Venezuela:
Delcy Rodríguez mobiliza país pelo fim do bloqueio e condiciona reformas à
recuperação de ativos
A presidente interina da Venezuela,
Delcy Rodríguez,
emitiu na quarta-feira (08/04) uma mensagem a nível nacional, do Palácio de
Miraflores, durante a qual convocou uma “Grande Peregrinação” – uma mobilização
que visa unificar a voz da população para exigir o fim definitivo das medidas
coercitivas unilaterais, incluindo bloqueio econômico e sanções, impostas
pelo governo dos Estados Unidos.
“Convoco
uma Grande Peregrinação para o fim das sanções contra a Venezuela de 19 de
abril a 1º de maio. Todos os setores econômico, político e social, unamos
nossas vozes em um único clamor”, disse a mandatária em exercício. “Vamos
aprender a dialogar e levar a Venezuela rumo ao futuro de prosperidade que nos
pertence”.
Em seu
discurso, Rodríguez prometeu que em 1º de maio haverá um aumento na renda dos
trabalhadores, enfatizando que será um reajuste “responsável e sustentável”
para evitar repetir esquemas anteriores que geraram hiperinflação. De acordo
com dados apresentados no discurso, entre 2017 e 2019 os aumentos nominais
totalizaram 36.911.165%, mas a inflação atingiu 62.000.000%.
Anunciou
a instalação da Comissão para o Diálogo Trabalhista, que integrará a Assembleia
Constituinte do Trabalho e da Previdência Social. Composto pelo Estado, setor
privado, trabalhadores e aposentados, o órgão tem como objetivo redesenhar um
sistema de proteção social.
Rodríguez
alertou sobre a fragilidade do modelo atual de pensões, diretamente afetado
pelo bloqueio norte-americano, e explicou que o governo atualmente
financia 91% das pensões, em comparação com uma contribuição de apenas 9% do
setor privado. Segundo ela, a Venezuela tem mais aposentados do que
contribuintes ativos, e se dependesse do modelo atual, seriam necessários cerca
de 38 milhões de trabalhadores ativos para sustentar o sistema de pagamento.
A
presidente interina também ordenou o Ministério do Trabalho a formalizar o
setor trabalhista para evitar determinados problemas, tais como violações no
horário de expediente e nas férias, e aspectos que precisam ser corrigidos para
preservar o poder de compra e garantir a possibilidade de futuras pensões.
Em sua
exposição, exigiu ao governo que o sistema de proteção social prestasse a
máxima atenção aos idosos em saúde, alimentação e lazer., além de ordenar a
Assembleia Nacional que reformasse as leis do mercado imobiliário para liberar
500 mil casas em favor dos jovens.
Caso os
Estados Unidos suspendam o bloqueio histórico contra a Venezuela, Rodríguez
assegurou que os ativos se dirigiriam à promoção da indústria de
hidrocarbonetos, a reabilitação dos serviços básicos – como água, eletricidade
e gás – e a melhoria salarial para a classe trabalhadora.
“A
recuperação dos ativos e recursos bloqueados no exterior, que pertencem ao povo
venezuelano, será imediatamente usada para impulsionar a produção e a
infraestrutura básica”, disse.
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Balanço econômico
Delcy
Rodríguez enfatizou que, após sete anos de contração do Produto Interno Bruto
(PIB) e hiperinflação, graças ao Programa de Recuperação Econômica, o país tem
20 trimestres de crescimento sustentado e uma recuperação gradual da renda que
atingiu 190 dólares (968 reais, aproximadamente) em março de 2026.
Ele
também incentivou a criação do Conselho Nacional de Economia para projetar um
novo modelo tributário, além de promulgar a Lei Orgânica para a Rapidez e
Otimização dos Procedimentos Administrativos, com o objetivo de digitalizar e
profissionalizar a institucionalidade do Estado.
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Presidente interina da Venezuela promete aumento de salários
A
presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, prometeu um
"aumento responsável" dos salários, corroídos por anos de inflação e
pelo colapso da economia ao longo da última década.
"Anuncio
que, no dia 1º de maio, nós implementaremos um aumento e que esse aumento, tal
como indicamos, será um aumento responsável", declarou Rodríguez nesta
quarta-feira (08/04) durante um discurso na televisão estatal, sem dar
detalhes.
O
salário mínimo na Venezuela é equivalente a 0,27 centavos de dólar por hora (R$
1,38), e a inflação anual foi de mais de 600%.
Os
salários de venezuelanos podem chegar a 150 dólares (R$ 766) por mês, se
considerados bônus estatais, mas isso não cobre sequer uma fração dos gastos
com alimentação de uma família, estimados em 645 dólares.
