Frei
Betto: Como maestria geopolítica de Fidel projetou Revolução Cubana no mundo
Neste
ano de 2026, em que Fidel Castro completaria 100
anos, é importante lembrar que sua figura transcendeu as fronteiras
de Cuba para se tornar um dos ícones determinantes da política internacional do
século 20. Sua trajetória foi moldada por três eixos principais: relação de
conflito permanente com os EUA, aliança estratégica com a União
Soviética e atuação de liderança no Movimento dos Países Não Alinhados. E
utilizou-os para garantir a sobrevivência da Revolução Cubana, projetar
influência global e defender uma visão própria de soberania e anti-imperialismo.
A
relação entre Fidel e os EUA definiu a política externa de Cuba e passou pela
fase do confronto devido às nacionalizações das empresas estrangeiras
(1959-1961). Foi o fator primordial que levou o país a se alinhar com o bloco
soviético.
Após a
vitória da Revolução, em 1959, as reformas implementadas por Cuba expropriaram
terras e empresas de capital estadunidense, e levaram a uma rápida deterioração
das relações entre os dois países. Os EUA responderam com um plano para
derrubar o regime cubano, que culminou na fracassada invasão da Baía dos
Porcos, em 1961. Este episódio decisivo levou Fidel a declarar o caráter
socialista da Revolução e a buscar abertamente o alinhamento com a União Soviética.
O ápice
da tensão foi a crise dos mísseis (1962). Para deter novas invasões, Fidel
aceitou a instalação de mísseis nucleares soviéticos em solo cubano. A
descoberta pelos EUA causou uma crise que colocou o mundo à beira de
uma guerra nuclear.
O
bloqueio imposto a Cuba pela Casa Branca, na tentativa de sufocar a Revolução, caracteriza outra
frente de batalha constante comandada por Fidel. Todos os anos a Assembleia
Geral da ONU reitera sua condenação ao bloqueio, que
perdura por mais de seis décadas como o pilar da relação bilateral,
consolidando a resiliência cubana de resistência ao imperialismo ianque.
As
relações conflituosas entre os dois países só conheceram um breve período de
alívio a partir de 2014, quando o papa Francisco interveio junto aos governos
de Barack Obama e Raúl Castro para o restabelecimento de relações diplomáticas
e reabertura das embaixadas. Contudo, os governos Trump e Biden minaram as
pontes de contato ao recrudescer o bloqueio, inclusive inserindo Cuba na lista
dos países que supostamente promovem ações terroristas.
A
aliança com a União Soviética foi fundamental para a sobrevivência do regime
cubano, embora marcada por conveniência estratégica, dependência e impasses. No
início os soviéticos desconfiavam de Fidel, visto por alguns líderes comunistas
como um “representante da alta burguesia”. A aproximação se deu de forma
pragmática: após o fracasso da Baía dos Porcos, Fidel declarou o caráter
socialista da Revolução Cubana e recebeu o apoio soviético, que via Cuba em
posição geopolítica estratégica no quintal dos EUA. Em troca de açúcar, a URSS
fornecia a Cuba petróleo, bens de consumo e apoio militar.
A
relação entre os dois países socialistas se aprofundou economicamente a partir
dos anos 1970. Em 1972, Cuba ingressou no Conselho para Assistência Econômica
Mútua (Comecon) e a Revolução conheceu seu melhor período de bem-estar do povo
cubano. Porém, o colapso da União Soviética, em 1991, fez Cuba perder
subitamente cerca de 85% do seu comércio exterior e entrar no severo “Período
Especial”, uma crise econômica profunda. Fidel criticou veementemente as
reformas de Mikhail Gorbachev (perestroika e glasnost), consideradas traição
ao socialismo. A capacidade de
sobrevivência do regime cubano após este choque testemunhou de novo a
resiliência da Revolução.
Paralelamente
à aproximação com os soviéticos, Fidel se destacou como liderança no Movimento dos Países
Não Alinhados (MNA),
fórum de países que buscavam não se alinhar formalmente a nenhum dos blocos da
Guerra Fria. Para Cuba, o não-alinhamento nunca significou neutralidade
passiva, e sim compromisso ativo com a luta anti-imperialista, anticolonial e
pela soberania nacional.
