quinta-feira, 9 de abril de 2026

Ricardo Nêggo Tom: Neymar e o machismo perna de pau

Era setembro de 2010, quando o técnico Renê Simões – então treinador do Atlético-GO - proferiu a frase mais significativa do futebol brasileiro nos últimos trinta anos: “Nós estamos criando um monstro”. A manifestação do experiente profissional do futebol foi motivada por atitudes mimadas e desrespeitosas de um menino de 18 anos, que despontava como a grande promessa do futebol brasileiro. Naquele jogo, Neymar havia sido impedido por Dorival Júnior – então técnico do Santos – de cobrar um pênalti, e reagiu de forma absurdamente mal educada à decisão do comandante santista. Na oportunidade, Renê Simões disparou: “Eu estou no futebol desde garoto, e poucas vezes vi alguém tão mal educado desportivamente como esse rapaz Neymar. Eu trabalhei muito com jovens, venho a minha vida toda acompanhando, e acho que está na hora de alguém educar esse rapaz ou nós vamos criar um monstro. Nós estamos criando um monstro no futebol brasileiro”

Após 16 anos da polêmica declaração, vimos que o vaticínio de Renê se materializou. Ninguém se propôs a “educar” aquele rapaz, pelo contrário, o seu entorno, sempre composto por “parças” e “baba ovos” de plantão – incluindo jornalistas esportivos – cuidou para que a profecia de Simões se concretizasse e o futebol brasileiro ficasse refém de um craque mimado, sem limites, e sem o perfil de ídolo do esporte mais amado no país. De 15 de setembro de 2010 a 02 de abril de 2026, nada mudou no comportamento mal educado de Neymar. Na última data, ao sair de campo após a vitória do Santos sobre o Remo, na Vila Belmiro, o eterno menino mostrou toda a sua falta de educação ao disparar contra o árbitro e dizer – em meio a gargalhadas – que o juiz “acordou de chico e veio pro jogo”. Aos 34 anos de idade, Neymar segue se comportando como o mesmo moleque de 18 que mandou Dorival Júnior ir “tomar suco de caju”, ao ter a sua vontade contrariada.

Além de mal educada desportivamente, a fala de Neymar é ofensiva às mulheres, reforça estigmas de inferioridade e desequilíbrio emocional feminino e bota mais lenha na fogueira do debate sobre misoginia na nossa sociedade. No país onde o feminicídio mata, em média, 4 mulheres por dia, aquele, que para muitos, é o maior craque do futebol brasileiro, contribui ainda mais para a discriminação de gênero e para a associação da natureza feminina a algo negativo. Essa declaração, entre outras, tão desastrosas quanto, não teria sido dada se o “profeta” Renê Simões tivesse sido ouvido, e os responsáveis por educá-lo – social e desportivamente – tivessem cumprido com a sua obrigação. Inevitável não citar a “ideologia” política que Neymar professa, e que potencializa seu caráter e personalidade, cada vez mais alinhados com discursos que vão de encontro à evolução da sociedade e a eliminação de preconceitos dentro dela. Sobretudo, do machismo e da misoginia, os principais instrumentos de violência contra as mulheres.

Em um vídeo publicado em suas redes sociais, o menino Ney - o jogador que muitos ainda estão pedindo a sua convocação para a copa - "desabafa" que não é tratado como um ser humano normal, que é perseguido pelo que faz nos seus dias de folga e pergunta para o trabalhador brasileiro: “Você trabalha nos seus dias de folga?”. A alienação social de Neymar chega a ser ridícula. Tanto, que ele desconhece que a maioria dos brasileiros que não nasceram com o seu dom para jogar futebol, precisa fazer "bico", freela, extra, uber, criar conteúdo nas redes, e se virar de outras formas possíveis para complementar a sua renda. E o faz, sim, em dias de folga, menino Ney. Porque nem todo mundo ganha R$ 27 milhões por mês, e pode desfrutar de sua folga jogando pôquer por 16 horas como você faz. Falta consciência social e maturidade a um Neymar que ainda fala com voz e trejeitos de adolescente, e se percebe como uma “Alice no país das maravilhas”, onde a média salarial da população é menor do que dois salários mínimos. Uma quantia que Neymar deve gastar diariamente em doces para manter acesa a chama da infantilidade dentro de si.

No mesmo vídeo, Neymar também reclama que não teve infância, nem adolescência, e que enquanto os outros garotos da sua idade se divertiam, ele estava treinando ou descansando para treinar no dia seguinte. Esqueceu de falar que aos 13 anos, seu pai recebeu R$ 1 milhão do presidente do Santos, Marcelo Teixeira, para manter o garoto no clube e não o negociar para a Europa. Uma vez que o poderoso Real Madrid já despertava interesse pela jovem promessa. Aos 14 anos, ele assinou seu primeiro contrato com o clube, onde recebia R$ 8 mil mensais e mais R$ 800 mil de luvas, em duas parcelas de R$ 400mil. Com 16 anos, Neymar passou a receber R$ 20 mil mensais. Com 17 anos, já nos profissionais, seu salário foi reajustado para R$ 30 mil mensais, fora outras premiações que recebia. É sério que Neymar quer ser visto como normal, numa sociedade onde a maioria dos adolescentes não têm sequer educação pública de qualidade e alimentação digna?

