Luís
Nassif: Lula pode renascer com a volta do Sr. Crise
Seria
hora de criar, finalmente, o Plano de Metas, recorrer ao passo inicial, a
estrutura do Conselhão, aproveitar a ameaça externa.
Vamos a
algumas conclusões sobre a guerra movida por Donald Trump contra o Brasil.
- O fato de ter
deixado de fora do tarifaço grupos de produtos relevantes, não significa
recuo, mas resposta aos setores internos que seriam atingidos. A lógica é
essa: soltar uma bomba genérica, sem maiores análises, depois levantar as
consequências internas.
- Jair Bolsonaro é
álibi; e Eduardo Bolsonaro é o chamado grandão bobão. O que está em jogo,
mesmo, são as big techs, e a iniciativa pioneira do Brasil, através do
Supremo Tribunal Federal, de regular o setor.
Há mais
pontos a se considerar. Hoje a Corte de Apelações – um degrau abaixo da Suprema
Corte – vai analisar a constitucionalidade do uso do IEEPA para sancionar o
Brasil.
O IEEPA
é a sigla para International Emergency Economic Powers Act, ou Lei de Poderes
Econômicos de Emergência Internacional, uma lei dos Estados Unidos sancionada
em 1977. Ela concede ao presidente dos EUA poderes amplos para lidar com
ameaças externas à segurança nacional, à política externa ou à economia
americana, especialmente em situações de emergência nacional com origem
estrangeira.
Seu uso
contra o Brasil gerou ampla controvérsia, pois a medida foi vista como parte de
uma guerra comercial com motivações políticas e eleitorais. A Corte de
Apelações fez questão de julgar sua constitucionalidade antes da entrada em
vigor. Pode ser que o tarifaço caia amanhã.
A Court
of Appeals for the Federal Circuit (também abreviada como Fed. Cir. ou
C.A.F.C.) não faz parte de nenhum circuito regional geográfico como o 2º, 5º ou
9º circuito. Trata-se de uma corte especial criada em 1982 com jurisdição
nacional, com competência exclusiva para julgar recursos em áreas técnicas e
especializadas
Talvez
esse risco explique a decisão de Trump de levantar a Lei Magnitsky contra
Alexandre Moraes, uma lei aplicada em supostos abusos contra direitos humanos.
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A nova fase
Precisa
ser melhor entendida a nova fase do poder norte-americano. Toda a estratégia
consiste em inverter a velha lógica, pela qual os EUA garantiam seu poder
através de organismos multilaterais e do poder do dólar e das armas.
As
organizações multilaterais foram relevantes enquanto barraram a expansão
chinesa, como é o caso da Organização Mundial do Comércio. E o reinado do dólar
permitiu à economia norte-americana crescer em cima de endividamento sendo
financiado pelo mundo todo, tendo o dólar como reserva de valor.
Assim
como na Roma antiga, o modelo tornou-se economicamente inviável. A estratégia
norte-americana é óbvia:
- Vale-se do fato
de, ainda, ser a potência dominante, para exigir que parceiros comerciais,
e de defesa, comprometam-se com investimentos pesados nos Estados Unidos.
- Exige, também,
especialmente da União Europeia, investimentos maciços em defesa, sendo os
EUA o maior fornecedor de armamentos.
- Impôs uma nova
realidade tarifária no comércio exterior.
- Ao mesmo tempo,
matou qualquer veleidade de soft power norte-americano. Os Estados Unidos
são o novo vilão do planeta. A manutenção do poder norte-americano não
depende mais do conceito de democracia consolidado por ele, mas pela
expansão da ultradireita, do tal libertarianismo, tendo como objetivo
final o fim dos estados nacionais. E, aí, as big techs têm um papel
central na disputa pela opinião pública dos países. Alexandre de Moraes
está sendo ameaçado pelo seu trabalho na regulação das big techs.
A
intenção óbvia de Trump é uma guerra de desgaste política.
Isso
posto, há duas estratégias óbvias para Lula.
A
primeira, em andamento, a montagem de uma estratégia para administrar os
problemas iniciais trazidos por Trump mas, principalmente, para prospectar e
antecipar os próximos passos de sua escalada. E, também, usando esses grupos
como instrumentos de mobilização da auto-estima nacional.
Passo
importante é o mapeamento das represálias contra Ministros do Supremo. Deve-se
levar em conta que o adversário é a mais poderosa organização criminosa já
montada no Ocidente – tendo na cabeça o presidente da Nação mais poderosa.
