Eleições
2026: disputa para presidente já tem 11 pré-candidatos; veja quem são
A cerca
de seis meses das eleições de 2026, a corrida pelo Palácio do Planalto já
começa a tomar forma e conta com pelo menos 11 pré-candidatos oficialmente
lançados.
O mais
recente a entrar na disputa é o escritor e psiquiatra Augusto Cury, que
anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República pelo Avante no dia 05
de abril.
Um dia
antes, o ex-deputado federal Cabo Daciolo também informou que será candidato
novamente, dessa vez pelo Mobiliza, antigo PMN. Em 2018, Daciolo disputou as
eleições presidenciais e ficou em 6º lugar, à frente de nomes como Marina Silva
(Rede), Henrique Meirelles (MDB) e Alvaro Dias (Podemos).
Cury e
Daciolo se juntam a um grupo extenso de pré-candidatos que conta com o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que buscará seu quarto mandato, e o
senador Flávio Bolsonaro (PL), principal candidato da oposição e representante
do clã Bolsonaro nas eleições.
Lula e
Flávio Bolsonaro aparecem em 1° e 2° lugar em pesquisas de intenção de voto do
primeiro turno, e tecnicamente empatados em um eventual segundo turno.
Além
deles, nomes como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), que governaram
respectivamente os estados de Minas Gerais e Goiás, estão na disputa. O
ex-ministro Aldo Rebelo (DC) também aparece na lista.
Esse
quadro, contudo, pode mudar. Até 15 de agosto, prazo final para o registro das
candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), novos candidatos podem
surgir e outros desistir da disputa.
O
primeiro turno das eleições gerais deste ano está marcado para 4 de outubro.
Caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos válidos, haverá segundo
turno, previsto para 25 de outubro.
A BBC
News Brasil lista quem são os pré-candidatos até o momento à Presidência.
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Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Durante
a campanha eleitoral em 2022, Lula chegou a dizer que caso fosse eleito, seria
"um presidente de um mandato só".
Mas,
nos últimos anos, o petista veio dando sinais de que poderia mudar de ideia.
Em
2025, durante um evento no Rio de Janeiro, Lula foi direto ao dizer que o país
poderia "ter pela primeira vez um presidente eleito 4 vezes".
Meses
depois, durante visita a Jacarta, capital da Indonésia, ele confirmou a
jornalistas, durante coletiva de imprensa, que iria concorrer a um quarto
mandato.
Aos 80
anos, o presidente Lula (PT) disputará sua sétima eleição para presidente. Ele
será o candidato mais velho a concorrer em uma eleição presidencial no Brasil e
terá Geraldo Alckmin (PSB) novamente como vice.
A
confirmação da chapa foi feita no fim de março, durante reunião ministerial no
Palácio do Planalto, em que foi oficializada a saída de 14 ministros do governo
para se candidatarem ao pleito em outubro.
Além de
atual vice-presidente, Alckmin chefia o Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio (MDIC). Ele foi exonerado dias depois do anúncio.
A
legislação eleitoral prevê que ocupantes de cargos no Executivo, que pretendem
disputar as eleições, deixem suas funções até seis meses antes do pleito. A
exceção são os cargos de presidente e vice-presidente. Este ano, o limite para
a descompatibilização era 4 de abril.
Lula
aparece em primeiro lugar em todos os cenários de 1º turno da eleição
presidencial, segundo pesquisa mais recente divulgada pela Atlas/Bloomberg em
25/03.
Os
percentuais de intenção de voto de Lula variam entre 45,5% e 45,9%.
O
desafio do petista contudo, é enfrentar a rejeição. A pesquisa mostra que 52%
dos entrevistados não votariam no atual presidente.
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Flávio Bolsonaro (PL)
Filho
mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro entrou na política
em 2002, quando foi eleito para deputado estadual do Rio de Janeiro.
Na
Assembleia Legislativa, ele exerceu quatro mandatos até se tornar senador da
República em 2018, sendo reeleito em 2022.
A
pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto foi lançada em
dezembro de 2025, quando ele anunciou ter sido escolhido pelo pai para ser o
candidato do PL a disputar a Presidência.
A
escolha foi confirmada em nota assinada pelo presidente do PL, Valdemar Costa
Neto.
O
anúncio foi feito após semanas de desentendimentos entre membros da família
Bolsonaro e da oposição em torno de articulações sobre quem deveria liderar a
direita bolsonarista.
Flávio
deverá ser o principal candidato da oposição. Ele aparece em segundo lugar nas
pesquisas de intenções de voto realizados pela Atlas/Bloomberg, com índices que
variam entre 40,1% e 42,4%.
A mesma
pesquisa apontou uma ligeira vantagem de Flávio se disputasse o 2º turno com
Lula — ele teria 47,6%, e Lula, 46,6%.
Mas,
assim como Lula, o filho do ex-presidente também enfrenta alta rejeição. 46,1%
dos entrevistados pela pesquisa informaram que não votariam em Flávio Bolsonaro
em 2026.
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Ronaldo Caiado (PSD)
O
anúncio foi oficializado pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, em
uma coletiva de imprensa em São Paulo.
