sexta-feira, 10 de abril de 2026

Venezuela: Delcy Rodríguez mobiliza país pelo fim do bloqueio e condiciona reformas à recuperação de ativos

presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, emitiu na quarta-feira (08/04) uma mensagem a nível nacional, do Palácio de Miraflores, durante a qual convocou uma “Grande Peregrinação” – uma mobilização que visa unificar a voz da população para exigir o fim definitivo das medidas coercitivas unilaterais, incluindo bloqueio econômico e sanções, impostas pelo governo dos Estados Unidos.

“Convoco uma Grande Peregrinação para o fim das sanções contra a Venezuela de 19 de abril a 1º de maio. Todos os setores econômico, político e social, unamos nossas vozes em um único clamor”, disse a mandatária em exercício. “Vamos aprender a dialogar e levar a Venezuela rumo ao futuro de prosperidade que nos pertence”.

Em seu discurso, Rodríguez prometeu que em 1º de maio haverá um aumento na renda dos trabalhadores, enfatizando que será um reajuste “responsável e sustentável” para evitar repetir esquemas anteriores que geraram hiperinflação. De acordo com dados apresentados no discurso, entre 2017 e 2019 os aumentos nominais totalizaram 36.911.165%, mas a inflação atingiu 62.000.000%.

Anunciou a instalação da Comissão para o Diálogo Trabalhista, que integrará a Assembleia Constituinte do Trabalho e da Previdência Social. Composto pelo Estado, setor privado, trabalhadores e aposentados, o órgão tem como objetivo redesenhar um sistema de proteção social.

Rodríguez alertou sobre a fragilidade do modelo atual de pensões, diretamente afetado pelo bloqueio norte-americano, e explicou que o governo atualmente financia 91% das pensões, em comparação com uma contribuição de apenas 9% do setor privado. Segundo ela, a Venezuela tem mais aposentados do que contribuintes ativos, e se dependesse do modelo atual, seriam necessários cerca de 38 milhões de trabalhadores ativos para sustentar o sistema de pagamento.

A presidente interina também ordenou o Ministério do Trabalho a formalizar o setor trabalhista para evitar determinados problemas, tais como violações no horário de expediente e nas férias, e aspectos que precisam ser corrigidos para preservar o poder de compra e garantir a possibilidade de futuras pensões.

Em sua exposição, exigiu ao governo que o sistema de proteção social prestasse a máxima atenção aos idosos em saúde, alimentação e lazer., além de ordenar a Assembleia Nacional que reformasse as leis do mercado imobiliário para liberar 500 mil casas em favor dos jovens.

Caso os Estados Unidos suspendam o bloqueio histórico contra a Venezuela, Rodríguez assegurou que os ativos se dirigiriam à promoção da indústria de hidrocarbonetos, a reabilitação dos serviços básicos – como água, eletricidade e gás – e a melhoria salarial para a classe trabalhadora.

“A recuperação dos ativos e recursos bloqueados no exterior, que pertencem ao povo venezuelano, será imediatamente usada para impulsionar a produção e a infraestrutura básica”, disse.

<><> Balanço econômico

Delcy Rodríguez enfatizou que, após sete anos de contração do Produto Interno Bruto (PIB) e hiperinflação, graças ao Programa de Recuperação Econômica, o país tem 20 trimestres de crescimento sustentado e uma recuperação gradual da renda que atingiu 190 dólares (968 reais, aproximadamente) em março de 2026.

Ele também incentivou a criação do Conselho Nacional de Economia para projetar um novo modelo tributário, além de promulgar a Lei Orgânica para a Rapidez e Otimização dos Procedimentos Administrativos, com o objetivo de digitalizar e profissionalizar a institucionalidade do Estado.

<><> Presidente interina da Venezuela promete aumento de salários

A presidente interina da VenezuelaDelcy Rodríguez, prometeu um "aumento responsável" dos salários, corroídos por anos de inflação e pelo colapso da economia ao longo da última década. 

"Anuncio que, no dia 1º de maio, nós implementaremos um aumento e que esse aumento, tal como indicamos, será um aumento responsável", declarou Rodríguez nesta quarta-feira (08/04) durante um discurso na televisão estatal, sem dar detalhes. 

O salário mínimo na Venezuela é equivalente a 0,27 centavos de dólar por hora (R$ 1,38), e a inflação anual foi de mais de 600%.

Os salários de venezuelanos podem chegar a 150 dólares (R$ 766) por mês, se considerados bônus estatais, mas isso não cobre sequer uma fração dos gastos com alimentação de uma família, estimados em 645 dólares.

