sexta-feira, 10 de abril de 2026

Frei Betto: Como maestria geopolítica de Fidel projetou Revolução Cubana no mundo

Neste ano de 2026, em que Fidel Castro completaria 100 anos, é importante lembrar que sua figura transcendeu as fronteiras de Cuba para se tornar um dos ícones determinantes da política internacional do século 20. Sua trajetória foi moldada por três eixos principais: relação de conflito permanente com os EUA, aliança estratégica com a União Soviética e atuação de liderança no Movimento dos Países Não Alinhados. E utilizou-os para garantir a sobrevivência da Revolução Cubana, projetar influência global e defender uma visão própria de soberania e anti-imperialismo.

A relação entre Fidel e os EUA definiu a política externa de Cuba e passou pela fase do confronto devido às nacionalizações das empresas estrangeiras (1959-1961). Foi o fator primordial que levou o país a se alinhar com o bloco soviético.

Após a vitória da Revolução, em 1959, as reformas implementadas por Cuba expropriaram terras e empresas de capital estadunidense, e levaram a uma rápida deterioração das relações entre os dois países. Os EUA responderam com um plano para derrubar o regime cubano, que culminou na fracassada invasão da Baía dos Porcos, em 1961. Este episódio decisivo levou Fidel a declarar o caráter socialista da Revolução e a buscar abertamente o alinhamento com a União Soviética.

O ápice da tensão foi a crise dos mísseis (1962). Para deter novas invasões, Fidel aceitou a instalação de mísseis nucleares soviéticos em solo cubano. A descoberta pelos EUA causou uma crise que colocou o mundo à beira de uma guerra nuclear.

O bloqueio imposto a Cuba pela Casa Branca, na tentativa de sufocar a Revolução, caracteriza outra frente de batalha constante comandada por Fidel. Todos os anos a Assembleia Geral da ONU reitera sua condenação ao bloqueio, que perdura por mais de seis décadas como o pilar da relação bilateral, consolidando a resiliência cubana de resistência ao imperialismo ianque.

As relações conflituosas entre os dois países só conheceram um breve período de alívio a partir de 2014, quando o papa Francisco interveio junto aos governos de Barack Obama e Raúl Castro para o restabelecimento de relações diplomáticas e reabertura das embaixadas. Contudo, os governos Trump e Biden minaram as pontes de contato ao recrudescer o bloqueio, inclusive inserindo Cuba na lista dos países que supostamente promovem ações terroristas.

A aliança com a União Soviética foi fundamental para a sobrevivência do regime cubano, embora marcada por conveniência estratégica, dependência e impasses. No início os soviéticos desconfiavam de Fidel, visto por alguns líderes comunistas como um “representante da alta burguesia”. A aproximação se deu de forma pragmática: após o fracasso da Baía dos Porcos, Fidel declarou o caráter socialista da Revolução Cubana e recebeu o apoio soviético, que via Cuba em posição geopolítica estratégica no quintal dos EUA. Em troca de açúcar, a URSS fornecia a Cuba petróleo, bens de consumo e apoio militar. 

A relação entre os dois países socialistas se aprofundou economicamente a partir dos anos 1970. Em 1972, Cuba ingressou no Conselho para Assistência Econômica Mútua (Comecon) e a Revolução conheceu seu melhor período de bem-estar do povo cubano. Porém, o colapso da União Soviética, em 1991, fez Cuba perder subitamente cerca de 85% do seu comércio exterior e entrar no severo “Período Especial”, uma crise econômica profunda. Fidel criticou veementemente as reformas de Mikhail Gorbachev (perestroika e glasnost), consideradas traição ao socialismo. A capacidade de sobrevivência do regime cubano após este choque testemunhou de novo a resiliência da Revolução.

Paralelamente à aproximação com os soviéticos, Fidel se destacou como liderança no Movimento dos Países Não Alinhados (MNA), fórum de países que buscavam não se alinhar formalmente a nenhum dos blocos da Guerra Fria. Para Cuba, o não-alinhamento nunca significou neutralidade passiva, e sim compromisso ativo com a luta anti-imperialista, anticolonial e pela soberania nacional.

