sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Rui Martins: Trump, Epstein e o controle da imprensa nos EUA

Até onde irá o presidente Trump, decidido a perseguir a imprensa independente, deixando a impressão de preparar o terreno para governar sem contestação, obter um terceiro mandato e se tornar o primeiro ditador nos EUA, considerado até agora o paraíso da democracia e liberdade?

Essa indagação resulta, entre outras, da atual reação de Trump a uma publicação no Wall Street Journal, acompanhada de um seu desenho lascivo e obsceno do púbis de uma mulher, enviado há alguns anos a Jeffrey Epstein. Por ocasião dos 50 anos do ricaço boa pinta, muitos de seus amigos lhe enviaram, em 2003, uma carta ou uma lembrança para ser integrada num álbum comemorativo. Entre elas, havia a carta com desenho erótico de Trump.

Essa publicação no Wall Street Journal relançou o caso Epstein, o gestor de fortunas que se tornou milionário, acusado de pedofilia e de utilizar jovens menores numa rede de prostituição de luxo, tendo mesmo comprado para isso uma ilha, onde promovia festas com presença de milionários e políticos. Denunciado por proxenetismo e pedofilia, Epstein teria se suicidado na prisão aos 66 anos, embora exista o rumor de ter sido assassinado para não comprometer gente importante. Trump havia prometido, na campanha eleitoral, revelar os nomes de todos os clientes de Epstein.

Trump entrou com uma queixa por difamação contra o jornal, alegando não saber desenhar, pedindo uma enorme fortuna como indenização moral. Entretanto, a imprensa lembra ter havido muitos desenhos de Trump vendidos, no começo deste século, chegando mesmo a serem vendidos por alto preço em leilão pela Sotheby´s, quando se tornou conhecido como político. Trump mente, mas para não ser desmentido precisa controlar a grande imprensa ou coagir e ameaçar quem puder contar a verdade.

Outra possibilidade é a de provocar novos escândalos para desviar a atenção dos seus seguidores do caso Epstein. O The Washigton Post conta os malabarismos de Trump para desviar a atenção de seus seguidores tratando da ex-administradora da agência USAID, da equipe de futebol Washington Commanders. Ele até criou um vídeo fake mostrando a prisão de Obama e anunciou a publicação de centenas de documentos sobre o assassinato do pastor Martin Luther King em 1968.

Trump é especialista em criar novos problemas para desviar a atenção das questões que possam embaraçá-lo. O problema atual é o caso Epstein ter provocado descontentamentos na própria base republicana e entre seus seguidores. Uma espécie de feitiço contra o feiticeiro, pois Trump tinha sempre utilizado o caso Epstein contra os democratas.

Como se não bastasse, anulou as credenciais dos jornalistas do Wall Street Journal para terem acesso ao Air Force One nas viagens presidenciais. Essa não foi a primeira reação contra a imprensa. Em fevereiro, Trump havia proibido a agência Associated Press de entrar no Salão Oval da Casa Branca, onde se realizam as entrevistas presidenciais, por um motivo mais ameno: a agência AP se negou a trocar o nome do Golfo do México para Golfo da América, como decidido pelo presidente.

Trump mudou também o sistema de acesso privilegiado ao presidente, já existente há muito anos, elaborado com a participação da Associação dos Jornalistas na Casa Branca. Eram os próprios jornalistas que formavam um pool para viagens ou encontros especiais com o presidente, criando uma espécie de rodízio entre os jornalistas das principais agências e jornais. 

Depois do atrito com a agência AP, o pool, grupo reduzido de jornalistas na Casa Branca, é escolhido pela administração Trump e passou a incluir os mais vistos influenciadores trumpistas de canais e podcasts.

Tudo leva a crer existir um plano de Trump para modular a imprensa norte-americana, reforçando o risco de um controle gradativo da liberdade de informação.

