Barreira
ideológica impede a imaginação de outro projeto social
Nos
últimos anos, a luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
passou a ganhar visibilidade por causa da produção agroecológica. Destaca-se o
arroz produzido sem agrotóxicos, num país que lidera o uso de defensivos
agrícolas em inúmeras culturas e registra altos índices de contaminação na
saúde humana e nos ecossistemas. Mas o cooperativismo praticado entre os
membros do MST, destaca Fernanda Petrus, não diz respeito somente à produção
agroecológica. As experiências desenvolvidas nos assentamentos do Rio Grande do
Sul visam ser uma alternativa à lógica do mercado, onde o lucro é o critério
determinante na tomada de decisão. O cooperativismo praticado pelo movimento,
explica, “é uma forma de produzir que considera os bens naturais como bens comuns
e não como bens privados. Os bens comuns não são apropriados ou extraídos
unilateralmente por nós para fins de acumulação de capital. Eles são extraídos,
transformados, e algo é devolvido, de alguma maneira, para os ecossistemas, com
relações justas não só entre pessoas, mas também interespécies”.
A
expansão do cooperativismo praticado pelo MST e outros movimentos sociais
encontra barreiras no investimento público e na ideologia dominante na
sociedade. O primeiro desafio para dar continuidade a essas iniciativas,
acentua Luciana Correa do Lago, “é a sociedade brasileira acreditar que o
cooperativismo é uma estratégia, um caminho possível de desenvolvimento social.
Isso ainda é muito incipiente no Brasil como um todo. Não tem políticas
públicas efetivas que legitimem o cooperativismo. São políticas muito pontuais,
que não constroem outra leitura, outro projeto econômico e outro projeto de
sociedade para o Brasil”. Essa é uma luta ideológica. “A ideologia dominante
tem como base a crença de que o indivíduo, com seu esforço próprio, consegue
sair das condições precárias em que vive. Essa é uma luta longa e difícil, e a
experiência do MST no RS é uma possibilidade de mostrar e exemplificar caminhos
possíveis de uma outra cidade, de uma outra sociedade”, frisa.
Na
avaliação da pesquisadora, a sociedade brasileira não resiste à lógica
agroecológica do MST, “mas a um movimento camponês que luta, desde os anos
1980, pela reforma agrária, pelo acesso à terra pelos trabalhadores e
trabalhadoras. No Brasil, mexer na propriedade privada é algo entendido como
criminoso. Aí está o ponto principal da resistência ao MST e aos outros
movimentos sociais. Todos os movimentos sociais urbanos e rurais que ocupam
terras a partir do princípio do direito à propriedade, de direito ao uso da
terra, do acesso à terra, sofrem uma grande resistência”.
Na
entrevista a seguir, concedida por WhatsApp ao Instituto Humanitas Unisinos –
IHU, as pesquisadoras apresentam o cooperativismo do MST a partir da
experiência de 36 assentamentos na Região Metropolitana de Porto Alegre e
refletem sobre os desafios de imaginar e construir sociedades mais democráticas
e igualitárias a partir do cooperativismo.
A
temática também será abordada pelas pesquisadoras na palestra “Dos territórios populares à cidade
cooperativa. O caso do MST na metrópole de Porto Alegre”, promovida
pelo IHU nesta quinta-feira, 19-03-2026, às 17h30m. A
atividade, gratuita e aberta ao público, será transmitida na página eletrônica
do IHU, nas redes sociais e no YouTube.
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Confira a entrevista.
- Como surgiu e
funciona o cooperativismo agroalimentar do MST na Região Metropolitana de
Porto Alegre?
Fernanda
Petrus – O sistema se desenvolve a partir de 36 assentamentos na Região
Metropolitana de Porto Alegre e alguns municípios adjacentes. Esses
assentamentos da reforma agrária são resultado da luta dos movimentos populares
organizados a partir dos anos 1980. Esse foi um período em que houve muitas
ocupações de terras no país e os assentamentos foram feitos em resposta a essa
organização dos trabalhadores.