Desde
sua entrada no MNA em 1961, Cuba usou o fórum
para denunciar a dominação dos EUA e apoiar movimentos de libertação na África
e América Latina. O auge da liderança de Fidel ocorreu quando presidiu a 6ª
Cúpula do MNA em Havana, em 1979. Tentou orientar o movimento para uma visão
mais militante ao propor uma “aliança natural” com o bloco
socialista. Este posicionamento gerou fortes divisões, especialmente com a
Iugoslávia de Tito, que defendia certa equidistância.
Para
muitos no Sul Global, Fidel permanece como um símbolo de desafio ao
imperialismo ocidental, especialmente dos EUA. Seu apoio a movimentos de
libertação em Angola, Namíbia e Nicarágua, internacionalismo nas áreas da
saúde e da educação, e liderança na campanha internacional pelo cancelamento da
dívida externa dos países periféricos, conquistaram-lhe grande respeito.
Seu
maior feito geopolítico foi garantir a sobrevivência de um pequeno Estado
socialista a apenas 150 km dos EUA, enfrentando bloqueio, invasão e inúmeras
tentativas terroristas de desestabilização.
Fidel soube
utilizar a rivalidade das superpotências (URSS X EUA) e a solidariedade do
Terceiro Mundo (MNA) como amortecedores. Criou um paradigma de política externa
baseado na soberania intransigente, no anti-imperialismo militante e no
internacionalismo solidário. Mesmo após o fim da União Soviética manteve este
discurso, criticando a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte
(Otan) e as intervenções ocidentais, como na Líbia em 2011.
Fidel
foi um arquiteto geopolítico singular. A relação com os EUA foi o
motor que definiu sua trajetória, conduzindo a Revolução Cubana para
uma aliança estratégica com os soviéticos baseada no respeito mútuo. Ao mesmo
tempo, exerceu papel de liderança no Movimento dos Não Alinhados ao
propor uma agenda de soberania e oposição ao imperialismo.
Mais do
que um mero peão da Guerra Fria, Fidel aproveitou as fissuras do sistema
internacional para elevar Cuba à posição de ator global desproporcional ao seu
tamanho geográfico. Assim deixou um legado que, seja como inspiração
ou advertência, continua a reverberar nas relações internacionais do
século 21.
Ao
longo de sua vida, construiu a história de um líder que, ao desafiar uma
superpotência vizinha às fronteiras de Cuba, tornou-se um expoente heroico e
exemplar no tabuleiro mundial. Hoje, sua figura inconteste fortalece a
resiliência do povo cubano frente às ameaças terroristas de Donald Trump.
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'Cuba não representa ameaça aos EUA', afirma Díaz-Canel
O
presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que a ilha não representa
ameaça aos Estados Unidos e defendeu a retomada do diálogo bilateral com base
no respeito à soberania e na cooperação em diversas áreas. Em entrevista, ele
destacou que é possível alcançar acordos entre os dois países, apesar das
tensões históricas e das dificuldades políticas existentes.
As
declarações foram dadas em entrevista à revista Newsweek. No diálogo,
Díaz-Canel abordou temas como negociações diplomáticas, risco de conflito
militar, sistema político cubano e os desafios econômicos enfrentados pelo
país.
Segundo
o líder cubano, há espaço para entendimento entre Havana e Washington, desde
que o diálogo ocorra em condições de igualdade. “Podemos dialogar porque, ao
longo de todos os anos da Revolução, Cuba sempre se mostrou disposta a manter
uma relação civilizada e cordial com os Estados Unidos, independentemente de
nossas diferenças ideológicas”, afirmou.
Ele
ressaltou que áreas como migração, segurança, meio ambiente, ciência e comércio
poderiam ser objeto de cooperação mútua. O presidente cubano também apontou
obstáculos relevantes, como a desconfiança gerada por décadas de hostilidade e
pelo histórico de descumprimento de acordos por parte dos Estados Unidos.
Díaz-Canel
também criticou o bloqueio econômico
imposto ao
país, que, segundo ele, tem efeitos “devastadores na vida das pessoas”, e
mencionou a política de pressão intensificada, incluindo restrições
energéticas.
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Defesa da soberania e risco de conflito
Ao ser
questionado sobre a possibilidade de uma ação militar dos
Estados Unidos,
o presidente cubano afirmou que o país mantém uma postura de defesa. “Cuba não
é um país em guerra. É um país de paz que promove a solidariedade e a
cooperação. Mas Cuba não tem medo da guerra”, declarou.
