quinta-feira, 9 de abril de 2026

'Ao se aposentar, muitas pessoas sentem que perdem parte de sua identidade e passam a ter sentimentos de inutilidade'

Após muitos anos trabalhando, muitas pessoas já começam a sofrer por antecipação com a temida aposentadoria. Enquanto uns aguardam ansiosamente, outros ficam receosos sobre como reagir após esse período, impactando diretamente na saúde mental.

A chegada da aposentadoria, muito comum no grupo da terceira idade, pode ser amada por uns, mas também odiada por outros. Grande parte do público sente receio em perder a sua identidade, ocasionando impacto direto no cérebro e na saúde mental.

Passo por essa situação aqui em casa com minha mãe, que após anos de trabalho, sente medo de começar uma nova rotina. Enquanto alguns indivíduos torcem bastante por esse momento chegar, tirando o passaporte da bolsa e dando início à viagens de tirar o fôlego pelo mundo, outros ficam mais resistentes pelo novo estilo de vida.

Os costumes mudam completamente, já que os hábitos e as rotinas que seguia anteriormente no trabalho, são interrompidos de forma repentina. Essa situação pôde ser vista com o personagem de Lineu (Marco Nanini) no seriado famoso "A Grande Família", da TV Globo.

Neste programa de humor repleto de curiosidades, Lineu decide se aposentar da vigilância sanitária, após mais de 35 anos na ativa. Dessa forma, acaba se sentindo até meio perdido com o tempo livre, decidindo abrir um pet shop.

<><> O que acontece com o cérebro ao se aposentar?

Assim, a aposentadoria está além daquilo que se construiu anteriormente. Ela mexe consideravelmente com o cérebro, já que muitas pessoas perdem aquele senso de identidade e de valor, construídos ao longo dos anos.

Sendo assim, a psicologia, além de tentar explicar a razão pela qual muitos idosos sentem solidão, também investiga o processo de aposentadoria e o impacto causado na vida das pessoas. A psicóloga Ana Galán trouxe uma análise durante uma entrevista no periódico espanhol La Vanguardia.

Para a profissional, a autoestima é diretamente impactada:

"Ao se aposentar, muitas pessoas sentem que perdem parte de sua identidade e experimentam sentimentos de inutilidade", contou a especialista.

O hábito de trabalhar, além de garantir a renda no final do mês, trabalha o cérebro, trazendo reconhecimento para aquele determinado indivíduo. E quando ele perde, passa a buscar meios de se reinventar. Para muitos, o resultado não vem de maneira simples, muito menos de imediato.

Segundo a Drª. Ana, as épocas festivas, como o Natal e Ano Novo, que intensificam o valor das relações familiares, deixam o sentimento de "deslocamento" ainda mais em evidência. Isso é algo comum, como consequência das mudanças que esse grupo de pessoas passou ao longo da vida.

<><> A rotina como papel fundamental

Eu mesma funciono muito bem com uma rotina. De acordo com Galán, os hábitos diários devem ser preservados, já que "a rotina funciona como um apoio emocional silencioso", disse. Logo, se os hábitos antigos são interrompidos de forma abrupta, as pessoas tendem a ficar de mau humor ou rabugentas.

Assim, é importante manter os costumes e horários básicos que tinha antigamente, como o momento de acordar, de almoçar e jantar, além de continuar em contato com seus amigos e colegas, para elevar o humor.

Essas situações mais previsíveis acabam deixando a pessoa com uma sensação maior de controle: "Se levantar em um horário semelhante, sair ao ar livre sob a luz natural, movimentar-se um pouco a cada dia ou ter uma breve conversa agendada pode mudar muito a forma como você vivencia o dia", discorreu ela ao jornal.

<><> Aposentadoria traz desconforto emocional

Aqui neste caso a mente também é protagonista, pois as emoções podem ficar meio turbulentas. A tristeza não necessariamente indica fraqueza, muito menos a nostalgia. As comparações com vivências passadas podem surgir, além daquela sensação de vazio:

"Essas mudanças refletem um processo de adaptação a uma nova fase da vida, não uma fraqueza pessoal", disse Galán, enfática. E se as pessoas conseguirem reconhecer isso, já é uma grande ajuda, saindo desse momento tenso de isolamento.

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Além disso, sabe aquela sensação de "não pertencimento"? Para a psicóloga, isso está relacionado à mudança de identidade.