Estes
assentamentos foram criados nos anos 1990, mas as experiências de produção
foram se consolidando no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000. A
experiência do arroz ecológico é posterior às primeiras experiências de
produção de frescos, como hortaliças e frutas ecológicas e orgânicas,
produzidas sem a utilização de agrotóxicos. A produção de frutas e hortaliças
foi pioneira na região metropolitana. Começou com mais ou menos 20 famílias de
alguns assentamentos.
As
primeiras experiências de plantio de arroz sem a utilização de agrotóxicos
começaram em meados dos anos 1990, inspiradas na produção de hortaliças
iniciada anteriormente. Essa iniciativa foi possibilitada num contexto
específico de crise do setor de arroz nacional. A tese do Adalberto Martins –
dirigente do setor de produção do MST/RS – conta bem essa história. No início
dos anos 2000, consolidou-se o grupo gestor do arroz ecológico a partir do
sucesso das primeiras experiências.
- O MST cultiva
arroz ecológico, hortaliças, plantas frutíferas e produz leite. Como
ocorrem a gestão e a operacionalização da produção cooperativa das
famílias?
Fernanda
Petrus – O MST do Rio Grande do Sul tem uma forma específica de organizar o seu
setor de produção, que são os chamados grupos gestores por cadeia produtiva, ou
seja, por tipo de alimento. O setor de produção se organiza em instâncias
separadas: no grupo gestor do arroz ecológico, no grupo gestor das hortas e
frutas, do leite, das padarias, etc.
O grupo
gestor reúne toda a base do movimento. Desde as famílias assentadas, passando
pelos grupos (que podem se organizar para a produção coletiva nos lotes ou para
a certificação orgânica da produção, por exemplo). Depois, tem um nível mais
avançado de cooperação, que são as Cooperativas de Produção Agropecuária
(CPAs), localizadas nos assentamentos. Elas têm uma infraestrutura maior de
agroindústria, processamento e beneficiamento da produção.
O grupo
gestor é, portanto, o espaço onde as decisões são tomadas e a cadeia produtiva
é organizada. Além dos grupos, famílias e CPAs, faz parte do grupo gestor tanto
a Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap)
quanto a Cooperativa Central dos Assentamentos do Rio Grande do Sul (Coceargs).
A Cootap é a cooperativa regional que garante os serviços necessários para o
funcionamento dessa cadeia produtiva, como a extensão rural (assessoria técnica
às famílias), o beneficiamento, a secagem e o armazenamento dos grãos de arroz.
Também apoia a certificação orgânica via processos participativos. Já a
Coceargs é a certificadora de orgânicos do MST.
Esses
diversos atores compõem os grupos gestores de cada cadeia produtiva. Na
produção de arroz, por exemplo, atuam as famílias, grupos que organizam a
produção e a certificação coletivamente, as CPAs, que têm as agroindústrias e
armazenam, secam e fazem o beneficiamento do arroz, e as cooperativas regionais
e estadual, que atuam no beneficiamento e na certificação, além de no
fornecimento de insumos, em assessoria técnica e na circulação e
comercialização da produção. A COOTAP tem frotas de caminhões para organizar a
comercialização do arroz e também insere as famílias no Programa de Aquisição
de Alimentos (PAA) e no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que
permite a compra institucional de alimentos pelo Estadp. Nesse sentido, o grupo
gestor é uma grande instância organizativa do movimento.
- Como é o
processo de produção de arroz ecológico, sem agrotóxicos, produzido pelo
MST?
Fernanda
Petrus – Do início ao fim da cadeia produtiva, o processo do arroz é diferente
da produção convencional. Nesse sentido, podemos citar o manejo da resteva, ou
seja, de toda a palha e matéria orgânica que sobram depois da colheita. Na
produção convencional, esses resíduos não são reintegrados no processo de
fertilização do solo. No manejo da resteva, toda a palha é incorporada como
matéria orgânica, visando o fechamento dos ciclos de nutrientes desse solo.
