Ivan
Guimarães: Bananinha jogou pesado para derrotar o Brasil
Eduardo
Bolsonaro marcou um gol. Cumpriu sua ameaça. Obteve de Trump a sanção de 40%
sobre as exportações — mais 10% já aplicados — e conseguiu o impensável:
aplicar a um ministro da maior Corte de um país democrático uma sanção
violentíssima, sem processo, contraditório ou qualquer condenação.
Como
ele conseguiu tudo isso? Contou com o decidido apoio de Paulo Figueiredo,
pessoa muito popular na direita americana e autor de completas bobagens, como a
“ditadura dos juízes” no Brasil.
Mas,
fundamentalmente, convenceu diversas autoridades do governo norte-americano de
que seu pai é inocente na tentativa de golpe — por mais que existam evidências
em contrário. A falta de informações sobre o Brasil ajudou muito ao Bananinha.
Mas a
verdadeira razão é mais cruel. Um líder de quadrilha conquistou o apoio do
presidente dos EUA porque ambos conspiraram contra a democracia. Trump cometeu
flagrantes irregularidades e crimes em seu governo anterior, que resultaram
apenas em sanções. Mas a semelhança de seus métodos com os de Bolsonaro é
evidente. Ambos são expoentes da nova direita, que abdicaram da elegância, do
respeito e da verdade, abraçando a truculência, a falsidade e os interesses
mesquinhos e comezinhos.
Deixar
Bananinha sem marcação já se revelou frágil. Esta é a hora de o Brasil agir,
buscando apoio do povo norte-americano. Como qualquer lobby organizado nos EUA,
vai custar dinheiro. Será preciso contratar uma agência de comunicação e
iniciar uma campanha destinada a explicar o que é o Brasil. Esse é o primeiro
ponto: iniciar uma grande ação de comunicação nos EUA, tendo o Brasil como
protagonista.
O
segundo é a aproximação de setores relevantes nos EUA. Uma "Casa do
Brasil", destinada a coordenar múltiplas ações de aproximação a setores da
direita mais permeáveis ao diálogo.
Isso
significa coordenar visitas de parlamentares, empresários, intelectuais e
pessoas com relevo social para os EUA e vice-versa, geração de pautas para a
imprensa americana, entre outras atividades.
Enfim,
é preciso encurtar o espaço político de Eduardo Bolsonaro e de Paulo Figueiredo
— o responsável direto pelo cerco a Alexandre de Moraes e o ideólogo da
quadrilha.
Trump
costuma ser verborrágico, mas recua na hora de cumprir suas ameaças. Isso
mostra que ele teme a opinião pública. Ou, ao menos, a opinião dos empresários.
A frágil base legal sobre a qual Trump vem atuando é um fator de risco que ele
não desconhece. Além disso, no ano que vem há eleições parlamentares nos EUA,
que podem criar embaraços ao atual governo dos EUA.
Enfim,
na política e no futebol não existem espaços vazios.
• Tudo começou com "um cabo e um
soldado para fechar o STF". Por Gustavo Tapioca
Desde
que assumiu seu mandato em 2015, Eduardo Bolsonaro tem se destacado não por
legislar em favor do povo, mas por ser uma figura central na escalada de
ataques à democracia brasileira. Ao longo dos anos, suas declarações e atitudes
deixaram claro que sua lealdade não está com o Brasil, mas com uma agenda
autoritária, personalista e submissa a interesses estrangeiros.
Mais do
que um extremista de ocasião, Eduardo construiu uma trajetória pública marcada
por ameaças às instituições, apologia à ditadura, incitação à violência
política e, mais recentemente, colaboração ativa com inimigos declarados da
soberania nacional. Não é exagero afirmar que o deputado federal se converteu
em um agente da instabilidade, um parlamentar que atua contra o próprio país.
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"Um cabo e um soldado para fechar o STF"
Foi em
2018, ainda como deputado em primeiro mandato, que Eduardo Bolsonaro fez uma
das declarações mais antidemocráticas da história recente:
“Se
quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Você não manda nem um jipe. Manda um
cabo e um soldado. O que é o STF? Tira o poder da caneta deles, como é que vão
reagir?”.
A fala,
dita com arrogância juvenil e impunidade política, soou como piada para alguns
à época. Mas hoje é reconhecida como o prenúncio de uma série de ataques à
ordem institucional que desembocariam na invasão criminosa do STF, do Palácio
do Planalto e do Congresso Nacional na tentativa de golpe de 8 de janeiro de
2023.
A
ameaça explícita de 2018 a um dos pilares da República não foi punida nem pelo
Congresso, nem pelo Ministério Público. E o silêncio institucional deu a
Eduardo o sinal verde para avançar.
