Plágio
e inteligência artificial
Plágio
é, em termos gerais, a apropriação indevida de ideias, palavras, dados ou
criações intelectuais de outra pessoa, apresentando-os como se fossem próprios,
sem a devida atribuição de autoria. Essa prática é condenada ética e
juridicamente por várias razões.
A
primeira diz respeito à violação de direitos autorais. Em muitos países, entre
os quais o Brasil, o plágio configura infração à Lei de Direitos Autorais (Lei
9.610/98) e resulta em sanções civis e até criminais.
Outra
razão é a desonestidade intelectual. O plágio compromete a integridade
acadêmica e científica, pois simula mérito não efetivamente conquistado,
pessoalmente, mas sim por autoria de outra pessoa.
Além
disso, trata-se de um obstáculo à circulação do saber. Ao apagar a origem das
ideias, o plágio impede a rastreabilidade do pensamento e prejudica o debate, o
avanço do conhecimento e o reconhecimento do trabalho alheio.
Mas a
questão-chave atual é se é plágio quando se faz uma pergunta original à
Inteligência artificial, ao cruzar ideias de maneira inédita, para ela
responder rapidamente, com a pesquisa necessária? Se o autor da pergunta edita
a resposta com seu estilo pessoal, é considerado ou não plágio?
Ela
própria responde: “quando alguém formula uma pergunta original, resultado do
cruzamento inédito de ideias ou hipóteses, e utiliza a Inteligência artificial
para explorar essas ideias – caso não esteja copiando ou parafraseando
diretamente o trabalho de outro autor sem citação – não há plágio envolvido”.
Especificamente,
a originalidade da pergunta é um ato autoral. A formulação criativa de
problemas, ao cruzar ideias de maneira inédita, ou levantar e testar hipóteses
originais, é uma forma legítima de produção intelectual.
A
Inteligência artificial A atua como ferramenta ou uma nova tecnologia para
pesquisa e conhecimento, não como uma fonte autônoma autoral. A resposta da
Inteligência artificial não possui autoria no sentido jurídico tradicional,
porque a Inteligência artificial não detém direitos autorais.
Desse
modo, o usuário é considerado autor ou editor intelectual do resultado.
Especialmente, isso acontece quando há intervenção crítica e estilística.
Na
pesquisa da resposta, a Inteligência artificial cruza informações de milhares
de posts em sites da internet, em segundos, de maneira impossível de ser
rastreada todas as fontes. Principalmente, porque a criatividade nasce da
mistura de ideias, antes nunca feita pela inteligência humana, resultante em
novo conhecimento.
Editar
a resposta da Inteligência artificial no seu próprio estilo não é plágio. Isto
caso não se aproprie de trechos identificáveis de terceiros (como trechos de
livros, artigos, posts etc.), gerados ou reproduzidos ipsis litteris pela
Inteligência artificial sem citação.
Se a
Inteligência artificial reproduzir ou parafrasear trechos de obras protegidas
sem citação – e isso for usado como se fosse criação própria –, aí sim poderá
configurar plágio indireto ou não intencional, mediado por Inteligência
artificial. Em ambientes acadêmicos, é sempre recomendável explicitar o uso de
Inteligência artificial, especialmente na metodologia ou nos agradecimentos,
como forma de manter a transparência.
Em
resumo, todos os pesquisadores e/ou autores atualizados devem usar Inteligência
artificial para desenvolver ideias originais formuladas por si próprio. Não é
plágio e aumenta extraordinariamente a produtividade, ou seja, o conhecimento.
Necessita
editar a resposta no seu próprio estilo reforçar a autoria intelectual. O
plágio só ocorre se houver ocultação da origem real de conteúdo alheio – e isto
não se aplica automaticamente ao uso de Inteligência artificial.
O uso
responsável de Inteligência artificial requer crítica, edição e referência ao
uso da ferramenta, especialmente em ambientes acadêmicos. Por exemplo, colocar
uma nota de rodapé como uma metodologia padrão para explicitar o uso de
Inteligência artificial em artigos, textos ou apresentações.