Desde sua entrada no MNA em 1961, Cuba usou o fórum para denunciar a dominação dos EUA e apoiar movimentos de libertação na África e América Latina. O auge da liderança de Fidel ocorreu quando presidiu a 6ª Cúpula do MNA em Havana, em 1979. Tentou orientar o movimento para uma visão mais militante ao propor uma “aliança natural” com o bloco socialista. Este posicionamento gerou fortes divisões, especialmente com a Iugoslávia de Tito, que defendia certa equidistância.

Para muitos no Sul Global, Fidel permanece como um símbolo de desafio ao imperialismo ocidental, especialmente dos EUA. Seu apoio a movimentos de libertação em Angola, Namíbia e  Nicarágua, internacionalismo nas áreas da saúde e da educação, e liderança na campanha internacional pelo cancelamento da dívida externa dos países periféricos, conquistaram-lhe grande respeito. 

Seu maior feito geopolítico foi garantir a sobrevivência de um pequeno Estado socialista a apenas 150 km dos EUA, enfrentando bloqueio, invasão e inúmeras tentativas terroristas de desestabilização.

Fidel soube utilizar a rivalidade das superpotências (URSS X EUA) e a solidariedade do Terceiro Mundo (MNA) como amortecedores. Criou um paradigma de política externa baseado na soberania intransigente, no anti-imperialismo militante e no internacionalismo solidário. Mesmo após o fim da União Soviética manteve este discurso, criticando a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e as intervenções ocidentais, como na Líbia em 2011.

Fidel foi um arquiteto geopolítico singular. A relação com os EUA foi o motor que definiu sua trajetória, conduzindo a Revolução Cubana para uma aliança estratégica com os soviéticos baseada no respeito mútuo. Ao mesmo tempo, exerceu papel de liderança no Movimento dos Não Alinhados ao propor uma agenda de soberania e oposição ao imperialismo.

Mais do que um mero peão da Guerra Fria, Fidel aproveitou as fissuras do sistema internacional para elevar Cuba à posição de ator global desproporcional ao seu tamanho geográfico. Assim deixou um legado que, seja como inspiração ou advertência, continua a reverberar nas relações internacionais do século 21. 

Ao longo de sua vida, construiu a história de um líder que, ao desafiar uma superpotência vizinha às fronteiras de Cuba, tornou-se um expoente heroico e exemplar no tabuleiro mundial. Hoje, sua figura inconteste fortalece a resiliência do povo cubano frente às ameaças terroristas de Donald Trump.

¨      'Cuba não representa ameaça aos EUA', afirma Díaz-Canel

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que a ilha não representa ameaça aos Estados Unidos e defendeu a retomada do diálogo bilateral com base no respeito à soberania e na cooperação em diversas áreas. Em entrevista, ele destacou que é possível alcançar acordos entre os dois países, apesar das tensões históricas e das dificuldades políticas existentes.

As declarações foram dadas em entrevista à revista Newsweek. No diálogo, Díaz-Canel abordou temas como negociações diplomáticas, risco de conflito militar, sistema político cubano e os desafios econômicos enfrentados pelo país.

Segundo o líder cubano, há espaço para entendimento entre Havana e Washington, desde que o diálogo ocorra em condições de igualdade. “Podemos dialogar porque, ao longo de todos os anos da Revolução, Cuba sempre se mostrou disposta a manter uma relação civilizada e cordial com os Estados Unidos, independentemente de nossas diferenças ideológicas”, afirmou.

Ele ressaltou que áreas como migração, segurança, meio ambiente, ciência e comércio poderiam ser objeto de cooperação mútua. O presidente cubano também apontou obstáculos relevantes, como a desconfiança gerada por décadas de hostilidade e pelo histórico de descumprimento de acordos por parte dos Estados Unidos.

Díaz-Canel também criticou o bloqueio econômico imposto ao país, que, segundo ele, tem efeitos “devastadores na vida das pessoas”, e mencionou a política de pressão intensificada, incluindo restrições energéticas.

<><> Defesa da soberania e risco de conflito

Ao ser questionado sobre a possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos, o presidente cubano afirmou que o país mantém uma postura de defesa. “Cuba não é um país em guerra. É um país de paz que promove a solidariedade e a cooperação. Mas Cuba não tem medo da guerra”, declarou.