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O retorno do autoritarismo como projeto
Em
2019, Eduardo Bolsonaro voltou a causar indignação nacional ao defender, em
entrevista à jornalista Leda Nagle, a reedição de um novo Ato Institucional nº
5, o mais brutal instrumento de repressão da ditadura militar brasileira.
Segundo ele:
“Se a
esquerda radicalizar, a gente vai precisar responder. E uma resposta pode ser
via um novo AI-5".
A
naturalização de um regime de exceção partiu, mais uma vez, de um deputado
federal. E, mais uma vez, ficou por isso mesmo. Ao contrário do que prevê a
Constituição, que trata como crime inafiançável qualquer tentativa de abolir,
com uso de meios violentos ou subversivos, o Estado Democrático de Direito,
Eduardo permaneceu no cargo, imune a qualquer sanção.
Esse
episódio, por si só, já seria suficiente para caracterizar a quebra de decoro
parlamentar, mas Eduardo iria além.
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O crime de lesa-pátria
Desde
que se tornou persona non grata em boa parte da sociedade brasileira e passou a
viver parte do tempo nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro assumiu um novo
papel: o de lobista internacional contra o Brasil.
De
Washington, ele tem se empenhado em atacar ministros do STF e do TSE em
reuniões com congressistas republicanos; pedir que os Estados Unidos
"apliquem sanções contra autoridades brasileiras"; divulgar
narrativas falsas sobre censura e perseguição no Brasil; e incentivar medidas
extraterritoriais que isolem o país diplomaticamente.
Em
julho de 2025, durante um episódio lamentável, Eduardo chegou ao cúmulo de
declarar:
“Está
muito mais fácil um porta-aviões chegar no Lago Paranoá — se Deus quiser,
chegará em breve — do que vocês serem recebidos com o Alckmin nos Estados
Unidos".
A fala
é grave: um deputado da República brasileira fantasiando com ocupação militar
estrangeira da capital federal. Isso não é opinião. Isso é incitação à
intervenção armada. Isso é crime contra a soberania nacional. Como se não
bastasse, ao comemorar sanções norte-americanas contra o ministro Alexandre de
Moraes, Eduardo disse:
“Se
houver um cenário de terra arrasada, pelo menos eu estarei vingado desses
ditadores de toga".
Não se
trata mais de discordância política. Trata-se de uma postura nitidamente
golpista e antipatriótica. Um parlamentar eleito pelo voto popular declarando
que prefere ver o Brasil destruído se isso significar "vingança"
contra autoridades que o enfrentam dentro da legalidade constitucional.
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É hora de agir por decoro, por democracia, por soberania
Eduardo
Bolsonaro usa a estrutura pública (gabinete, verba, cargo, proteção) para minar
as instituições que jurou defender. E o faz com orgulho. Exibe suas
articulações com membros da extrema-direita norte-americana, festeja toda
retaliação estrangeira ao Brasil e ataca, de fora, os pilares da democracia
brasileira.
O
Brasil vive hoje um paradoxo. Um deputado federal age abertamente como um
sabotador do Estado de Direito — e continua no cargo.
Na
prática, Eduardo incitou golpe militar; defendeu medidas de exceção; atacou
sistematicamente o STF e o TSE; colaborou com congressistas estrangeiros contra
autoridades nacionais; sugeriu, publicamente, intervenção armada dos EUA em
Brasília; celebrou sanções contra o país como "vingança pessoal".
Tudo
isso representa uma violação frontal do decoro parlamentar, do dever de
lealdade à Constituição e dos princípios da soberania nacional.
Eduardo
Bolsonaro não pode mais ser tratado como “polêmico”, “irreverente” ou
“radical”. Sua trajetória pública configura um caso exemplar de crime político.
Um caso de deslealdade constitucional, quebra de decoro, crime de traição,
segundo a lógica da Lei de Segurança Nacional e da nova Lei dos Crimes contra o
Estado Democrático de Direito.
Se o
Congresso Nacional for minimamente coerente com seus compromissos
institucionais, deve abrir processo de cassação do mandato de Eduardo
Bolsonaro. O Ministério Público Federal, por sua vez, deve abrir investigação
formal sobre os indícios de colaboração estrangeira contra o país.
Porque
o que está em jogo não é apenas a conduta de um deputado. É a preservação da
democracia brasileira diante de um de seus mais perigosos inimigos: aqueles que
operam de dentro.
• STF não se dobra a ameaças, diz Moraes
após sanções dos EUA
O
ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes classificou nesta
sexta-feira (01/08) como "covarde, traiçoeira e criminosa" a
articulação de brasileiros nos EUA por sanções contra o Brasil e os ministros
da Corte em prol do ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Temos
[...] diversas condutas dolosas, conscientes, de uma verdadeira organização
criminosa que de forma jamais anteriormente vista em nosso país age de maneira
covarde e traiçoeira com a finalidade de submeter o funcionamento deste STF ao
crivo de um Estado estrangeiro", disse ele durante a reabertura dos
trabalhos da Corte após o recesso.