Ele
reforçou que a ilha não representa ameaça ao território norte-americano. “Cuba
não representa uma ameaça aos Estados Unidos, muito menos uma ameaça
‘extraordinária e incomum’”, disse, criticando justificativas utilizadas por
Washington para medidas contra o país.
Díaz-Canel
afirmou ainda que há uma retórica recente de autoridades norte-americanas
sugerindo possíveis ações militares contra Cuba, o que, segundo ele, aumenta a
tensão. Mesmo assim, reiterou que o objetivo do governo cubano é evitar
conflitos. “Sempre nos esforçaremos para evitar a guerra. Sempre trabalharemos
pela paz. Mas, se ocorrer uma agressão militar, responderemos, lutaremos, nos
defenderemos”, declarou.
Ele
alertou que um eventual confronto traria consequências graves para ambos os
países. “As perdas de vidas e os danos materiais seriam incalculáveis”,
afirmou.
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Sistema político e conquistas sociais
Ao
comentar a permanência do Partido Comunista no poder após mais de seis décadas,
Díaz-Canel avaliou positivamente o papel da organização na condução do país.
Segundo ele, mesmo sob sanções e pressões externas, Cuba conseguiu avanços
significativos.
O
presidente destacou conquistas como a erradicação do analfabetismo, o sistema
de saúde universal e gratuito, a formação de profissionais qualificados e o
desenvolvimento científico, incluindo a produção de vacinas durante a pandemia
de COVID-19.
Ele
também abordou os desafios internos, como limitações no sistema de saúde
causadas pela falta de recursos. “Há mais de 90.000 cubanos em lista de espera
para cirurgia, incluindo mais de 11.000 crianças”, afirmou, atribuindo parte
das dificuldades ao impacto do bloqueio econômico.
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Reformas econômicas e perspectivas
Díaz-Canel
afirmou que Cuba está implementando mudanças para modernizar sua economia,
incluindo maior autonomia para empresas estatais, ampliação do setor privado e
incentivo ao investimento estrangeiro.
Segundo
ele, o país busca equilibrar planejamento estatal e mecanismos de mercado, além
de avançar em áreas como transição energética, produção de alimentos e
digitalização.
O
presidente também criticou a guerra midiática e a manipulação contra Cuba,
destacando que o país enfrenta pressões externas constantes. Apesar disso,
afirmou que o governo mantém o compromisso com reformas e com a melhoria das
condições de vida da população.
Ao
final, Díaz-Canel questionou a política dos Estados Unidos em relação à ilha.
“Se acreditam que nosso modelo é tão ruim, por que persistiram por 67 anos
gastando milhões de dólares para nos bloquear?” – indagou.
Ele
concluiu reafirmando a disposição de Cuba para o diálogo e a cooperação
internacional, defendendo que o país tenha liberdade para desenvolver seu
potencial sem restrições externas.
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De olho nas eleições, democratas apoiam Trump na asfixia
contra Cuba
Menos
de 24 horas após o presidente Donald Trump declarar que o bloqueio petrolífero
contra Cuba não seria mais aplicado, sua porta-voz na Casa Branca insistiu que
não houve nenhuma mudança na política e que Washington se reserva o direito de
confiscar embarcações do México e de outros países que enviarem petróleo à
ilha. E, apesar de versões sobre negociações bilaterais, o governo
estadunidense continua apostando no colapso do que chama de uma “Cuba falida”.
Confira os detalhes.
* * *
A
política de Washington em relação a Cuba segue envolta em decisões
contraditórias do presidente estadunidense, o que também reflete as disputas
internas dentro de seu governo, tanto em Washington quanto em Miami, além do
jogo político dos democratas.
“Cuba
será a próxima. Cuba é um desastre… dentro de pouco tempo falhará e estaremos
lá para ajudá-los, estaremos lá para ajudar nossos grandes
cubano-estadunidenses que foram expulsos de Cuba; em muitos casos, seus
familiares foram mutilados e assassinados por Castro. Cuba será a próxima”,
reafirmou Trump em 29 de março, durante um voo de retorno da Flórida a
Washington.
Na
mesma conversa, Trump surpreendeu ao comentar a chegada de um navio petroleiro
russo à ilha e afirmar “não nos importa” em relação à possibilidade de
carregamentos de petróleo chegarem a Cuba, já que “eles precisam sobreviver”. O
navio chegou à ilha em 30 de março, marcando a primeira entrega de petróleo
estrangeiro em três meses. O mandatário acrescentou a frase “não tenho nenhum
problema” sobre o envio de petróleo por outras nações e afirmou que preferia
permitir a entrada do combustível “porque as pessoas precisam de aquecimento,
refrigeração e todas as coisas necessárias para viver.”