O
segundo ponto é cair a ficha de que nada será como antes. A ofensiva de Trump
acelera de forma inédita as transformações que o país terá que enfrentar nos
próximos anos – e com 2026 vindo por aí.
Seria
hora de criar, finalmente, o Plano de Metas, recorrer ao passo inicial, a
estrutura do Conselhão, aproveitar a ameaça externa – o maior motor da
solidariedade nacional.
O maior
estímulo a Lula é o Senhor Crise. Quando baixou no mundo, em 2008, transformou
Lula em estadista, num trabalho diuturno para apagar incêndios no Brasil e
ajudar a organizar ações de países no mundo. Sem o Sr Crise, Lula é apenas um
esforçado, e tímido, organizador do status quo nacional, tendo como única
bandeira o combate à fome.
Agora,
com o Sr. Crise vindo a galope, pode ser a hora de ressuscitar o estadista de
2008-2010.
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Agronegócio será afetado por tarifaço de Trump
A pauta
exportadora brasileira foi parcialmente atingida pela tarifa de 50% imposta pelo presidente
norte-americano Donald Trump, cuja cobrança começará oficialmente em 06
de agosto – sete dias após a data da emissão da ordem.
Atualmente,
os EUA são o segundo maior mercado para os produtos brasileiros em termos de
volume exportado, atrás apenas da China. Em 2024, o Brasil exportou
aproximadamente US$ 40,4 bilhões para os EUA, e os setores citados representam
parte importante dessa cifra.
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Veja abaixo a lista com alguns dos principais produtos afetados:
- Café: A tarifa
total pode chegar a 60%, já que acumula a tarifa original (10%) mais a
nova sobretaxa (50%).
- Carne bovina: A tarifa
pode atingir até 76,4% somando tarifas anteriores e a nova taxa,
prejudicando um setor que exportou cerca de US$ 1 bilhão no primeiro
semestre de 2025 para os EUA, representando aproximadamente 12% do total
das exportações brasileiras de carne bovina e um volume considerável na
balança comercial bilateral.
- Frutas frescas
(como manga e uva): A tarifa pega justamente no período crítico de
exportação, causando postergação de embarques e redirecionamento para
outros mercados, o que pode pressionar preços internos
- Pescados: Os Estados
Unidos respondem por 70% a 80% dos pescados exportados pelo Brasil. As
exportações respondem por cerca de US$ 600 milhões movimentados.
- Produtos
semimanufaturados (ferro, aço) e outros materiais industriais também são
afetados, com tarifas podendo atingir até 100% em alguns casos..
No caso
específico da carne bovina, embora tenha havido aumento das vendas até abril de
2025, a imposição da tarifa tem causado forte retração no volume exportado, com
quedas expressivas em junho e julho. O mercado americano representa cerca de
12% das exportações totais brasileiras de carne bovina e é considerado
estratégico, sem substituto imediato em volume e preço.
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Veja
a lista com alguns dos produtos isentos da tarifação extra imposta pelo governo
Donald Trump.
- Produtos
agrícolas e florestais: castanha-do-brasil, suco e polpa de laranja,
madeira tropical serrada ou lascada, polpa de celulose e sisal.
- Produtos
energéticos:
carvão, gás natural, petróleo, querosene, óleos lubrificantes,
eletricidade e seus derivados.
- Fertilizantes: vários tipos
classificados na pauta tarifária.
- Suco de laranja: congelado, não
congelado e não concentrado.
- Aeronaves civis
e seus componentes: aviões, motores, peças, sistemas de navegação e
simuladores de voo.
- Produtos
industriais específicos de ferro, aço, alumínio e cobre.
- Veículos e
autopeças:
carros de passeio, SUVs, vans de carga, caminhões leves e suas peças.
- Metais e
minerais:
silício, ferro-gusa, alumina, estanho, ferroníquel, ferronióbio, ouro e
prata em barras.
- Doações
humanitárias:
alimentos, roupas e medicamentos.
- Materiais
informativos e culturais: publicações, filmes, CDs, obras de
arte e materiais jornalísticos.
- Bens em trânsito
antes da entrada em vigor: produtos embarcados antes do início da
tarifa, desde que cheguem aos EUA até 5 de outubro de 2025.
- Itens de uso
pessoal incluídos
na bagagem de passageiros.
- Produtos
retornados para reparo ou modificação, com algumas exceções
específicas.
Recentemente,
o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, destacou que
produtos não cultivados em solo norte-americano também poderão ser isentos – o
que abre uma brecha para os mercados de cacau, manga, abacaxi e café.
Fonte:
Jornal GGN

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