Rodríguez
também anunciou a criação de uma comissão para o "diálogo laboral",
reagindo a protestos de trabalhadores que exigem aumentos salariais.
O
pronunciamento foi feito na véspera de uma marcha convocada por sindicalistas
até a sede do Executivo, no centro de Caracas, para exigir respostas às
reivindicações.
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Mudanças na economia venezuelana
Em seu
pronunciamento, Rodríguez elencou uma série de medidas para dinamizar a
economia do país, que incluem a revisão do modelo chavista, com a promessa de
um diálogo social, aumentos salariais, reformas fiscais e alterações à
legislação imobiliária.
A
presidente interina não definiu ações concretas, mas falou em corrigir e não
repetir "erros do passado". O discurso, que durou quase meia
hora, chegou a ser perturbado brevemente devido a uma queda de energia.
Rodríguez ordenou
também a criação de uma comissão para a avaliação "estratégica" dos
ativos do país — à exceção da indústria petrolífera —, formada por
representantes do Estado, do empresariado e dos trabalhadores.
Caso se
concretize "a recuperação dos ativos" da Venezuela "bloqueados
no estrangeiro" no âmbito das sanções de que o país é alvo, esses recursos
serão destinados "imediatamente" a garantir o aumento salarial e à
"reabilitação das infraestruturas básicas", como as de fornecimento
de eletricidade e água, estradas, escolas e hospitais, disse a presidente
interina.
Rodríguez assumiu o comando da Venezuela interinamente
desde a captura de Nicolás Maduro por forças
americanas, em 3 de janeiro.
Ela
governa sob pressão do presidente americano Donald Trump, que afirmou
estar "no comando" do país e da
venda de petróleo venezuelano.
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Trump diz ser político 'mais popular na Venezuela' e que se candidatará à
Presidência do país
O presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, declarou em coletiva na Casa Branca que é
“mais popular do que qualquer outro político na Venezuela”, acrescentando que o
governo entregou “100 milhões de barris de petróleo” após a operação militar que
sequestrou o presidente Nicolás Maduro e a deputada e primeira-dama Cilia
Flores em 3 de janeiro.
“Estou
à frente de todos nas pesquisas na Venezuela. Quando eu terminar isto, poderei
ir à Venezuela. Vou me candidatar à presidência”, disse o republicano nesta
segunda-feira (06/04).
Ele
também disse que irá aprender espanhol “rapidamente”. “Não levará muito tempo.
Sou bom com idiomas e irei para a Venezuela”, disse. No entanto, reiterou
elogios à presidente interina,
Delcy Rodríguez:
“Estamos muito felizes com a presidente eleita que temos agora.”
O líder
da Casa Branca comparou a situação venezuelana ao governo iraniano na guerra que, em
conjunto com Israel, iniciou no Oriente Médio em 28 de fevereiro.
Segundo ele, as lideranças de Teerã são “fanáticas”, comparando-as às de
Caracas, e sugeriu que Teerã poderá ter um desfecho parecido.
Descreveu
o conflito contra o país bolivariano como tendo “terminado em 45 minutos” e
vangloriou-se de que os Estados Unidos já haviam tomado centenas de milhões de
barris de petróleo do país. “Temos um parceiro na Venezuela. Mais de 100 milhões
de barris já estão em Houston“, pontuou Trump. Esse petróleo venezuelano
“pagou, com sobra, essa guerra”, referiu-se à operação militar.
Embora
o presidente dos EUA tenha se colocado à disposição para aprender a língua, no
mês passado ele disse a líderes latino-americanos na cúpula inaugural do
Escudo das Américas que
não aprenderia um novo idioma.
Nos
últimos meses, os Estados Unidos reduziram diversas
sanções contra a Venezuela, especialmente as que atingiam o setor energético, assim como passaram
a reconhecer Delcy
Rodríguez como mandatária no país.
¨ Petro denuncia
vínculo entre extrema direita e empresa que apura votos na Colômbia
Em
declaração feita nesta terça-feira (07/04), o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou temer a
possibilidade de uma tentativa de fraude eleitoral nas eleições presidenciais do país, que acontecerão
entre maio e junho deste ano.
Segundo
o mandatário, as dúvidas sobre os resultados eleitorais são fruto da descoberta
de supostos vínculos contratuais entre o candidato Abelardo de la Espriella, da
coalizão ultraliberal Movimento Defensores da Pátria, e a empresa Thomas Greg
& Sons, responsável pela logística eleitoral e por administrar o sistema de
apuração preliminar dos votos – a chamada “contagem rápida” ou “pré-contagem”.
Tais
vínculos ligariam a empresa Thomas Greg & Sons e o escritório De La
Espriella Lawyers Enterprise, liderado pelo advogado e presidenciável de
extrema direita – que já afirmou, em discurso recente, ser o “Javier Milei
colombiano”.