Dentro
das áreas de cultivo de arroz também há a integração da pecuária, de aves e
patos – esse é outro diferencial do arroz ecológico. A gestão da água também é
diferente. O MST participa da construção de distritos de irrigação, que é uma
instância onde acontece a gestão coletiva da água, que organiza os fluxos de
água para irrigação da produção de arroz de todos os envolvidos naquela safra.
Além
disso, são desenvolvidas atividades de educação ambiental vinculadas ao
processo produtivo, porque a organização das famílias vai muito além da
dimensão técnico-produtivo. Nos assentamentos, existem escolas, centros de
formação, grupos de juventude e de mulheres e uma série de atividades
culturais. Também existe uma infraestrutura verde vinculada à produção do arroz
e das hortas: captação da água da chuva, produção de energia solar e
preservação das matas ciliares. Tudo isso é incorporado dentro da cadeia
produtiva do arroz.
O
próprio processo de certificação também é diferente do modelo do mercado, onde
geralmente se contrata a auditoria de uma empresa externa para certificar a
produção como orgânica. No MST, a certificação não é feita dessa forma. Ela é
realizada por meio dos sistemas participativos de garantia. O arroz do MST tem
o mesmo selo dos demais orgânicos brasileiros, mas o processo de certificação é
totalmente diferente, baseado na confiança e nas relações de reciprocidade das
famílias organizadas em grupos, que são responsáveis por fazer os registros, os
cadernos de campos, as visitas cruzadas e se responsabilizam coletivamente
pelas práticas adotadas nesse processo. Esse modelo é fruto de uma política
pública que permitiu esse processo de certificação oficial vinculado ao
Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
- Uma das
justificativas para o uso de agrotóxicos na agricultura é a garantia da
alta produtividade, tendo em vista o consumo interno e externo. Que
contrapontos a experiência do MST apresenta a essa lógica?
Fernanda
Petrus – A produtividade do arroz ecológico produzido pelo MST gira em torno de
cinco ou seis toneladas por hectare. Isso representa de 60 a 70% da
produtividade do arroz convencional no Rio Grande do Sul. Segundo dados do
Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), a produção convencional tem uma
produtividade de cerca de oito a nove toneladas por hectare. Apesar de produzir
em menor quantidade, a produção do MST gera os benefícios que mencionei
anteriormente, como a conservação da agrobiodiversidade, a preservação dos
corpos hídricos e a integração entre as espécies. Esses benefícios justificam a
opção pela produção ecológica, que não é orientada somente para o lucro e não
tem a produtividade como prioridade máxima.
É
interessante notar que, apesar de o MST ser o maior produtor de arroz da
América Latina e produzir cerca de 80% da produção de arroz orgânico do Brasil,
a produção de arroz do MST representa menos de 1% da produção de arroz do Rio
Grande do Sul. Isso nos dá noção do desafio gigante que é pensarmos uma
transição agroecológica em termos nacionais.
- Em que aspectos
o cooperativismo praticado pelo MST se contrapõe ao modelo de produção
orientado pelo mercado?
Fernanda
Petrus – Eu já citei alguns aspectos de como o MST se contrapõe, mas gostaria
de destacar também alguns princípios da agroecologia e da economia popular
solidária que orientam o cooperativismo do MST e que têm a ver com a forma de
produzir os alimentos, para além do não uso de agrotóxicos. É uma forma de
produzir que considera os bens naturais como bens comuns e não como bens
privados. Os bens comuns não são apropriados ou extraídos unilateralmente por
nós para fins de acumulação de capital. Eles são extraídos, transformados, e
algo é devolvido, de alguma maneira, para os ecossistemas, com relações justas
não só entre pessoas, mas também interespécies.
O
cooperativismo tem a ver com relações justas de trabalho, com a propriedade dos
meios de produção – as agroindústrias –, a posse da terra para quem nela
produz, ou seja, a gestão coletiva da terra e dos meios de produção. Esses são
contrapontos importantes à forma de produção convencional, seja de arroz, seja
de outras culturas.