A ironia é ser esse governo, empenhado em jugular a liberdade de imprensa nos EUA, que tenta intervir e utilizar mesmo de chantagem para impedir o julgamento de um ex-presidente e alguns generais envolvidos numa tentativa de provocar um golpe militar e implantar uma ditadura no Brasil.

¨      Coca-cola, futebol, traição: como Trump tenta ofuscar seus laços com Jeffrey Epstein

O homem no posto mais poderoso do mundo, que guia a maior superpotência em guerras, genocídios, disputas comerciais e possíveis crises econômicas e sociais causadas por suas próprias políticas – para não falar da alarmante evidência das mudanças climáticas, que ele continua negando – está concentrado na receita da Coca-Cola, em recuperar um nome racista para um time de futebol americano, em acusar de “traição” ex-presidentes e em festejar a demissão de um comediante.

Alguns observadores acreditam que se ocupar com esses assuntos secundários tem outro objetivo: distrair o público do crescente escândalo sobre sua amizade com o falecido Jeffrey Epstein, próximo de ricos e famosos, acusado de tráfico sexual e pedofilia. Tão sério é o problema político que, na terça-feira passada (22), o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, anunciou que adiantaria para 23 de julho o início do recesso de cinco semanas da Casa Legislativa, a fim de evitar que o tema dessa relação fosse discutido no plenário; também acusaram os democratas de usar o caso como parte de um “jogo político”.

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Epstein, que supostamente se suicidou em sua cela em Nova York em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores, mantinha amizade com vários integrantes das elites políticas e empresariais, incluindo o príncipe Andrew, da Inglaterra, Bill Clinton e Trump, entre muitos outros. As bases de Trump acreditam que Epstein foi assassinado justamente para que não fosse revelada uma “lista de clientes” composta por democratas de destaque – versão que o próprio Trump alimentou no passado. Há, no entanto, vídeos e declarações de Epstein e Trump sobre sua grande amizade e sua preferência por mulheres atraentes, incluindo algumas “muito jovens”. Trump prometeu tornar pública essa lista e outros documentos relacionados ao caso quando chegou à Casa Branca, e sua procuradora afirmou que estava avaliando a “lista”, que estaria sobre sua mesa.

Mas, de repente, a Casa Branca e o Departamento de Justiça indicaram neste mês que o caso está encerrado e que a lista não necessariamente existe, o que provocou uma onda de ira e descontentamento entre as bases mais fiéis do presidente e alguns de seus aliados mais próximos. Trump declarou que o assunto está encerrado e que é algo “chato” e “sem importância”.

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<><> Cúmplice de Epstein em rede de tráfico

O Wall Street Journal alimentou a controvérsia em 17 de julho ao noticiar que, em 2023, Trump, então empresário, enviou uma carta pelo 50º aniversário de seu amigo Epstein, com várias insinuações sobre seus interesses mútuos em mulheres. Trump atacou o Journal e seu proprietário, o aliado direitista Rupert Murdoch, que também é dono da Fox News, e os processou em 10 bilhões de dólares por difamação. A Casa Branca também anunciou que, como castigo, o correspondente do Wall Street Journal será expulso do grupo de jornalistas que viajam com o presidente.

Em 22 de julho, o Departamento de Justiça informou que o subprocurador-geral Todd Blanche está buscando um encontro com Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Epstein e cúmplice na organização dos serviços sexuais, que cumpre uma pena federal de 20 anos por participação no tráfico sexual de menores promovido pelo companheiro. Isso gerou especulações sobre a possibilidade de lhe ser oferecido algum tipo de indulto em troca de apoiar versões que ajudem a proteger o presidente.

Trump, continuando com seus esforços para distrair a atenção do caso Epstein, escreveu em sua rede social que o ex-presidente Barack Obama deveria ser investigado por “traição”, sem especificar do que o acusava, além de afirmar que o ex-presidente estava tentando levar a cabo um “golpe de Estado”. O escritório do democrata apenas comentou que a mensagem era uma “tentativa fraca de distração”.

