Liszt
Vieira: Trump coloca um elefante na sala e sai com um bode
Trump
negocia como sempre: coloca um elefante na sala e sai com um bode. A Europa
cedeu, mas o preço foi alto — soberania em troca de alívio imediato. Agora, o
Brasil é o alvo, e o jogo é o mesmo: ameaça, barganha e um rastro de
dependência. Resta saber qual será o tamanho do bode que sobrará desta vez...
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Segundo
o jornal Le Monde, de 27 de julho de 2025, a União Europeia
garantiu vitória política a Donald Trump para evitar caos comercial. Ursula von
der Leyen e Donald Trump anunciaram em 27 de julho, que haviam chegado a um
acordo que impõe tarifas de 15% sobre a maioria dos produtos europeus
importados pelos Estados Unidos. Os países da União Europeia também se
comprometeram a comprar mais petróleo e gás americanos e a investir nos EUA.
Para a
União Europeia, Donald Trump anunciou uma taxa de 30%, e acabou fechando acordo
com 15%. Essa é a estratégia comercial de Donald Trump. Coloca o elefante na
sala, negocia, tira o elefante e deixa um bode que antes não existia. Vejamos
outros exemplos:
Japão:
a taxação dos carros japoneses passaria de 25 a 15%. Indonésia: a taxa de
importação inicialmente fixada em 32%, passaria para 19%. / Vietnã: a taxa
passaria de 46% para 20%, / Filipinas: de 20% para 19% / China: negociação em
curso (O Globo, 28/7/2025).
Trata-se
de uma barganha perigosa, porque não leva em conta as consequências na
consciência política da nação. A médio ou longo prazo, provavelmente haverá
retaliação. É bom não esquecer um ditado indígena: Quanto maior a árvore, maior
a queda.
Esse
acordo da União Europeia com os EUA foi amplamente rejeitado na França por
lideranças políticas de diversas correntes. O Primeiro-ministro da França,
François Bayrou, criticou o acordo UE-EUA: “um dia sombrio de submissão”. Para
ele, o pacto entre Donald Trump e Von der Leyen afronta valores da Europa e
impõe condições inaceitáveis aos países do bloco.
Dominique
de Villepin, ex-primeiro-ministro francês, criticou o acordo da União Europeia
com os EUA que considerou uma “Declaração de Dependência”. Denunciou o tratado
como injusto, desequilibrado e prejudicial à soberania energética e econômica
da União Europeia. Segundo ele, trata-se de “um tratado desigual, onde um paga
tarifas alfandegárias de 15%, mas o outro nenhuma. Como não chamar isso de
tributo?”
Conforme
publicado na imprensa europeia (Le Monde, Libération, The
Guardian, BBC, El País e outros jornais),
houve ampla rejeição a esse acordo. A esquerda francesa falou em “vergonha” e
“rendição”. O fundador da legenda de esquerda La France Insoumise (LFI),
Jean-Luc Mélenchon, afirmou que tudo foi cedido a Donald Trump, e as regras do
jogo estabelecidas ao longo de 75 anos de relações bilaterais foram alteradas.
Entre os socialistas moderados também houve indignação. O eurodeputado Pierre
Jouvet classificou o entendimento como “um pacto de vassalagem para a Europa”,
uma “capitulação diante da pressão americana”.
De um
modo geral, os líderes políticos e empresariais europeus criticaram o acordo
União Europeia e EUA. A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen,
afirmou que o acordo representa um “fiasco político, econômico e moral”. Viktor
Orban, Primeiro Ministro da Hungria, de extrema direita, disse que “Trump comeu
Von Der Leyen no café da manhã”.
O
jornal francês Libération afirmou que a União Europeia, além
de pagar a taxa de 15%, prometeu também financiar massivamente a economia dos
EUA. Mas o chanceler alemão Friedrich Merz se disse “aliviado” e a Primeira
Ministra da Itália, Giorgia Meloni, também apoiou o acordo.