Moraes
também afirmou que vai "ignorar" as sanções da Casa Branca que o
atingiram individualmente e "continuar trabalhando".
Esta é
a primeira vez que Moraes responde publicamente à pressão imposta pela Casa
Branca contra o processo no qual Bolsonaro é réu acusado de tentar dar um golpe
de Estado.
Um dos
filhos do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, lidera o lobby
bolsonarista nos EUA pela aplicação de barreiras tarifárias contra o Brasil e
pelo enquadramento do ministro na Lei Magnitsky, que o impediu de entrar ou
realizar transações financeiras em território americano.
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Para Moraes, atuação nos EUA é "miliciana"
Sem
citar Eduardo nominalmente, Moraes chamou a atuação de brasileiros no exterior
de "miliciana" e a classificou como uma tentativa
"tirânica" de criar impunidade e interferir no julgamento da trama
golpista.
"Atuam
por meio de atos hostis, mentirosos, derivados de negociações espúrias e
criminosas com a patente finalidade de obstrução da Justiça [...], gerando
reflexos nocivos à economia e à sociedade brasileira. É uma verdadeira traição
à pátria", continuou o ministro.
Para o
magistrado, os envolvidos confessam de forma "flagrante" os crimes de
coação, obstrução de investigação e atentado à soberania nacional ao vincularem
nas redes sociais a suspensão das sanções a uma anistia aos envolvidos na trama
golpista.
Moraes
citou, como exemplo, a declaração de Eduardo Bolsonaro contra os presidentes da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, indicando que ambos seriam alvo de
sanções econômicas se não pusessem em votação um projeto de lei que anistiaria
os réus.
"Fazem
isso diariamente nas redes sociais ameaçando as famílias dos ministros do STF,
do Procurador-Geral da República, em uma atitude costumeiramente afeta a
milicianos do submundo do crime. [...] Esta Corte, a PGR e a Polícia Federal
não se vergarão a essas ameaças."
Eduardo
Bolsonaro é diretamente investigado por suspeita de coação. O ex-presidente
também cumpre medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, pelo
risco de obstrução da Justiça.
"Ao
fazerem as postagens, dizem ainda há tempo caso você aceite a torpe coação.
Acham que estão lidando com pessoas da laia deles, com milicianos, mas não
estão. Estão lidando com ministros da Suprema Corte brasileira",
argumentou, prometendo a responsabilização integral da "organização
criminosa".
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Prenúncio de nova tentativa de golpe
Moraes
criticou como "patética" a tentativa de favorecer os acusados da
trama golpista. Ele defendeu que o processo penal corre de forma transparente,
com a oitiva de 31 réus, 149 testemunhas de defesa e compartilhamento das peças
com quase 100 advogados.
Ao
descrever o lobby bolsonarista por sanções dos EUA ao governo e a autoridades
brasileiras, Moraes comparou-o às ações que levaram à invasão da Praça dos Três
Poderes, sugerindo que nos dois casos o objetivo era gerar uma "comoção
nacional" que possibilitasse o golpe.
"O
modus operandi golpista é o mesmo", disse o ministro. "O incentivo à
taxação do Brasil, o incentivo à crise econômica, que gera crise social e
política para que novamente haja instabilidade social e possibilidade de um
novo ataque golpista."
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Gilmar Mendes defende Moraes
Durante
a abertura dos trabalhos, outros magistrados também se manifestaram. O ministro
Gilmar Mendes, por exemplo, saiu em defesa de Moraes, também chamou a
articulação bolsonarista nos EUA de "covarde" e disse que o STF
"não se dobra a intimidações".
"Aos
propagadores da instabilidade e do caos, [...] que se autointitulam patriotas
mas que trabalham abertamente contra os interesses de seu próprio país, não
tenham dúvida de que seus atos criminosos [...] receberão uma resposta à altura
por parte do Estado brasileiro", disse.
Segundo
Moraes, relator do processo contra Bolsonaro, as ações penais dos quatro
principais núcleos da trama golpistas devem ser julgadas ainda neste ano.
Embora
tenha denunciado uma suposta "caça às bruxas" contra Bolsonaro, esse
não foi o único motivo que levou a Casa Branca a sancionar Moraes e as
exportações brasileiras: os EUA também estão insastisfeitos com ordens
judiciais que restringem a atuação de plataformas americanas, supostas
"práticas desleais" e o não alinhamento do Brasil à agenda
geopolítica de Donald Trump.
Fonte:
Brasil 247/DW Brasil

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