Estudos
mostram que magnésio à noite pode ajudar quem tem problemas na tireoide
Fadiga
crônica, insônia, cãibras, queda de cabelo e dificuldade para perder peso são
queixas comuns de quem convive com hipotireoidismo ou tireoidite de Hashimoto.
Muitas dessas pessoas já tomam a levotiroxina corretamente, mantêm os exames de
TSH dentro da faixa esperada e, ainda assim, continuam sentindo que algo não
está funcionando. Um dos motivos mais subestimados para essa persistência de
sintomas é a deficiência de magnésio, um mineral que participa diretamente da
produção e da ativação dos hormônios tireoidianos e que, ao mesmo tempo, é
essencial para o relaxamento muscular e a qualidade do sono.
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A relação bidirecional entre magnésio e tireoide
O
magnésio e a tireoide dependem um do outro de forma recíproca. Por um lado, o
magnésio é um cofator essencial para a produção de energia nas mitocôndrias.
Sem magnésio suficiente, a fosforilação oxidativa perde eficiência e os
processos que dependem de ATP ficam comprometidos, incluindo a captação de iodo
pelas células tireoidianas, que é a etapa inicial da produção dos hormônios T3
e T4.
Por
outro lado, a própria deficiência de hormônios tireoidianos dificulta a
absorção e a retenção de magnésio pelo organismo, criando um ciclo de depleção
mútua. Pessoas com hipotireoidismo tendem a ter níveis mais baixos de magnésio,
e a falta de magnésio agrava os sintomas da tireoide lenta, como cansaço,
constipação, câimbras e dificuldade cognitiva. Além disso, o magnésio participa
da conversão do T4 (hormônio inativo) em T3 (hormônio ativo), o que significa
que mesmo com TSH aparentemente controlado, a falta desse mineral pode reduzir
a quantidade de hormônio tireoidiano realmente funcional no organismo.
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Estudo associou níveis baixos de magnésio a maior risco de Hashimoto e
hipotireoidismo
A
relação entre magnésio e doenças autoimunes da tireoide foi investigada em um
estudo transversal de grande porte. Segundo a pesquisa “Severely low serum
magnesium is associated with increased risks of positive anti-thyroglobulin
antibody and hypothyroidism: A cross-sectional study”, publicada na revista
Scientific Reports e indexada no PubMed Central, a análise de milhares de
participantes revelou que pessoas com níveis de magnésio severamente baixos
(abaixo de 0,55 mmol/L) apresentaram risco quase cinco vezes maior de
hipotireoidismo e risco três vezes maior de positividade para anticorpos
antitireoglobulina, um marcador da tireoidite de Hashimoto. Os pesquisadores
concluíram que os níveis de magnésio devem ser avaliados em pacientes com
tireoidite autoimune e hipotireoidismo. O estudo completo pode ser acessado em:
Severely low serum magnesium and thyroid dysfunction — Scientific Reports
(PubMed Central).
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Por que tomar magnésio à noite faz diferença para quem tem tireoide
O
magnésio possui uma ação relaxante sobre o sistema nervoso que o torna
particularmente útil quando consumido no período noturno. Ele regula a
atividade do GABA, o principal neurotransmissor inibitório do cérebro,
promovendo a transição do estado de alerta para o repouso. Para quem tem
hipotireoidismo, que frequentemente está associado a insônia, ansiedade noturna
e sono de má qualidade, essa ação pode representar uma melhora perceptível.
Além do
benefício direto sobre o sono, há uma razão prática importante para o horário
noturno: quem usa levotiroxina deve tomá-la em jejum pela manhã, e o magnésio
pode interferir na absorção desse medicamento se tomado no mesmo horário. A
recomendação é manter um intervalo de pelo menos 4 horas entre a levotiroxina e
o magnésio. Tomá-lo à noite resolve essa questão e ainda aproveita o efeito
relaxante do mineral para favorecer o sono.
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Fontes alimentares e tipos de magnésio mais indicados
Antes
de pensar em suplementação, é possível aumentar a ingestão de magnésio por meio
da alimentação. As melhores fontes incluem:
Sementes de abóbora, que concentram uma
das maiores quantidades de magnésio entre todos os alimentos, com cerca de 150
mg por porção de 30 g
Chocolate amargo (acima de 70% cacau),
que além de magnésio oferece polifenóis com ação antioxidante
Espinafre, couve e folhas verde-escuras,
ricas em magnésio e outros minerais envolvidos na saúde tireoidiana
Castanhas, amêndoas e nozes, que combinam
magnésio com selênio e zinco
Feijão, lentilha e grão-de-bico, que
fornecem magnésio junto com fibras e proteínas vegetais
Quando
a suplementação é necessária, os tipos mais indicados para quem busca benefício
sobre o sono e o sistema nervoso são o magnésio bisglicinato, que tem alta
absorção e efeito calmante pela presença da glicina, e o magnésio L-treonato,
que atravessa a barreira hematoencefálica e atua diretamente no cérebro. O
magnésio dimalato é mais indicado quando o principal sintoma é a fadiga e a dor
muscular.
Cuidados
importantes antes de suplementar
Embora
o magnésio seja geralmente seguro, pessoas com problemas renais devem ter
cautela especial, pois os rins comprometidos podem não excretar o excesso do
mineral de forma eficiente. Além disso, o magnésio em doses elevadas pode
causar efeitos gastrointestinais como diarreia, especialmente nas formas óxido
e citrato, que são mais baratas mas também mais propensas a provocar
desconforto intestinal.
A
suplementação de magnésio não substitui o tratamento tireoidiano prescrito pelo
endocrinologista. Ela funciona como um suporte complementar que pode aliviar
sintomas residuais e melhorar a qualidade de vida de quem já está em
tratamento. Se você tem hipotireoidismo ou Hashimoto e sente que os sintomas
persistem apesar da medicação, converse com seu médico sobre a possibilidade de
investigar os níveis de magnésio e, se necessário, incluir a suplementação de
forma orientada e segura.
Fonte:
Tua Saúde

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