quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Trump apresenta a Netanyahu plano com 20 pontos para acabar com a guerra na Faixa de Gaza

O governo dos Estados Unidos divulgou nesta segunda-feira (29) um plano em 20 pontos assinado pelo presidente Donald Trump com a promessa de encerrar imediatamente a guerra na Faixa de Gaza caso "ambas as partes" aceitem os termos. Durante o encontro com o republicano, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou concordar com os termos.

O documento combina um pacote de segurança, trocas massivas de prisioneiros e reféns, além de um programa de reconstrução do enclave juntamente com um modelo de governação transitória internacionalmente supervisionado.

Entre os possíveis nomes defendidos pelos Estados Unidos para liderar o governo provisório, está o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, que tem bom trânsito entre os países árabes. Até o momento, o Hamas ainda não se posicionou. <><> O que diz o plano de paz de Trump para Gaza

Considerando que o presidente dos EUA, Donald Trump, já mentiu uma vez ao alegar recentemente ter encerrado sete guerras desde que chegou à Casa Branca, a nova promessa dele de que vai encerrar em breve a guerra em Gaza deve ser recebida com uma boa dose de ceticismo pela maioria dos analistas.

"Temos uma chance real de ALGO GRANDE NO ORIENTE MÉDIO. TODOS ESTÃO A BORDO PARA ALGO ESPECIAL, PELA PRIMEIRA VEZ. VAMOS CONSEGUIR!!!", escreveu, em seu estilo peculiar, numa postagem em sua rede social, a Truth Social, no domingo (28/09).

Trump se referia ao seu plano de 20 pontos, cujos detalhes emergiram no fim de semana, antes do encontro desta segunda-feira na Casa Branca com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. É a quarta reunião dos dois neste ano.

>>>> Os pontos essenciais do plano

Em resumo, o plano de Trump cria um caminho para a criação de um Estado palestino, algo que o governo de Israel rejeita com veemência, e apresenta um roteiro para o futuro de Gaza.

O plano, que teve uma versão divulgada na íntegra no sábado pelo jornal The Times of Israel e trechos de uma outra versão publicados pelo diário americano The Washington Post no domingo, exige a libertação de todos os reféns vivos e a entrega dos restos mortais dos que faleceram em troca da libertação de centenas de palestinos mantidos em Israel. Isso deve acontecer 72 horas após Israel concordar com o acordo.

"Assim que todos os reféns forem libertados, Israel libertará 250 prisioneiros que cumprem penas de prisão perpétua, além de 1,7 mil moradores de Gaza detidos após o 7 de Outubro, incluindo todas as mulheres e crianças detidas naquele contexto. Para cada refém israelense cujos restos mortais forem retornados, Israel retornará os restos mortais de 15 moradores de Gaza", diz um dos pontos do acordo.

O plano também exige a remoção do Hamas do poder e seu desarmamento — o grupo palestino é considerado uma organização terrorista pelo governo alemão, pela UE, pelos EUA e por alguns Estados árabes —, a reforma da Autoridade Palestina (AP), que governa a Cisjordânia, e a promessa de Israel de não lançar novos ataques ao Catar, que tem atuado como força mediadora no conflito.

Outros pontos incluem: a Faixa de Gaza será uma zona desradicalizada e livre de terrorismo; será criado um plano econômico para reconstruir Gaza; EUA e potências regionais lhe darão uma garantia de segurança; ninguém será forçado a deixar o território, e aqueles que optarem por sair poderão retornar.

Além disso, a área deverá ser gerida por um governo de transição temporário, a ser exercido por um "comitê palestino tecnocrático e apolítico" formado por "palestinos qualificados e especialistas internacionais" e supervisionado por um "novo órgão internacional de transição, o 'Conselho da Paz', que será chefiado pelo presidente Donald J. Trump junto com outros membros e chefes de Estado a serem anunciados", segundo informe da Casa Branca.

Um dos membros do conselho citados por Washington é o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. O órgão operaria com o apoio da ONU e dos países do Golfo Pérsico antes de, eventualmente, entregar o controle a uma Autoridade Palestina (AP) reformada.