Durante
o evento, Caiado fez críticas ao PT, disse que seu objetivo é pacificar o
Brasil e defendeu anistia "ampla, geral e irrestrita".
"O
desafio não é ganhar eleição do PT apenas. Isso é fácil: no segundo ele estará
batido. O difícil é governar para que o PT não seja mais opção no país",
afirmou.
"Eu
vim com esse objetivo, de realmente pacificar o Brasil, ao anistiar todos,
inclusive o ex-presidente. Eu estarei dando uma amostra que a partir dali eu
vou cuidar das pessoas."
Caiado
renunciou ao governo de Goiás em 31 de março.
O
ex-governador de Goiás foi escolhido pelo PSD após disputar internamente a vaga
com os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do
Paraná, que desistiu da disputa na semana anterior ao anúncio.
Horas
antes de Kassab tornar pública a decisão do partido, Leite publicou um vídeo
nas redes sociais afirmando estar "desencantado" com a decisão da
sigla, e que a escolha por Caiado mantinha a "radicalização
polarizada" no Brasil.
"Embora
essa decisão desencante a mim, como a tantos outros brasileiros, pela forma
como insistem em fazer política no nosso país, eu não vou discutir essa
decisão", declarou.
Político
experiente com uma trajetória de mais de três décadas, passando pela Câmara dos
Deputados e Senado, Ronaldo Caiado já havia lançado sua pré-candidatura em
abril de 2025, mas por outro partido: União Brasil.
Na
época, ele concedeu uma entrevista para a BBC News Brasil, em que criticou o
PT, mas evitou falar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Meses depois, ele sofreu
pressões internas para desistir da candidatura e se desfiliou do União. Em
janeiro, ele se filiou ao PSD.
Apesar
de ter apoiado Bolsonaro em 2018 e em 2022, Caiado se afastou do bolsonarismo
durante a pandemia, por defender posições diferentes em relação ao isolamento
social, e também ao repudiar os atos golpistas de 8 de janeiro, classificando o
ocorrido, na época, como "inadmissível, inaceitável e condenável".
O
ex-governador de Goiás é visto como um dos principais representantes políticos
do "agro". Na pesquisa mais recente da Atlas/Bloomberg, Caiado
aparece com 3,7% das intenções de voto no primeiro turno.
Caso a
candidatura de Caiado decole, essa não seria a primeira vez que ele disputa a
presidência da República.
Em
1989, Caiado concorreu à cadeira do Palácio do Planalto e ficou em 10º lugar,
com menos de 1% dos votos.
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Romeu Zema (Novo)
O
ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou sua pré-candidatura à
Presidência em agosto do ano passado, durante um evento em São Paulo.
Na
ocasião, ele fez críticas a Lula e disse que iria "varrer o PT do
mapa".
Em
entrevista à BBC dias antes de se lançar como pré-candidato, Zema admitiu ter
afinidade em propostas com o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas que poderia não
ter o apoio dele na eleição.
Tanto
em 2018 quanto em 2022, Zema declarou apoio a Bolsonaro nas eleições
presidenciais.
O
empresário mineiro estreou na política em 2018, quando disputou sua primeira
eleição para o governo de Minas Gerais.
Ele
venceu no segundo turno com mais de 70% dos votos válidos e se tornou o
primeiro governador eleito pelo partido Novo. Zema foi reeleito em 2022 com
56,18% dos votos válidos no primeiro turno.
Antes
de entrar para a política, Zema atuou por 26 anos como CEO do Grupo Zema, que
atua nos mercados de varejo, distribuição de combustível, concessionárias de
veículos, serviços financeiros e autopeças. Em 2022, ele declarou um patrimônio
de quase R$ 130 milhões.
O
ex-governador de Minas Gerais pode ser o terceiro candidato lançado pelo Novo à
Presidência.
Em
2018, o empresário João Amoêdo, então presidente do partido, surpreendeu ao
terminar o primeiro turno em quinto lugar — com 2,5% dos votos válidos —, à
frente de candidatos como Henrique Meirelles e Marina Silva (Rede).
Já em
2022, o Novo lançou o cientista político Felipe D'Ávila, que recebeu 0,47% dos
votos válidos.
Zema
aparece com intenções de voto que variam entre 3,1% e 3,7%, a depender do
candidato escolhido pelo PSD para concorrer ao pleito.
Ele
renunciou ao mandato como governador de Minas em 22 de março para ser candidato
à Presidência.
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Aldo Rebelo (DC)
Figura
histórica do PCdoB, ao qual foi filiado por cerca de 40 anos, o ex-ministro
Aldo Rebelo lançou sua pré-candidatura à Presidência pelo partido Democracia
Cristã (DC) no fim de janeiro.
Durante
o evento, fez críticas ao governo do presidente Lula, de quem foi aliado, e ao
Supremo Tribunal Federal (STF).
Aldo
Rebelo integrou o núcleo político dos governos petistas e comandou ministérios
estratégicos nas gestões de Lula e Dilma Rousseff. Mas, nos últimos anos,
afastou-se desse campo político e se aproximou do bolsonarismo.
