quarta-feira, 8 de abril de 2026

Pepe Escobar: O mundo novo ocupado em nascer e o mundo velho ocupado em morrer

Trata-se de uma capitulação imposta: um documento de rendição disfarçado de “negociação”. 

O plano que não tem nada de plano – que impõe exigências ao mesmo tempo em que pede um cessar-fogo de um mês - incluindo zero enriquecimento de urânio em solo iraniano; total desmonte das instalações de Natanz, Isfahan e Fordow; retirada de todo o urânio enriquecido do Irã; extrema restrição ao programa de mísseis; fim do financiamento ao Hezbollah, Ansarallah e milícias iraquianas; abertura total do Estreito de Ormuz. 

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Tudo isso em troca de um vago “cancelamento da ameaça de reimpor sanções”.

A única resposta iraniana realista a esse acúmulo de pensamentos fantasiosos seria o Sr. Khorramshahr-4 despejando cartões de visita sobre alvos selecionados – consistente com o emprego de contenção econômica e militar para ditar os termos reais. 

E os termos reais são duros: 

Fechamento de TODAS as bases militares dos Estados Unidos no Golfo; garantia de que não haverá mais guerras; fim da guerra ao Hezbollah; retirada de TODAS as sanções; indenização por todos os prejuízos causados pela guerra; uma nova ordem no Estreito de Ormuz (já em vigor: coleta de taxas de trânsito idênticas às cobradas pelo Egito no Suez); programa da mísseis mantido intacto. 

Conclusão: a infernal máquina de escalada continua em funcionamento. 

<><> Um clube fechado com taxa de adesão em petroyuans 

Enquanto isso, os preços de petróleo e gás estão atolados em um caleidoscópio de volatilidade, afetando moedas, ações, commodities, cadeias de suprimentos e pânicos inflacionários. O que se vê já é um choque econômico global fora de controle, com consequências devastadoras que já se fazem sentir. 

Antes da guerra, o Irã produzia um pouco menos que 1,1 milhões de barris de petróleo por dia, vendidos a 65 dólares o barril com um desconto de 18 dólares: na prática, portanto, menos que 47 dólares. Agora, o Irã aumentou a produção para 1,5 milhões de barris por dia, vendendo a 110 dólares (tendendo a aumentar) principalmente para a China, com um desconto máximo de 4 dólares. 

E isso sem incluir as vendas de petroquímicos: crescendo sempre, e para uma longa lista de novos clientes. Resumindo tudo, todos os pagamentos são feitos por meio de mecanismos alternativos. O que nos leva a um fato surpreendente: para todos os fins práticos, isso representa a adoção de alívio para as sanções. 

E agora, quanto ao Santo Graal da guerra: o Estreito de Ormuz. Que de fato está aberto, mas com uma cabine de pedágio controlada pela Guarda Revolucionária do Irã (IRGC). Uma cabine de pedágio com um toque especial: poder de veto sobre a lista de convidados. Como para entrar um clube privado. 

Para conseguir a aprovação do IRGC, um navio-tanque tem que pagar uma taxa: 2 milhões de dólares por embarcação. É assim que funciona. Você entra em contato com um corretor ligado ao IRGC. O corretor transmite ao IRGC as informações essenciais: proprietário da embarcação, bandeira nacional, declaração de carga, destinação, lista da tripulação e dados sobre o transponder AIS.  

O IRGC conduz checagens de antecedentes. Se você não for ligado aos Estados Unidos, não estiver portando cargas ligadas a Israel e se sua bandeira não for de nenhum “estado agressor”, você tem a passagem autorizada. O Japão e a Coreia do Sul, por exemplo, ainda não foram liberados. 

Então você paga a taxa. Em dinheiro vivo – seja qual for a moeda que você use – mas preferivelmente em yuan. Ou em cripto. 

É um mecanismo complexo. O IRGC usa múltiplos endereços, pontes blockchain com outras redes, mesas de balcão de atendimento em jurisdições muito além do alcance dos Estados Unidos e integração com todos os tipos de canais de pagamentos em yuan.  