Já o Hamas e outros grupos armados teriam que concordar em "não ter nenhum papel na governança de Gaza, direta ou indiretamente, ou de qualquer forma", segundo um comunicado da Casa Branca emitido nesta segunda. Contudo, combatentes que se comprometerem a se desarmar e coexistir pacificamente ao lado de Israel serão anistiados. Aqueles que desejarem poderão partir para o exílio.

O plano prevê ainda que as Forças de Defesa de Israel (IDF) interrompam todas as operações imediatamente após haver um acordo e entreguem quaisquer territórios capturados. Israel também deve prometer não ocupar ou anexar Gaza.

Também há garantias de que a ajuda de agências internacionais poderá chegar a Gaza sem interferência de nenhum dos lados, "por meio das Nações Unidas e suas agências, o Crescente Vermelho, além de outras instituições internacionais não associadas de nenhuma forma a nenhuma das partes", segundo a proposta

A redação deste ponto não deixa claro se a controversa Fundação Humanitária de Gaza, que é apoiada por Israel e Estados Unidos, continuará atuando na região.

O texto também menciona a reabilitação de infraestrutura de água, esgoto e energia, bem como hospitais e padarias, e a entrada de maquinário para remover os escombros da guerra e abrir estradas.  

<><> Como surgiu o plano?

O enviado dos EUA, Steve Witkoff, afirmou em 23 de setembro que Trump havia apresentado o plano numa reunião naquele dia com líderes de países árabes e muçulmanos — Catar, Arábia Saudita, Indonésia, Turquia, Paquistão, Egito, Emirados Árabes Unidos e Jordânia — na ONU em Nova York. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, não pôde participar do encontro porque teve seu visto negado pelo governo americano.

Numa declaração conjunta, as nações participantes da reunião disseram que "reiteraram seu compromisso de cooperar com o presidente Trump e enfatizaram a importância de sua liderança para o fim da guerra".

O plano teria sido apoiado pelo Instituto Tony Blair para a Mudança Global, administrado pelo ex-primeiro-ministro do Reino Unido, que está longe de ser universalmente benquisto no Oriente Médio devido ao seu apoio à controversa invasão do Iraque pelos EUA em 2003.

Blair apresentou uma proposta na qual Gaza seria governada pela "Autoridade Internacional de Transição de Gaza", um órgão governamental que incluiria uma força de segurança multinacional.

O plano vem em um momento de apoio internacional crescente à criação de um Estado palestino, com a adesão recente de potências ocidentais como o próprio Reino Unido, a França e o Canadá — algo que Netanyahu chamou de "decisão infeliz".

Enquanto Trump tem sido tipicamente otimista em relação ao seu plano, o premiê israelense tem sido mais cauteloso, embora não totalmente contrário. "Estamos trabalhando nele", disse ele à emissora americana Fox News no domingo. "Ainda não foi finalizado, mas estamos trabalhando com a equipe do presidente Trump."

Nesta segunda-feira, falando a jornalistas após se reunir com Trump, Netanyahu disse apoiar o plano do aliado americano, destacando que ele cumpre "com os nossos objetivos de guerra", mas frisando que caso o Hamas rejeite ou viole o acordo, "Israel terminará o trabalho por conta própria".

Uma autoridade não identificada do Hamas disse à agência de notícias Reuters na sexta-feira não ter recebido o plano. O grupo divulgou um comunicado no domingo em que afirma que vai "considerar de forma positiva e responsável qualquer proposta que chegue dos mediadores, desde que tal proposta proteja os direitos nacionais dos palestinos."

"Nada está finalizado... são apenas linhas gerais", disse uma autoridade da região, sob anonimato, ao Washington Post. "Ainda há coisas que precisam ser resolvidas."

Em mais um sinal das dificuldades que Netanyahu deve enfrentar para levar o plano adiante, seu ministro das Finanças, o radical de direita Bezalel Smotrich, evocou mais cedo nesta segunda-feira uma série de "linhas vermelhas", alegando que a segurança de Israel depende de "ações, nosso controle do território e de uma aplicação intransigente que depende unicamente dos militares e do nosso aparato de defesa." 