Ele reforçou que a ilha não representa ameaça ao território norte-americano. “Cuba não representa uma ameaça aos Estados Unidos, muito menos uma ameaça ‘extraordinária e incomum’”, disse, criticando justificativas utilizadas por Washington para medidas contra o país.

Díaz-Canel afirmou ainda que há uma retórica recente de autoridades norte-americanas sugerindo possíveis ações militares contra Cuba, o que, segundo ele, aumenta a tensão. Mesmo assim, reiterou que o objetivo do governo cubano é evitar conflitos. “Sempre nos esforçaremos para evitar a guerra. Sempre trabalharemos pela paz. Mas, se ocorrer uma agressão militar, responderemos, lutaremos, nos defenderemos”, declarou.

Ele alertou que um eventual confronto traria consequências graves para ambos os países. “As perdas de vidas e os danos materiais seriam incalculáveis”, afirmou.

<><> Sistema político e conquistas sociais

Ao comentar a permanência do Partido Comunista no poder após mais de seis décadas, Díaz-Canel avaliou positivamente o papel da organização na condução do país. Segundo ele, mesmo sob sanções e pressões externas, Cuba conseguiu avanços significativos.

O presidente destacou conquistas como a erradicação do analfabetismo, o sistema de saúde universal e gratuito, a formação de profissionais qualificados e o desenvolvimento científico, incluindo a produção de vacinas durante a pandemia de COVID-19.

Ele também abordou os desafios internos, como limitações no sistema de saúde causadas pela falta de recursos. “Há mais de 90.000 cubanos em lista de espera para cirurgia, incluindo mais de 11.000 crianças”, afirmou, atribuindo parte das dificuldades ao impacto do bloqueio econômico.

<><> Reformas econômicas e perspectivas

Díaz-Canel afirmou que Cuba está implementando mudanças para modernizar sua economia, incluindo maior autonomia para empresas estatais, ampliação do setor privado e incentivo ao investimento estrangeiro.

Segundo ele, o país busca equilibrar planejamento estatal e mecanismos de mercado, além de avançar em áreas como transição energética, produção de alimentos e digitalização.

O presidente também criticou a guerra midiática e a manipulação contra Cuba, destacando que o país enfrenta pressões externas constantes. Apesar disso, afirmou que o governo mantém o compromisso com reformas e com a melhoria das condições de vida da população.

Ao final, Díaz-Canel questionou a política dos Estados Unidos em relação à ilha. “Se acreditam que nosso modelo é tão ruim, por que persistiram por 67 anos gastando milhões de dólares para nos bloquear?” – indagou.

Ele concluiu reafirmando a disposição de Cuba para o diálogo e a cooperação internacional, defendendo que o país tenha liberdade para desenvolver seu potencial sem restrições externas.

¨      De olho nas eleições, democratas apoiam Trump na asfixia contra Cuba

Menos de 24 horas após o presidente Donald Trump declarar que o bloqueio petrolífero contra Cuba não seria mais aplicado, sua porta-voz na Casa Branca insistiu que não houve nenhuma mudança na política e que Washington se reserva o direito de confiscar embarcações do México e de outros países que enviarem petróleo à ilha. E, apesar de versões sobre negociações bilaterais, o governo estadunidense continua apostando no colapso do que chama de uma “Cuba falida”. Confira os detalhes.

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A política de Washington em relação a Cuba segue envolta em decisões contraditórias do presidente estadunidense, o que também reflete as disputas internas dentro de seu governo, tanto em Washington quanto em Miami, além do jogo político dos democratas.

“Cuba será a próxima. Cuba é um desastre… dentro de pouco tempo falhará e estaremos lá para ajudá-los, estaremos lá para ajudar nossos grandes cubano-estadunidenses que foram expulsos de Cuba; em muitos casos, seus familiares foram mutilados e assassinados por Castro. Cuba será a próxima”, reafirmou Trump em 29 de março, durante um voo de retorno da Flórida a Washington.

Na mesma conversa, Trump surpreendeu ao comentar a chegada de um navio petroleiro russo à ilha e afirmar “não nos importa” em relação à possibilidade de carregamentos de petróleo chegarem a Cuba, já que “eles precisam sobreviver”. O navio chegou à ilha em 30 de março, marcando a primeira entrega de petróleo estrangeiro em três meses. O mandatário acrescentou a frase “não tenho nenhum problema” sobre o envio de petróleo por outras nações e afirmou que preferia permitir a entrada do combustível “porque as pessoas precisam de aquecimento, refrigeração e todas as coisas necessárias para viver.”