Em
mensagem nas redes sociais, Petro afirmou ser “uma questão delicada para um
candidato estabelecer laços com o proprietário privado do software de contagem
eleitoral, cuja substituição por um sistema público e robusto foi determinada
pelo Tribunal Administrativo há oito anos”.
A
declaração faz menção a uma recomendação feita por uma auditoria promovida pelo
Poder Judiciário colombiano. Na ocasião, os técnicos defenderam a substituição
do atual sistema de pré-contagem eleitoral provido pela Thomas Greg & Sons
por um sistema público, mas a determinação não foi colocada em prática pelos
organismos eleitorais responsáveis.
A
publicação de Petro no X incluiu um link para um vídeo onde o ex-magistrado
Jaime Arrubla, ex-presidente da Corte Suprema de Justiça da Colômbia, critica a
relação entre De la Espriella e a empresa Thomas Greg & Sons.
“Essa
empresa contratada que presta o serviço logístico a todo o sistema eleitoral
precisa ter confiabilidade e não pode ter relações com nenhum dos candidatos”,
comentou o ex-juiz, durante um programa de televisão, ao ser perguntado por uma
jornalista sobre a gravidade da relação entre De la Espriella e Thomas Greg
& Sons.
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Datas e pesquisas
As
eleições presidenciais na Colômbia terão seu primeiro turno no próximo dia 31
de maio. Caso seja necessário um segundo turno, ele acontecerá no dia 21 de
junho, segundo o calendário estabelecido pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE)
do país.
As
pesquisas mais recentes indicam que, no primeiro turno, o favoritismo é
do candidato Iván Cepeda, representante da
coalizão de centro-esquerda Pacto Histórico, que defende o projeto do
presidente Petro – que não pode concorrer à reeleição.
Nas
sondagens feitas durante o mês de março, ele aparece liderando com percentuais
que variam entre 34,5% e 40,9%, dependendo o instituto.
A
segunda colocação está em disputa entre duas candidaturas de extrema direita, e
a encabeçada por Abelardo de la Espriella é uma delas.
O
ultraliberal aparece com índice de intenção de votos variando entre 15,4% e
21,1%, dependendo do instituto, enquanto Paloma Valencia, do partido Centro
Democrático – sigla do ex-presidente extremista Álvaro Uribe (2002-2010) –
flutua no mesmo patamar, com índices entre 16,1% e 22,2%. Ambos se alternam
entre a segunda e a terceira posição, dependendo da medição.
¨ Petro anuncia
concessão de terras a 1,3 mil famílias indígenas na Colômbia
O governo da Colômbia anunciou nesta
segunda-feira (06/04) que cerca de 1.300 famílias indígenas serão beneficiadas
com a entrega e a expansão de 126 mil hectares de terra nas regiões da Amazônia
e da costa do Pacífico.
Segundo
a Agência Nacional de Terras (ANT), a medida inclui a criação
da reserva indígena San Juan de Minisiare, localizado entre os departamentos de
Guainía e Vichada, bem como a ampliação das reservas El Itilla, em Guaviare, e
Gran Sábalo, em Nariño.
A
reserva San Juan de Minisiare será constituída em uma área de mais de 33
mil hectares.
Já o território de Itilla passará por expansão, somando-se a uma área
formalizada de 8.720 hectares, beneficiando 42 famílias de povos indígenas da
família Tukano Oriental.
Da
mesma forma, a reserva Gran Sábalo terá o acréscimo de 174 hectares a um
território já formalizado de mais de 56 mil hectares, beneficiando 275 famílias
do povo Awá.
As
medidas foram adotadas em resposta a demandas das comunidades, com o objetivo
de fortalecer o controle territorial dos povos indígenas, conter a expansão da
fronteira agrícola e consolidar processos de restauração e conservação
ambiental liderados por essas populações.
Além
disso, as ações fazem parte da política do governo do presidente
colombiano Gustavo Petro, que busca devolver terras à população como
parte da implementação dos Acordo de Paz assinados em 2017, e que estabelecem
tais políticas como forma de promover justiça social e reparação às vítimas da
espoliação histórica associada ao período colonial. A iniciativa também se
insere no âmbito do programa de reforma agrária.
Como
parte dessas medidas, o governo tem promovido a recuperação de sementes
nativas, além da implementação da Política Nacional de
Agroecologia,
em coordenação com comitês consultivos que incluem agricultores, povos
indígenas e comunidades afro-colombianas.
Essas
ações se apresentam como instrumentos para enfrentar a desigualdade e a
violência no campo.
Fonte:
Opera Mundi

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