Após o pagamento da taxa, o IRGC emite uma liberação por rádio VHF – da qual consta um intervalo de tempo específico vinculado a um corredor náutico de cinco milhas através de águas territoriais iranianas entre Qeshm e a pequena ilha de Larak, de onde a Marinha do IRGC consegue identificar visualmente sua embarcação. Você então pode passar. Sem necessidade de um navio-escolta.  

Todo o citado acima se aplica, por enquanto, a navios-tanque da China, Índia, Paquistão, Turquia, Malásia, Iraque, Bangladesh e Rússia.  Alguns deles não precisam pagar a taxa cheia. Alguns conseguem isenções - negociadas governo-a-governo (como Sri Lanka e Tailândia, ambas descritas como “nações amigas”). E alguns não pagam nada. 

Bem-vindos, portanto, a um clube fechado com a taxa de adesão paga principalmente em petroyuans. Bastou uma única providência iraniana para alcançar o que incontáveis cúpulas globais não conseguiram: a criação de um sistema de pagamentos alternativo – sob fogo, testado sob tensão máxima e, além de tudo, aplicada no principal ponto de estrangulamento do planeta. 

Cada taxa paga em petroyuans representa uma derrota do petrodólar, do SWIFT e das sanções americanas – tudo de um só golpe. O Parlamento iraniano irá aprovar a legislação que institucionaliza as cabines de pedágio como “pagamento de segurança”. Ninguém previu isso, nem a rapidez com que aconteceu: monetização legalizada de gargalos. Sem disparar um único tiro. É disso que trata a desdolarização do comércio. 

O problema é o que não vem passando pelo Ormuz: fertilizantes. Mais de 49% da ureia exportada vêm do Golfo Pérsico. A amônia precisa de gás natural, mas Qatar decretou Força Maior depois do ataque do Sindicato Epstein a South Pars e dos contra-ataques iranianos. O IRGC está focado no petróleo porque o petróleo financia as cabines de pedágio e, no longo prazo, estará no cerne do sistema pós-dólar de pagamentos por energia, com o pleno apoio da parceria estratégica Rússia-China.  

Não é de admirar, portanto, que o Império do Caos e dos Saques tenha pirado de vez. De uma hora para outra, em três semanas, temos o petroyuan dominando o principal corredor de conectividade naval – de fato privatizado - de todo o planeta. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) vai dar uma de Terminator para demolir o pedágio, tentando de tudo, desde o bombardeio de instalações do IRGC situadas ao longo da costa e montando escoltas navais para os navios-tanque de aliados até um tsunami de sanções contra os corretores do pedágio.  

O que o CENTCOM não consegue bombardear é o precedente do petroyuan já em vigor. O Sul Global inteiro está assistindo e fazendo os cálculos. A guerra demente está, na verdade, ajudando o nascimento de uma nova infraestrutura de pagamentos. A dimensão financeira da guerra é de importância ainda mais crucial do que a pontaria certeira dos mísseis. 

<><> O que espera o GCC

O Qatar avisou ao Trump 2.0, vez após vez, que atacar a infraestrutura energética do Irã destruiria a infraestrutura energética da própria Doha. Foi exatamente o que aconteceu. O Ministro da Energia de Qatar, al-Kaabi, revelou ter avisado repetidamente o Secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, e também os executivos da ExxonMobil e da ConocoPhillips.

Não adiantou. Qatar acabou perdendo 17% de sua capacidade de GNL: 20 bilhões perdidos em receita, prejuízo que levará cinco anos para ser recuperado. Al-Kaabi: o barril de petróleo talvez atinja o preço de 150 dólares, e essa guerra poderia “derrubar as economias do mundo”. 

Entramos no território do absurdo, uma vez que está claro que atacar a South Pars iraniana geraria uma vantagem estratégica menor que zero. Ao contrário, o contragolpe atingiu o setor de energia do Golfo Pérsico. Mas a perversidade reina soberana. Em última análise, que se beneficiou? As empresas de gás dos Estados Unidos. 