Smotrich também rejeitou qualquer envolvimento da Autoridade Palestina, que governava Gaza até o Hamas tomar o poder em 2007.

<><> Trump e Netanyahu discutem paz em Gaza

presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu na Casa Branca para discutir uma proposta de paz para Gaza, em meio ao crescente apoio internacional à criação de um Estado palestino.

O encontro ocorre poucos dias depois de uma série de países, incluindo o Reino Unido e a França, dois aliados dos EUA com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, terem reconhecido o Estado palestino apesar da oposição de EUA e Israel.

Trump, que criticou as medidas de reconhecimento como um prêmio ao grupo radical palestino Hamas, disse à agência de notícias Reuters no domingo que espera obter o aval de Netanyahu a um plano geral para encerrar a guerra no enclave palestino e libertar os reféns israelenses restantes.

O presidente americano aparenta estar cada vez mais frustrado com Netanyahu, principalmente depois do ataque israelense a negociadores do Hamas em Doha, no Catar. O país árabe é um importante aliado dos EUA e abriga a maior base militar americana no Oriente Médio.

Na sexta-feira, Trump disse acreditar ter um acordo sobre Gaza, depois de apresentar durante a semana o seu plano de paz a vários países árabes e muçulmanos, assim como a Benjamin Netanyahu. "Será um acordo que trará de volta os reféns. Será um acordo que acabará com a guerra", prometeu o presidente dos EUA.

No domingo, numa mensagem na rede social Truth Social, Trump afirmou que há "uma oportunidade real de alcançar algo grande no Oriente Médio" e "todos estão prontos para algo especial, algo inédito".

Netanyahu, em sua quarta visita a Washington desde o retorno de Trump à presidência, busca reforçar os laços com seu principal aliado, enquanto enfrenta isolamento diplomático e pressão interna. De acordo com a Reuters, a recepção deve ser mais calorosa do que a da ONU, onde seu discurso foi marcado por protestos e críticas à decisão de países aliados dos EUA de reconhecer o Estado palestino.

Esses países justificaram o reconhecimento como um passo necessário para preservar a solução de dois Estados e encerrar a guerra. Trump, por sua vez, condenou a medida como uma recompensa ao Hamas e afirmou que espera obter o apoio de Netanyahu para uma estrutura de paz que inclua a libertação de reféns e uma resolução mais ampla para o Oriente Médio.

Um plano de paz com 21 pontos foi distribuído a países árabes e à ONU, propondo o fim dos ataques israelenses ao Catar e o início de um novo diálogo entre Israel e os palestinos. Trump criticou Israel por um ataque aéreo em Doha e agradeceu o apoio de líderes regionais como Arábia Saudita, Egito e Jordânia.

Apesar dos esforços anteriores de cessar-fogo terem falhado, Netanyahu continua comprometido com a destruição total do Hamas. A pressão das famílias dos reféns e da opinião pública israelense aumenta, enquanto o governo enfrenta críticas por sua condução da guerra e pela crise humanitária em Gaza.

A guerra, iniciada após o ataque do Hamas em outubro de 2023, já causou mais de 65 mil mortes em Gaza, segundo autoridades locais. O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu um mandado de prisão contra Netanyahu por supostos crimes de guerra, rejeitado por Israel. A reunião com Trump ocorre em meio a esse cenário de tensão e desgaste internacional.

Embora Trump e Netanyahu compartilhem posições, divergências podem surgir. Ministros israelenses sugerem anexar a Cisjordânia como resposta ao reconhecimento palestino, mas Trump se opõe à medida, temendo que ela prejudique os Acordos de Abraão — tratados diplomáticos entre Israel e os países árabes, mediado por seu governo anterior.

<><> Objeções por Israel

Netanyahu, porém, deu poucos motivos para tanto otimismo nos últimos dias. Num discurso em tom desafiador na Assembleia Geral da ONU, na sexta-feira, ele prometeu "terminar o trabalho" contra o Hamas e bloquear a criação de um Estado palestino. Ele frisou que Israel "não cederá" às pressões internacionais.

