Sete
alimentos que você deveria comer mais
Nunca
tivemos tantos alimentos diferentes para escolher o que comer.
Tanto é
verdade que, às vezes, pode ser difícil saber quais nutrientes devemos
priorizar a cada dia. Será que devemos nos concentrar mais na proteína, fibras
ou vitamina C?
Para
facilitar a escolha, pesquisadores analisaram mais de 1 mil alimentos crus e
classificaram os que fornecem melhor equilíbrio para atender nossas
necessidades nutricionais diárias.
Aqui
estão sete deles, com os motivos que justificam sua inclusão na nossa próxima
lista de compras.
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Amêndoas
As
amêndoas são ricas em ácidos graxos monoinsaturados e vitamina E.
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Descobriu-se
que seu consumo regular pode ajudar a combater o diabetes e promover a saúde
cardiovascular, reduzindo o colesterol "ruim" e promovendo o
"bom" colesterol.
Em um
estudo, cientistas pediram a 77 adultos que ingerissem 320 calorias em amêndoas
ou biscoitos todos os dias, por 12 semanas.
Todos
os participantes apresentavam fatores de risco de doenças crônicas, como
doenças cardíacas ou diabetes tipo 2, incluindo hipertensão arterial.
Ao
final das 12 semanas, os que comeram amêndoas apresentaram níveis mais baixos
de colesterol "ruim", melhor saúde intestinal e menos inflamações.
Um
estudo de 2022 envolveu 87 pessoas que comeram uma porção de amêndoas inteiras
ou moídas, ou um muffin, todos os dias por quatro semanas.
A
conclusão foi que comer amêndoas inteiras ou moídas aumenta a ingestão de
ácidos graxos monoinsaturados, fibras, potássio e outros nutrientes
importantes.
Os
pesquisadores descobriram que os níveis de butirato eram significativamente
mais altos entre os participantes que comeram amêndoas. O butirato é um ácido
graxo de cadeia curta que alimenta as células que revestem o cólon.
Estas
células fornecem condições ideais para o desenvolvimento dos micróbios
intestinais, para a saúde e fortalecimento das paredes intestinais e para a
melhor absorção de nutrientes.
Além
disso, as pessoas que comeram amêndoas apresentaram 1,5 movimento intestinal
por semana a mais que os outros grupos.
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Acelga vermelha
Esta
verdura é uma rara fonte alimentar de betalaínas, um fitoquímico com qualidades
"neuroprotetoras". Isso significa que ela pode ajudar a proteger o
nosso sistema nervoso contra lesões e os efeitos do envelhecimento.
"A
acelga vermelha contém nitratos, que ajudam o corpo a produzir óxido nítrico,
uma molécula sinalizadora que melhora a saúde da nossa circulação, segundo
William Li, presidente e diretor médico da Fundação Angiogênese, uma
organização norte-americana sem fins lucrativos dedicada à prevenção de
doenças.
Isso
ajuda a reduzir a pressão arterial, melhora o fluxo sanguíneo e cura o
revestimento de vasos sanguíneos que podem ser lesionados durante o
envelhecimento, explica ele.
A
acelga vermelha também contém polifenóis, incluindo quercetina, kaempferol e
isorhamnetina, que são "poderosos antioxidantes que protegem nossas
células e ajudam a reduzir inflamações", destaca Li.
Ela
também é uma boa fonte de fibras e contém magnésio (necessário para a energia
celular), vitamina K (para a coagulação do sangue) e luteína, que é importante
para a saúde dos olhos e do cérebro.
A
acelga vermelha é especialmente benéfica para os idosos que desejam melhorar o
fluxo sanguíneo, preservar a saúde da visão e cuidar da saúde cerebral,
cardíaca e vascular em geral, segundo Li.
A
melhor forma de consumir a verdura, segundo ele, é não cozinhar demais, o que
retiraria parte dos nutrientes. Ele também destaca que as folhas da acelga
vermelha armazenam a maior parte dos nutrientes benéficos.
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Agrião
Esta
verdura pertence à família Brassica, que também inclui o brócolis, o repolho e
a couve-kale.
O
agrião contém alto teor de vitaminas do complexo B (B1, B2, B3 e B6), além das
vitaminas C e E, cálcio, magnésio, ferro e polifenóis.
Ele
também contém luteína e beta-caroteno, que ajudam a preservar a saúde dos olhos
e as funções imunológicas.