O Irã aposta – de forma imensamente ambiciosa - que as monarquias do Golfo acabarão por fazer os cálculos. É como se Teerã estivesse deixando perfeitamente claro: se vocês aprenderem a fazer negócios conosco, nós deixaremos deixar vocês continuarem a operar seus próprios negócios.  

As novas regras incluem tudo, desde o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) abandonar o dólar até o fim dos centros de dados estadunidenses. E se O GCC quiser um novo sistema de segurança, é melhor ir conversar com a China. E, durante todo esse tempo, o GCC também tem que aprender como lidar com o fato de que esse choque de petróleo terá o efeito permanente de elevar o prêmio de risco sobre sua oferta de energia. Reset estrutural é um termo que sequer chega perto de descrever a situação. 

Nas atuais circunstâncias, resta uma única certeza: o GCC terá um papel importante na implosão do sistema financeiro internacional, por estar pronto para retirar pelo menos 5 trilhões do mercado estadunidense, a fim de financiar sua própria sobrevivência. 

<><> A longa e sinuosa estrada do petro-ouro 

Resumindo: após o ataque ao campo de gás de South Pars – o maior do planeta – e o pedágio no Estreito de Ormuz, são os pagamentos em yuan-ouro, por todo o espectro, que vêm dando à parceria estratégica Rússia-China uma posição de vantagem que seria impensável poucas semanas atrás.  

A parceria estratégica está consolidando nada menos que um novo mecanismo de pagamentos global, onde as operações em petroyuan levam diretamente ao ouro físico. 

Enquanto a Rússia vende volumes massivos de petróleo e gás intocados pela guerra ao seu aliado Irã, a China, como o maior refinador, compra energia russa e, ao mesmo tempo, tenta manter seus parceiros do Sudeste Asiático fora do  dólar dos Estados Unidos.

A Rússia vem convertendo pagamentos em yuan em ouro físico na Bolsa de Valores de Xangai. O Irã vem acumulando pagamentos em yuan em Ormuz – incentivando contratos de compra de petróleo em yuan conversíveis em ouro. E a China vem construindo no exterior caixas-fortes e corredores de ouro. O novo triângulo Primakov RIC (Rússia-Irã-China) está no controle por meio da energia e do ouro físicos. 

Essa, portanto, é a principal conclusão a ser tirada da guerra travada pelo Sindicato Epstein contra o Irã. Rússia-China alcançaram o Santo Graal: o domínio sobre a energia e um sistema de pagamentos em yuan lastreado em ouro que supera o petrodólar para todo o sempre.  

Para todos os fins práticos, a arquitetura montada pela “nação indispensável” desde a década de 1990 está deixando à mostra rachaduras estruturais que podem ser vistas por todos, e os mercados globais estão atualizando em tempo real todas as variações possíveis desse modelo.

É como se os persas tivessem reinterpretado Sun Tzu, Clausewitz e Kutuzov (o conquistador de Napoleão) em um novo sistema híbrido. E, como bônus, alcançaram em apenas três semanas o que anos de cúpulas não conseguiram. 

O petrodólar está chegando ao fim. Sistemas alternativos de pagamentos estão entrando em ação. E o Sul Global está assistindo em tempo real o Império dos Bombardeios Sem Fim ser paralisado por uma guerra de atrito descentralizada, arquitetada por uma nação soberana com um orçamento de defesa equivalente a um-cinquenta avos do orçamento do Império. 

A multipolaridade não irá nascer com homens engravatados lendo documentos em escritórios executivos. A multipolaridade nascerá do campo de batalha, sob fogo, contra as piores dificuldades. 

¨      Boots on the ground. Por Flávio R. Kothe

Eu havia combinado me encontrar com o diplomata aposentado Frederico Soares de Abreu, que eu tratava por Frédi, na Associação de Escritores para assistir a uma palestra beletrística. Enquanto o palestrante apregoava rimas ABBA e CDCD, eu divagava, longe das preocupações de quem acha que fazer versos rimados e fazer poesia sejam o mesmo. Se era possível fabricar um soneto perfeito no esquema formal e, no entanto, gerar um texto chocho, reiterava-se o que Aristóteles já dissera, e as premissas do palestrante desapareciam no conservadorismo da geração de 1945.

