quarta-feira, 8 de abril de 2026

Tecnologias elevam precisão e reduzem sequelas em tumores e AVC

O cérebro ainda guarda mistérios, mas já não é mais um território intocável. Em centros de alta complexidade, procedimentos que antes envolviam grandes riscos hoje são realizados com precisão milimétrica, abrindo novas perspectivas para pacientes com tumores cerebrais, aneurismas e acidentes vasculares cerebrais (AVC). O avanço tecnológico tem mudado o desfecho de doenças historicamente associadas à alta mortalidade e incapacidade.

Nesse cenário, a neurocirurgia vive uma transformação decisiva. “Os avanços na neurocirurgia para tratamento de tumores e sangramentos têm focado no aumento da precisão, na redução da invasividade e na melhor preservação das funções neurológicas, com o uso de tecnologias de imagem de ponta e inteligência artificial”, explica o neurocirurgião do Hospital Mater Dei Salvador, Carlos Bastos.

Segundo ele, ferramentas como cirurgia robótica, neuronavegação em 3D e mapeamento cerebral intraoperatório têm permitido intervenções mais seguras, inclusive em áreas profundas e delicadas do cérebro. “Hoje conseguimos operar com uma espécie de ‘GPS cirúrgico’, que orienta cada movimento em tempo real. Isso reduz riscos e aumenta as chances de preservar funções essenciais, como fala e mobilidade”, afirma.

<><> Novas técnicas

Entre as principais inovações, a cirurgia assistida por robótica vem ganhando espaço. Sistemas como NeuroMate e ROSA® permitem intervenções com altíssima precisão, sendo utilizados em biópsias e na remoção de tumores profundos.

Outro avanço importante é o uso da fluorescência com substâncias como o 5-ALA, que faz células tumorais “brilharem” durante o procedimento. “Isso ajuda a diferenciar o tumor do tecido saudável, permitindo uma retirada mais completa e segura”, explica Bastos.

Já a chamada cirurgia “acordado” (awake craniotomy) tem sido aplicada em casos específicos, quando o tumor está próximo de áreas responsáveis por funções vitais. Durante o procedimento, o paciente interage com a equipe, ajudando a mapear regiões que não podem ser comprometidas. “É uma técnica que exige preparo, mas reduz significativamente o risco de sequelas”, diz.

<><> Menos invasiva

A tendência atual é clara: quanto menor a agressão ao cérebro, melhor o resultado. Procedimentos endoscópicos permitem acessar regiões profundas com incisões menores, reduzindo o tempo de internação e acelerando a recuperação. Em paralelo, a radiocirurgia avançada tem sido utilizada para tratar metástases cerebrais com alta precisão, preservando áreas saudáveis.

No campo da oncologia, terapias inovadoras também começam a mudar o cenário. Estudos internacionais apontam resultados promissores com vírus oncolíticos e terapias celulares como CAR-T, que já demonstraram redução significativa de tumores agressivos, como o glioblastoma. “Essas estratégias, aliadas à cirurgia, ampliam as possibilidades de tratamento e aumentam a sobrevida dos pacientes”, destaca Carlos Bastos.

<><> Emergências

Nos casos de aneurisma e AVC hemorrágico, o tempo segue sendo decisivo, mas as técnicas também evoluíram. “A clipagem de aneurismas está cada vez mais precisa, e, em casos graves, utilizamos a cirurgia descompressiva para aliviar a pressão intracraniana. São procedimentos que salvam vidas e reduzem sequelas importantes”, explica o médico do Mater Dei Salvador.

O especialista reforça que o maior desafio ainda está no acesso rápido ao atendimento especializado. “A tecnologia existe, mas o paciente precisa chegar a tempo. Informação e agilidade continuam sendo determinantes”, afirma. No encontro entre tecnologia e medicina, o cérebro deixa de ser apenas um território de risco e passa a ser, cada vez mais, um campo de possibilidades.

<><> Infarto avança entre jovens e acende alerta na Bahia

O que antes parecia improvável — um infarto em pessoas jovens, ativas e aparentemente saudáveis — tem se tornado cada vez mais frequente no Brasil e também na Bahia. A mudança no perfil dos pacientes com infarto agudo do miocárdio (IAM) preocupa especialistas e acende um alerta silencioso: a doença cardiovascular já não é mais exclusiva da terceira idade.