Comer
agrião regularmente também pode ajudar a reduzir as inflamações do corpo (que,
como se sabe, aumentam o risco de doenças cardíacas e diabetes a longo prazo) e
os níveis de colesterol "ruim".
O
agrião também contém isotiocianato de fenetila, um composto natural ligado à
capacidade de reduzir o crescimento de células cancerígenas. Sabe-se que o
agrião é a melhor fonte desta substância, ao lado do brócolis.
A
Jornada Mundial de Psiquiatria declarou o agrião como a principal planta
antidepressiva, em um estudo de 2018. Isso se deve à sua densidade de
nutrientes, incluindo ferro, ácidos graxos ômega-3, magnésio, potássio e
vitaminas.
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Folhas de beterraba
A
beterraba é largamente consumida. Mas, quase sempre, nós comemos apenas as
raízes.
As
folhas da beterraba costumam conter níveis mais altos de proteínas e minerais,
além de compostos fenólicos associados à atividade antioxidante, segundo o
pesquisador Luís Gustavo Sabóia Ponte, da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp), e professor da Universidade Paulista (Unip) e do Centro
Universitário Senac.
"Na
prática, a beterraba é comumente compreendida como a própria raiz e é assim que
ela costuma ser vendida, preparada e relembrada no dia a dia", explica
ele.
"Por
isso, as folhas normalmente ficam de fora dos hábitos alimentares comuns e,
muitas vezes, são simplesmente descartadas."
"Os
hábitos culturais definem profundamente o que é considerado comestível ou
desejável", prossegue Ponte.
"E,
em alguns contextos, as partes folhosas dos vegetais são consideradas
secundárias ou simplesmente desconhecidas da cozinha do dia a dia."
Isso se
aplica também a inúmeros outros vegetais, muitos deles também repletos de
nutrientes, segundo o professor.
As
folhas da beterraba contêm compostos benéficos como cálcio, ferro, vitamina K e
vitaminas do complexo B, especialmente riboflavina.
Os
participantes de um estudo de 2019 com adultos obesos e acima do peso com altos
níveis de LDL (o colesterol "ruim") comeram folhas de beterraba secas
e congeladas por quatro semanas e seu LDL foi reduzido.
No ano
passado, Ponte se dedicou a determinar se os nutrientes das folhas de beterraba
são biodisponíveis. Isso indicaria que conseguimos digerir e nos beneficiar do
seu conteúdo.
Seu
estudo demonstrou que as folhas de beterraba permanecem biologicamente ativas
após a digestão simulada no laboratório. As folhas digeridas exibiram atividade
antioxidante e ajudaram a proteger o DNA contra danos por oxidação.
Ponte
também testou as folhas digeridas em células de câncer colorretal e observou
redução do crescimento celular e da formação de colônias.
Mas ele
alerta que é preciso ter cuidado com essas descobertas. Alguns dos compostos
presentes nas folhas permaneceram disponíveis após a digestão simulada, mas
outros, como vitexina e apigenina, ainda foram detectados após a digestão,
embora em quantidades menores.
A
digestão simulada de Ponte demonstrou o que acontece principalmente até o
intestino grosso, excluindo a fase do cólon, onde o intestino delgado processa
os resíduos.
É
também ali, segundo o professor, que as bactérias intestinais podem transformar
parte desses compostos e, potencialmente, alterar os seus efeitos.
A
confirmação de que podemos ter acesso a todos os nutrientes da folha de
beterraba exigiria estudos humanos e de laboratório que considerem o processo
digestivo completo, segundo Ponte.
Ainda
assim, ele afirma que suas descobertas ajudam a demonstrar que as folhas de
beterraba são um alimento potencialmente valioso.
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Sementes de chia
Estas
minúsculas sementes pretas contêm alta concentração de fibras, proteínas, ácido
alfa-linolênico, ácido fenólico e vitaminas, incluindo altas quantidades de
vitaminas do complexo B.
Elas
contêm fitoquímicos que podem ajudar a proteger o coração e o fígado, além de
ácidos graxos ômega-3 que ajudam a sustentar o sistema imunológico.
Elas já
foram relacionadas a diversos benefícios à saúde, como a redução do risco de
doenças cardíacas, aumento dos níveis de colesterol saudável e a redução da
pressão arterial, do risco de diabetes tipo 2 e de alguns tipos de câncer.
Mas
existem evidências indicando que podemos não estar extraindo tantos benefícios
das sementes de chia quanto poderíamos.
A
professora Rachel Burton, da Universidade de Adelaide, na Austrália, já
estudava fibras alimentares há muito tempo quando decidiu observar as sementes
de chia.