Nem Netanyahu nem o Hamas até agora concordaram com o plano, que tem 21 pontos. Um esboço foi divulgado na íntegra no sábado pelo jornal The Times of Israel. Neste domingo o diário americano The Washington Post também divulgou trechos do plano, mas com uma redação diferente em alguns pontos.

"Nada está finalizado... são apenas linhas gerais", disse uma autoridade da região, sob anonimato, ao jornal da capital dos EUA. "Ainda há coisas que precisam ser resolvidas."

Uma outra pessoa, também familiarizada com as discussões, disse à agência de notícias Reuters que autoridades israelenses expuseram preocupações, incluindo a proposta de presença de forças de segurança palestinas em Gaza após a guerra, a falta de clareza sobre a expulsão de autoridades do Hamas do enclave e sobre quem teria a responsabilidade geral pela segurança em Gaza.

O plano também não teve até aqui qualquer efeito sobre a guerra, com Israel dando prosseguimento à sua ofensiva na Cidade de Gaza e a seus planos de eliminar completamente o Hamas da faixa litorânea.

Numa carta ao presidente americano, familiares de reféns israelenses apoiaram o plano e pediram a Trump que se mantenha firme no compromisso de terminar a guerra quando receber Netanyahu.

<><> Resumo do que diz o plano

Segundo os relatos da imprensa, o plano prevê um cessar-fogo que entre em vigor assim que Hamas e Israel concordarem com a proposta.

O plano inclui ainda a libertação imediata dos reféns restantes do Hamas em troca de centenas de prisioneiros palestinos, bem como a retirada dos militares israelenses da Faixa de Gaza. Entre os 48 reféns, 26 foram declarados mortos pelos militares israelenses.

O Hamas não deverá desempenhar nenhum papel na futura administração da Faixa de Gaza, e Israel também não deverá anexar a área, que deverá ser governada por um governo de transição, "supervisionado por um novo organismo internacional estabelecido pelos EUA".

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair foi mencionado em alguns veículos de comunicação como possível líder de uma autoridade de transição para Gaza, segundo as propostas dos EUA. O órgão operaria com o apoio da ONU e dos países do Golfo Pérsico antes de, eventualmente, entregar o controle a uma Autoridade Palestina (AP) reformada.

A Faixa de Gaza deverá ser uma área livre de terrorismo e não deverá representar uma ameaça à região. O Hamas não terá qualquer papel no governo de Gaza.

A versão apresentada pelo Times of Israel diz ainda que ninguém será forçado a deixar Gaza. Aqueles que optarem por sair poderão retornar, e os moradores de Gaza serão incentivados a permanecer na faixa.

<><> Israel concorda com novo plano de paz para Gaza proposto pelos EUA

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, concordou com um plano de paz proposto pelo governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

Ambos mandatários se reuniram nesta segunda-feira (29/09) na Casa Branca.

Trump afirmou que um acordo está "muito próximo".

Mas o grupo palestino Hamas, contra quem Israel está lutando em Gaza, afirmou não ter recebido a proposta formalmente.

Trump disse que Netanyahu terá o apoio dos EUA para "fazer o que for preciso" para "destruir" o Hamas se o grupo não concordar com o plano.

<><> Outras declarações de Donald Trump e Benjamin Netanyahu à imprensa após a reunião:

>> Trump chamou o reconhecimento do Estado Palestino de "estúpido" por muitos países;

>> Trump diz esperar que os EUA e o Irã possam "se entender", acredita que Teerã está aberto a isso e sugere que o Irã pode eventualmente aderir aos Acordos de Abraão;

>> Netanyahu afirma apoiar o plano de Trump para Gaza, acrescentando que ele alcança os objetivos de guerra de Israel;

>> Netanyahu agradeceu a Trump por recebê-lo na Casa Branca, elogiando sua amizade e liderança, chamando-o de o maior amigo que Israel já teve na Casa Branca;

>> Netanyahu afirma que, se o Hamas rejeitar o plano de Trump, Israel "terminará o trabalho" sozinho.

 

Fonte: Sputnik Brasil/DW Brasil

 

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