O
próximo capítulo terá o Brasil como protagonista. Como “um raio em céu azul”,
Donald Trump lançou a ameaça de taxar os produtos brasileiros em 50% alegando
déficit comercial dos EUA e perseguição a seu aliado Bolsonaro que, como ele,
tentou um golpe de Estado. Como todo mundo sabia, menos Donald Trump, os EUA
têm superávit comercial com o Brasil. Essa desculpa não cola. O governo
americano está buscando outra justificativa jurídica.
Na
realidade, a anistia a Jair Bolsonaro é uma sobremesa que, conforme o acordo,
pode ser dispensada. O prato principal é a defesa das empresas americanas – daí
o ataque ao Pix – e o combate ao BRICS que, a médio ou longo prazo, ameaça o
dólar e, a curto prazo, ameaça os interesses econômicos das empresas
norte-americanas, principalmente as big techs, que se sentem
ameaçadas com qualquer regulação por parte dos governos.
Além
disso, Donald Trump colocou na mesa de negociação as Terras Raras brasileiras,
minerais estratégicos principalmente para a indústria de comunicação digital e
Inteligência Artificial. E, como bom businessman, Donald Trump
aproveita tudo para ganhar dinheiro. Pouco antes de anunciar um tarifaço, seus
amigos jogam na Bolsa de Valores e ganham fortunas com o câmbio e a subida e
descida das ações.
Do
ponto de vista político, porém, o tarifaço é um tiro que saiu pela culatra. Os
empresários da indústria, agricultura, serviços e também os sindicatos, todos
serão prejudicados. Como os empresários não são burros, ficaram contra Donald
Trump, deixando os bolsonaristas trumpistas sem discurso. Os que se auto
proclamavam “patriotas”, em sua maioria, hoje apoiam Donald Trump contra o
Brasil.
Caiu a
máscara. Estão num beco sem saída: ou apoiam Donald Trump contra a economia
brasileira, ou apoiam o Brasil contra o Donald Trump que sempre apoiaram. Vide
o boné trompista “Make America Great Again” usado por lideranças
bolsonaristas como, por exemplo, o governador de São Paulo.
Lula se
tornou o grande defensor da soberania nacional e da economia brasileira. Mas
deve enfrentar imensas dificuldades na negociação que, de uma forma ou de
outra, deverá ocorrer. Primeiro, porque Donald Trump só recuará se obtiver
alguma vantagem, o que significa desvantagem para algum setor da nossa economia
ou da democracia.
E
qualquer concessão de Donald Trump vai acarretar apoio imediato dos setores
menos prejudicados e rejeição dos mais prejudicados. O conflito será político e
econômico. Provavelmente, os empresários e as lideranças políticas vão se
dividir.
A
reputação e popularidade de Donald Trump dentro dos EUA está se deteriorando.
Já foi acusado de criminoso pela Justiça e agora foi confirmado que seu nome
aparece como pedófilo no famoso caso Epstein, que fazia tráfico sexual de
menores, e oferecia meninas menores de idade para pessoas famosas, entre as
quais o empresário Donald Trump.
E a
melhor maneira de escapar de conflitos internos é uma guerra contra um país
estrangeiro. No caso, guerra comercial, sem esquecer o apoio militar dos EUA ao
genocídio dos palestinos pelo Governo de Israel.
No caso
do Brasil, na falta do déficit comercial, a mídia destacou o ingrediente
político em defesa de Jair Bolsonaro que certamente existe, mas é secundário
face ao interesse econômico de defender as empresas americanas, principalmente
as big techs, de obter os minerais nas Terras Raras do Brasil e
combater o BRICS, visto como ameaça ao dólar.
Embora
já tenha se orgulhado de nunca ter lido um livro, Donald Trump aprendeu na
prática, no mundo dos negócios, o sentido daquele ditado latino: Qui
nescit dissimulare, nescit regnare (quem não sabe dissimular, não sabe
reinar).
Mais
cedo ou mais tarde, haverá negociação. E Donald Trump vai tirar o elefante da
sala. Resta saber o tamanho do bode que vai deixar.