"Existiam
(e ainda existem) na internet muitas recomendações de saúde associadas ao
consumo de sementes de chia, particularmente em relação aos benefícios à nossa
microbiota intestinal", explica ela, "mas aparentemente não havia
muita ciência sólida que as sustentasse."
Burton
observou que um desses benefícios era seu alto teor de fibras.
"A
fibra alimentar é um componente fundamental da dieta e a maioria de nós não
come em quantidade suficiente", segundo a professora.
"Se
as recomendações sobre a chia estivessem incorretas e as pessoas estivessem
pagando por um alimento caro com base nelas, seria importante ficar
sabendo."
No seu
estudo de 2023, Burton fez uma série de testes de laboratório comparando
sementes de chia inteiras, como normalmente são consumidas, e sementes moídas.
Suas descobertas indicaram que comer sementes de chia inteiras pode impedir a
real absorção dos nutrientes que elas contêm.
As
sementes de chia são compostas de dois componentes: a mucilagem no lado externo
da semente, que contém fibras, e as gorduras ômega contidas no interior da
semente, particularmente ômega-3.
"Comer
as sementes inteiras faz com que os nutrientes apregoados, na verdade, não
fiquem disponíveis", explica ela. A mucilagem não sai da semente e as
gorduras ômega ficam retidas no seu interior.
"Por
isso, a menos que você fique muito tempo mastigando, as sementes passam pelo
seu intestino basicamente inalteradas", explica Burton.
Moer as
sementes de chia torna as gorduras ômega mais acessíveis. E a professora
aconselha a moer também outras sementes, incluindo a linhaça, pelo mesmo
motivo.
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Sementes de abóbora
A
abóbora é cultivada em todo o mundo, pela sua casca, pela polpa — e pelas suas
sementes.
As
sementes de abóbora contêm alto teor de ácidos graxos mono e póli-insaturados.
Eles são associados a diversos benefícios à saúde e à redução do risco de
muitas doenças.
Mas
pesquisas indicam que a quantidade de gordura da semente pode variar de uma
variedade de abóbora para outra. E existem cerca de 150 variedades de abóbora
em todo o mundo.
As
sementes de abóbora também contêm ácido linoleico, oleico e palmítico, que já
se demonstrou que ajudam a manter a saúde do coração.
Também
já se demonstrou que as sementes de abóbora trazem benefícios de neuroproteção.
Isso significa que elas podem ajudar a proteger o nosso sistema nervoso contra
danos ao cérebro, aos nervos ou à saúde mental, devido à exposição constante a
substâncias tóxicas, como chumbo e mercúrio, alguns remédios, inseticidas
agrícolas e certas bebidas alcoólicas.
Em um
estudo publicado em 2025, cientistas dividiram 50 ratos em cinco grupos. Por
duas semanas, um grupo recebeu uma dieta básica e os demais receberam
suplementos de sementes de abóbora cruas ou torradas, em duas quantidades
diferentes.
Todos
os ratos que comeram as sementes de abóbora exibiram melhorias da ansiedade,
cognição e memória.
As
sementes de abóbora torradas exibiram os maiores benefícios. Isso possivelmente
ocorre, segundo o estudo, porque o processo de torração faz com que os
nutrientes das sementes sejam mais biodisponíveis, rompendo as células e
liberando antioxidantes relacionados às paredes celulares.
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Folhas de dente-de-leão
Quando
o assunto é comer uma dieta saudável e variada, uma das principais barreiras é
a disponibilidade desses alimentos.
Felizmente,
as folhas de dente-de-leão existem em abundância e são disponíveis para a
maioria de nós na primavera.
À
primeira vista, as folhas de dente-de-leão podem não parecer um ingrediente
comum da cozinha. Mas elas são repletas de compostos benéficos com efeitos
anti-inflamatórios e até anticancerígenos.
Estudos
também demonstraram relação com a redução do risco de doenças cardíacas. Mas,
em uma análise, os pesquisadores afirmam que os estudos com seres humanos são
insuficientes para traçar conclusões a este respeito.
As
folha de dente-de-leão também são uma rica fonte de ácidos fenólicos,
flavonoides, vitaminas (A, B, C, E e K) e minerais (cálcio, sódio, ferro e
magnésio).
Elas
são consumidas em todo o mundo em saladas, sopas, temperos e xaropes, além de
vinho e como substitutos do chá e do café.
Fonte:
BBC Future

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