<><> Aposentadoria: dicas para lidar melhor com essa situação

A psicóloga Ana Galán ressalta que as pessoas precisam ter paciência consigo mesmas, além de colocarem em suas vidas algumas atividades e rotinas simples, que atribuam um real significado de estrutura:

"O bem-estar não vem da pena, mas de recuperar o próprio lugar na vida cotidiana", explicou, para evitar aquela sensação de vazio. Sendo assim, se você conhece alguém que está passando por essa situação, tente auxiliar de maneira concreta, ouvindo e dando importância e utilidade a ela, de acordo com Galán:

"O importante é estar disponível sem ser intrusivo e manter contato por mais de um dia", sugere. Isso pode fazer toda a diferença.

•        A psicologia diz que a raiva silenciosa que muitos homens mais velhos carregam não é amargura

Quem nunca se deparou com pai, tio, avô ou algum conhecido, já na faixa dos seus 60 ou 70 anos, com aquele semblante raivoso e rabugento?

Normalmente os homens foram acostumados a guardar tudo para si, principalmente as questões ligadas ao emocional, como demonstrar sentimentos e até mesmo o choro, por exemplo. Para muitos especialistas, precisamos aprender a lidar com opiniões divergentes. Assim, evitamos guardar sentimentos ruins, como o rancor ou a amargura.

Há cerca de 60 anos, os homens foram ensinados a guardar apenas a emoção de raiva. Mas, será que toda essa repressão não causou prejuízo para eles?

Até mesmo os filmes e as novelas relatam situações de pessoas que passam muito tempo sozinhas, situação essa vivida por muitos homens do século passado.

A figura masculina normalmente era instruída a ser rígida, se protegendo de qualquer fragilidade, além de serem uma espécie de "rocha" para aguentar a pressão externa. Eles não tinham o costume de se abrir. Além disso, eles normalmente eram os detentores da razão durante as conversas e discussões familiares do passado.

Os homens "durões", naquela época pós-guerras, foram moldados exatamente para serem dessa forma, já que todo o resto era sinônimo de fraqueza. No entanto, parece que esse cenário está mudando!

<><> Consequências da postura rígida dos homens

Se você observar ao redor, grande parte dos homens 60+ e 70+ costumam ter uma expressão mais carrancuda, até mesmo com certa tensão nos ombros e na mandíbula. Será que isso tudo realmente é amargura? Bem, os fatores também podem demonstrar exaustão de uma vida carregando as emoções trancadas, sem poderem se abrir.

Esse tipo de comportamento pode ser identificado tanto dentro de casa, como também no trabalho. Os homens geralmente transformavam as chateações em raiva (considerada um sinônimo de algo produtivo).

Diversas pesquisas e estudos psicológicos afirmam que o estresse masculino pode ser proveniente de emoções reprimidas, como medo, tristeza, além de pressões impostas pela sociedade. Eles podem acabar se tornando pessoas mais agressivas, a ponto de cometerem atos de violência até com as parceiras.

<><> Como controlar a raiva masculina?

Você acha que essa raiva, muitas vezes silenciosa, vai desaparecer de repente? Não mesmo! Todas as emoções reprimidas tornam-se cargas fisiológicas. Alguns sintomas podem ser identificados, como:

•        Pressão alta;

•        Dor nas costas sem motivo visível;

•        Tensão física excessiva.

Isso tudo é o corpo dando sinais de que algo não está muito bem. De acordo com estudos da revista Psychological Science, os resultados das pesquisas mostraram que "os idosos que não apresentaram a diminuição da raiva com a idade correm risco de síndrome metabólica, se comparado com adultos da mesma idade".

<><> Os tempos mudaram: e agora, como vai ser?

Acredito que a parte mais difícil seja a de cair na real e entender que o mundo mudou e está em constante evolução.

Logo, os homens precisam entender que o comportamento também mudou, evoluiu, já que os jovens de hoje costumam falar e serem mais abertos sobre sentimentos.

Pesquisas sobre saúde mental e estudos afirmam que ainda dá tempo de mudar e evoluir nesse sentido, aprendendo a lidar, cada vez melhor com os sentimentos. Assim nós melhoramos ainda mais a nossa relação dentro e fora de casa, com os amigos, e até mesmo no trabalho.

 

Fonte: Por Ana Galán, psicóloga, para Purepeople

 

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