¨
Ansiedade, neurose e temor. Por Manfred Back e Luiz
Gonzaga Belluzzo
“Quando
ouvi sobre esse grupo do Brics, seis países, basicamente, eu os ataquei com
muita, muita força. E se algum dia eles realmente se formarem de modo
significativo, isso acabará muito rapidamente… Nunca podemos deixar ninguém
brincar conosco.” (Donald Trump)
Segundo
a agência Reuters: Donald Trump também disse que estava
comprometido com a preservação do status global do dólar como moeda de reserva
e prometeu nunca permitir a criação de uma moeda digital de banco central nos
Estados Unidos.
Da
galhofa sobre os atacadistas da rua 25 de março aos produtos eletrônicos
vendidos sem nota da galeria Pagé no centro da capital paulista ao Pix. Em sua
triste galhofa, Donald Trump torna as vítimas de investigação comercial pelo
governo ianque estariam armadas da bomba H, lançada sobre o déficit histórico
americano.
O
Calígula da Casa Branca, impôs a partir de agosto 50% de imposto sobre
importação de produtos brasileiros. Remember my dear friends, ao
som de aquarela do Brasil: os norte-americanos são superavitários nos últimos
15 anos. Nosso grande projeto Manhatan, não estaria em Los Álamos, mas na 25 de
março e o Pix, com o propósito de implodir a economia do Tio Sam e deletar o
poder de sua moeda reserva: o dólar! É de rir para não chorar!
O
imperialismo e colonialismo andam de mãos dadas, não morrem, mudam de forma.
Mas o objetivo é sempre tirar vantagens econômicas com o uso da força, seja
militar ou econômica. É a política, estúpido! A imposição imperial de tarifas
nada mais é que um neocolonialismo, uma forma de extração de renda sem invadir
e conquistar territórios.
No
estudo Intercâmbio Desigual e Relações Norte-Sul: Evidências dos Fluxos
Comerciais Globais e a Balança Mundial de Pagamentos, Gastón Nievas e
Thomas Piketty afirmam: “As relações econômicas globais parecem ser
caracterizadas por desequilíbrios persistentes e relações de poder, e não por
mecanismos de mercado autocorretivos. Mudanças no poder de barganha e nos
termos de troca podem ter enormes consequências sobre a riqueza relativa das
nações e sobre suas oportunidades de desenvolvimento”.
Financiar
seu déficit crônico de conta corrente, extraindo valor através do comércio
internacional. Tudo isso garantido pela força do dólar como da moeda reserva.
Todas
as falas e ações pessoais de Donald Trump, mostram ansiedade, neurose e temor
pelo fim da hegemonia monetária. O fim do dólar como moeda reserva, tornaria o
déficit do balanço de pagamentos impagável, perdendo a senhoriagem e poder de
emissão entraria em colapso.
Gáston
Nievas e Thomas Piketty tocam o ponto crucial:
“Com
efeito, Donald Trump parece acreditar que o bem público global fornecido pela
“Pax Americana” deve ser melhor recompensado pelo resto do mundo, por exemplo,
por meio de transferências financeiras pagas por aliados para compensar os
gastos militares e / ou por meio da apropriação direta de recursos minerais e
outros ativos na Groenlândia, Ucrânia ou em outros lugares”.
Alerta
John Maynard Keynes nas notas sobre o mercantilismo: “a política de restrições
comerciais é um instrumento perigoso mesmo quando utilizado para os seus
objetivos ostensivos, visto que os interesses particulares, a incompetência
administrativa e a dificuldade intrínseca da tarefa podem desviá-la e levá-la a
produzir resultados diretamente opostos aos pretendidos”.
O
míssel Patriot tarifário lançado ao país do carnaval,do samba e do futebol,
desvia o olhar para o verdadeiro alvo: a China. O disfarce é engalanado pela
interferência no judiciário brasileiro, nas eleições presidenciais, ameaça da
soberania e patriotismo. Esse atentado à soberania brasileira tem o propósito
de reforçar o domínio – para alem de qualquer fronteira territorial – das Big
Techs do Vale do Silício,e suas garras sobre as mentes e dados pessoais no
mundo inteiro.