Enquanto isso, a Casa Branca inundava o espaço público com proclamações sobre os grandes êxitos de Trump, como sempre, “históricos”, em seus primeiros seis meses de governo. Declarou que o republicano herdou “um país morto”, que conseguiu ressuscitar milagrosamente, e que agora os Estados Unidos são a nação “mais promissora e respeitada do mundo”. No entanto, a opinião pública não parece estar comemorando com seu líder.

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<><> Trump cai nas pesquisas

A aprovação do mandatário despencou 11 pontos desde fevereiro, ficando em apenas 42%, segundo a pesquisa mais recente da CBS News. Com base em levantamentos da Gallup, o USA Today concluiu que sua taxa de aprovação é a mais baixa entre todos os presidentes neste ponto de mandato. Uma média das principais pesquisas do país, calculada pelo The New York Times, confirma que hoje a maioria (53%) desaprova sua gestão.

Mas, enquanto a presidência e seus aliados se enredavam em sua própria armadilha sobre Epstein e rejeitavam como “fake news” toda crítica a suas façanhas, o mandatário marcou outro grande “triunfo” para sua presidência: obrigou a Coca-Cola a usar açúcar de cana em sua bebida emblemática. Em 22 de julho, q empresa confirmou que, a partir de setembro, oferecerá uma versão de seu refrigerante com açúcar de cana (desde a década de 1980 vinha utilizando xarope de milho).

Em outro front, o presidente exigiu que o time profissional de futebol americano Washington Commanders voltasse a usar seu nome anterior: Redskins. Campanhas de organizações de direitos civis indígenas, que lutaram durante anos contra nomes e símbolos racistas em equipes esportivas, haviam conseguido que o nome fosse abandonado. Trump ameaçou tentar barrar a construção de um novo estádio caso não atendam à sua exigência.

O presidente também dedicou tempo a sua disputa com comediantes que figuram entre seus críticos mais contundentes – mas, ao contrário de outros alvos de seus ataques, estes não ficaram calados. Depois de comemorar que o apresentador do programa noturno The Late Show, Stephen Colbert, será demitido pela CBS quando seu contrato terminar, em maio de 2026, Trump advertiu que o próximo poderia ser Jimmy Kimmel, apresentador do programa noturno concorrente da ABC e outro crítico do presidente. Em 21 de julho, Colbert, no início de seu programa, dirigiu-se ao presidente: “Agora, sim, nós vamos tirar as luvas” – e, olhando diretamente para a câmera, respondeu à mensagem triunfal de Trump sobre sua demissão: “Vá à merda!” (go fuck yourself).

Em um gesto de solidariedade, as câmeras registraram na plateia os apresentadores dos programas noturnos da NBC — ou seja, os outros concorrentes — Jimmy Fallon e Seth Meyers, além de seus famosos colegas da comédia satírica Jon Stewart e John Oliver, e estrelas como Adam Sandler, Lin-Manuel Miranda e o jornalista Anderson Cooper. Outras figuras conhecidas também se juntaram a uma onda de apoio e críticas. No mesmo dia, em seu programa The Daily Show, Stewart apresentou um coro no estilo gospel que, ao se referir ao presidente e indiretamente à CBS e à Paramount — também donas de seu canal, o Comedy Central —, cantou em uníssono: “Vá à merda!”

¨      Hulk Hogan, o homem, fez coisas terríveis. Mas o personagem foi revolucionário. Por Dave Schilling

Quando Hulk Hogan morreu e uma onda de pessoas pesquisou seu nome no Google para ler vários obituários, tenho certeza de que pelo menos algumas delas ficaram chocadas ao descobrir que um dos termos de busca mais populares relacionados ao membro do Hall da Fama da WWE é "Hulk Hogan mente". Existem inúmeros vídeos , tópicos do Reddit , postagens em mídias sociais e artigos detalhando todas as coisas que o Hulkster aparentemente disse que eram exageros, distorções ou fabricações descaradas. Uma vez, Hogan disse que foi convidado para tocar no Metallica. A banda negou a história imediatamente. Hulk disse em sua autobiografia que festejou com John Belushi depois da WrestleMania 2 em 1986, embora Belushi tivesse morrido em 1982. Há também a vez em que Hulk pensou que a estrela do Jackass, Bam Margera, estava morto quando ele não estava .