Rodríguez também anunciou a criação de uma comissão para o "diálogo laboral", reagindo a protestos de trabalhadores que exigem aumentos salariais. 

O pronunciamento foi feito na véspera de uma marcha convocada por sindicalistas até a sede do Executivo, no centro de Caracas, para exigir respostas às reivindicações.  

<><> Mudanças na economia venezuelana

Em seu pronunciamento, Rodríguez elencou uma série de medidas para dinamizar a economia do país, que incluem a revisão do modelo chavista, com a promessa de um diálogo social, aumentos salariais, reformas fiscais e alterações à legislação imobiliária. 

A presidente interina não definiu ações concretas, mas falou em corrigir e não repetir "erros do passado".  O discurso, que durou quase meia hora, chegou a ser perturbado brevemente devido a uma queda de energia.

Rodríguez ordenou também a criação de uma comissão para a avaliação "estratégica" dos ativos do país — à exceção da indústria petrolífera —, formada por representantes do Estado, do empresariado e dos trabalhadores.  

Caso se concretize "a recuperação dos ativos" da Venezuela "bloqueados no estrangeiro" no âmbito das sanções de que o país é alvo, esses recursos serão destinados "imediatamente" a garantir o aumento salarial e à "reabilitação das infraestruturas básicas", como as de fornecimento de eletricidade e água, estradas, escolas e hospitais, disse a presidente interina. 

Rodríguez assumiu o comando da Venezuela interinamente desde a captura de Nicolás Maduro por forças americanas, em 3 de janeiro.

Ela governa sob pressão do presidente americano Donald Trump, que afirmou estar "no comando" do país e da venda de petróleo venezuelano.

<><> Trump diz ser político 'mais popular na Venezuela' e que se candidatará à Presidência do país

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em coletiva na Casa Branca que é “mais popular do que qualquer outro político na Venezuela”, acrescentando que o governo entregou “100 milhões de barris de petróleo” após a operação militar que sequestrou o presidente Nicolás Maduro e a deputada e primeira-dama Cilia Flores em 3 de janeiro.

“Estou à frente de todos nas pesquisas na Venezuela. Quando eu terminar isto, poderei ir à Venezuela. Vou me candidatar à presidência”, disse o republicano nesta segunda-feira (06/04).

Ele também disse que irá aprender espanhol “rapidamente”. “Não levará muito tempo. Sou bom com idiomas e irei para a Venezuela”, disse. No entanto, reiterou elogios à presidente interina, Delcy Rodríguez: “Estamos muito felizes com a presidente eleita que temos agora.”

O líder da Casa Branca comparou a situação venezuelana ao governo iraniano na guerra que, em conjunto com Israel, iniciou no Oriente Médio em 28 de fevereiro. Segundo ele, as lideranças de Teerã são “fanáticas”, comparando-as às de Caracas, e sugeriu que Teerã poderá ter um desfecho parecido.

Descreveu o conflito contra o país bolivariano como tendo “terminado em 45 minutos” e vangloriou-se de que os Estados Unidos já haviam tomado centenas de milhões de barris de petróleo do país. “Temos um parceiro na Venezuela. Mais de 100 milhões de barris já estão em Houston“, pontuou Trump. Esse petróleo venezuelano “pagou, com sobra, essa guerra”, referiu-se à operação militar.

Embora o presidente dos EUA tenha se colocado à disposição para aprender a língua, no mês passado ele disse a líderes latino-americanos na cúpula inaugural do Escudo das Américas que não aprenderia um novo idioma.

Nos últimos meses, os Estados Unidos reduziram diversas sanções contra a Venezuela, especialmente as que atingiam o setor energético, assim como passaram a reconhecer Delcy Rodríguez como mandatária no país.

¨      Petro denuncia vínculo entre extrema direita e empresa que apura votos na Colômbia

Em declaração feita nesta terça-feira (07/04), o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou temer a possibilidade de uma tentativa de fraude eleitoral nas eleições presidenciais do país, que acontecerão entre maio e junho deste ano.

Segundo o mandatário, as dúvidas sobre os resultados eleitorais são fruto da descoberta de supostos vínculos contratuais entre o candidato Abelardo de la Espriella, da coalizão ultraliberal Movimento Defensores da Pátria, e a empresa Thomas Greg & Sons, responsável pela logística eleitoral e por administrar o sistema de apuração preliminar dos votos – a chamada “contagem rápida” ou “pré-contagem”.