Nesse
momento, a corrida pela inteligência artificial, construções de Datas Centers,
garantia de energia, se juntam às terras raras, metais essenciais para o avanço
das novas tecnologias.A China detém 70% da oferta das terras raras e 80% do
refinamento desses metais. O Brasil é agraciado reservas estimadas de terras
raras de 11 a 21 milhões de toneladas, que podem mudar de vez suas relações
comerciais com os chineses. Não é a 25 de março que preocupa o fanfarrão-fujão,
mas Pequim!
“Como
observam David Autor, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), e Gordon
Hanson, da Universidade Harvard, o desafio para os EUA hoje é a ascensão da
China como superpotência tecnológica e científica”. (Katie Martin , Financial
Times).
O Plano Quinquenal
2021-25 destacou
a inteligência inspirada no cérebro, a informação quântica, a tecnologia
genética, as redes futuras, o desenvolvimento aeroespacial e em águas profundas
e a energia e o armazenamento de hidrogênio. áreas nas quais a China pretende
garantir a liderança.
A
“ordem mundial” pretendida por Donald Trump reafirma o exercício, sem peias, do
poder dos Estados Unidos. Mas, na verdade, o projeto MAGA comprova o declínio
da hegemonia americana.
Rui
Barbosa, o maior de nossos liberais, talvez o único liberal autêntico produzido
nestas plagas, já temia as inclinações imperiais do Grande Irmão do Norte. Sua
admiração pelas instituições republicanas dos Estados Unidos não o impediram de
perscrutar , sob o véu da democracia na América, os arroubos da ambição
imperialista. Estes impulsos secretos irromperam na guerra contra a Espanha
pelo domínio de Cuba. Daí para frente, cresceram e se multiplicaram.
Concluímos
com as palavras de Elisabeth Roudinesco no livro Eu absoluto “…os
humanos se assemelham a crianças insaciáveis que não suportam a felicidade de
seus vizinhos: não satisfeitos com seus brinquedos, querem pegar os dos outros
também”.
¨
Ásia: o efeito Trump e os novos muros comerciais. Por
Maria Luiza Falcão
Em
artigo publicado em 25 de julho no The Washington Post, intitulado
“A guerra comercial entre EUA e China é uma batalha para construir muros”, o
colunista colaborador do Global Opinion, Keith B. Richburg,
especialista em Ásia, Europa e África, faz uma análise muito interessante sobre
o movimento dos países do Sudeste Asiático para se descolarem dos Estados
Unidos e se protegerem da China.
Seu
argumento desenvolve-se da seguinte forma: o governo do presidente
estadunidense Donald Trump quer recrutar países do Sudeste Asiático para construir um muro gigante ao redor da
China. A ideia é reduzir a dependência dos países das cadeias de suprimentos
chinesas, afastá-los das exportações chinesas e impedi-los de permitir que a
China transborde mercadorias por seus portos para escapar das tarifas
americanas. Este foi um ponto importante no recente acordo comercial do
presidente Donald Trump com o Vietnã, que impõe uma tarifa de 40% sobre
mercadorias transbordadas, quase todas provenientes da China.
Enquanto
isso, os próprios países asiáticos discutem a construção de um tipo diferente de muro — um muro de
autossuficiência para se isolarem das movimentações comerciais imprevisíveis
vindas de Washington. Os países asiáticos afetados pelas tarifas americanas
certamente buscarão vendas em outros lugares. No entanto, o primeiro elo nas
cadeias de suprimentos que unem as empresas da região continua sendo os
fabricantes subsidiados da China, enquanto o mercado-alvo continua sendo o
apetite voraz do consumidor americano.
Líderes
asiáticos, explica Keith, agora falam incessantemente sobre a necessidade de
aumentar o comércio interasiático como contrapeso à sua dependência excessiva
do mercado americano. Em abril, o presidente Xi Jinping se pronunciou a favor
da união da “família asiática”. Autoridades
chinesas chamam isso de expansão do “círculo de amigos” do país. E
muitos asiáticos fora da China parecem concordar.
