos crimes de guerra, rejeitado por
Israel. A reunião com Trump ocorre em meio a esse cenário de tensão e
desgaste internacional.
Embora
Trump e Netanyahu compartilhem posições, divergências podem
surgir. Ministros israelenses sugerem anexar a Cisjordânia como
resposta ao reconhecimento
palestino,
mas Trump se opõe à medida, temendo que ela prejudique os Acordos de Abraão —
tratados diplomáticos entre Israel e os países árabes, mediado por seu governo
anterior.
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Objeções por Israel
Netanyahu,
porém, deu poucos motivos para tanto otimismo nos últimos dias. Num discurso em tom
desafiador na Assembleia Geral da ONU, na sexta-feira, ele prometeu
"terminar o trabalho" contra o Hamas e bloquear a criação de um
Estado palestino. Ele frisou que Israel "não cederá" às pressões
internacionais.
Nem
Netanyahu nem o Hamas até agora concordaram com o plano, que tem 21 pontos. Um
esboço foi divulgado na íntegra no sábado pelo jornal The Times
of Israel. Neste domingo o diário americano The Washington
Post também divulgou trechos do plano, mas com uma redação diferente em alguns
pontos.
"Nada
está finalizado... são apenas linhas gerais", disse uma autoridade da
região, sob anonimato, ao jornal da capital dos EUA. "Ainda há coisas que
precisam ser resolvidas."
Uma
outra pessoa, também familiarizada com as discussões, disse à agência de
notícias Reuters que autoridades israelenses expuseram preocupações, incluindo
a proposta de presença de forças de segurança palestinas em Gaza após a guerra,
a falta de clareza sobre a expulsão de autoridades do Hamas do enclave e sobre
quem teria a responsabilidade geral pela segurança em Gaza.
O plano
também não teve até aqui qualquer efeito sobre a guerra, com Israel dando
prosseguimento à sua ofensiva na Cidade de Gaza e a seus planos de
eliminar completamente o Hamas da faixa litorânea.
Numa
carta ao presidente americano, familiares de reféns israelenses apoiaram o
plano e pediram a Trump que se mantenha firme no compromisso de terminar a
guerra quando receber Netanyahu.
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Resumo do que diz o plano
Segundo
os relatos da imprensa, o plano prevê um cessar-fogo que entre em vigor assim
que Hamas e Israel concordarem com a proposta.
O plano
inclui ainda a libertação imediata dos reféns restantes do Hamas em troca de
centenas de prisioneiros palestinos, bem como a retirada dos militares
israelenses da Faixa de Gaza. Entre os 48 reféns, 26 foram declarados mortos
pelos militares israelenses.
O Hamas
não deverá desempenhar nenhum papel na futura administração da Faixa de Gaza, e
Israel também não deverá anexar a área, que deverá ser governada por um governo
de transição, "supervisionado por um novo organismo internacional
estabelecido pelos EUA".
O
ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair foi mencionado em alguns veículos de
comunicação como possível líder de uma autoridade de transição para Gaza,
segundo as propostas dos EUA. O órgão operaria com o apoio da ONU e dos países
do Golfo Pérsico antes de, eventualmente, entregar o controle a uma Autoridade
Palestina (AP) reformada.
A Faixa
de Gaza deverá ser uma área livre de terrorismo e não deverá representar
uma ameaça à região. O Hamas não terá qualquer papel no governo de Gaza.
A
versão apresentada pelo Times of Israel diz ainda que ninguém
será forçado a deixar Gaza. Aqueles que optarem por sair poderão retornar, e os
moradores de Gaza serão incentivados a permanecer na faixa.
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Israel concorda com novo plano de paz para Gaza proposto pelos EUA
O
primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, concordou com um plano de paz
proposto pelo governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.
Ambos
mandatários se reuniram nesta segunda-feira (29/09) na Casa Branca.
Trump
afirmou que um acordo está "muito próximo".
Mas o
grupo palestino Hamas, contra quem Israel está lutando em Gaza, afirmou não ter
recebido a proposta formalmente.
Trump
disse que Netanyahu terá o apoio dos EUA para "fazer o que for
preciso" para "destruir" o Hamas se o grupo não concordar com o
plano.
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Outras declarações de Donald Trump e Benjamin Netanyahu à imprensa após a
reunião:
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Trump chamou o reconhecimento do Estado Palestino de "estúpido" por
muitos países;
>>
Trump diz esperar que os EUA e o Irã possam "se entender", acredita
que Teerã está aberto a isso e sugere que o Irã pode eventualmente aderir aos
Acordos de Abraão;
>>
Netanyahu afirma apoiar o plano de Trump para Gaza, acrescentando que ele
alcança os objetivos de guerra de Israel;
>>
Netanyahu agradeceu a Trump por recebê-lo na Casa Branca, elogiando sua amizade
e liderança, chamando-o de o maior amigo que Israel já teve na Casa Branca;
>>
Netanyahu afirma que, se o Hamas rejeitar o plano de Trump, Israel
"terminará o trabalho" sozinho.
Fonte:
Sputnik Brasil/DW Brasil

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