Rebelo
chegou a convidar o ex-ministro das Comunicações Fábio Wajngarten, do governo
Bolsonaro, para compor sua chapa como vice.
Rebelo
é jornalista, foi deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados entre
2005 e 2007.
Ele tem
entre 0,6% e 0,8% nos cenários da pesquisa Atlas/ Bloomberg.
Em
2022, o DC lançou José Maria Eymael — que usou o nome de Constituinte Eymael
para as urnas — como candidato à Presidência. Ele teve 0,01% dos votos válidos.
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Renan Santos (Missão)
Cofundador
do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos lançou em janeiro sua
pré-candidatura à Presidência pelo Missão, legenda idealizada por integrantes
do próprio MBL.
Na
pesquisa Atlas/ Bloomberg ele fica entre 4,4% e 4,6% das intenções de voto.
O
Movimento Brasil Livre foi criado em 2014 e ganhou projeção nacional durante as
manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff, quando
ajudou a organizar protestos de rua contra o governo do PT.
Junto
com Kim Kataguiri (União), que hoje exerce o cargo de deputado federal, Santos
ficou conhecido por sua atuação nas mobilizações de rua e presença nas redes
sociais.
Em
2018, o MBL apoiou a candidatura de Bolsonaro. Em 2022, fizeram campanha pelo
voto nulo no segundo turno.
Em
entrevista à BBC News Brasil em dezembro do ano passado, Kataguiri disse que
apoiar Bolsonaro em 2026 estava "fora de cogitação" e que Santos
seria o representante do movimento.
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Samara Martins (UP)
No
início de fevereiro, o Partido Unidade Popular (UP) lançou Samara Martins como
pré-candidata à disputa pelo Palácio do Planalto.
Samara
tem 36 anos, é dentista e vice-presidente nacional do partido. Ela também atua
no Movimento de Mulheres Olga Benário e na Frente Negra Revolucionária.
O nome
dela não aparece nas pesquisas.
Na
última eleição, o UP lançou Léo Péricles como candidato à presidência. Ele
obteve 0,05% dos votos válidos.
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Hertz Dias (PSTU)
Também
em fevereiro, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) lançou a
pré-candidatura de Hertz Dias à presidência da República.
Hertz é
professor de História da rede pública em São Luís, no Maranhão. Em 2022, ele
foi candidato ao governo do Estado e teve 0,15% dos votos (5.191 votos).
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Edmilson Costa (PCB)
Em
março, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) lançou a pré-candidatura de
Edmilson Costa à presidência da República.
Edmilson
é doutor em Economia pela Unicamp, com pós-doutorado no Instituto de Filosofia
e Ciências Humanas da mesma universidade.
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Augusto Cury (Avante)
Augusto
Cury é psiquiatra e autor de dezenas de livros, entre eles o best-seller O
Vendedor de Sonhos, que em 2009 recebeu o prêmio de melhor ficção pela Academia
Chinesa de Letras e foi adaptado ao cinema.
O
escritor já havia manifestado nas redes sociais a intenção de disputar a
eleição para presidente este ano, mas buscava um partido para se filiar.
No dia
05 de abril, o Avante anunciou a filiação e o lançamento da pré-candidatura de
Cury. Em uma publicação nas redes sociais, a legenda afirmou: "O povo
brasileiro não aguenta mais essa polarização e é preciso virar essa página com
alguém que consiga fazer o nosso país avançar com prosperidade e qualidade de
vida para as pessoas!".
Essa
será a primeira vez que Cury disputa um cargo eletivo.
Em uma
entrevista à Folha de S. Paulo um dia após o anúncio, o escritor disse que
resolveu entrar na política "por não precisar do poder" e que sua
candidatura vai até o fim.
"Ela
[candidatura] vai até o final. Alguém com o meu currículo e com a minha
biografia não deveria entrar no teatro da política, um teatro pantanoso onde há
muitas críticas e não poucos haters. E vários líderes que eu conversei, dos
mais diversos partidos, falaram 'doutor Cury, por que você [quer] entrar na
política? Você não precisa.' Porque justamente não preciso do poder, não amo o
poder, estou entrando", afirmou.
Em
2022, o Avante chegou a lançar o deputado federal mineiro André Janones para
presidente, mas ele não chegou a oficializar a candidatura e saiu da disputa
para apoiar Lula.
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Cabo Daciolo (Mobiliza)
Cabo
Daciolo é um bombeiro militar aposentado, pastor evangélico e ex-deputado
federal. Ele notoriedade em 2011, quando liderou uma greve de bombeiros no Rio
de Janeiro.
Em
2014, ele foi eleito deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro e exerceu
um mandato na Câmara.
No
início de abril, Daciolo anunciou sua pré-candidatura à Presidência pelo
Mobiliza, antigo Partido da Mobilização Nacional (PMN). Anteriormente, ele
havia dito que concorreria ao Senado em 2026.
Esta
será a segunda tentativa do ex-parlamentar de chegar ao Palácio do Planalto. Em
2018, filiado ao Patriota, ele terminou a disputa presidencial em sexto lugar,
com 1,26% dos votos, à frente de Marina Silva e Henrique Meirelles.
Fonte:
BBC News Brasil

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