Para piorar, ele evoca o mito da meritocracia ao dizer no vídeo que: "Eu me esforcei para isso", justificando suas conquistas pessoais em detrimento do esforço descomunal que a maioria esmagadora do povo brasileiro faz para sobreviver. É a difusão do discurso neoliberal de que se você é pobre, é porque não se esforçou o suficiente, e que se a prosperidade e o sucesso ainda não bateram na sua porta, a culpa é toda sua. Mesmo que a estrutura da sociedade tenha sido planejada para abrigar com dignidade a poucos, e manter esses poucos e seus descendentes sob privilégios. Para a tristeza de Neymar, o técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, também está evocando a meritocracia ao não convocá-lo, e impondo limites às vontades de alguém que acha que pode tudo. No entanto, mesmo não jogando com sequência há uns quatro anos, Neymar acredita que pode ser o craque do time na copa do mundo. Talvez, para fazer em campo as "coisas normais" que gosta de fazer fora dele.

•        Neymar é criticado após fala misógina

A atuação de Neymar na vitória do Santos por 2 a 0 sobre o Remo, nesta quinta-feira (3), acabou ofuscada por uma declaração polêmica do atacante após a partida, quando criticou a arbitragem e afirmou que a decisão foi tomada por o árbitro “estar de chico”, expressão que gerou forte repercussão negativa entre torcedores e internautas.

O camisa 10 do Santos foi um dos destaques da partida, mas acabou advertido com cartão amarelo após discussão com a arbitragem. A punição fará com que o jogador desfalque a equipe no próximo compromisso, contra o Flamengo, confronto considerado relevante para sua avaliação visando um possível retorno à Seleção Brasileira.

A declaração de Neymar rapidamente repercutiu nas redes sociais, onde torcedores e rivais classificaram o comentário como inadequado. Muitos usuários apontaram o teor da fala como problemático, avaliando que o jogador adotou uma postura infeliz ao se referir à arbitragem.

Além da controvérsia, o episódio ocorre em um momento decisivo para a carreira do atacante. Ainda fora das convocações do técnico Carlo Ancelotti, Neymar tem uma janela limitada de jogos para demonstrar desempenho e tentar garantir espaço na Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026.

Com apenas 12 partidas restantes antes da definição da lista final, o comportamento dentro e fora de campo passa a ser observado com ainda mais atenção, aumentando a pressão sobre o jogador em uma fase crucial de sua trajetória.

•        As atitudes de Neymar que causaram mal-estar na Seleção

A divulgação de um vídeo pelo atacante Neymar comentando sua ausência na convocação da seleção brasileira gerou desconforto nos bastidores da Confederação Brasileira de Futebol, indicando que a repercussão das falas não foi bem recebida pela comissão técnica liderada por Carlo Ancelotti. 

O episódio ocorreu após a divulgação da lista de convocados para os amistosos contra França e Croácia. Em um vídeo gravado no ambiente do Santos Futebol Clube, Neymar comentou a ausência ao ser questionado por companheiros. Durante a conversa, o jogador afirmou: "Antigamente eu sabia que ia de qualquer jeito, né?"A declaração foi interpretada internamente como uma crítica indireta a comissões técnicas anteriores e também como uma possível insinuação de que o atual treinador teria resistência em convocá-lo. Nos bastidores, a leitura é de que a fala pode alimentar a ideia de uma relação desgastada entre o atleta e a nova comissão técnica.

Apesar disso, fontes da CBF indicam que o episódio não deve influenciar diretamente as decisões de Ancelotti. A comissão mantém o entendimento de que a convocação de Neymar depende, sobretudo, de sua condição física e desempenho esportivo. Há uma avaliação de que o jogador precisa demonstrar maior consistência em sua rotina profissional para retomar espaço no grupo.

Outro ponto que gerou preocupação foi o tom das manifestações públicas, interpretado como uma tentativa de criar um ambiente de pressão. A repercussão do vídeo e de comentários feitos por pessoas próximas ao atleta reforçou, segundo relatos internos, uma sensação de divisão, descrita como “nós contra eles”.

Entre os que saíram em defesa de Neymar estão amigos e figuras próximas, como o ator Rafael Zulu, além do empresário Pini Zahavi. Zahavi afirmou que o jogador está focado em alcançar sua melhor forma para a Copa do Mundo e ressaltou o respeito ao treinador italiano.

A comissão técnica, no entanto, optou por não reagir publicamente às manifestações. Internamente, reforça que as decisões seguem critérios técnicos, baseados em análises de desempenho, avaliações físicas e dados fornecidos por profissionais como fisiologistas e analistas.

O próprio Ancelotti já deixou claro que não haverá privilégios, independentemente do histórico ou da relevância do jogador. Ainda assim, existe a possibilidade de que Neymar seja incluído no grupo caso atinja o nível físico ideal até a Copa do Mundo, sendo considerado uma peça importante pela sua experiência.

Enquanto mantém distância da comissão técnica, Neymar tem se aproximado da diretoria da CBF, especialmente do presidente Samir Xaud. O dirigente afirmou que não interfere nas convocações: "Só fico sabendo da lista 10 minutos antes de ser divulgada. Eles têm 100% de autonomia".

Segundo relatos, Neymar e Samir tiveram contatos recentes, incluindo uma conversa em que o presidente pediu desculpas pela ausência de uma mensagem oficial da CBF no aniversário do jogador.

Em outro momento, o atleta teria reclamado da arbitragem em uma partida contra o Clube de Regatas do Flamengo, o que levou o dirigente a intervir junto à comissão responsável.

 

Fonte: Brasil 247

 

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