Tais vínculos ligariam a empresa Thomas Greg & Sons e o escritório De La Espriella Lawyers Enterprise, liderado pelo advogado e presidenciável de extrema direita – que já afirmou, em discurso recente, ser o “Javier Milei colombiano”.

Em mensagem nas redes sociais, Petro afirmou ser “uma questão delicada para um candidato estabelecer laços com o proprietário privado do software de contagem eleitoral, cuja substituição por um sistema público e robusto foi determinada pelo Tribunal Administrativo há oito anos”.

A declaração faz menção a uma recomendação feita por uma auditoria promovida pelo Poder Judiciário colombiano. Na ocasião, os técnicos defenderam a substituição do atual sistema de pré-contagem eleitoral provido pela Thomas Greg & Sons por um sistema público, mas a determinação não foi colocada em prática pelos organismos eleitorais responsáveis.

A publicação de Petro no X incluiu um link para um vídeo onde o ex-magistrado Jaime Arrubla, ex-presidente da Corte Suprema de Justiça da Colômbia, critica a relação entre De la Espriella e a empresa Thomas Greg & Sons.

“Essa empresa contratada que presta o serviço logístico a todo o sistema eleitoral precisa ter confiabilidade e não pode ter relações com nenhum dos candidatos”, comentou o ex-juiz, durante um programa de televisão, ao ser perguntado por uma jornalista sobre a gravidade da relação entre De la Espriella e Thomas Greg & Sons.

<><> Datas e pesquisas

As eleições presidenciais na Colômbia terão seu primeiro turno no próximo dia 31 de maio. Caso seja necessário um segundo turno, ele acontecerá no dia 21 de junho, segundo o calendário estabelecido pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país.

As pesquisas mais recentes indicam que, no primeiro turno, o favoritismo é do candidato Iván Cepeda, representante da coalizão de centro-esquerda Pacto Histórico, que defende o projeto do presidente Petro – que não pode concorrer à reeleição.

Nas sondagens feitas durante o mês de março, ele aparece liderando com percentuais que variam entre 34,5% e 40,9%, dependendo o instituto.

A segunda colocação está em disputa entre duas candidaturas de extrema direita, e a encabeçada por Abelardo de la Espriella é uma delas.

O ultraliberal aparece com índice de intenção de votos variando entre 15,4% e 21,1%, dependendo do instituto, enquanto Paloma Valencia, do partido Centro Democrático – sigla do ex-presidente extremista Álvaro Uribe (2002-2010) – flutua no mesmo patamar, com índices entre 16,1% e 22,2%. Ambos se alternam entre a segunda e a terceira posição, dependendo da medição.

¨      Petro anuncia concessão de terras a 1,3 mil famílias indígenas na Colômbia

O governo da Colômbia anunciou nesta segunda-feira (06/04) que cerca de 1.300 famílias indígenas serão beneficiadas com a entrega e a expansão de 126 mil hectares de terra nas regiões da Amazônia e da costa do Pacífico.

Segundo a Agência Nacional de Terras (ANT), a medida inclui a criação da reserva indígena San Juan de Minisiare, localizado entre os departamentos de Guainía e Vichada, bem como a ampliação das reservas El Itilla, em Guaviare, e Gran Sábalo, em Nariño.

A reserva San Juan de Minisiare será constituída em uma área de mais de 33 mil hectares. Já o território de Itilla passará por expansão, somando-se a uma área formalizada de 8.720 hectares, beneficiando 42 famílias de povos indígenas da família Tukano Oriental.

Da mesma forma, a reserva Gran Sábalo terá o acréscimo de 174 hectares a um território já formalizado de mais de 56 mil hectares, beneficiando 275 famílias do povo Awá.

As medidas foram adotadas em resposta a demandas das comunidades, com o objetivo de fortalecer o controle territorial dos povos indígenas, conter a expansão da fronteira agrícola e consolidar processos de restauração e conservação ambiental liderados por essas populações.

Além disso, as ações fazem parte da política do governo do presidente colombiano Gustavo Petro, que busca devolver terras à população como parte da implementação dos Acordo de Paz assinados em 2017, e que estabelecem tais políticas como forma de promover justiça social e reparação às vítimas da espoliação histórica associada ao período colonial. A iniciativa também se insere no âmbito do programa de reforma agrária.

Como parte dessas medidas, o governo tem promovido a recuperação de sementes nativas, além da implementação da Política Nacional de Agroecologia, em coordenação com comitês consultivos que incluem agricultores, povos indígenas e comunidades afro-colombianas.

Essas ações se apresentam como instrumentos para enfrentar a desigualdade e a violência no campo.

 

Fonte: Opera Mundi

 

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