As
CPAs, que estão localizadas nos assentamentos, são o modelo mais avançado de
cooperação do sistema do MST. São cooperativas baseadas na autogestão e na
propriedade coletiva dos meios de produção. Então, a terra, o maquinário, a
agroindústria são de propriedade coletiva com participação direta dos
cooperados nos processos decisórios e na divisão igualitária dos resultados do
trabalho. Esses são grandes contrapontos que podemos destacar entre o
cooperativismo e o modelo orientado pelo mercado.
- O MST conseguiu
superar a lógica do mercado?
Fernanda
Petrus – Essa é uma pergunta difícil, porque, embora a organização interna das
cooperativas seja orientada pela reciprocidade, a solidariedade não constitui o
comportamento predominante da sociedade em que este sistema está inserido.
Então, muitas vezes, as relações externas acabam tendo que se aproximar de uma
racionalidade de mercado para viabilizar a comercialização e a concorrência de
preço no mercado, por exemplo. Nesse sentido, é impossível superar
completamente o modelo de produção capitalista estando inserido neste sistema.
Isso não vale somente para o MST, mas para todas as experiências da economia
solidária existentes no país.
As
práticas econômicas onde prevalecem a reciprocidade e a solidariedade se
afirmam como ação política. Num sistema que funciona em outra lógica, como o
nosso, sempre haverá tensões e contradições entre as relações orientadas pela
reciprocidade e autogestão e as relações hierarquizadas de redistribuição
(Estado) e de mercado. Para analisar essas práticas, temos que considerar as
suas contradições, mas também as potências que elas têm de transformar a
sociedade num nível mais amplo.
- Quais são os
principais desafios na manutenção e expansão desse tipo de cooperativismo
nas cidades brasileiras?
Luciana
Correa do Lago – O desafio é, em primeiro lugar, a sociedade brasileira
acreditar que o cooperativismo é uma estratégia, um caminho possível de
desenvolvimento social. Isso ainda é muito incipiente no Brasil como um todo.
Não tem políticas públicas efetivas que legitimem o cooperativismo. São
políticas muito pontuais, que não constroem outra leitura, outro projeto
econômico e outro projeto de sociedade para o Brasil. Esse é o principal
desafio e essa é uma luta ideológica.
Hoje,
somos dominados pela ideologia empreendedora. O empreendedorismo vem com uma
força enorme tanto por parte das mídias quanto dos governos. Mesmo no campo da
economia solidária, hoje falamos em empreendedorismo solidário, que ninguém
sabe exatamente do que se trata. Ou seja, a ideologia dominante tem como base a
crença de que o indivíduo, com seu esforço próprio, consegue sair das condições
precárias em que vive. Essa é uma luta longa e difícil, e a experiência do MST
no Rio Grande do Sul é uma possibilidade de mostrar e exemplificar caminhos
possíveis de uma outra cidade, de uma outra sociedade.
O papel
do Estado na construção desse modelo é fundamental. Sem investimentos pesados,
como sabemos que teve no caso do cooperativismo ecológico do MST no Rio Grande
do Sul, a consolidação do cooperativismo não vai acontecer.
- Que benefícios o
cooperativismo pode promover para a sociedade?
Luciana
Correa do Lago – No caso da experiência do MST, há um efeito importante para os
próprios trabalhadores e trabalhadoras agrícolas que produzem alimentos
saudáveis nas agrovilas e nos assentamentos, que é a melhora nas condições de
vida. O movimento tem agroindústrias, produção de moradias, mobilidade urbana,
escolas, formação técnica. É um cooperativismo que abarca um conjunto de
fatores fundamentais para a reprodução de uma vida digna. Para os cooperados e
as cooperadas, os benefícios são enormes na medida em que se alteram os
patamares das condições de vida deles.