Horas depois, porém, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que “não houve uma mudança formal na política de sanções [contra a ilha]. Essas decisões estão sendo tomadas caso a caso”. Questionada sobre os comentários da presidenta Claudia Sheinbaum, de que o México estuda retomar o envio de petróleo à ilha, respondeu: “Novamente, não há mudança em nossa política de sanções. Reservamos o direito de confiscar embarcações, se for legalmente aplicável, que violem as políticas, e o presidente se reserva o direito de confiscar essas embarcações”. Ao ser perguntada se a Rússia teria sinal verde para continuar com esses envios, reiterou que será avaliado “caso a caso”.

Vale notar que o site da Casa Branca ainda mantém a ordem executiva de 29 de janeiro, determinando a aplicação de sanções a qualquer país que se atreva a enviar petróleo a Cuba — ou seja, estabelecendo um bloqueio naval.

Não é fácil prever o futuro imediato da política da Casa Branca em relação à ilha, não apenas para observadores externos, mas também para integrantes do próprio governo Trump, incluindo, certamente, seu secretário de Estado cubano-estadunidense Marco Rubio, que vinha defendendo o bloqueio petrolífero.

Em 30 de março, sem fazer referência ao que seu chefe havia dito no dia anterior, Rubio declarou: “Se Cuba realmente quer sair do buraco em que se meteu, ou melhor, em que o regime a colocou, precisa empreender reformas muito sérias tanto em seu governo quanto em sua economia. E, se estiverem dispostos a fazê-lo, nós os ajudaremos”. Em entrevista à Al Jazeera, acrescentou: “Não tomamos nenhuma medida punitiva contra o regime cubano. Eles afirmam que sim, mas não é verdade. A única coisa que mudou para o regime cubano é que já não recebe petróleo venezuelano gratuitamente. Já não recebe subsídios. Essa é a única coisa que mudou”. E reiterou: “Também não pode haver prosperidade econômica sem um nível significativo de liberdade política.”

Rubio não fez nenhuma referência à ordem executiva de 29 de janeiro, nem às pressões sobre México e outros países para interromper seus envios de petróleo à ilha até esta semana, muito menos ao bloqueio econômico de mais de 60 anos contra Cuba. Questionado sobre o que os Estados Unidos querem, Rubio acrescentou: “Não precisamos de nada de Cuba. Quero dizer que é Cuba que precisa de nós.”

<><> Tema eleitoral

Vale lembrar que este já é um momento eleitoral nos Estados Unidos, e Cuba está inserida nesse jogo, para o bem e para o mal. Por um lado, as eleições de meio de mandato em novembro, nas quais está em jogo o controle majoritário de ambas as casas do Congresso, impõem cautela aos republicanos, que por ora dominam o Legislativo — ou seja, não desejam cometer erros que possam beneficiar seus adversários. Ao mesmo tempo, precisam atender às demandas de certos setores, neste caso, o ainda influente segmento anticastrista da Flórida.

Mas os democratas também estão em disputa e não ousarão criticar políticas contra “adversários” como Cuba e Irã, e, ao mesmo tempo, buscarão atrair apoio de setores que historicamente favoreceram os republicanos em estados como a Flórida. Isso pode resultar, curiosamente, em uma pressão da direita sobre os republicanos, incluindo Trump, caso os democratas os critiquem por não serem suficientemente “duros”.

Por exemplo, entre os democratas com aspirações presidenciais está o governador da Califórnia, Gavin Newsom, considerado um liberal centrista. Questionado sobre a política em relação a Cuba, afirmou: “Aprecio, até respeito, que o governo Trump esteja avançando… Esse quase bloqueio criou condições nas quais agora temos 51 prisioneiros libertados, estamos tendo uma conversa diferente com a liderança [cubana], estamos negociando um marco diferente a partir de uma posição de força distinta”. Depois, condenou a “ditadura” de Nicolás Maduro: “Estamos falando de uma ditadura, estamos falando da liderança em Cuba hoje, então devemos agir com esses valores, absolutamente”. Embora em outros temas seja mais coerente, é significativo o receio de criticar a política de Trump em relação à ilha.

