Igreja
Copta: história, tradições e diferenças com o catolicismo
O
cristianismo é uma das maiores religiões do mundo e possui diversas tradições e
denominações. Entre as mais conhecidas estão a Igreja Católica e as igrejas do
Protestantismo. No entanto, existem também tradições muito antigas e menos
conhecidas no Ocidente, como as igrejas ortodoxas orientais.
Entre
elas está a Igreja Copta Ortodoxa de Alexandria, uma das instituições cristãs
mais antigas ainda em atividade. Embora seja pouco conhecida fora do Oriente
Médio, essa igreja possui uma história que remonta aos primeiros séculos do
cristianismo e preserva tradições muito antigas da fé cristã.
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Uma igreja que nasceu no Egito
A
Igreja Copta surgiu no Egito e, segundo a tradição cristã, foi fundada no
século I pelo evangelista São Marcos Evangelista.
O
próprio nome “copta” vem da palavra grega Aigyptos, que significa “Egito”. Com
o passar do tempo, o termo passou a ser usado especialmente para identificar os
cristãos egípcios.
Hoje,
estima-se que existam cerca de 22 milhões de coptas no mundo, sendo a maioria
concentrada ao longo do Vale do Nilo. Apesar disso, comunidades coptas também
estão espalhadas por diversos países, inclusive no Brasil.
De
acordo com a tradição copta, São Marcos Evangelista chegou à cidade de
Alexandria por volta do ano 42 d.C., em um período em que a cidade era um dos
maiores centros culturais do Império Romano.
Um
relato tradicional afirma que sua primeira conversão ocorreu quando Marcos
curou um sapateiro chamado Ananias, que havia se ferido enquanto trabalhava. A
partir desse episódio, uma pequena comunidade cristã começou a se formar na
região.
Após o
martírio de Marcos, no ano 68 d.C., Alexandria se tornou um dos principais
centros do cristianismo primitivo, ao lado de cidades como Roma, Jerusalém e
Antioquia.
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Alexandria: um centro intelectual do cristianismo
Nos
primeiros séculos da era cristã, Alexandria também se destacou como um
importante centro de pensamento teológico.
Foi ali
que surgiu a famosa Escola Catequética de Alexandria, fundada no século II. A
escola reunia estudos de teologia, filosofia, matemática e ciência, formando
alguns dos pensadores mais influentes do cristianismo antigo.
Entre
os nomes mais conhecidos estão:
• Orígenes
• Clemente de Alexandria
• Santo Atanásio
Esses
teólogos ajudaram a desenvolver interpretações da Bíblia e ideias que
influenciaram profundamente o pensamento cristão ao longo dos séculos.
Outro
aspecto marcante da tradição copta é o surgimento do monaquismo cristão.
No
século IV, o deserto egípcio tornou-se um importante centro espiritual para
pessoas que buscavam uma vida dedicada à oração e à disciplina religiosa.
Entre
os principais nomes dessa tradição estão:
• Santo Antônio do Deserto, considerado o
primeiro monge cristão
• São Pacômio, fundador do monaquismo
comunitário
• São Macário do Egito, importante líder
espiritual do deserto
Por
causa dessa tradição, muitos historiadores chamam a Igreja Copta de “mãe do
monaquismo cristão”. Até hoje, vários líderes da igreja são escolhidos entre
monges.
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A separação da Igreja Católica
A
Igreja Copta se separou da Igreja Católica e das igrejas ortodoxas após o
Concílio de Calcedônia, realizado em 451 d.C.
O
concílio discutiu um tema central da teologia cristã: a natureza de Cristo.
A
posição adotada pela Igreja Católica e pelas igrejas ortodoxas afirma que Jesus
possui duas naturezas completas, uma divina e outra humana.
Já a
tradição copta segue a teologia chamada miafisismo, que ensina que, após a
encarnação, a natureza humana e a divina de Cristo estão unidas em uma única
natureza inseparável.
Esse
desacordo teológico provocou um cisma que permanece até hoje.
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Principais diferenças entre coptas e católicos
Apesar
de compartilharem a mesma origem cristã, existem algumas diferenças importantes
entre a Igreja Copta e a Igreja Católica.
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Autoridade religiosa
Na
Igreja Católica, o líder máximo é o papa, atualmente Papa Francisco,
considerado sucessor do apóstolo Pedro.
Na
Igreja Copta, o líder é o Papa de Alexandria, atualmente Papa Tawadros II,
patriarca da Igreja Copta.
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Teologia sobre Cristo
Como
mencionado anteriormente, a principal diferença histórica envolve a
interpretação sobre a natureza de Cristo — duas naturezas para católicos e
ortodoxos, e uma natureza unificada segundo a tradição copta.
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Liturgia
A
Igreja Católica utiliza principalmente o rito romano em suas missas. Já a
Igreja Copta utiliza o rito alexandrino, uma liturgia muito antiga marcada por
cânticos longos, uso intenso de incenso e orações tradicionais.
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Calendário religioso
A
Igreja Copta possui seu próprio calendário, com 13 meses e início no ano 284
d.C., chamado de Era dos Mártires, em memória das perseguições sofridas pelos
cristãos durante o governo do imperador Diocleciano.
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Jejuns
Os
jejuns também são muito mais extensos na tradição copta. Em alguns períodos do
ano, os fiéis seguem dietas estritamente vegetarianas, podendo passar mais de
200 dias em jejum ao longo do calendário religioso.
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A presença copta no Brasil
Apesar
de sua origem egípcia, a Igreja Copta também possui presença no Brasil.
A
comunidade começou a se organizar principalmente a partir da década de 1990,
com a chegada de imigrantes e fiéis interessados na tradição oriental do
cristianismo.
Em São
Paulo foi construída a Catedral Copta de São Marcos, que hoje funciona como
centro religioso da comunidade no país. Atualmente existe uma diocese copta que
atende fiéis brasileiros e também comunidades em outros países da América do
Sul.
Com
mais de dois mil anos de história, a Igreja Copta Ortodoxa permanece como uma
das tradições cristãs mais antigas ainda vivas.
Mesmo
enfrentando períodos de perseguição e mudanças políticas ao longo dos séculos,
os coptas continuam preservando práticas, liturgias e ensinamentos que remontam
aos primeiros tempos do cristianismo.
Fonte:
Por Penelope Nogueira, na Fórum

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