Se você não é fã de luta livre (você está lendo o Guardian. Provavelmente não é fã de luta livre), talvez se pergunte por que alguém famoso por quatro décadas sentiria a necessidade de mentir sobre se poderia ter tocado no Metallica. Esse é o tipo de mentira que o quarterback da sua escola conta na reunião. "Andre, o Gigante, pesava 310 kg quando eu o acertei com um body lam na frente de 200.000 pessoas no Coliseu Romano" é definitivamente uma anedota que poderia te dar uma chance de ir de graça ao bar sem anfitrião do Elks Lodge, mas se você for Hulk Hogan, poderia ser honesto e dizer que Andre pesava mais ou menos 180 kg e que a plateia estava entre 36.000 e 40.000 pessoas, dependendo de para quem você perguntar. Além disso, foi em Pontiac, Michigan, não em Roma. Hulk Hogan não precisava mentir, mas mentiu. Muitas vezes.

Mentiras, fabricação e múltiplas camadas de realidade são princípios fundamentais do wrestling profissional em todos os níveis da indústria. Em 2019, trabalhei na WWE como roteirista para o programa de TV SmackDown, apenas o tempo suficiente para ser demitido. Não fiquei lá por tempo suficiente para realmente me tornar bom na arte de criar uma história de wrestling convincente, mas fiquei lá o suficiente para perceber que o elemento mais crucial do wrestling é alguma forma de desonestidade. O trabalho do lutador é se aproximar da realidade, retratar seu personagem não apenas na TV, mas nas mídias sociais, na imprensa e, às vezes, até no aeroporto. O wrestling é uma arte performática em um nível totalmente diferente. Terry Bollea teve que viver sua vida como Hulk Hogan – a bandana, as regatas, o bigode branco. Em seu agora infame reality show, Hogan Knows Best, apesar da presunção de ver o interior da verdadeira casa de Hulk, ele ainda era aquele personagem. Terry Bollea estava tão comprometido em ser Hulk Hogan que usava uma bandana formal para eventos black-tie . Ninguém ficaria bravo se ele usasse, digamos, um chapéu Kangol ou talvez... nenhum chapéu? Quando Hogan testemunhou no julgamento do Gawker, foi chocante ouvi-lo se referir a "Terry Bollea" e "Hulk Hogan" como duas pessoas diferentes.

O trabalho sagrado da luta livre é fazer as pessoas acreditarem, distorcer a verdade o suficiente para ganhar algum dinheiro com nossa curiosidade.

No jargão do wrestling profissional, esse véu de ficção é chamado de "kayfabe" — uma palavra com origem na antiga cultura carnavalesca da qual o wrestling evoluiu. Kayfabe é tanto um substantivo para descrever a gloriosa irrealidade do wrestling quanto um verbo para descrever quando alguém está sutilmente mentindo para você (ou escondendo algo incrivelmente importante). Na WWE, existem camadas de kayfabe, com cada vez menos pessoas sabendo o que está acontecendo quanto mais fundo você vai. Os resultados das lutas são kayfabed. Quem está lutando no evento principal da WrestleMania 42 na próxima primavera é super kayfabed. Isso não parece muito diferente de proteger o final de um filme de sucesso de verão, mas quando você está dentro do negócio, você percebe que tudo pode ser kayfabed. Como você pode confiar em qualquer coisa que alguém diga? A WWE acaba de lançar um reality show na Netflix chamado Unreal , que afirma levantar o véu sobre a criação dos bastidores de suas histórias. Imediatamente, pensei: "Isso é só mais uma camada de kayfabe". O trabalho sagrado da luta livre é fazer as pessoas acreditarem, distorcer a verdade o suficiente para ganhar uns trocados com a nossa curiosidade. Este é o mundo em que Hulk Hogan viveu.