Também chama atenção o quase total silêncio de políticos democratas liberais e até progressistas sobre Cuba — incluindo Barack Obama, cujo avanço na normalização das relações com a ilha foi revertido pelo atual presidente. A deputada Alexandria Ocasio-Cortez, uma das líderes da ala progressista, chegou a declarar há um mês que o bloqueio petrolífero contra Cuba faz parte de uma “nova era de depravação” promovida pelo governo Trump, mas desde então pouco voltou ao tema.

Entre as exceções está o senador democrata Peter Walsh, que fez um apelo pelo fim do bloqueio econômico estadunidense. No fim de março, a deputada Ilhan Omar também aderiu a esse chamado: “Estou indignada com o que Trump está fazendo ao povo cubano”, afirmou em discurso no plenário da Câmara, acrescentando:

“O bloqueio petrolífero promovido pelo governo Trump é cruel e indefensável. Cuba não representa nenhuma ameaça para nós e, ainda assim, estamos estrangulando toda uma nação com uma guerra econômica… Não se enganem: esse sofrimento injustificável ocorre porque Trump está tentando forçar uma mudança de regime”.

Para concluir, Omar afirmou: “Em todo o nosso país e ao redor do mundo, as pessoas estão se levantando em solidariedade ao povo cubano, exigindo dignidade, humanidade e o fim desse dano. Mãos fora de Cuba. Fim ao bloqueio já!”

<><> Presidente de Cuba recebe congressistas dos EUA e critica impacto do bloqueio

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, recebeu neste domingo (05/04) os congressistas democratas estadunidenses Pramila Jayapal e Jonathan L. Jackson.

Na reunião em Havana, o mandatário denunciou o impacto do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, especialmente a asfixia energética decretada pelo governo atual.

Díaz-Canel descreveu essas medidas como “dano criminoso” e alertou para ameaças de ações ainda mais agressivas por parte do governo dos Estados Unidos.

Durante a reunião, o presidente cubano reiterou a disposição de seu governo em manter um diálogo bilateral sério e responsável, com o objetivo de encontrar soluções para as divergências existentes entre os dois países.

Além de ativista e deputado por Illinois desde 2023, Jonathan L. Jackson é filho do reverendo Jesse Jackson. Pramila Jayapal é a primeira mulher estadunidense de origem indiana a servir na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

Após o encontro, Jayapal postou que “o bloqueio ilegal dos Estados Unidos de combustível para Cuba – 90 milhas ao sul dos Estados Unidos – soma-se ao embargo mais longo da história mundial e está causando sofrimento incalculável ao povo cubano. Os Estados Unidos impediram que uma única gota de petróleo entrasse em Cuba por mais de três meses”.

“Isso é um cruel castigo coletivo – efetivamente um bombardeio econômico da infraestrutura do país – que produziu danos permanentes. Deve parar imediatamente”, disse ela.

Jayapal também chamou atenção para os danos contra a saúde do país. “Testemunhamos em primeira mão bebês prematuros em incubadoras, pesando apenas dois quilos, que correm um risco tremendo porque seus ventiladores e incubadoras não podem funcionar sem eletricidade. Crianças não podem ir à escola porque não há combustível para elas ou para seus professores viajarem. Pacientes com câncer não podem receber tratamentos que salvam vidas devido à falta de medicamentos”, disse.

“Há escassez de água porque há pouca eletricidade para bombear água. Empresas fecharam. Famílias não conseguem manter os alimentos refrigerados, e a produção de alimentos na ilha caiu para apenas 10% das necessidades da população”, completou.

No ano passado, o governo cubano anunciou dados sobre o quanto custa ao país as sanções unilateralmente impostas por Washington.

Entre março de 2024 e fevereiro de 2025, o bloqueio causou prejuízos estimados em US$ 7,5 bilhões (R$ 38,6 bi), e representou aumento de cerca de 50% em relação ao ciclo anterior, resultado da política deliberada de asfixia e do recrudescimento das sanções aplicadas pelo novo governo republicano dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump e pelo secretário de Estado Marco Rubio.

 

Fonte: Diálogos do Sul Global/Opera Mundi

 

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