Dados do Ministério da Saúde mostram que as doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no país, responsáveis por cerca de 30% dos óbitos anuais. Nos últimos anos, estudos da Sociedade Brasileira de Cardiologia indicam aumento proporcional de casos em pessoas com menos de 45 anos, impulsionado por fatores como obesidade, estresse crônico, sedentarismo e alimentação inadequada.

<><> Mudança de perfil

“O que temos visto na prática clínica é um paciente mais jovem, muitas vezes economicamente ativo, com múltiplos fatores de risco acumulados ao longo dos anos, mesmo que ele só perceba isso mais tarde”, afirma o cardiologista intervencionista Sérgio Câmara.

Segundo o especialista, o estilo de vida contemporâneo tem acelerado esse processo. “Sono irregular, alta carga de estresse, alimentação ultraprocessada e pouco acompanhamento médico criam um terreno propício para eventos cardiovasculares precoces”, explica.

<><> Sinais ignorados

Um dos pontos mais críticos é a dificuldade de reconhecer os sintomas em pessoas mais jovens. Muitas vezes, o quadro é subestimado ou confundido com cansaço, ansiedade ou queda de pressão. “O jovem não se enxerga em risco. Isso faz com que ele demore mais a procurar ajuda, o que pode agravar o quadro e aumentar as chances de complicações”, alerta Sérgio Câmara.

O empresário Adriano Costa Rosa, de 42 anos, viveu essa realidade recentemente. Em 7 de março de 2026, após um treino longo de corrida, ele apresentou uma queda de pressão e buscou atendimento acreditando se tratar apenas de exaustão. “Fui para o hospital achando que era só uma queda de pressão por conta do volume de treino e acabei infartando lá”, relata.

<><> O caso

Sem histórico familiar de doença cardíaca, Adriano lidava com hipertensão e obesidade, mas já havia iniciado mudanças importantes no estilo de vida — incluindo perda de 35 quilos ao longo de um ano e prática regular de atividade física. Mesmo assim, precisou ser submetido a um cateterismo com implante de stent.

O stent é uma pequena prótese metálica em forma de malha, implantada na artéria coronária durante o cateterismo para desobstruir o vaso e restabelecer o fluxo sanguíneo ao coração. O procedimento é minimamente invasivo e, na maioria dos casos, realizado de forma emergencial durante o infarto. “O stent funciona como uma espécie de ‘suporte’ dentro da artéria, mantendo-a aberta após a desobstrução. Ele é decisivo para salvar o músculo cardíaco e reduzir o risco de sequelas ou morte”, explica Sérgio Câmara.

“Eu me perguntava como aquilo estava acontecendo comigo, já que estava fazendo tudo certo há um ano. Hoje entendo que pode ter sido um acúmulo de fatores de uma fase anterior da minha vida”, diz. Atualmente, ele passa por reabilitação cardíaca e reforça mudanças na rotina, como controle do estresse e prioridade ao sono. “O sentimento é de gratidão pela segunda chance e pelo desejo de querer viver mais”, afirma.

<><> Fatores de risco

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares são hipertensão, colesterol elevado, obesidade, diabetes, tabagismo e sedentarismo. “O problema é que esses fatores estão aparecendo cada vez mais cedo, e muitas vezes em combinação. Isso potencializa o risco e antecipa eventos como o infarto”, destaca Sérgio Câmara.

Outro ponto importante, segundo o especialista, é que a prática de atividade física, embora fundamental, não anula riscos quando outros fatores não estão controlados. “Não basta correr ou ir à academia. É preciso olhar o conjunto: exames em dia, controle da pressão, alimentação adequada, saúde mental e qualidade do sono”, conclui.

•        O cérebro perde a orientação, o tempo de sono diminui. Daí os despertares noturnos e a falta de sono

O cérebro humano segue um relógio interno que organiza os ciclos de sono e vigília ao longo de 24 horas. Quando esse mecanismo é perturbado por fatores como estresse, hábitos inadequados ou alterações hormonais, o tempo de sono profundo diminui e os despertares noturnos se tornam cada vez mais frequentes. É por isso que muitas pessoas acordam entre 2 e 4 da manhã sem motivo aparente e não conseguem voltar a dormir, acumulando cansaço e prejudicando a saúde ao longo do tempo.