Israelenses e sionistas americanos não estavam conseguindo derrubar a retranca iraniana, pois sempre havia mais uma caverna selada que a abrigava nas montanhas do deserto. Tinham tido a coragem de olhar, pensar, decidir e fazer o que era necessário para sobreviverem como país e povo. Imaginei que, se russos e chineses obtivessem a garantia americana de que poderiam completar suas rotas da seda, talvez eles se retraíssem, deixando os iranianos na mão. Todos sabiam que não se podia acreditar no que os americanos diziam – eles mentiam, descumpriam acordos firmados, até os pele-vermelhas sabiam disso –, mas às vezes convém fingir que se acredita, para ter tempo de se preparar para o próximo ataque. Stálin fez um acordo com Hitler, assim conseguiu um tempo para se preparar para o ataque que viria. Parecer covarde fazia parte do pacto de conseguir um tempo para juntar forças e enfrentar o valentão.

Bloqueados pela resistência iraniana, o sionismo que governa o deep state americano se voltava para o quintal da América do Sul. Na Venezuela, havia bastado sacar Nicolás Maduro, para que sua vice, alçada à presidência, virasse o governo para a direita, entregando o petróleo ao interesse ianque, suspendendo as remessas para Cuba. Queria preservar o país, abdicando da soberania, entregava os anéis para preservar os dedos. Será que os cubanos iam aguentar mais um boicote americano ou iriam culpar o governo pelos apagões e pelas carências diárias?

Sem endossar a abertura presidida por Gustavo Petro, a Colômbia resolvera virar à direita, retornando à condição de colônia, algo profundamente impregnado dos povos sul-americanos. Os argentinos haviam tido a clara opção entre garantir a soberania ou se submeter ao fascismo da metrópole americana: a maioria do povo optara pela submissão. Não se esperava de gaúchos que fossem covardes.

O Chile se apressou a seguir o mesmo caminho, voltando aos braços da oligarquia tradicional, mas com uma pitada de nazismo, adequada a uma história já antiga na região. O Paraguai não só seguira o mesmo caminho: abriu o território para a instalação de bases dos Estados Unidos. Bastaria um míssil para destruir a represa de Itaipu e inundar Buenos Aires. Tropas americanas estacionadas lá e na Argentina poderiam invadir o Brasil, destruir as redes de alta tensão, tomar Brasília.

Depois da palestra, perguntei a Frédi sobre o que literatos como nós poderiam fazer diante disso. Sem encontrar resposta, fomos para uma pizzaria partilhar uma pizza, tomar um chope, reerguer os ombros caídos. As pessoas ao redor não estavam preocupadas com o que me fazia mal.

Ele tinha sido encarregado do cerimonial do Itamaraty e sua tese era:

– Na cerimônia, não importa quem esteja sendo celebrado, se uma grande personalidade ou só uma cadeira, o que importa é o que ele representa. A homenagem é ao que é representado, não ao representante.

– É uma pura formalidade, então, mesmo que sem substância?

– Não é pura forma, pois sempre tem algo sendo representado: um país, uma função, um cargo. Que o ocupante não mereça, isso não esgota a ideia de que lá deveria estar quem merecesse.

– Você me contou que teve acesso aos arquivos secretos do Itamaraty, especialmente sobre a Guerra do Paraguai. O que havia neles que não se poderia jamais mostrar?

– Nem sei por que fazem tanto segredo a respeito. A maior parte é recorte de jornais europeus sobre a guerra. Quem quiser pode procurar as notícias nos arquivos desses jornais.