A
participação do MST nos circuitos de abastecimento de alimentos agroecológicos
nas feiras de Porto Alegre também é fundamental e beneficia um contingente
populacional enorme, que são as pessoas que consomem esses alimentos. Além das
feiras, tem a estratégia das cozinhas solidárias, das articulações com
movimentos sindicais nas cidades, o que permite a disposição de alimentos para
populações sem condições de comprá-los. Portanto, uma diversidade de grupos
sociais se beneficia desse cooperativismo muito amplo. Tanto trabalhadores do
campo quanto trabalhadores urbanos ganham muito com essa iniciativa.
- Que outros
modelos de cidade seriam possíveis a partir da maior disseminação da
agroecologia?
Luciana
Correa do Lago – Em relação a outros modelos de cidade, igualitários e
democráticos, em que a agroecologia seria um dos princípios norteadores, é
importante destacar que a agroecologia é muito mais do que produção de
alimentos saudáveis. É uma produção, primeiramente, pautada por outra lógica
produtiva, que não é só o aumento da produtividade em si mesmo, mas uma
produtividade para reprodução da vida.
A
agroecologia engloba um conjunto de outras dimensões fundamentais para essa
outra cidade, como, por exemplo, o saneamento e a infraestrutura que garantem a
produção. Então, pensar a agroecologia é também pensar acesso à água potável,
sem contaminação, escoamento de esgoto ecológico, com várias tecnologias
sociais que estão sendo desenvolvidas tanto no campo quanto na cidade, com os
biodigestores, além da dimensão da logística, que depende da infraestrutura
urbana de mobilidade.
Várias
experiências fragmentadas estão tentando imaginar outro projeto de cidade, mas
os problemas são o financiamento e a luta ideológica envolvida na divulgação
das experiências. Entretanto, projetos estão sendo feitos. Daí, mudar de
patamar e pensar outro sistema urbano, outro projeto, imaginar outra cidade,
tem uma distância ainda.
Estamos
num momento de divulgação, de tornar isso conhecido, de saber que é possível
sanear uma favela na cidade com saneamento ecológico e que é possível plantar
na cidade. A agricultura urbana é um tema que agora está ganhando visibilidade.
Hoje, está na pauta do movimento agroecológico; não estava antes. A relação
campo/cidade faz parte desse outro projeto e modelo de cidade igualitária e
democrática.
- Por que parte
significativa da sociedade brasileira resiste ao MST e à lógica
agroecológica do movimento?
Luciana
Correa do Lago – O fundamental não é a resistência à lógica agroecológica, mas
a um movimento camponês que luta, desde os anos 1980, pela reforma agrária,
pelo acesso à terra pelos trabalhadores e trabalhadoras. No Brasil, mexer na
propriedade privada é algo entendido como criminoso. Aí está o ponto principal
da resistência ao MST e aos outros movimentos sociais. Todos os movimentos
sociais urbanos e rurais que ocupam terras a partir do princípio do direito à
propriedade, de direito ao uso da terra, do acesso à terra, sofrem uma grande
resistência. É o que chamamos de criminalização dos movimentos sociais.
Aí tem
algo interessante: quando o MST, no Rio Grande do Sul, consegue alcançar um
grau de produtividade – como se fala hoje no agronegócio – elevado no arroz
orgânico, essa imagem começa a se alterar. Precisamos aprender com essa
experiência. Quando a sociedade brasileira começa a saber que o MST é o maior
produtor de arroz orgânico do país e da América Latina, começa a mudar e a
romper com a visão do MST como invasor de terras e como um movimento criminoso.
Uma
estratégia importante do MST foi entrar para a política institucional, com
candidatos e candidatas no Congresso, nas Assembleias Legislativas e nas
Câmaras de Vereadores. Essa tem sido uma estratégia fundamental para quebrar a
resistência. No Rio de Janeiro isso tem ocorrido. Marina do MST (PT) tem um
papel no campo da segurança alimentar e é presidente da Comissão de Segurança
Alimentar da Assembleia Legislativa. Tudo isso vai redefinindo a imagem do MST
no país.
Fonte:
Entrevista com Fernanda Petrus e Luciana Correa do Lago, para IHU

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