“Precisamos
fortalecer nossas bases internas”, disse o primeiro-ministro malaio,
Anwar Ibrahim, em uma reunião da Associação das Nações do Sudeste
Asiático no início deste mês. “Comercializar mais entre nós, investir mais uns
nos outros e promover a integração entre setores com determinação.”
Especula-se
qual dos muros tem mais probabilidade de ser erguido. A China está claramente
expandindo seu comércio com a Ásia. Por mais de uma década, tem sido o maior
parceiro comercial do Sudeste Asiático. Afinal, a China está ali ao lado, com
1,4 bilhão de consumidores. E seus laços comerciais de longa data parecem estar
se aprofundando. Nos primeiros cinco meses deste ano, o comércio com o Sudeste Asiático cresceu mais de
9%. Em junho, as exportações da China para o Sudeste Asiático aumentaram 16,8%
em relação ao ano anterior.
Além
disso, evidências sugerem que o comércio intra-asiático está crescendo. Em
Bangkok, qualquer pessoa que peça um GrabCar — o equivalente
regional do Uber — provavelmente será buscada em um carro elétrico
BYD ou Aion
novo de fabricação chinesa , em vez de um Tesla . Lojas de
varejo japonesas como Uniqlo, Isetan, Sogo e Muji dominam os shoppings
regionais. As sul-coreanas LG e Samsung, e a chinesa Haier, são as marcas
de eletrodomésticos mais vendidas. As vendas dos smartphones chineses Xiaomi e Huawei agora rivalizam
com as do iPhone da Apple.
É claro
que o comércio flui em ambas as direções . Têxteis do
Sudeste Asiático, camarão congelado, arroz, coco e outras iguarias estão
chegando a um número crescente de mesas de jantar chinesas, inclusive no interior , graças à nova “Rota da Seda Marítima” da China do século XXI.
E há
também o inegável “muro” cultural da Ásia, o softpower. K-pop , dramas coreanos e produtos de
beleza coreanos estão conquistando fãs em toda a região. “Round 1” liderou as
paradas da Netflix em toda a Ásia. E fora dela também.
Mas
isso não quer dizer que a Ásia possa ter sucesso em se isolar totalmente
dos Estados Unidos.
Segundo
Steven Okun, especialista em comércio internacional e CEO da APAC
Advisors ,
uma consultoria sediada em Singapura, “Primeiro”, diz ele, “as economias
maiores — ou seja, Coreia do Sul, Vietnã, Malásia — estão muito expostas ao
mercado americano e não há como substituí-lo”.
“Em
segundo lugar, os países têm pelo menos o mesmo medo, se não mais, de que a
China invada e despeje todo o seu excesso de capacidade em seus mercados —
assim como a China fez com os EUA”, disse Okun. “Se algum muro for construído,
será para manter os chineses do lado de fora.”
Em
outras palavras, os Estados Unidos continuam sendo o gigante global, um
“verdadeiro vácuo para produtos de consumo”. Os gastos das famílias americanas
atingiram a impressionante marca de US$ 19 trilhões em 2023 — o dobro do valor da União Europeia e quase o triplo do da China .
Além
disso, para muitos na Ásia, o risco de se tornarem excessivamente dependentes
de Pequim é enorme. A Indonésia vem reforçando ativamente suas diversas leis
antidumping e, recentemente, até mesmo baniu a gigante do comércio
eletrônico Temu por
temer que ela destrua os negócios locais. A Tailândia está de olho em taxas antievasão sobre uma série
de produtos importados, principalmente da China. Os asiáticos querem se
beneficiar do crescimento da China, mas evitar serem esmagados por seu poderio
econômico.
O muro
de Trump depende da mobilização de aliados profundamente dependentes da
economia global e cautelosos com a China. O muro da China depende da promoção
da autossuficiência regional como contrapeso à imprevisibilidade de Washington.
Com o
aumento da integração econômica regional os números do comércio bilateral
aumentarão. Haverá mais smartphones, eletrodomésticos e veículos elétricos
chineses nas cidades asiáticas. Mas, o domínio americano no mercado parece
destinado a persistir por muitos anos. Os países asiáticos não conseguirão se
isolar tão cedo.
Fonte:
A Terra é Redonda

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