Horas
depois, porém, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que “não
houve uma mudança formal na política de sanções [contra a ilha]. Essas decisões
estão sendo tomadas caso a caso”. Questionada sobre os comentários da
presidenta Claudia Sheinbaum, de que o México estuda retomar o envio de
petróleo à ilha, respondeu: “Novamente, não há mudança em nossa política de
sanções. Reservamos o direito de confiscar embarcações, se for legalmente
aplicável, que violem as políticas, e o presidente se reserva o direito de
confiscar essas embarcações”. Ao ser perguntada se a Rússia teria sinal verde
para continuar com esses envios, reiterou que será avaliado “caso a caso”.
Vale
notar que o site da Casa Branca ainda mantém a ordem executiva de 29 de
janeiro, determinando a aplicação de sanções a qualquer país que se atreva a
enviar petróleo a Cuba — ou seja, estabelecendo um bloqueio naval.
Não é
fácil prever o futuro imediato da política da Casa Branca em relação à ilha,
não apenas para observadores externos, mas também para integrantes do próprio
governo Trump, incluindo, certamente, seu secretário de Estado
cubano-estadunidense Marco Rubio, que vinha defendendo o bloqueio petrolífero.
Em 30
de março, sem fazer referência ao que seu chefe havia dito no dia anterior,
Rubio declarou: “Se Cuba realmente quer sair do buraco em que se meteu, ou
melhor, em que o regime a colocou, precisa empreender reformas muito sérias
tanto em seu governo quanto em sua economia. E, se estiverem dispostos a
fazê-lo, nós os ajudaremos”. Em entrevista à Al Jazeera, acrescentou: “Não
tomamos nenhuma medida punitiva contra o regime cubano. Eles afirmam que sim,
mas não é verdade. A única coisa que mudou para o regime cubano é que já não
recebe petróleo venezuelano gratuitamente. Já não recebe subsídios. Essa é a
única coisa que mudou”. E reiterou: “Também não pode haver prosperidade
econômica sem um nível significativo de liberdade política.”
Rubio
não fez nenhuma referência à ordem executiva de 29 de janeiro, nem às pressões
sobre México e outros países para interromper seus envios de petróleo à ilha
até esta semana, muito menos ao bloqueio econômico de mais de 60 anos contra
Cuba. Questionado sobre o que os Estados Unidos querem, Rubio acrescentou: “Não
precisamos de nada de Cuba. Quero dizer que é Cuba que precisa de nós.”
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Tema eleitoral
Vale
lembrar que este já é um momento eleitoral nos Estados Unidos, e Cuba está
inserida nesse jogo, para o bem e para o mal. Por um lado, as eleições de meio
de mandato em novembro, nas quais está em jogo o controle majoritário de ambas
as casas do Congresso, impõem cautela aos republicanos, que por ora dominam o
Legislativo — ou seja, não desejam cometer erros que possam beneficiar seus
adversários. Ao mesmo tempo, precisam atender às demandas de certos setores,
neste caso, o ainda influente segmento anticastrista da Flórida.
Mas os
democratas também estão em disputa e não ousarão criticar políticas contra
“adversários” como Cuba e Irã, e, ao mesmo tempo, buscarão atrair apoio de
setores que historicamente favoreceram os republicanos em estados como a
Flórida. Isso pode resultar, curiosamente, em uma pressão da direita sobre os
republicanos, incluindo Trump, caso os democratas os critiquem por não serem
suficientemente “duros”.
Por
exemplo, entre os democratas com aspirações presidenciais está o governador da
Califórnia, Gavin Newsom, considerado um liberal centrista. Questionado sobre a
política em relação a Cuba, afirmou: “Aprecio, até respeito, que o governo
Trump esteja avançando… Esse quase bloqueio criou condições nas quais agora
temos 51 prisioneiros libertados, estamos tendo uma conversa diferente com a
liderança [cubana], estamos negociando um marco diferente a partir de uma
posição de força distinta”. Depois, condenou a “ditadura” de Nicolás Maduro:
“Estamos falando de uma ditadura, estamos falando da liderança em Cuba hoje,
então devemos agir com esses valores, absolutamente”. Embora em outros temas
seja mais coerente, é significativo o receio de criticar a política de Trump em
relação à ilha.