Abaixo
estão três sugestões de notas metodológicas possíveis de serem adaptadas para
artigos acadêmicos, ensaios ou materiais didáticos com uso da Inteligência
Artificial, em especial, em ambientes onde se preza pela transparência
epistêmica e integridade acadêmica. Todos são aqui assumidos neste livro
digital para fazer a crítica sem o mau humor repetitivo e abandonado logo pelo
leitor.
Uma
primeira Nota Metodológica, em formulação leve e didática, seria a seguinte.
“Este
trabalho contou com o apoio de ferramentas de Inteligência Artificial (IA),
utilizadas como suporte à elaboração, organização e redação preliminar de
ideias. As intervenções realizadas pela Inteligência artificial foram
criticamente avaliadas, reformuladas e adaptadas ao estilo do autor,
preservando-se a responsabilidade integral pela autoria e conteúdo do texto.”
A
segunda Nota Metodológica, com formulação técnica-acadêmica, é apresentada em
seguida.
“Algumas
seções deste texto foram elaboradas com o auxílio de ferramentas de
Inteligência Artificial generativa (ChatGPT, OpenAI), empregadas como
instrumentos de apoio à sistematização de argumentos e sugestões
bibliográficas. Todas as contribuições automatizadas foram submetidas à
curadoria crítica do autor, que detém plena responsabilidade sobre a estrutura,
coerência argumentativa e originalidade do trabalho. O uso da IA não substitui,
mas complementa a atividade intelectual”.
Segue a
terceira Nota metodológica, na qual se dá ênfase epistemológica e crítica.
“A
produção deste texto mobilizou recursos de Inteligência Artificial como
instrumento de diálogo heurístico, no contexto de uma abordagem crítica e
autorreflexiva sobre os processos de formulação do conhecimento. As respostas
automatizadas foram interpretadas como insumos parciais, cuja validade foi
submetida a juízo epistemológico e adequação ao campo teórico. O uso da
Inteligência artificial é, aqui, compreendido como parte de uma prática de
mediação tecnocognitiva – e não como fonte autônoma de verdade”.
A
segunda formulação, adaptada especificamente ao campo da economia política, com
ênfase na crítica e na mediação reflexiva entre técnica e conteúdo, torna-se
uma Nota metodológica com formulação técnica-acadêmica:
“Este
trabalho contou com o apoio de ferramentas de Inteligência Artificial
generativa (ChatGPT, OpenAI), utilizadas como instrumentos auxiliares na
organização de argumentos, na estruturação didática e na sistematização de
referências pertinentes à tradição crítica da economia política. Todas as
contribuições automatizadas foram submetidas à mediação teórico-metodológica do
autor, à luz de uma abordagem sistêmica e histórica das determinações sociais e
econômicas. A responsabilidade integral pela coerência argumentativa, pela
seleção crítica das categorias analíticas e pela originalidade do conteúdo é do
autor. A Inteligência artificial é aqui empregada como suporte
técnico-reflexivo e não como fonte autônoma de conhecimento”.
São
possíveis versões ultra sintéticas, nos créditos finais da nota metodológica,
apropriadas para uso em rodapés de textos, tipo “este trabalho teve ajuda do
ChatGPT. O pensamento crítico, porém, continua sendo 100% humano”.
Em
versões sarcásticas, com referências diretas à crítica da economia mainstream,
ideais para fechar uma apresentação com espírito provocativo e engajado, há as
seguintes possibilidades: “o algoritmo tentou ser neoclássico… mas aqui, oferta
e demanda não mandam no pensamento”; “a Inteligência artificial sugeriu agentes
racionais maximizadores… eu preferi sujeitos históricos em luta”; “o ChatGPT
insistiu no equilíbrio geral. Tive de explicar-lhe, no Brasil, o desequilíbrio
é estrutural”…
E com a
Inteligência artificial eu aprendi (e me diverti) ao escrever o livro digital
para download…
Desejo
boa leitura! Divirta-se!
Fonte:
Por Fernando Nogueira da Costa, em A Terra é Redonda

Nenhum comentário:
Postar um comentário