– Meu trisavô foi convocado para a guerra, aos dezesseis anos, foi ferido em Tuiuti, ficou até o fim. Voltou com soldo acumulado, comprou uma fazenda. Depois ficou cada vez mais deprimido com as lembranças: acabou se suicidando. Devem ter acontecido coisas terríveis lá. Ouvi dizer que ao menos 70% dos homens paraguaios foram mortos ou aleijados. As mulheres tiveram, depois da guerra, de chegar a um acordo sobre como repartir e usar os homens que sobraram inteiros. O Duque de Caxias foi retirado do comando geral porque foi um genocida, os militares talvez não queiram aceitar fatos negativos sobre o patrono do exército…

  – Ele foi substituído pelo Conde d’Eu, marido da princesa Isabel. Há uma cena dele diante de centenas de paraguaios rendidos, ele em cima do cavalo puxa a espada e diz: “À minha esquerda, degolem-nos; à direita, escravizem-nos!”

– Ah, era um europeu!

– À minha esquerda, degolem-nos; à direita, escravizem-nos!

– Era um europeu! O brasileiro é um povo bonzinho, não é? Imagino que nos subterrâneos dos paraguaios, deve haver uma profunda vontade de vingança, de fazer os brasileiros pagarem pelos excessos!

– Em dezembro de 2025, o governo paraguaio assinou um acordo com Washington, para que os americanos possam estabelecer bases militares e de espionagem no território. Abdicou da soberania. Permitiu instalar tropas, CIA, aviões militares no centro da América do Sul. A nossa fronteira seca com o Paraguai é imensa e aberta.

– Quer dizer que poderemos ter tanques, mísseis e tropas americanas avançando na direção de Brasília?

– Tomara que não, mas possível é, com a agressão americana em tantos países: Coreia, Vietnam, Líbia, Afeganistão, Iran, Iraque, Venezuela, Cuba e assim por diante. Eles acham que a América Central e do Sul é deles.

– A América do Sul está pendendo para a extrema-direita e para a submissão à metrópole do norte. É a covardia no poder. Não adianta o governo ser bem-intencionado com os pobres, ele é acusado de ladrão, sem provas; não adianta cumprir a obrigação de dar ao povo educação, saúde e segurança, disso a grande mídia não fala, sempre encontra algum caso que serve para desmentir o esforço. Não adianta que jornais alternativos queiram esclarecer minorias, para pedir dinheiro o tempo todo para se sustentar. O povo não quer lutar, quer sossego.

– Miopia não é virtude na política, na diplomacia, na vida. O sionismo domina aqui o noticiário, as emissoras de tevê, os grandes jornais, editoras, submete a população dia e noite a uma lavagem cerebral. O povo não sabe o que controla aquilo que o faz pensar como não pensa e sentir como se senhor fosse.

– Lutar pela soberania, pela preservação do território e das riquezas, ter autonomia no pensar, fabricar as próprias armas de defesa, isso não é luxo. Kant achava que uma guerra, de tempos em tempos, fazia as pessoas repensarem sobre o que era importante e o que não era, mas acho que a pobreza nossa já nos obriga a isso, não precisamos de guerra.

– Quase ninguém quer guerras, mas elas acontecem. Dediquei minha vida à diplomacia para evitar guerras. Vi o povo brasileiro tomado pelo próprio exército: era mais fácil dominar o povo e ter altos soldos e privilégios do que enfrentar boots on the ground. Não temos a tradição de povos que lutaram para preservar o país, como fizeram os russos, os chineses, os vietnamitas, como estão fazendo os iranianos. Não sabemos o que é gratidão do povo pelas vidas sacrificadas em batalhas de defesa da pátria.

Ficamos olhando um para o outro, sem saber para onde ir, sem poder resolver nada. Ergui meu copo e fiz o sinal de “prost”. Acrescentei algo no sentido de que o povo brasileiro teria de resolver novamente este ano para onde preferiria se encaminhar. Expressei ao amigo o temor de que o povo não visse o que seria melhor para ele e para o país.

Terminamos os chopes, pagamos e fomos para casa, cada um numa direção, dois pontos de interrogação sem resposta.

 

Fonte: Brasil 247/A Terra é Redonda

 

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