Eu ainda amo wrestling, e apesar das coisas horríveis que ele disse e fez , eu ainda vejo Hulk Hogan, o personagem, como um dos heróis mais influentes da história americana. Ele conseguiu fazer o credo mais mundano e estrondosamente óbvio ("faça suas orações e coma suas vitaminas, crianças!") soar revolucionário. Ele sabia como cativar uma audiência com nada mais do que um gesto. Ele entendia a arte da sedução platônica - a maneira de fazer alguém não apenas te amar, mas pensar que sua luta também é sua. Fãs de wrestling - crianças e adultos - podiam viver indiretamente através de Hulk Hogan. Seus apelos em seus discursos eram para seus "Hulkamaniacs", os fãs que lhe deram a força para fazer o impossível. Na WrestleMania 3, se Andre the Giant quisesse derrotar Hulk Hogan pelo Campeonato da WWE, ele também teria que lidar com os milhões de Hulkamaniacs torcendo por ele . Na irrealidade do wrestling profissional, você, o membro da audiência, é o verdadeiro protagonista. Hulk Hogan é apenas um veículo para você viajar.

Se isso parece familiar, é porque é.

Uma das últimas aparições televisionadas de Hulk Hogan foi na convenção nacional republicana em 2024. Ele rasgou uma camiseta do Trump em vez de uma camisa da Hulkamania e jurou lealdade total ao nosso futuro presidente. De alguma forma distorcida, foi uma passagem de tocha. Por anos, Hulk Hogan foi o ápice da arte da irrealidade do wrestling. Seu talento para liderar as massas atingiu o auge por volta de 1988 e, à medida que o mundo se tornou mais experiente sobre o truque de mágica específico da WWE, a conexão foi cortada. Ele saiu para uma empresa rival, se tornou um cara mau e reinventou a forma de arte novamente. Mas nunca poderia ser exatamente o que era em meados dos anos 80. Lutadores como Stone Cold Steve Austin, The Rock e John Cena podiam cativar uma multidão, mas não era nada como a Hulkamania. Ninguém acreditaria ou poderia realmente acreditar nisso novamente. É por isso que a WWE precisa se abrir (ou pelo menos fingir), como a União Soviética no fim da Guerra Fria.

Depois de anos sentado sob a árvore do aprendizado do ex-proprietário da WWE, Vince McMahon, Donald Trump pegou as ferramentas de sedução platônica que Hulk Hogan aperfeiçoou e as aplicou à política. O uso da palavra "nós", a unidade da luta, os inimigos covardes a serem derrotados em combate justo. Até mesmo os slogans vazios. "Tornar a América grande novamente" está tão distante de "reze e tome suas vitaminas"?

Na irrealidade do wrestling profissional, você, o espectador, é o verdadeiro protagonista. Hulk Hogan é apenas um veículo para você viajar.

Quando Hulk Hogan exagerava uma história ou mentia descaradamente, raramente se retratava. Quando lhe permitiram voltar ao vestiário da WWE depois que a fita de seu discurso racista circulou publicamente, ele passou a maior parte de seu pedido de desculpas alertando os colegas lutadores para terem cuidado para não "serem pegos". Hulk Hogan era um homem que construiu sua própria verdade. Ele não precisava fazer nada além de viver no mundo que construiu para si mesmo. Quanto mais ele inventava sobre si mesmo, mais grandioso se tornava. Ele foi verdadeiramente o maior herói americano, porque personificou a virtude mais americana de todas: você não precisa ser você mesmo. E quanto mais ele se transformava em um super-herói, mais queríamos ser ele – para nos fundirmos completamente com ele em uma única entidade. Esse poder era ao mesmo tempo inspirador e talvez a arma mais aterrorizante que qualquer ser humano poderia empunhar nesta vida.

 

Fonte: Observatório da Imprensa/Diálogos do Sul Global/The Guardian

 

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