<><> O que acontece no cérebro durante a noite?

Durante o sono, o organismo alterna entre diferentes fases que se repetem em ciclos de aproximadamente 90 minutos. Nas primeiras horas da noite, predomina o sono profundo, que é o mais restaurador para o corpo e para o cérebro. À medida que a noite avança, esses ciclos vão se tornando mais leves e o sono fica naturalmente mais vulnerável a interrupções, especialmente na segunda metade da madrugada.

Essa transição é regulada por dois hormônios principais que funcionam em equilíbrio. A melatonina, produzida quando escurece, sinaliza ao corpo que é hora de dormir. Já o cortisol, que permanece baixo no início da noite, começa a subir progressivamente por volta das 2 ou 3 da manhã para preparar o organismo para o despertar. Quando esse equilíbrio é perturbado, o cérebro pode “perder a orientação” sobre a hora certa de dormir e acordar, fragmentando o sono de forma recorrente. Entender como funciona o ciclo circadiano é o primeiro passo para recuperar noites tranquilas.

<><> Por que os despertares acontecem entre 2 e 4 da manhã?

No intervalo entre 2 e 4 horas da manhã, o corpo passa por transições que aumentam a vulnerabilidade aos despertares. A temperatura corporal atinge seu ponto mais baixo, o cortisol inicia sua elevação natural e os ciclos de sono transitam de fases profundas para fases mais leves. Quando o cérebro está sob efeito de estresse crônico ou ansiedade, essa elevação do cortisol pode acontecer de forma antecipada e mais intensa, provocando um despertar completo.

Pessoas que vivem sob pressão constante, seja no trabalho ou na vida pessoal, mantêm o sistema de alerta do cérebro parcialmente ativo mesmo durante o sono. Isso significa que qualquer pequena alteração fisiológica pode ser suficiente para tirar a pessoa do estado de descanso. Quando esses despertares se repetem várias vezes por semana, podem caracterizar o que os especialistas chamam de insônia de manutenção do sono.

<><> Hábitos que prejudicam o sono sem que a pessoa perceba

A relação entre as flutuações hormonais e a qualidade do sono é sustentada por evidências científicas sólidas. Segundo a revisão Sleep and Circadian Regulation of Cortisol: A Short Review, publicada na revista Current Opinion in Endocrine and Metabolic Research em 2022, o cortisol segue um ritmo de 24 horas controlado pelo relógio biológico central do cérebro. A revisão destaca que restrições significativas no tempo de sono aumentam os níveis de cortisol no final da tarde e início da noite, criando condições que dificultam o adormecer e favorecem despertares na madrugada. Os autores concluíram que mesmo desalinhamentos agudos no ritmo circadiano são suficientes para alterar o padrão de liberação desse hormônio.

<><> Como ajudar o cérebro a recuperar o ritmo natural do sono?

Recuperar noites de sono contínuo exige ajustes que vão além de simplesmente deitar mais cedo. Algumas mudanças práticas podem fazer diferença significativa na regulação do relógio biológico:

# Manter horários fixos para dormir e acordar, inclusive nos finais de semana, para fortalecer o ritmo natural do sono

# Buscar exposição à luz natural pela manhã, por pelo menos 30 minutos, para calibrar a produção de cortisol e melatonina

# Criar uma rotina de desaceleração uma hora antes de deitar, reduzindo estímulos luminosos e praticando técnicas de relaxamento como respiração profunda

# Manter o quarto escuro, silencioso e fresco com temperatura entre 18 e 22°C para favorecer a manutenção do sono profundo

Se os despertares noturnos acontecem três ou mais vezes por semana durante mais de três meses, é fundamental procurar um médico do sono ou neurologista. Condições como apneia do sono, desequilíbrios hormonais ou problemas na higiene do sono precisam de investigação adequada para um tratamento eficaz.

 

Fonte: Carla Santana - Assessora de Imprensa/Tua Saúde

 

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