Também
chama atenção o quase total silêncio de políticos democratas liberais e até
progressistas sobre Cuba — incluindo Barack Obama, cujo avanço na normalização
das relações com a ilha foi revertido pelo atual presidente. A deputada
Alexandria Ocasio-Cortez, uma das líderes da ala progressista, chegou a
declarar há um mês que o bloqueio petrolífero contra Cuba faz parte de uma
“nova era de depravação” promovida pelo governo Trump, mas desde então pouco
voltou ao tema.
Entre
as exceções está o senador democrata Peter Walsh, que fez um apelo pelo fim do
bloqueio econômico estadunidense. No fim de março, a deputada Ilhan Omar também
aderiu a esse chamado: “Estou indignada com o que Trump está fazendo ao povo
cubano”, afirmou em discurso no plenário da Câmara, acrescentando:
“O
bloqueio petrolífero promovido pelo governo Trump é cruel e indefensável. Cuba
não representa nenhuma ameaça para nós e, ainda assim, estamos estrangulando
toda uma nação com uma guerra econômica… Não se enganem: esse sofrimento
injustificável ocorre porque Trump está tentando forçar uma mudança de regime”.
Para
concluir, Omar afirmou: “Em todo o nosso país e ao redor do mundo, as pessoas
estão se levantando em solidariedade ao povo cubano, exigindo dignidade,
humanidade e o fim desse dano. Mãos fora de Cuba. Fim ao bloqueio já!”
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Presidente de Cuba recebe congressistas dos EUA e critica impacto do bloqueio
O
presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, recebeu neste domingo (05/04) os
congressistas democratas estadunidenses Pramila Jayapal e Jonathan L. Jackson.
Na
reunião em Havana, o mandatário denunciou o impacto do bloqueio econômico
imposto pelos Estados Unidos, especialmente a asfixia energética decretada pelo
governo atual.
Díaz-Canel
descreveu essas medidas como “dano criminoso” e alertou para ameaças de ações
ainda mais agressivas por parte do governo dos Estados Unidos.
Durante
a reunião, o presidente cubano reiterou a disposição de seu governo em manter
um diálogo bilateral sério e responsável, com o objetivo de encontrar soluções
para as divergências existentes entre os dois países.
Além de
ativista e deputado por Illinois desde 2023, Jonathan L. Jackson é filho do
reverendo Jesse Jackson. Pramila Jayapal é a primeira mulher estadunidense de
origem indiana a servir na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.
Após o
encontro, Jayapal postou que “o bloqueio ilegal dos Estados Unidos de
combustível para Cuba – 90 milhas ao sul dos Estados Unidos – soma-se ao
embargo mais longo da história mundial e está causando sofrimento incalculável
ao povo cubano. Os Estados Unidos impediram que uma única gota de petróleo
entrasse em Cuba por mais de três meses”.
“Isso é
um cruel castigo coletivo – efetivamente um bombardeio econômico da
infraestrutura do país – que produziu danos permanentes. Deve parar
imediatamente”, disse ela.
Jayapal
também chamou atenção para os danos contra a saúde do país. “Testemunhamos em
primeira mão bebês prematuros em incubadoras, pesando apenas dois quilos, que
correm um risco tremendo porque seus ventiladores e incubadoras não podem
funcionar sem eletricidade. Crianças não podem ir à escola porque não há
combustível para elas ou para seus professores viajarem. Pacientes com câncer
não podem receber tratamentos que salvam vidas devido à falta de medicamentos”,
disse.
“Há
escassez de água porque há pouca eletricidade para bombear água. Empresas
fecharam. Famílias não conseguem manter os alimentos refrigerados, e a produção
de alimentos na ilha caiu para apenas 10% das necessidades da população”,
completou.
No ano
passado, o governo cubano anunciou dados sobre o quanto custa ao país as
sanções unilateralmente impostas por Washington.
Entre
março de 2024 e fevereiro de 2025, o bloqueio causou prejuízos estimados em US$
7,5 bilhões (R$ 38,6 bi), e representou aumento de cerca de 50% em relação ao
ciclo anterior, resultado da política deliberada de asfixia e do
recrudescimento das sanções aplicadas pelo novo governo republicano dos Estados
Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump e pelo secretário de Estado Marco
Rubio.
Fonte: Diálogos
do Sul Global/Opera Mundi

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